Mudanças

11 Capítulo 11


Notas iniciais
Bom pessoas... Aqui está! Espero que gostem... Aqui está o jantar e estamos chegando em um ponto sem volta. Aproveitem a leitura! ;)

Gustavo percebeu assim que o convite saiu de sua boca, o quanto nervosa Cecilia ficara. Não queria causar nenhum tipo de constrangimento ou de desconforto nela, longe disso, queria diverti-se com elas. Passar uma noite agradável e faria o que fosse possível para que assim fosse.
Decidiu por um restaurante menos formal, primeiro por Dulce, queria que ela se sentisse a vontade. Um ambinte mais familiar. Eles três em um ambiente familiar.

Cecilia continuava nervosa, depois do dia tranquilo, em comparação ao furacão Dulce que passou a tarde na empresa e poderia ter aprontado e falado, foi tranquilo. Mas agora, se ver no restaurante, com o chefe e a filha. Isso sim era demais. E não de uma boa forma.

Adorou o restaurante, era simples e familiar. Dulce adorou e na hora que entrou já se concentrou na área de recreação.

Foram levados até uma mesa.

– Mamãe eu posso ir no parquinho? Olha lá! É pertinho!
– Filha nós acabamos de chegar, que tal a gente primeiro escolher alguma coisa pra comer e conversarmos?
– Mas mamãe, eu quero ir no parquinho! Você escolhe minha comida e fica tento uma conversa de adultos mais velhos com o Gustavo!
Era tudo que Cecilia precisava, ser chamada de velha aos vinte e quatro anos pela a filha. E mais, jogar conversa fora com o chefe. Que só olhava e sorria de tudo.
– Tudo bem, você pode ir mas já sabe, nada de sair daqui! Entendeu Dulce?
– Sim pi ri rim!
Dulce saiu apressada da mesa e foi em direção ao parquinho, já tinha crianças por lá! Queria brincar!

Um garçom veio atende-los, pedidos feitos e agora seria esperar.

Cecilia olhou pros lados um pouco sem jeito. Pela a primeira vez se viu com o Gustavo sem o ambiente de trabalho, o que dava uma segurança. Sabia o que dizer, mas agora, agora eram muitas possibilidades.

Gustavo não iria perder a chance, queria saber tudo o que pudesse sobre Cecilia. Faze-la sorrir, corar.

– Cecilia, não precisa ficar nervosa!
Falei sorrindo pra ela.
– Mas eu não estou nervosa, tá tudo bem.
– Você não para de contorcer suas mãos e isso é o seu sinal de nervosismo. Anda, relaxa, é só um jantar. Vamos nos divertir!
Cecilia suspirou, não podia nada de ruim acontecer. Era apenas um jantar. Sorriu, era apenas um jantar.

Gustavo aproveitou quando notou que ela estava relaxando e foi direto ao que queria saber.

– Cecilia tem uma coisa que eu quero saber a algum tempo, espero que você não fique constrangida e mais, não se sinta obrigada a me responder. Só se você se sentir a vontade pra isso.
– Tudo bem. O que seria?
– Como você acabou adotando a Dulce?
Cecilia não resistiu, sorriu lembrando do momento em que a viu na porta. Do susto, e depois da preocupação de que ela ficasse bem. Iria contar. Não tinha o porque de resguardar essa informação.
– Eu a encontrei dormindo na porta da minha casa. Simples assim. Cheguei do trabalho e lá estava ela, encostada na porta, usando a mochila de travesseiro e dormindo. Eu não conseguia acreditar no que estava vendo. No principio, eu achei que ela estivesse perdida. Grande engano o meu.
– O que ela te disse?
– Ela me contou que fugiu do orfanato em que vivia, que lá as pessoas responsáveis a maltratavam. O que era verdade. Foi quando liguei pro Cristovão e ele me ajudou, na hora o que queria era garantir que ela ficasse em um bom lugar. E ele me disse que pra garantir isso, eu teria que me responsabilizar por ela.
– Você não pensou em quanta responsabilidade isso iria te trazer? Ela é uma menina especial, dá pra ver assim que colocamos os olhos nela. Mas ainda assim, você sendo tão jovem, não pensou no que isso iria trazer pra sua vida?
Claro que foram pensamentos que passaram por sua mente, mas nada naquele momento, era mais importante do que garantir a segurança da Dulce.
– Claro que passou, rapidamente. Na hora que ela me abraçou chorando, pedindo que eu não a mandasse de volta para o orfanato. Nada mais importava. Garantir que ela ficaria segura era a minha única preocupação.
– Estou admirado. Você é uma excelente mãe. Ela não poderia ter encontrado alguém melhor.
Cecilia sorrio. Ela ficou verdadeiramente lisonjeada com esse comentário. Ela se esforçava pra que ela como mãe da Dulce, fosse o suficiente, que nada viesse a lhe faltar.
– Obrigada! Hoje eu sou mais feliz por ter ela. Se eu penso na minha vida, não consigo imaginar sem a Dulce, ela é a parte vital.
– Essa menina tirou a sorte grande em ter te encontrado.
Cecilia sorrio, era uma conversa fácil, sem preocupações.
– E a sua vida? Antes da Dulce?
Por essa ela não esperava, ele querer saber da Dulce, era normal. Mas da sua vida.
– Nada de mais. Morei em um colégio interno, minha irmã mora no Nordeste em Recife, sendo mais específica. Sempre fui muito focada nos meus estudos. E hoje, bom eu estou aqui.
Ela sorrio e Gustavo quase se viu suspirando. Quase, porque conseguiu se segurar a tempo. Ela é linda. E quando sorri então, torna tudo mais bonito ao redor.

Cecilia não podia deixar de sorrir quando ele sorria daquela maneira. Um sorriso amplo, contagiava.

– Eu falei muito de mim, e sobre você? Isso claro, se não for ultrapassar qualquer limite.
– Estamos aqui como amigos, e não como chefe e secretária. O que exatamente você quer saber?
– Tudo?
– Tudo seria muito! Imagina se eu te conto minha vida toda! Vamos ao mais importante!
– E isso seria?
– Deixa eu ver, ok, eu comecei a empresa do nada. Comecei do zero! E minha vida amarosa, não foi das melhores.
– O que você quer dizer? Sem sorte no amor?
Ela me olhou com descrença.
– Eufemismo seu falar dessa maneira! Acho que fui amaldiçoado!
Ela riu e eu fiz uma expressão mais seria. Ela até tentou se conter. O jeito seria contar a história toda.
– Eu me apaixonei. Amei verdadeiramente essa mulher, o nome dela era Tereza. Tivemos por anos um bom relacionamento, mas depois, do nada eu posso dizer, ela ficou distante e me disse que aquilo que tínhamos não era o suficiente, que ela estava me deixando. Assim, do dia pra noite. Eu argumentei claro, ninguém acaba uma relação do nada. Mas nada adiantou.
– Eu sinto muito, de verdade.
– Não sinta, ainda. Tem mais.
Falei balançando a cabeça.
– Cerca de ano depois, recebo uma ligação de um hospital, ela havia morrido lá e eu era o número de contato. Lá eu soube que ela tinha uma doença grave e que não resistiu. Inclusive os médicos me contaram que ela passou por uma gravidez. Mas que devido a doença seria impossível ela ter levado até o final. Ou seja, no final, eu perdi a mulher que amei, que não confiou em mim para me contar o que acontecia, e com ela um filho. Depois disso, foquei no trabalho, e hoje estou aqui. Como você mesma disse!
Cecilia queria poder dizer palavras que o consolasse mas nada podia ser dito. Isso era demais pra qualquer pessoa.
Pegou em sua mão e a apertou. Nada mais precisava ser dito.

Era um simples aperto de mão. Mas tanto foi sentido por ambos. Gustavo sentiu o que não sentia a muitos anos, sentiu-se feliz e completo, ali com um aperto de mão.
Cecilia era um mar de sentimentos, não calmo. Não sabia onde tudo isso poderia leva-la, e lá no fundo, uma voz lhe dizia que o melhor seria descobrir.

Foram interrompidos por uma pergunta.

– Porque você tá segurando a mão da minha mãe Gustavo? Vocês são namorados agora?
– Dulce Maria!
Cecilia ofegou e soltou a mão do Gustavo gentilmente.
– Nós estávamos conversando, nada de mais. E claro, que ele não é meu namorado.
– Eu deixo ele namorar você, se você quiser mamãe.
Gustavo riu. Dulce era a melhor. Cecilia engasgou-se e ficou vermelha.
– Aqui Cecilia, toma um pouco de suco. Vai te fazer bem.
– Obrigada.
Dulce se sentou e não entendeu o porque da mãe ficar vermelha sempre que ela falava do Gustavo. Não tinha nada de mais nisso.
– A comida vai demorar? Minha barriga tá fazendo barulho!
– Deve tá chegando Dulce!
Foi Gustavo acabar de falar, e lá vinha o garçom com a comida!
– Iuupeee! Tava morrendo de fome!

A refeição foi tranquila, depois de todo a conversa de namorados, Dulce só falava da sua festa, e o quanto estava ansiosa por ela. Mais uma vez Gustavo perguntou o que ela queria de presente e ela respondeu que nada. Que ela já tinha tudo o que queria.
Dulce perguntou se podia ter sobremesa e escolheu um pedaço magnifico de bolo de chocolate, afinal, chocolate era a melhor coisa do mundo. Mas acabou que o pedaço era grande o suficiente para que os três o dividissem. E assim fizeram.

Quem olhava para os três de fora, não duvidava que eli estava uma família feliz.

Gustavo pagou a conta, Cecilia reclamou, porque gostaria de dividir. Ele sequer deu ouvidos.

No caminho para casa, houve menos tagarelice. A tagarela oficial, encontrava-se dormindo profundamente, não foi preciso nem dez minutos.
E Cecilia pensou que aquela seria a primeira vez em tempos, que Dulce dormia sem reclamar que estava indo dormir.

– Posso saber do que você tá sorrindo?
Cecilia assustou-se.
– Essa está sendo a primeira vez em tempos em que eu não preciso enfrentar uma guerra para coloca-la para dormir. Hoje vai ser só colocar na cama.
Gustavo sorrio, ela parecia bem satisfeita. Ele não imaginava que fosse tão complicado colocar uma criança pra dormir. Talvez um dia viesse a descobrir.

Chegaram na casa da Cecilia. Gustavo abriu a porta para Cecilia e logo depois foi pegar Dulce, que sequer se mexeu.

Gustavo olhou pra Cecilia, como se pedisse permissão. Queria levar a menina para dentro. Cecilia mostrou o caminho.
Eles entraram no quarto de Dulce, Gustavo a depositou na cama e saiu, dando privacidade para as duas.
Cecilia tirou a sapatilha da filha, a tiara de sua cabeça e desfez o pentado. Deu o beijo de boa noite e fechou a porta.

Parado no meio da sua sala, olhando ao redor, estava Gustavo. Cecilia respirou fundo e chegou perto dele.

– Sua casa é muito aconchegante.
– Obrigada! Nosso lar! Posso te oferecer um café?
– De form alguma. Eu não quero te incomodar, e sei, que assim como eu, você também está cansada. Vamos deixar o café para um outro dia.
– Tudo bem.
– Eu vou cobrar pelo café Cecilia!
– Eu realmente espero que você cobre por este café.
Falou séria enquanto olhava em seus olhos.
Não podia acreditar no que acabara de falar. Acabou de flertar com o chefe.

Gustavo gostou da resposta, sorrio para Cecilia, na verdade não fez muita coisa essa noite que não fosse sorrir pra ela, com ela e também um pouco dela.

Cecilia o levou até a porta, e lá, com ela parada em sua frente, ele não pôde resistir. Acariciou seu rosto. E saiu.

Cecilia fechou a porta, e não, não conseguia acreditar no que acabara de acontecer. Não só flertou com o Gustavo, como o mesmo acariciou seu rosto. Tinha um rastro quente ondo o mesmo lhe tocara.

Suspirou e decidiu ir dormir. Estava realmente muito cansada. Queria colocar os pensamentos em ordem e quem sabe os sentimentos também, se assim fosse possível.

Notas finais
Olha ai... O que vocês acharam do jantar? A partir daqui vou dar uma acelerada nas coisas... Ou seja, a festa da Dulce vem ai! Ótimo Domingo pra todos! Bjos