Mudanças
4 Melhoras
Notas iniciais
Acordei com o Dean gritando e mandando eu e Sam levantarmos porque já tinhamos chegado na casa do Bobby, ainda não sei quem é esse Bobby que tanto dizem mas daqui a pouco vou conhecer. Estou tão sonolenta, apenas pensando no sonho estranho que tive, eu estava vestida de noiva de mãos dadas com o meu pai passando por um tapete vermelho e rodeado de rosas, estava casando, mas a parte mais estranha foi quando olhei para o noivo, quem estava ali a minha frente era Sam! Não estou acreditando, nem o conheço direito e já sonho com casamento, é um momento de fraqueza que estou passando, daqui a pouco as coisas melhoram...
Sai do carro, dando passagem a Sam, não acredito que adormecemos juntos naquele banco apertado, depois peço desculpas pelo que fiz, ele deve estar achando que sou uma louca carente! Mas quem não ficaria carente numa hora dessas?
Peguei minha mala do carro e fui até a porta, era uma casa de madeira velha, parecia descuidada e mal assombrada, tomara que eles não estejam me levando pra casa de uma dessas criaturas sobrenaturais! Mas não estão, quem atendeu foi um velho barbudo, abriu a porta e nos convidou pra entrar com cara de poucos amigos e quando estendi minha mão, ele simplesmente virou seu rosto e se dirigiu novamente a alguns livros que estavam jogados em sua mesa, fazendo Dean e Sam rirem da minha cara.
- Ei Dean, nós vamos ficar aqui? – sussurrei ao Dean, tentando não incomodar mais esse Bobby.
- Sim garota, você vai ficar em minha casa, já Dean e Sam não sei, pelo visto vão sair pra caçar mas enquanto isso fique aqui pra garantir sua proteção. – Bobby respondeu a pergunta, pelo visto meu tom de voz não foi baixo o suficiente para impedir que ele ouvisse.
- Ah, oi então, eu fico aqui por um tempo até eu arrumar um jeito de conseguir dinheiro o suficiente para voltar pra minha cidade, obrigado por me acomodar, alguém pode me mostrar onde posso colocar minhas coisas?
- Pode deixar que eu te levo ao quarto de visitas – Sam se ofereceu, pegando minha mala.
- Não precisa Sam, pode deixar que eu a levo. –tirei a mala da mão de Sam e fiz sinal para que ele me levasse ao quarto.
- Que seja!
Tenho que admitir que o quarto não era lá muito confortavel, tinha dois colchões velhos e rasgados atirados no chão, um armário rodeado de teias de aranha e alguns travesseiros e lençois sob uma escrivania, pelo menos eu estava segura, pelo que diziam.
- Ei Sam, eu queria falar umas coisas pra você! – eu disse, fechando a porta. Sam me olhou com um cara confusa mas sentou em um dos colchões esperando o que eu tinha a dizer – Ér... Sobre eu ter me agarrado em você no carro, não quero que entenda mal as coisas... Eu estava triste e precisava apenas de um abraço, entende? Vou evit... – parei de falar sendo interrompida por ele colocando seu dedo em meus lábios e fazendo sinal para eu me calar.
- Não precisa se explicar, eu entendo perfeitamente, não é facil a situação que você está passando, não sei nem como está aguentando tudo isso. – Sam disse calmamente olhando em meus olhos.
- Ah, fico aliviada de ouvir isso então e, obrigado por tudo que você e Dean estão fazendo por mim, eu já estaria morta se não fosse por vocês, na verdade achava até melhor se eu tivesse morrido mesmo. – bastou eu ter falado isso pra uma lágrima escorrer em meu rosto, malditas lágrimas.
Fui me afastando de Sam para ir lavar meu rosto mas ele logo me segurou, pegou nas minhas bochechas levemente e falou:
- Tudo isso vai melhorar, talvez demore um pouco mas você vai conseguir superar e, eu torço por isso. – parou por um momento e continuou – Falando nisso, que tal irmos tomar uma cerveja hoje? Conheço um bar aqui perto, Dean vai adorar a ideia, pelo menos para se distrair um pouco.
- Eu vou sim, obrigado pelo convite. – eu respondi, abrindo a porta para voltar à sala e conversar com Bobby.
Ele estava certo, eu precisava me distrair, ocupar meus pensamentos com alguma coisa e quem sabe conhecer pessoas novas.
- Bobby, já que vou ficar em sua casa pelo menos preciso te conhecer e tentar te mostrar quem eu sou, não quero ser um incomodo e pelo visto é o que estou sendo aqui – sentei ao lado dele e falei, sendo direta.
- Katie, certo? Você não esta sendo um incomodo, confio em você se são Dean e Sam que trouxeram-a aqui, mas este é o meu jeito. Não sei se já te contaram, mas sou caçador como esses dois e sei muitas coisas que podem te ajudar a se proteger de criaturas do tipo que atacou sua casa. Vou te falar o que quiser saber, se sinta a vontade.
Nossa! Ele foi até simpatico comigo, eu não esperava isso de alguém que virou as costas pra mim quando fui cumprimenta-lo. Não devo julgar pelas aparências mesmo.
- É Katie, o cara é um gênio, ele que ensinou a maioria das coisas que sabemos! Bobby pode ser um velho rabugento, bêbado, grosseiro e anti-sociavel mas até que é legalzinho – gritou Dean, deitado no sofá com uma cerveja na mão.
- Cala a boca, idjit. – Bobby o respondeu, jogando outra cerveja para ele.
Foi inevitavel não rir daquela situação. Não sei como consigo rir num momento desses mas consigo, e devo ficar feliz por isso.
É estranho falar sobre felicidade sem a Lali, porque ela é minha melhor amiga e com quem eu passava e compartilhava todos os momentos da vida, e o que eu mais queria agora era poder dar um abraço nela, dizer o quanto ela é especial e contar o que se passou nesses dias longe de casa. Eu nem mesmo sei se ela esta viva no momento.
- Nossa eu to morrendo de fome, você não tem comida nessa casa não? Eu só acho cerveja na geladeira Bobby, você não sente fome? – exclamou Sam depois de tirar três garrafas de cerveja estragada do freezer.
- Eu as vezes como umas coisas congeladas, mas não tem nada mesmo. Por que não vai no mercado logo em vez de ficar aqui enchendo o saco?
- Isso mesmo, vou no mercado, tenho que abastecer essa casa! Dean, você ainda tem dinheiro daquele jogo de pôquer da semana passada? – Sam se dirigiu a Dean.
Eu nem tinha parado pra pensar nisso, caçadores de criaturas sobrenatuais não ganham salário então eles sobrevivem roubando e jogando pôquer?! Ah, dane-se.
- Você quer ir comigo? – meus pensamentos foram interrompidos com Sam na minha frente impaciente. – Hein Katie, quer ir no mercado?
- Não Sam, fico por aqui pra ir ajeitando umas coisas.
- Ok, já volto. – falou Sam, virando as costas e pegando a chave do carro.
- Ei Bobby, você poderia me arranjar um pano e um rôdo? – perguntei ao Bobby, eu queria limpar aquela casa um pouco, eu devia fazer isso ao menos.
- Ali atrás da porta da cozinha tem umas coisas, pode pegar.
- Agora a namoradinha do Sammy vai fazer faxina? – Dean me desafiou. Dei uma risada de ironia, e de vergonha.
- Acorda né Dean! Não tenho nada com o Sam! – respondi tentando disfarçar. Mas eu não tenho nada com o Sam mesmo, ele é apenas um amigo, nem conheço esses dois direito!
- Ah, não tenta me enganar, você acha que eu não percebi o clima lá no carro? Vocês tão caidinhos um pelo outro!
Agora dei uma gargalhada, e virei as costas, tenho coisas mais importantes pra fazer.
- Duas horas depois (20h) -
- Chega Katie! Acho que já limpou o suficiente, Bobby preparou um carreteiro, vem comer – Dean me chamou. É, eu acho que limpei o suficiente mesmo, pelo menos os quartos e o banheiro estão limpos e sem cheiro de bebida e papel mofado...
Até que Bobby não cozinhava mal, o arroz ficou um pouco cru, mas dava para se satisfazer. Fiz questão de lavar a louça, garantir a limpeza da casa não é o suficiente a ser feito pra poupar o que eles estão fazendo por mim mas é o que esta ao meu alcance e amanhã me informo se tem algum emprego temporário aqui na cidade, até porque, não quero depender deles pra sempre.
- Ei Sam, o que acha de irmos ao Crush Bar mais tarde? To precisando ver umas gatinhas e jogar um pouco de sinuca. – ouvi Dean o convidando, sorridente.
- Eu estava pensando nisso, até falei com a Katie, vamos sim – Sam respondeu.
- Ah cara, levar uma menina junto? Não acho que seja uma boa ideia, ela é muito criança ainda, pra que influenciar logo cedo? – Dean respondeu olhando para mim, é ele gosta mesmo de me provocar.
- Vai se ferrar Dean! – eu gritei dando uma risadinha.
- Você não acha que é muito nova pra ficar falando essas coisas mocinha?
- Você não acha que já esta na hora de ir tomar um banho? Porque só temos um banheiro e até todos nós nos arrumarmos...
- Bem lembrado, vou indo para o chuveiro. – respondeu Dean, pegando uma toalha e batendo a porta do banheiro.
Fui esclarecer algo com Bobby, o que não saia da minha cabeça e Dean e Sam sempre evitaram comentar perto de mim: a morte de meus pais e meu irmão.
- Bobby, quem foi que entrou na minha casa aquele dia? – perguntei sentando ao seu lado com olhar impaciente.
- Vou te falar logo porque já enrolamos demais e você tem o direito de saber. Quem entrou na sua casa foi um demônio muito poderoso, até umas semanas atrás nós não sabíamos ao certo quem era mas o nome é Aziel e os meninos já devem ter te contado o que ele faz.
- Sim, eles me falaram... Mas é possível matar esse demônio?
- Claro que é, temos uma faca que é especial que antes era de um demônio e acabou em nossas mãos e é inevitável um demônio como esse sobreviver depois de uma faca mas o jeito mais fácil é usando as balas da colt, que foram criadas para matar qualquer tipo de criatura...
- Depois de 1h de conversa -
Bobby me explicou exatamente tudo sobre Aziel e os modos de matá-lo, mas quando eu me manifestei falando que queria participar dessa caçada logo me proibiram e me disseram que eu tinha que ter habilidade porque é muito perigoso e Dean e Sam já eram suficiente pra acabar com o demônio, bla bla bla. Amanha vou treinar tiros e ler alguns livros do Bobby para aprender mais sobre isso, mas agora vou tomar banho e me arrumar para ir ao bar.
- Anda Katie! Eu e Dean já estamos prontos e você nem saiu desse chuveiro ainda! – Sam gritou, batendo na porta do banheiro.
- Calma, já to saindo. – respondi desligando o chuveiro.
Me vesti no próprio banheiro, passei uma maquiagem leve e dei uma secada rápida no cabelo.
- Vamos logo Katie, já faz 40 minutos que você esta nesse banheiro! — gritou Sam de novo.
- Você é muito impaciente mesmo! – respondi abrindo a porta e me deparei com ele parado me olhando fixamente de boca aberta.
- O que foi Sam? Parece que viu um fantasma. – falei, rindo das feições que ele fazia.
- Você esta linda Katie. – ele respondeu me olhando de cima a baixo pela sétima vez.
- Ah obrigada, deixa só eu passar um perfume e pegar minha bolsa que já saímos. – falei enquanto ia ao quarto.
- Vocês dois estão prontos? Vamos logo, já liguei o carro.
Não deixei de me olhar no espelho pra conferir se era verdade o que Sam tinha dito. Eu estava linda mesmo, aquele vestidinho preto com algumas lantejoulas que tinha ganhado de aniversario da Malu ficou perfeito no meu corpo, fazia tempo que eu não me sentia feliz comigo mesma. Senti que a noite seria legal, tomara que seja.
Entrei no carro e fui ao bar ouvindo um bom som de rock que Dean tinha colocado na rádio.
Fale com o autor