Mudanças

28 Capítulo 28


Notas iniciais
Pessoal, me desculpem pela demora. Essa semana foi estressante para mim. Fiquei sem internet, peguei um resfriado brabo e ainda tive que assistir a três filmes para fazer trabalho para a faculdade. Enfim, não me restou muito tempo para escrever. Fiz esse capítulo um bocadinho maior. Ao longo da semana tentarei escrever outro e postar aqui. Sem mais, deixo-lhes esse capítulo e espero que desfrutem. Grande abraço para todos!

Passaram-se dois dias desde que Betty e Armando ficaram juntos pela última vez. Era terça-feira e teriam uma importante reunião com os sócios para decidir o rumo que a nova coleção tomaria. Já estava em fase de produção, só precisaria ser decidido como seria feita a divulgação. Betty e Armando, como sempre, foram os primeiros a chegarem para organizarem tudo para a reunião que aconteceria à tarde.

O dia foi corrido para todos, especialmente para Hugo que apresentaria na reunião parte de sua criação. O primeiro a chegar foi Daniel que foi logo procurar por Beatriz, mas como não a achou na sala da presidência e nem na sala do vice e como não tinha nenhuma secretária que pudesse ajuda-lo, foi para a sala da Marcela. Chegando lá cumprimentou a irmã cordialmente com uma “boa tarde” e sentou-se na cadeira.

–A reunião é só às 16 horas, Daniel. O que faz tão cedo na empresa?

–Queria conversar com a nossa presidente, mas não a achei em local algum.

–E o que tem de tão importante assim para falar com ela que não pode esperar até a hora da reunião?

–Não se preocupe que não são assuntos profissionais.

–Não vai me dizer que você também está interessado nela?

–Também? E quem mais estaria?

Marcela suspirava não acreditando o que estava ouvindo. Tinha quase certeza que Armando estava interessado nela e aquilo já lhe doía na alma, mas saber que seu irmão também nutria um estranho interesse era um soco no estômago que lhe revirava as entranhas. Daniel a olhava intrigado.

–Marcela, você está bem? –Daniel questionou ao ver o olhar incrédulo da irmã.

–Me diga que não é verdade, Daniel. Por favor, me diga que você não está interessado na Beatriz.

–Estou sim. Nunca a olharia como mulher, mas, ao ver como mudou a aparência, como agora esta realmente bela, eu mudei meu conceito. Se a levar para cama, posso me satisfazer em dois sentidos, no pessoal e no profissional. Ganharia o apoio de alguém muito importante aqui na empresa.

–Quer dizer que só quer dormir com ela para conseguir uma aliada?

–Por isso e porque ela me agrada.

–Não acredito! O que essa mulher tem que todos caem rendidos aos pés dela? Primeiro o Armando e agora você.

–Armando? –Daniel ficou confuso ao ouvir aquilo

–Sim, se minhas suspeitas estiverem corretas, eu acho que ele tem algo com ela.

–Mais um motivo para eu conquista-la. Outra coisa para tirar do Armando.

Betty e Armando preparavam os últimos detalhes para a reunião, estavam nervosos. Essa coleção decidiria o futuro da Ecomoda e nada poderia sair errado. Armando estava mais nervoso que Betty. Sabia que, possivelmente, teria que viajar para divulgar a coleção e aquilo o matava por dentro, não queria ficar longe de sua Betty.

Tudo correu dentro do normal, chegada a hora da reunião, Betty, Armando, Marcela, Hugo, Inezita, Mario, Roberto e Margarita se reuniram. Lá Hugo apresentou a tudo que tinha feito. Roberto olhava admirado eram peças de ótima qualidade e que atenderiam muito bem ao mercado. Para o desespero de Armando e como já previra, ele, Mario e Marcela foram escalados para promoverem a nova coleção nos países em que a Ecomoda tinha filiais, no caso, seria na Venezuela e nos Estados Unidos. Ele implorou e argumentou que Mario poderia muito bem substituí-lo, mas Roberto logo o embarreirou e disse que aquilo era um de suas funções como vice-presidente. Betty nada pôde fazer para ajuda-lo. Margarita, na vã esperança de que poderia fazer seu filho e sua nora se reconciliarem, sugeriu que Marcela fosse para Venezuela com Armando. Aquilo doeu demais em Betty e Armando percebeu a tristeza em seu olhar. Ele se negou a ir com Marcela, mesmo com a insistência da mãe. Marcela preferiu não esboçar reação, mesmo desejando viajar com seu ex, não iria mais se rebaixar. Mario não queria ser acompanhante de Marcela, não queria aguentar os possíveis interrogatórios que ela faria. Queria ir para Venezuela com seu amigo e assim poder cair na farra todas as noites. Betty, sabendo que isso poderia acontecer, ordenou que ele acompanhasse Marcela, para a tristeza dele. Viajariam no dia seguinte. Depois de tudo acertado, a reunião se encerrou.

Margarita logo arrastou Marcela para a sala onde poderiam conversar.

–Por que você não brigou para ir com o Armando? Seria uma chance para que se reconciliassem. –Margarita a censurou.

–Porque não quero mais sofrer. Eu já fiz de tudo para ser notada por seu filho e ele nem sequer lembra que eu existo. Nós o perdemos, Margarita. Mesmo no meio de todo esse inferno pelo qual passa a Ecomoda, ele está feliz. Ele se apaixonou por alguém.

–E quem é essa desgraçada que nos tirou ele?

–Eu tenho minhas suspeitas, mas chego a achar que é paranoia minha.

–Qual o nome? É alguma modelo?

–Queria que fosse, talvez me doesse menos. Acho que é a Beatriz.

Margarita ficou em choque ao ouvir o nome de Beatriz, achou que tivesse entendido errado.

–A assistente dele?

–A própria.

–Ele vai me escutar e é agora. Como ousa te trocar por aquela lá?

Margarita sai batendo a porta e vai direto para sala do Armando. Ao chegar lá ele estava conversando com Mario, mas esse logo entende que é para se retirar e sai deixando mãe e filho sozinhos.

–Qual o nome dela, Armando? –Margarita questionou irritada.

–Já falei para a senhora e para a Marcela que não vou tratar desse assunto, ao menos não agora. Será que dá para respeitar minha decisão?

–Não, não dá! Eu criei você e a Marcela para ser o casal ideal, não pode simplesmente terminar com tudo.

–Esse foi o problema, mamãe. Estamos em uma época e em um país que se acabaram os casamentos arranjados. O meu casamento com a Marcela já estava arruinado antes mesmo de começar. Entenda que eu não a amo. –Armando começava a aumentar a voz.

–Modere esse tom comigo. Sou sua mãe e exijo respeito.

–E eu sou seu filho e um homem formado. Também exijo respeito e o direito de decidir minha vida. Será que posso?

–Pode desde que isso não acabe com você, com seu futuro e com a sua imagem.

–O que quer dizer com isso?

–É a Beatriz, não é?

Aquilo havia pegado Armando de surpresa. Ele se perguntava como sua mão descobrira tudo. Se ela já sabia, não haveria mais motivos para esconder, pensou.

–Mamãe, eu ...

Nesse momento a porta foi aberta e era Roberto. Armando nunca se sentiu tão feliz por ver o pai e por ser interrompido.

–Vamos, meu amor? –Roberto questionou ainda da porta.

–Agora não, Roberto. Estou conversando com o seu filho.

–Não me diga que ainda está tentando convencer ele a voltar com a Marcela? Ele já é um homem e sabe o que faz. Vamos que eu ainda tenho muito que fazer.

Roberto sai arrastando Margarita e, sem perceber, acaba salvando a Armando.

Betty estava em sua sala quando Daniel entra, sem bater, e se acomoda na cadeira. Betty apenas olhava a tudo não acreditando no descaramento dele.

–O que quer, senhor Valencia?

–Será que não posso mais visitar a minha presidente?

–É para assuntos profissionais?

–Não, pessoais.

Betty ficou nervosa e ele percebeu.

–Acho que não temos nada para tratar de pessoal, senhor Valencia.

–Ah, temos sim. Ainda me deve um jantar e eu vim cobrar.

–Não lhe devo nada. Mesmo que quisesse, agora que não poderei jantar com o senhor. Tenho muito trabalho aqui e agora, com a viagem dos sócios, o trabalho para mim vai dobrar.

–Se quiser posso vir aqui lhe ajudar e assim, quem sabe, não ficamos mais perto?

Betty já estava ficando nervosa pelos comentários cheios de malicias de Daniel. Ela, se levanta de sua cadeira, caminha até a porta e a abre.

Peço que se retire, senhor Valencia. O senhor está atrasando meu trabalho.

Daniel se levanta de sua cadeira, caminha até Beatriz, a espreme contra a parede e dá um suave beijo em sua bochecha.

–Sou paciente, doutora. Quanto mais me rejeita, mais te desejo. Não se preocupe que eu vou voltar e você ainda vai me aceitar. Terei 30 dias com você só pra mim. -Ele fala e sorri para ela.

Daniel se retira da sala e Betty, rapidamente, fecha a porta e limpa seu rosto, no local que ele depositou o beijo, com as mãos. Ela sentia nojo de Daniel. Nunca o aceitaria.

Na sala de Armando, ele conversava com o Mario.

–Eu não vou para os Estados Unidos com a Marcela! –Mario resmungava.

–Eu é que não vou.

–Aquilo foi maldade da Betty. Ela já te tirou a presidência e agora quer te tirar o amigo aqui.

–Ela sabe o que é melhor para a empresa e para mim. E o melhor é que você vá com a Marcela.

–Mas eu queria ir com você. Iriamos aproveitar bastante aquelas venezuelanas. Elas são bem mais quentes que as americanas.

–Acontece que eu não vou aproveitar nada. Só tenho olhos para uma e você sabe muito bem quem é.

–E você vai aguentar um mês na seca? Tá bom...

–E por que não aguentaria? O pervertido sexual aqui é você.

–Te conheço. O máximo que você vai aguentar será uma semana, mas, seja caridoso com o seu amigo do peito e consiga o telefone de algumas beldades para mim

–Pode esquecer, Calderón.

–Agora é egoísta? Antes dividíamos os prêmios.

–Sou sim porque agora só tem um prêmio: minha Betty. Por falar nisso, vou lá ver ela.

Armando sai da sala e vai até a sala da presidência. Lá encontra Betty tão distraída olhando para sua sala, a caverna, que ela nem vê quando ele entra. Ele se aproxima e a abraça por trás. Ela se assusta de inicio, mas retribui o gesto quando percebe que é Armando.

–O que aconteceu? Está distante. –Armando questiona ainda abraçado a ela.

–Nada, meu amor. Apenas estava pensando.

–Espero que seja em mim.

–E em quem mais seria? –Betty se vira e deposita um delicado beijo nos lábios de Armando.

–Por que acho que não é só isso?

–Realmente tem mais uma coisa, uma pessoa: Daniel.

Armando fica tenso só de ouvir o nome, se afasta de Betty e começa a andar de um lado para o outro na sala. Estava irritado.

–Se ele te fez alguma coisa eu juro que mato aquele desgraçado. –Armando disse quase gritando.

Betty se aproximou dele e o abraçou. Armando acalmou-se um pouco com o abraço.

–Ele não me fez nada. Só não desiste da ideia de querer jantar comigo.

–Está interessado em você?

–Acho que não. Deve ser só para me perturbar.

–Não estou gostando disso Beatriz. Eu vou lá tirar essa história a limpo com ele.

Armando já ia sair, mas Betty o segura pelo braço.

–Não vá, não vale a pena.

–Preciso resolver isso.

–Você precisa resolver um assunto aqui comigo. Você viaja amanhã e temos que aproveitar o pouco tempo que nos resta.

Betty o puxa e lhe dá um apaixonado beijo. Armando fica surpreso pelo ato da tão tímida Betty.

–Betty, o que foi isso? Você nunca foi assim tão assanhada.

–Estou aprendendo com você.

Armando volta a beija-la com voracidade e sente que seu desejo começa a ficar evidente.

–Preciso de você, Beatriz. Não vou me aguentar muito tempo. –Armando sussurra para Betty.

–Não podemos, doutor. Não aqui.

–Vamos para meu apartamento.

–Não podemos, não agora. Estamos em horário de trabalho.

–Não me importa. Você é a presidente e pode fazer o que quiser. Preciso te ter, preciso que você seja minha e que eu seja seu. Se alguém perguntar, dizemos que vamos resolver uns assuntos pendentes antes de minha viagem.

Betty não pensa mais e sai arrastada por ele. Ao passarem pelas secretárias, Armando dá uma desculpa qualquer e empurra Betty para o elevador. Marcela observava a tudo de longe e, dessa vez, não teve dúvidas ao ver como Armando olhava com desejo para Betty, conhecia aquele olhar do seu ex noivo. Ele e Betty realmente tinham algo. Sentiu que lágrimas começavam a escorrer pelos seus olhos e trancafiou-se em sua sala para chorar. Era humilhante ter sido trocada por uma assistente.

Armando e Betty logo chegaram ao apartamento. Lá se amaram como nunca, de uma forma desesperara e depois com calma. Se amaram várias vezes durante o dia. Precisavam aproveitar o pouco tempo que lhes restava. No dia seguinte Armando viajaria e ficaria longe um mês. A dor da saudade já os atormentava. Já não viam mais suas vidas sem ter um ao outro.

Continua.