Mudanças

18 Capítulo 18


Armando estava em sua sala com Mario. Eles conversavam.

–Sua morceguinha tá começando a mostrar as garras, hein! Agora já dá até palpites nas coleções do Hugo. -Mario comenta rindo.

–Calderón, quantas vezes preciso te pedir para chamá-la de Beatriz? É assim tão difícil? E a Betty tem todo o direito de falar o que ela quiser. Ver que ela faz isso só me deixa mais orgulhoso. Mostra o quanto se importa e se empenha para tirar a Ecomoda do buraco. -Armando comenta.

–Nessas questões empresarias não tenho do que reclamar dela, afinal de contas, se tivéssemos feito o que ela falou, não estaríamos embargados agora.

Na recepção, Betty procura pelas secretárias, mas nenhuma está em seu posto habitual. Ela pensa que devem estar em algum 911 no banheiro. Ela precisava falar com Armando e, sem bater, adentra sua sala. Dá de cara com Mario e Armando conversando descontraidamente. Ela logo fecha o rosto e Armando percebe. Ele rapidamente se levanta e a conduz até a sala da presidência.

–O que houve, Betty? -Armando pergunta preocupado assim que entram na sala.

–Nada, doutor.

–Não é nada. Você entrou na sala toda feliz e logo ficou triste. É pelo Mario, não é?

–Não posso negar que ele ainda me causa algumas lembranças más.

–Se você quiser, eu posso me afastar dele.

–Faria isso?

–Por você eu faria tudo.

–Apesar de me agradar a ideia, não vou negar isso, eu não quero que se afaste de seu amigo por minha causa. Sei a falta que um amigo pode fazer. Só te peço para não cair novamente no jogo do seu Mario. Eu não aguentaria algo parecido novamente. -Betty diz com lágrimas nos olhos.

Armando a abraça e fala em seu ouvido:

–Eu sei que o Mario é alguém um pouco difícil de levar. Tem vários defeitos, mas eu só tenho olhos para você. O Mario pode falar o que ele quiser e fazer de tudo para tentar mudar meu sentimento, mas eu nunca deixarei de te amar, doutora.

Armando dá um terno beijo em Betty.

–Agora eu acredito em você, doutor Armando, mas não se deixe levar por ele.

–Nunca, minha Betty.

Nesse momento a Inezita bate na porta e Armando rapidamente se afasta de Betty. Beatriz diz para ela entrar.

–Betty, vamos almoçar. Você vem com a gente? -Inezita pergunta ainda da porta.

–Não, Inezita. Obrigada, mas tenho muito trabalho aqui na empresa. -Betty responde.

Inezita então se despede dos dois e sai.

–Como assim não vai almoçar? -Armando questiona.

–Tenho muito trabalho aqui e não posso sair. Além do mais, não seria a primeira vez. Quantas vezes fiquei sem almoço trabalhando quando ela sua assistente? -Betty responde rindo.

–Como vocês diziam, eu era um ogro, mas isso não se repete nunca mais. Vai sair para almoçar comigo ou eu peço para trazerem o almoço?

–Pede para trazerem, doutor.

–Tá ótimo. Mandarei o Freddy buscar e fico aqui trabalhando com você.

–Vai almoçar comigo?

–Vou. Quero aproveitar o máximo de tempo que tenho ao seu lado.

–Isso está se tornando perigoso. Já estamos nos arriscando muito na empresa, doutor. Acho melhor que o senhor fosse almoçar com o doutor Calderón.

–Já te falei que adoro o perigo?

Armando lhe dá um rápido beijo e sai. Betty fica suspirando ao ver como Armando está mudando.

Marcela, ao ver que Armando não está na sala de Mario, corre até lá. Mario, ao vê-la entrar, faz logo uma cara de desgosto, pois sabia o rumo que o assunto tomaria.

–Marcela, que surpresa! O Armando não está. -Ele diz fingindo um falso sorriso.

–Não vim pelo Armando, vim para falar com você.

–Já imagino o rumo que essa conversa vai tomar. Vou te falar o mesmo que falei para Margarita: Resolvam com o Armando. Eu sei o nome sim, mas não posso falar e nem quero. Não pretendo me enfiar em confusões. -Mario diz.

–Você é igualzinho a ele.

–Não, minha cara Marcela e dou graças a Deus por isso. Eu pretendo nunca me apaixonar.

–Isso quer dizer que ele realmente se apaixonou?

–Pelo que ele diz.

Marcela sai de lá batendo a porta e vai para sua sala. Se senta na cadeira e começa a chorar. Mario pode não ter dito o nome, mas falou o que ela não queria ouvir: Armando estava apaixonado. Agora ela sabia que seria quase impossível recuperá-lo.

Pouco tempo depois, Armando e Betty almoçavam e trabalhavam na sala de reuniões. Armando não deixava de admirar como Beatriz trabalhava bem com os números e a calculadora, o quão boa economista era. Betty, vez ou outra, se distraía e se perdia no olhar apaixonado de Armando.

–Doutor, com o senhor me olhando assim eu nunca conseguirei acabar isso. -Betty fala.

–Me desculpe, mas é impossível não ficar te admirando.

–Exagerado!

–Só um pouco, mas por você vale a pena. Betty, vamos sair hoje?

–Novamente? Já não saímos tem dois dias?

–Já, mas estou com saudades.

–Doutor, estamos nos arriscando muito. Daqui a pouco percebem que eu e você não desgrudamos aí vai começar as fofocas e tudo mais.

–Não há nada de mais eu te dar uma carona para sua casa. Fazíamos isso enquanto você ainda era minha assistente e ninguém desconfiou de nada.

–Tudo bem, mas preciso avisar aos meus pais que irei demorar. Também estou com saudades.

–Avise sim, mas diga que vai demorar bastante. -Armando fala com um sorriso malicioso deixando Betty vermelha.

–Armando, por favor!

–Adoro quando me chama só de Armando.

Betty sabia que dessa vez não teria jeito, teria que sair com Armando, mas não reclamava. Sabia que também ansiava por estar com ele assim como ele ansiava por ela.

Continua.