Mudo

1 Mudo - Mudo


Logo após o fim de um conflito civil, um homem via-se diante das tropas vencedoras. Horrendo, tendia apenas a ajoelhar-se, com as mãos aos céus, pedindo misericórdia.
“O que devo fazer diante deles? Sabem quem sou? Não posso falar, muito menos mostrar quem e como sou, o que devo fazer?”
“Pegue-o, leve junto dos outros três e veremos o que fazem”
“São poucos, tem certeza?”
“E por que não teria? Faça ou será um deles, idiota.”
Três dos nove soldados próximos ao general moviam-se na sua direção, com armas em mãos. Um deles apontava para ele, calmamente.
“Não posso, não devo, não vou, isso é desgraça, muita desgraça.”
“Venha, e não atacaremos, seja quem for, é tua obrigação seguir seu reino, de agora em diante.”
Não havia opção, se queria viver, deveria seguir as ordens, contudo, não sairia vivo a não ser que fosse salvo. Iriam trazer-lhe a morte logo após a descoberta, conhecia quem eram, era por isso que atacaram, temiam o silencio, e por isso o desfazia, um terror.
“Desgraça, desgraça, desgraça...”
“Isso, venha.”
Adentro da máquina, havia mais quatro, além dele. Um Çe, dois Ça e um Au, todos com os mesmos segredos, porém, mais avançados.
“E imaginar que sobreviveram. Talvez encontraram uma maneira de sair das linhas?”
“Por que? Se tivessem não teriam vindo aqui, bem, seja como for, pegue o ultimo quando chegarmos, ele esta em paralisia, quero ver mais de perto.”
“Sério? Como? Como soube? É por causa dos olhos?”
Observava-o curiosamente sarcástico.
“Credo, agora entendi.”
Olha para baixo, as pernas sangravam aos joelhos.

Parando, um solavanco acorda os cinco num empurrão doloroso. Que havia mais pessoas sabia-se, só não sabia o quanto. O caminho foi curto, chegando ali, tiram-se os sacos da cabeça.
“Céus, onde encontraram? ”
Um ah via todo seu rosto ao toque, com cara de remorso.
“E isso é útil? Dane-se donde vieram, faça.”
“Espera que eu faça sem saber de onde diabos vieram? És o que? Demente?”
De trás dele um quadriculado vidro ocupando o fundo da sala enchia-se de serpentes, sibilante sorrateiramente.
“Que eu saiba os últimos que você soube da onde vieram, mataram o ultimo tenente, és tu o demente, não acha?”
O general aproximava com uma adaga em mãos, apontando para o idoso.
“Seria se não fosse sua competência, escrúpulo.”
“E o que minha piedade tem a haver com as nossas vitórias a partir de ti? Só trago os que restaram, nenhum nunca volta depois de ir, e sempre será assim, pois sou eu quem os leva e os deixa, entende?”
“Não e nem quero, pegue, aqui está, e leve isso para bem longe, se é o que diz.”
Um frasco amarelo é entregue ao homem, que olha para os soldados, enojado.
“Esperam o que? Presentes? Vamos! Voltem ao que fazem! Seja lá o que for.”
“A menina, vai bem?”
O idoso faz medidas dos cinco homens, escutando tudo.
“E eu sei? Da ultima vez foi levada por cinco, vocês não tem clemência, muito menos piedade.”
“Tempos como estes são assim, e caso ache ruim, levarão você na próxima.”
Deixando uma fita cair no chão, o idoso se agacha.
“Ah, coitados, façam isso e perderão tudo, ainda não sei nem como não entendem o que faço, os três últimos viraram esterco, já a garota, bem, vocês são nojentos.”
E naquele momento, ao levantar-se dolorosamente, o Au dá-lhe um pontapé no traseiro.
“AH!”
O Çe levantou e correu até as cobras, pelo lado oposto do general, à esquerda. O primeiro Ça correu até o idoso, agarrando-lhe pelo pescoço e o segundo até o ultimo, sangrando.
“Dê-me isso, e ele não morre.”
“Tolo, faça isso e matarei seu irmão com suas mãos, não queira saber como.”
“E não saberei, irá fazer o que quero, não há chance.”
“Por que não?”
“Por que eu sinto”
O Çe, com os braços cheios, dispersou por todo o local as serpentes, que seguiam o cheiro de sangue.
“Velho imundo, e ainda por cima são devoradoras? Que morra então! Praga!”
“E então, o que pretendem? Sou o refém, nada tenho além de mim mesmo, já ele tem tudo, por hora.”
“Isso não importa, seu sangue é bom, não é?”
“Não sei, por que seria?”
“Por que prefiro um deformado no lugar dum vidente.”
E ali morria, destroçado, junto dum nariz socado, o velho desnutrido, horrendo e sangrado.

Notas finais
Eu escrevi com o intuito de deixa confuso, é bem provavel que me esqueça logo amanha, por isso, deixo aqui uma explicação:
O nome.

Obrigado
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!