Mudanças

1 Capítulo 1


Notas iniciais
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Segunda-feira, dia de colégio, animação?! Nem um pouco, por que finais de semana não duram sete dias e as férias um ano?! Não importa, tenho que me arrumar pra ir ao colégio, arrumar meu material, e tomar café da manhã, senão não sobrevivo àquele lugar, e não quero chegar perto da comida daquele lugar. Ainda moro com meus pais, mas eles viajaram à umas semanas atrás e podem voltar hoje mesmo. Sinto saudades de meu café da manhã estar arrumado assim que chego à cozinha. Meu cabelo estava todo bagunçado, até eu arrumar ele... leva uma vida. Vou colocar uma roupa simples, uma calça jeans, camiseta xadrez que peguei do meu irmão sobre outra branca. Pronto, mais ridícula? Impossível!

Era o que faltava para completar meu dia, não há mais cereal. Perfeito, pode ficar pior? Vou ir arrumar meus materiais e sair logo daqui. Ótimo, o inverno já está no final, o frio faz você querer um abraço caloroso de alguém que você ama. Cheguei ao ponto do ônibus e entrei nele, estava lotado como sempre, sempre sentava no fundo, eu detestava aquele lugar, as pessoas eram barulhentas e irritantes, o que me salvava eram meus fones de ouvido. Desci do ônibus e cheguei ao pátio do colégio com uns óculos de sol, para esconder a minha cara de ressaca de sono, obviamente meus amigos perceberam que eu já não estava bem e começaram com suas brincadeiras infantis e irritantes.

– Como foi o seu fim de semana Hanna?

– Foi dormível Lucas, obrigada, por que vocês não são como o Lucas?! Por que não fazem perguntas assim?! – falei apontando para os outros.

Todos começaram a trocar olhares e dar risada, Lucas e eu estávamos boiando, até que a idiota da Bianca começou...

– Quando vai ser o casamento? Posso ser a madrinha?

– Quer saber?! Cansei, eu não estou bem hoje, e vocês ficam com essas brincadeiras infantis, eu vou ir pra cantina, Lucas quer vir comigo?

– Ah, eu tenho que terminar minha lição de casa, esqueci de fazer, alguém aí empresta o caderno?!

Eu saí pisando forte e olhando pro chão, eu desejava enfiar minha mão na cara de todo mundo que olhava pra mim. Eu estava explodindo de raiva, acho que era até capaz de derrubar o capitão do time de futebol, mas seria suicídio. Parecia que eu nunca chegaria até a cantina, e todos me olhavam com cara de “Olha essa garota, parece que vai matar qualquer um na sua frente”, e pensar nisso me deixava com mais raiva ainda.

Eu fechei os olhos e continuei andando até que eu senti que derrubei alguém, eu abri os olhos e percebi que não só derrubei-a, mas também derrubei o suco que ela estava tomando, me ajoelhei pra perto da pessoa pedindo milhares de desculpas.

– Ah meu Deus, me desculpa, me desculpa, eu não queria ter feito isso, me desculpe, por favor. Meu dia tem sido muito ruim, mil desculpas, eu não queria ter feito isso, anda levanta.

– Calma, calma, tudo bem, não se preocupe eu estou bem. Sorte que não derrubei o suco na minha roupa. Não precisa me ajudar a levantar, eu sou um homem.

– Ah desculpa, mil desculpas.

– Ei! Calma! Foi apenas uma caída, acho que ninguém conseguiu ver, não precisa se desculpar.

Mas é claro, estávamos no canto da cantina, onde fica a máquina de refrigerantes... mas o que um rapaz tão bonito fazia separado das pessoas? Ele tinha uma cara de popular.

– Me desculpe mais uma vez... mas por que você está tão longe das pessoas? Cadê seus amigos?

Percebi que ele estava pensando em alguma desculpa. Mas ele não conseguiu.

– Ah... é... é que, eu sou novo por aqui sabe? Ainda não tive a chance de conhecer ninguém.

O sinal tocou, ainda bem, já estava perdendo o assunto.

– Ah, a gente se vê na hora do lanche então?

– Acho que sim, se eu achar a minha sala.

– Então... ok, vejo você depois.

Ele fez um bico quando estava saindo, tão fofo, loiro dos olhos azuis com um sorriso perfeito. Como ninguém o notou? A fofura dele não tinha fim, mas o que ele deve ter pensado de mim? Eu o derrubei e derrubei o suco dele justo na primeira semana de aula, que imagem eu tenho pra ele agora? De uma ogra? Preciso me retratar.

Durante a aula, eu só conseguia pensar naquele garoto, será que ele ficou mesmo na boa quando o derrubei sem querer? Meus “amigos” perceberam que eu estava pensativa e começaram com as brincadeiras.

– Está pensando no seu príncipe Lucas?

– O castelo de vocês é de doce?

– O amor reina por aqui!

Eu não aguentei e gritei no meio da aula.

– Escutem aqui, vocês já não tem a vida solitária, entediante, e repugnante de vocês para cuidar não?! E se eu e o Lucas estivermos juntos por que vocês me enchem o saco?! Façam um favor para o mundo e calem esse lixo que vocês chamam de boca e cresçam! Minha vida não é como uma novela pra ficarem falando sobre ela.

Todos ficaram me olhando, e eu olhei para Lucas e ele estava com a boca aberta, todos estavam me olhando, como se eu tivesse feito algo errado. Até o professor ficou impressionado com a minha explosão, eu fiquei tão envergonhada que me encolhi na minha carteira. Meu dia estava indo de mal á pior. A aula havia voltado ao normal, mas a sala ficou num eterno silêncio, só se ouvia o professor explicando a matéria e falando da sua vida.

O sinal tocou, e me expressei com uma cara de alívio. Meus “ex-amigos” passaram por mim com um olhar agressivo, mas foram eles que provocaram, por que eles estão bravos comigo?! Eu fui pra cantina e fiquei no canto para ninguém perceber que estava lá, mas conseguia ouvir todos falando sobre meu surto na sala de aula.

Eu vi o garoto que derrubei vindo com sua bandeja de lanche para a mesa do canto, ele estava olhando para os lados como se estivesse procurando outra mesa como salvação. Ele chegou e se sentou sem olhar pra mim, e ficou observando seu lanche... a única coisa que parecia boa era o bolinho.

– Oi, eu sou a Hanna.

Ele olhou para mim e chacoalhou a cabeça concordando, e começou a comer o bolinho olhando para os lados.

– Por que você não está querendo conversar comigo? E-eu já pedi desculpas sobre ter te derrubado e...

– Eu não quero confusão, ok?!

Eu olhei pra ele com uma cara de “Mas que diabos...?”.

– Mas que... a gente nem se conheceu ainda, o que você sabe sobre mim?!

– Eu sei o que você fez, todo mundo está comentando, você golpeou sua amiga por ela estar falando sobre você e seu outro amigo.

Como assim? Golpeou? Eu me assusto em pensar como as pessoas desse colégio espalham as fofocas.

– Isso não é verdade, eu apenas, dei uma bronca nela, não cheguei a tocar nela, são boatos de colegial, nunca acredite nisso.

– Como posso confiar em você? Você me derrubou sem nenhum motivo.

– Foi sem querer, meu dia tem sido difícil e...

Ele me olhou com uma cara de desconfiado.

– Eu nem sei o seu nome, por que...? Olha se não quiser minha amizade, é só dizer, que eu posso sair dessa mesa agora mesmo.

Ele ficou brincando com o garfo de plástico na sua comida. Eu me levantei decepcionada.

– Meu nome é Niall! – o ouvi gritar, sabia que ele estava me chamando de volta.

– Niall? Que coisa mais fofa, como foi a primeira parte da sua aula? – falei arrumando meu cabelo.

– Foi... normal, coisa de toda segunda-feira...

– As piores e entediantes matérias definem a escola nas segundas, é eu sei como é...

– Então, você é a garota popular que não gosta de chamar a atenção?!

– Não e sim, não sou popular e não gosto de chamar a atenção.

– Então seu dia está mesmo sendo difícil... chamando a atenção de todos, e ficando popular. – ele disse dando uma risada

– Posso apertar suas bochechas?

Ele me olhou estranho.

– Ah... acho que sim?

Eu dei uma risada e comecei a apertar, e apertar mais forte, e mais forte, até ele pedir pra parar.

– Ótimo, vou ficar vermelho, obrigado.

– Mas você é fofo, você tema alguma rede social que você usa, pra gente, papear sei lá.

– Sim, Twitter e Facebok...

Ele foi me dando seus usernames e me deu até o endereço da casa dele, ele realmente era muito fofo.

O sinal tocou, e nós fomos para nossas salas, meus amigos ainda me olhavam agressivos, eu pouco me importava, eu é que tenho que ficar nervosa com eles, eu só quero ter essas últimas aulas e ir pra casa dormir.

Havia uma turma barulhenta passando no gramado enquanto a aula começava, era a sala do Niall, ele estava de roupa esportiva, como ele era lindo. Eu estava parecendo uma garota de filme romântico, observando o garoto na aula de educação física através da janela, só faltava ele olhar pra mim. Quase, quase ele percebe que estava observando ele, mas vi que ele deu risada então... ele percebeu ou não? Que vergonha.

Parecia que Lucas estava me observando o tempo todo, desde que eu surtei dentro da sala de aula, quando eu olhava pra ele, era como se ele estivesse olhando pra mim, ele sempre virava a cabeça. Por que ele estava fazendo isso? De repente?

Mas o Niall era tão lindo, tão fofo, tão... sim, eu estou suspirando por um garoto que acabei de conhecer, que coisa mais... sei lá. Espera, então eu estou afim dele? Mas se eu acho um garoto tão, tão, tão ele precisa ser desejado por outras garotas, então eu entendo que nunca poderei ter ele... o que eu estou pensando? Eu não posso simplesmente forçar para que isso aconteça, precisa ser natural. Foi difícil prestar atenção nessa última aula.

Estava a caminho do ônibus quando ouvi Niall me chamando.

– Hanna! Quer que a leve até sua casa? – ele gritou de longe.

– Ah... não obrigada, gosto de viagens prolongadas. – gritei de volta.

Ele deu uma risada tão perfeita com aquele dente torto, e entrou no carro, eu foquei na fila do ônibus que já estava se encurtando (ainda bem, odeio esperar), quando Niall parou o carro perto de mim.

– Por favor, deixe eu te levar pra casa, a gente pode se conhecer melhor, vou passar num lugar especial.

Eu estava implorando pra não ir, não quero explorá-lo apenas para ser meu namorado, mas como dizer não para aquele garoto?!

– Ok, eu preciso me desligar do mundo, obrigada.

– Então... quer conversar enquanto isso?

– Acho bom, a gente se conheceu hoje e já estou no seu carro é tipo: o que tá acontecendo?

Houve um silêncio de repente no carro e durou por alguns minutos, Niall devia estar pensando em algo pra conversar, então resolvi puxar o assunto.

– De que mús...

– Qual sua comi...

Falamos ao mesmo tempo, pedimos desculpas ao mesmo tempo, então pra não ficar aquela coisa melosa de filme romântico, eu decidi puxar o assunto.

– Então... que tipo de música você gosta? – perguntei meio envergonhada.

– Sou eclético, gosto de tudo um pouco e...

– Por que você está fazendo isso? – o interrompi.

Ele me olhou com uma cara estranha, de não estar entendo o que disse.

– Quero dizer... por que me chamou até aqui, por que está querendo me levar pra casa de qualquer jeito?

– Hm... eu não sei, eu... eu não sei, eu só queria ser amigável.

Será mesmo? Isso é tão estranho, mal o conheci, e Niall se comporta como um namorado? Bom, se eu estou apaixonada por ele, isso deve ser uma coisa boa.

Chegamos até um lugar chamado “Nando’s” e Niall entrou ali como se conhecesse todo mundo, dando oi para o carinha que atende as pessoas, conversando com os funcionários.

– Você sempre vem aqui, Niall?

– Aqui é a minha 2ª casa.

– Sim, uma lanchonete, sua 2ª casa, ok. – falei olhando pro meu celular, eram 17h30min ainda...

– Qual o problema, Hanna?

– Nenhum ora, eu só estou... estranhando tudo isso, você nem me conhece, por que você está fazendo tudo isso? É sério.

Houve um silêncio entre a gente, ele não queria falar, mas acabou contando tudo.

– Você não é como as outras pessoas, você percebeu que eu existo e... você gosta de mim, eu acho, eu sempre fui excluído por ser o “dente torto”, sempre tive poucos amigos, mas eu era extrovertido, vivia de bom humor... mas eu sempre me senti sozinho, como se... – eu percebi que ele já estava contando demais.

– Olha, se não quiser falar... não fala, eu não quero forçar você... bullying é uma coisa horrível, eu não suporto ver pessoas sofrerem assim e...

– Você já sofreu? – ele me interrompeu.

– O que?

– Você já sofreu bullying?

– Ah... oh... Podemos mudar de assunto?

– Às vezes eu tenho vontade de sumir, já que eu não faria falta no mundo.

– Ei! Não fale isso, você é importante no mundo, assim como todo mundo.

– Mas é a verdade, se gritarem meu nome pelo menos uma vez, eu vou saber que estou sonhando.

– Niall, não pensa assim, eu estou aqui pra ser sua amiga, eu te entendo. Você não é feio ou qualquer coisa que digam que você é, você é diferente... e eu gostei de você, seu sorriso é lindo, seus dentes são perfeitos.

– Você só fala isso pra eu me sentir melhor, você não entende, é como se eu não tivesse valor e...

– NIALL PARA! – o interrompi – Você é especial, quantas vezes vou ter que dizer? Você é um garoto perfeito, qualquer garota que namorasse você teria sorte de ter você.

Eu não prestei atenção no que estava dizendo, para disfarçar a minha vergonha eu tomei o milk-shake que havia chegado à nossa mesa há... quantas horas?

– Acho que é por isso que te chamei aqui... digo, você me fez sentir especial sabe? Fez-me sentir vivo...

– Sério? Isso é uma coisa boa... – falei ainda envergonhada e continuei tomando o Milk-shake – olha, aqui está meu número, quando você estiver se sentindo sozinho ou algo assim, pode me ligar, eu sempre vou estar pronta pra te ouvir. – falei escrevendo o número no guardanapo da mesa – Aqui... nossa isso é tão estranho.

– O que?

– Eu sou uma garota, e estou dando meu número pra um garoto... não é normal.

– É diferente, mas muito obrigado por essa conversa Hanna, você é boa com palavras, agora vamos te levar pra casa.

– Ok, eu que agradeço Niall. – sorri pra ele.

Estávamos indo pra minha casa em silêncio, quando o Niall começou a cantar pra mim, ele me pediu a música, mas eu não consegui responder uma. A voz dele era tão doce, eu sentia arrepio na alma quando ele estava cantando, era como se ele estivesse mesmo cantando pra mim.

Estava tudo tão escuro, não sabia que estava tão tarde assim.

– Bom, acho que chegamos. – ele disse sorrindo pra mim.

– Obrigada Niall, meu Deus, acho que esqueci meu celular naquela lanchonete. – entrei em desespero, achei que iria morrer.

– Não está na sua bolsa?

– Ah, vou procurar. – enquanto eu vasculhava minha bolsa inteira, Niall saiu do carro – Niall? Niall! Onde você tá indo? – fiquei olhando pros lados.

Ele apareceu do lado de fora do carro e abriu a porta pra mim.

– Ah, seu besta, obrigada, meu celular estava no bolso do meu casaco, sou muito distraída. – saí do carro.

– Hanna, eu que preciso muito te agradecer. – ele disse olhando pro chão e se aproximando.

– Não precisa mesmo Niall, você é um fofo. – falei fechando a porta do carro e me encostando a ela.

– Hanna, eu preciso MESMO te agradecer. – ele estava chegando mais e mais perto, eu não estava entendo, conforme ele chegava meu coração começava a acelerar, achei que iria explodir, eu sentia a respiração dela perto do meu rosto, foi quando os lábios dele se encostaram nos meus.

Foi tão doce, era como esfregar sua mão em algodão, foi tão especial, meu coração batia cada vez mais rápido, ele passava a mão no meu cabelo e apertava minha mão. Quando Niall parou de me beijar meu coração só batia mais e mais rápido, eu estava boquiaberta, ele encostou sua testa na minha, e disse boa noite. Eu não conseguia acreditar no que tinha acabado de acontecer.

Ele entrou no carro e foi embora, eu acenei como uma boba pra ela, virei pra minha casa e sorri, dei uma arrumada no meu cabelo e segui para a porta, coloquei meu casaco no banco que estava do lado da porta e dei de cara com meus pais na sala me esperando.

Notas finais
Essa é minha primeira fanfic, não me julguem.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.