Mudanças

1 Capítulo Único


Notas iniciais
Cara, eu tava com um bloqueio de mais de mês pra tentar escrever fanfic com OC, e agora tá chovendo ideias ;u; Isso é uma delícia quando não se tem uma longfic pra atualizar que tá paradona lá -q Enfim, essa foi mais descontraída mesmo, ainda não cheguei ao ponto que eu queria, mas acho que mostrando pedaços da vida dele fica mais consolidado e tal. Devagar vou melhorando ♥ Sem mais delongas (eu não corrigi porque terminei de escrever e fui correndo fazer uma prova online -q), enjoy! :D

– Kagami-kun?

Kagami levantou a cabeça da mesa, sonolento, fixando seus olhos em Kuroko.

– O que?

– Parece que está bem, a notícia não o incomodou? – os olhos quase sempre inexpressivos de Kuroko o fitaram com curiosidade e até preocupação, pendendo a cabeça para o lado.

Ele não estava gostando do rumo daquela conversa.

– Notícia? Que notícia? Alguém morreu?

– Não – Tetsuya juntou as sobrancelhas – Hirami-chan vai se mudar hoje.

O silêncio pairou sobre os dois amigos. Kuroko ainda curioso e Kagami, chocado.

– C-Como é?! – o tigre se levantou num pulo, assustando alguns alunos próximos.

– Ela me contou ontem, achei que tivesse falado para você.

Claro que não falou, Kagami pensou, socando a mesa. Como Koneko fazia uma coisa dessas com ele? Justo quando estavam... estavam...

– Kagami-kun, aonde você vai?

Mas Kagami não estava com paciência para explicar, e honestamente nem sabia se conseguiria, tudo o que precisava agora era chegar até a casa de Koneko antes que a mesma sumisse sabe lá pra onde.

Ele não tinha certeza de como aconteceu, devia ter começado no encontro da lanchonete (não exatamente um encontro oficial, mas Taiga já admitia não ser uma simples conversação), depois nos almoços na escola, e assim foi seguindo. Toda a raiva que sentia pela baixinha sumira na mesma velocidade que o apreço pela companhia da mesma. Tornaram-se amigos próximos, verdadeiros companheiros dentro e fora de quadra.

E agora ela iria embora sem nem sequer se explicar? Taiga com certeza não deixaria isso assim.

Virou duas quadras e continuou seguindo, xingando mentalmente o caminho. Por que tinha de ser tão demorado?

Ainda se lembrava da primeira vez em que se deram bem no ginásio. Ele, estupidamente, resolveu tentar um dos movimentos de Aomine e acabou por se quebrar no chão (depois deixou claro para a técnica que foi provocação dos companheiros, mas não escapou de uma bela surra). Koneko ficou cuidando dele a tarde toda, contando histórias engraçadas de Kise para passar o tempo, e no dia seguinte preparou um treino especial para ele. Mesmo sendo muito mais leve do que o que estava acostumado, Kagami ficou agradecido por poder fazer algo, e mais agradecido ainda por ter o apoio da menina que sempre o apelidava de animais estranhos.

– Não vou te perder tão fácil, Hirami – o ace murmurou, aumentando a velocidade da corrida.

Ao entrar na última rua que precisava, sentiu um misto de ansiedade e pânico lhe dominar: o pai e irmão dela estavam na calçada em frente à casa, mas um caminhão de mudanças terminava de ser carregado.

O jogador parou na mesma velocidade que começou a corrida. A frase que sempre ouvia sobre algumas mudanças virem para melhor de repente parecia estúpida. Aquela mudança não era boa, aquela mudança significava um adeus definitivo.

– Oh, Kagami – Hayato acenou para o mais novo, sorrindo. Kagami gostava do irmão mais velho de Koneko, mas não estava com cabeça para gentilezas – O que faz aqui? As aulas já acabaram?

– Cadê a Hirami?

– Neko-chan? – o rapaz franziu o cenho, movendo seus olhos acastanhados de Taiga para a casa. Koneko tinha olhos parecidos, mas com uma mistura de amarelo que os tornavam lindos. Kagami gostava daqueles olhos. – Está no quarto, dentro de casa... Ei, aonde você vai?

– O que deu nele? – Satoshi se aproximou do filho, estreitando os olhos enquanto Kagami entrava aos tropeços

– Vai saber – dando de ombros, Hayato voltou para o caminhão a fim de terminar a verificação.

Demorou pouco tempo para que Kagami encontrasse o quarto da amiga ruiva, mas ao chegar à porta, parou. Ele nunca havia reparado como a menor era bonita. Bem, certo que ela andava junto de modelos, mas Koneko não parecia precisar de nada para se tornar linda, ao menos em sua mente. O cabelo vermelho-sangue caía como cascata pelas costas e moldavam o rosto redondo que carinhosamente apelidara de rosto-cereja. Seus olhos castanho-amarelados se fixavam num porta retratos que segurava com carinho, sorrindo de forma serena.

Parada ali, no quarto vazio, tão perto e ao mesmo tempo tão distante, deixava claro para Kagami que jamais poderia perdê-la.

– Não vá.

A Hirami se virou para a porta, assustada com a repentina voz.

– Kagami-kun? O que faz aqui?

– Não vá – o jogador repetiu, dando dois passos para dentro – por favor.

– O que você... – Koneko franziu o cenho, colocando o retrato dentro da bolsa aos seus pés – espere, como descobriu?

– Não importa – a sensação de pânico voltava com mais força, mas agora estava misturada à determinação – não quero que se vá.

– Droga, era pra ser uma surpresa... – aparentemente a ruiva não o ouvia, mas o maior prestava atenção muito bem. Como assim surpresa? Koneko só lhe contaria quando sumisse? – Tetsu-tan deve ter falado sem querer. Ou foi o Ry-tan?

– Koneko.

A menção de seu nome fez com que a manager voltasse sua atenção para o mais velho, novamente surpresa.

– Você... me chamou...

– Sim, — deu mais um passo – a chamei. Koneko. Fique comigo.

O quarto parecia ainda mais silencioso, Koneko não ousava respirar. Podia sentir as maçãs do rosto ferverem, mas isso era o de menos.

– Ficar... com você?

– Por favor.

O sorriso iluminado que a baixinha abriu aqueceu o coração do tigre de uma forma que ele jamais pensou que pudesse acontecer.

– Sim, Kagami-kun, eu fico com você.

Dessa vez foi Kagami que abriu um sorriso radiante, não tendo coragem de sequer se mexer, com medo de que aquele momento pudesse acabar.

– O quarto de hóspedes não é tão grande quanto este seu, mas tenho certeza de que será bom. E farei o que quiser para comer nos jantares, conte comigo.

Ok, espera. Tinha algo de errado aí.

– Como é? – Koneko franziu o cenho, abrindo um sorriso sem graça.

– Não se preocupe, vamos nos adaptar com iss-

– Calma, Kagami, o que você... está me chamando para morar com você? É isso que quis dizer com “fique comigo”?

Red alert, agora a mente de Taiga entrava em confusão junto da de Koneko.

– Er... sim, o que achou que fosse? Você está se mudando, não posso deixar que isso aconteça – aquela frase soara muito mais legal em sua cabeça quando estava correndo como um desesperado.

Parando para pensar nisso agora, ele tinha o número do celular dela, então a corrida não era estritamente necessária, né?

– Kone- wow! O que aconteceu?

Kagami Taiga... – o rosto da Hirami tomou proporções absurdas de vermelhidão – VOCÊ É UM COMPLETO IMBECIL!

– O que...? EI! P-PARE COM ISSO!

Esqueça as quadras, o jogador colocava toda sua habilidade para funcionar quando tentava desviar os ataques contínuos da menor com um caderno de aparência muito pesada. Ela retirou aquilo da bolsa ou o invocou?!

– Quem te contou que eu ia me mudar não falou para onde eu ia? – Koneko bufou quando perdeu sua arma mortal para o maior.

– Na verdade... não fiquei para ouvir.

– Você... – outra bufada, dessa vez para se acalmar – você veio correndo até aqui só pra me impedir de ir embora?

– É o que eu estava dizendo desde o início – Kagami elevou uma sobrancelha, certo de que fora bem claro.

Koneko piscou algumas vezes, e Taiga teve medo de que ela fosse atacar outra vez. Mas para seu alívio, a ruiva apenas riu, ficando na ponta dos pés para lhe depositar um rápido beijo na bochecha.

– Você é mesmo um idiota, Bakagami – Koneko continuou sorrindo, mesmo com o resmungo do tigre – não vou me mudar para outra cidade ou país. Vou me mudar para o prédio ao lado do seu, por isso quis manter segredo.

– Ah – foi tudo o que ele conseguia dizer depois de muito tempo em silêncio. Por que Kuroko já não disse isso desde o início?

Porque ele é um homenzinho de mente muito má, uma voz interna lhe respondeu.

– Francamente – rindo, a manager pegou a bolsa do chão e se encaminhou para a saída acompanhada do amigo – precisa parar com essa mania de tirar conclusões precipitadas.

– Haha – Taiga puxou a bolsa dela para si, assentindo quando a mesma agradeceu pela ajuda – é o sujo falando do mal lavado. Você também entendeu errado àquela hora. No que estava pensando?

– Em nada – mentiu. A pequena confusão quase fez com que falasse o que sentia antes de Kagami estar pronto, não seria agora que iria estragar. O amigo era maravilhoso, mas lento, ainda não estava pronto para lhe aceitar ou recusar totalmente consciente do que a declaração iria significar.

– Hm – ia abrir a boca para continuar, mas os familiares da garota apareceram, e o assunto mudou repentinamente. Dessa vez Kagami tinha de escapar das perguntas ameaçadoras de Satoshi.

Apesar de ter se enganado, aquele pequeno episódio fez com que Taiga percebesse algo importante: ele sempre seria aberto à mudanças, mas jamais aceitaria qualquer uma que levasse para longe sua querida manager.

Notas finais
Reviews pra dizer como estou indo com a OC? *3*
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!