Mudanças

3 Capítulo 3


Armando estava destroçado pelo que ouvira na reunião. Com o pouco de força que ainda lhe restava, se arrastou até a sua sala e enfiou-se na caverna. Sentou-se na mesa de Betty, recolheu o saco com as lembranças, o abraçou e deixou que as lágrimas, que até então segurara, corressem livremente por seu rosto.

Longe dali, Betty havia acabado de arrumar suas coisas e se dirigiu ao aeroporto com seus pais e Nicolás. Feito a despedida, ela embarcou no avião com Catalina. Lá, em sua poltrona, já não pôde segurar o choro. Catalina ampara a amiga enquanto rumam para Cartagena.

Marcela entra na sala da presidência procurando por Armando. Necessitava pedir explicações para ele por tudo o que aconteceu. Ela o acha aos prantos na sala que era de Betty.

–Por que, Armando? -Marcela pergunta.

–Para salvar a empresa. Já não está claro? -Ele responde ríspido.

–Não me refiro a isso. Por que a Beatriz, por que justamente ela?

–Porque eu confio nela e sei que ninguém mais me ajudaria.

–Confiou nela e não em mim que serei sua futura esposa? Armando, nós nos casaremos daqui a dois dias.

–Não, Marcela, não nos casaremos. Já não posso mais seguir com isso, não é justo nem pra você e nem pra mim. -Armando diz de cabeça baixa, evitando olhar Marcela nos olhos.

–Você quer dizer que está terminando comigo?

–Será o melhor para os dois.

–Você é o ser mais desprezível que eu já conheci, Armando Mendoza. -Marcela já começa a aumentar a voz e deixar que lágrimas escorram.

–Me perdoe, mas não posso seguir com um casamento de aparências.

–Qual o nome dela?

–Prefiro não falar agora. Não quero lhe causar mais dor.

Marcela se aproxima até onde Armando está, faz com que ele olhe para ela e lhe dá um tapa na cara. Ela sai da sala sem dizer uma palavra.

–Beatriz Pinzón Solano é o nome dela. -Armando fala assim que Marcela sai.

Armando passa a noite entre choros, lembranças e álcool na pequena sala que uma vez pertenceu a sua amada Betty.

No dia seguinte, ele acorda assustado. Havia adormecido na mesa. Já não pode mais continuar sem sua Betty. Num impulso, vai até a casa dela, precisava explicar o que aconteceu, pedir-lhe perdão.

Ao chegar lá, toca a campainha e é atendido por dona Julia.

–Doutor, o que faz aqui?

–Posso falar com a Beatriz, por favor?

–O senhor não sabe?

–Sabe o quê?

–Betty foi viajar. Não sei quando volta.

Aquela notícia havia pego Armando de surpresa.

–Viajar?

–Sim. Já não está na cidade. Há algo de errado? Ontem ela estava muito estranha.

–Há sim, mas precisava falar com ela primeiro. Não quero adiantar nada. A senhora pode me dizer para onde ela foi?

–Doutor, me perdoe, mas minha filha foi muito clara comigo e pediu para não lhe dizer onde ela está.

–Por favor, dona Julia. É muito importante o que preciso falar com ela.

–Não é sobre trabalho, é?

Armando balança a cabeça negando.

–Por Deus, o que está acontecendo com vocês? -Julia pergunta preocupada.

–A verdade?

–Sim, doutor. Gostaria de saber a verdade.

–Me apaixonei por sua filha e já não posso mais continuar sem falar com ela. -Armando responde com lágrimas nos olhos.

Continua.