Mudança de Mundos- hiatus
21 21- Templo
Notas iniciais
–Ann!-alguém me chamou, resmunguei e cobri minha cara com um travesseiro- Ann!- algo me sacudiu- anda logo Annabeth Chase, nós temos um encontro em duas horas e meia e temos que ficar lindas, acorda!
–Cala a boca, Grace- praticamente gritei, abrindo os olhos- é só um café, um café!
–Tá, mas mesmo assim temos que ficar lindas, então levanta essa bunda gorda daí e me ajuda a escolher o que vestir- reclamou ela, deixe-me explicar, já havia se passado um dia desde que chegamos aqui, Thalia havia ligado para Jay e marcado um café as nove da manhã, isso quer dizer que a maldita me acordou as seis e meia!
–Você está parecendo uma filha de Afrodite, não, você parece uma daquelas solteiras desesperadas de quarenta anos que nunca namoraram na vida!- disse levantando da cama, ela me deu um tapa no braço e começou a andar em círculos enquanto eu escovava os dentes.
Revirei os olhos com a atitude infantil dela e fui até ela, agarrando seu braço e arrastando a coisinha irritante (Thalia) até seu próprio quarto de hotel, que ficava ao lado do meu, separado por uma porta interna. Minha localização estava ótima, de um lado Thalia e do outro Percy (que tinha o quarto ligado ao meu e ao de meus irmãos).
–Primeiro você vai tomar um banho e trazer sua mala até aqui, depois a gente conversa- disse a empurrando para seu quarto e batendo a porta divisória.
Entrei no meu banheiro, ele era dourado e branco, simples porém lindo, meu quarto não era diferente, carpete e paredes dourado claro, cama e cortinas brancas e móveis escuros. Tomei um banho relaxante e saí do chuveiro alguns minutos depois, enrolada no roupão, saí do banheiro e encontrei Thalia também de roupão revirando a mala.
–Quer ajuda?- perguntei e ela se virou para mim
–Por favor- ela responde com os olhos azuis arregalados, dou uma risada jogando uma blusa caída no chão para ela e começamos a nos arrumar.
Terminamos a “produção”faltando uma hora para o café, ou seja, terminamos as oito horas. Thalia vestia calça jeans clara, blusa regata preta e coturnos, seu cabelo estava jogado sobre os ombros, solto e ela usava uma maquiagem escura, marcada nos olhos. Já eu usava jeans escuro rasgado, uma blusa prata transparente nas costas e um coturno como o de Thalia, meus cachos estavam soltos e minha maquiagem era simples, rímel com batom vermelho. Descemos até a recepção e estava tudo bem, até um vulto ruivo se materializar na nossa frente, Clarissa Fray.
–Aonde vocês pensam que vão?- ela pergunta com as mãos nos quadris
–Então...- começou Thalia tentando escapar, ao longe vi o resto do pessoal se aproximando e resolvi acabar com o assunto.
–Nós marcamos um café com dois gregos que conhecemos na fila para o táxi,temos que chegar em meia hora- despejei
–Espera- disse Clary- as dez horas vocês voltam, vou contar- avisou ela
–Certo, as doze horas voltamos, até mais mamãe– caçoou Thalia correndo para a saída, fui atrás dela e entramos no primeiro táxi vago na rua, que por sorte estava quase vazia, sem trânsito.
Chegamos lá faltando cinco minutos, os garotos estavam sentados em uma mesinha dentro do café, tomamos café e comemos bolinhos, conversamos um pouco, eu logo percebi que eles não eram o que eu pensava, eram arrogantes, exibidos. Thalia e eu saímos dali as dez e meia, ela adorou conhecer os garotos, eu por outro lado, odiei. Eles não me deixavam falar, só sabiam conversar sobre esportes, prêmios que ganharam e ex-namoradas.
–Como foi o encontro?- perguntou Clary com um sorriso quando chegamos na salinha reservada para nós no hotel. Thalia a levou para um dos sofás e começou a detalhar como foi maravilhoso o café dela, sentei entre Nico e Percy, em um sofá bem longe das duas, que haviam se juntado as outras garotas
–Como foi?- pergunta Nico a contragosto
–Para Thals ou para mim?- questiono levantando as sobrancelhas, ele fez um gesto me indicando- horrível e extremamente chato- eles dão uma gargalhada pela minha careta e dou um tapa no braço de cada um- Ei, garotas- chamo- quando vamos ao templo?
–Depois do almoço- responde Clary e volta a conversar, suspiro e me deito no sofá com a cabeça no colo de Percy e minhas pernas por cima de Nico. Sim, eu sou folgada assim mesmo.
...
–É aqui!- digo apontando para o grande templo cheio de rachaduras onde uma bela estátua de minha mãe repousava
–Certo- disse Izzy- nós estamos em uma lojinha logo ali- respondeu apontando para o outro lado- façao que em que fazer, arotos, venham vocês também, precisamos de alguém que segure as sacolas- chamou e eles foram, me deixando sozinha
Entrei no templo com cuidado, como vi em meu sonho, subi as escadas e atravessei o salão sentindo um arrepio passar pela minha espinha. Avancei até a base da estátua e a observei, letras lindamente entalhadas formando o nome da deusa que representava a estátua, e um símbolo. Espera, ele sumiu!
Agachei e passei as mãos pelas letras, procurando o símbolo disforme dourado entre as letras que eu havia visto segundos atrás. Algo saltou para minha mão por debaixo das letras de ouro, agarrei a figura no mesmo instante, a puxei e o ouro que a cobria se retraiu,voltando a cobrir apenas as letras entalhadas com o nome de minha mãe, deixando a figura, sólida e leve, nas minhas mãos. Agora eu podia ver melhor, era uma coruja, um pingente, de ouro, o pingente do meu sonho e se olhasse mais de perto poderia perceber que seus olhos eram feitos de duas pedrinhas minúsculas, uma cinza e outra verde. Mar e sabedoria, juntos.
Ouvi um barulho e me virei, de repente o pingente não estava mais em minhas mãos e sim erguido no ar, se transformando em uma bela coruja brancas com algumas penas douradas, ela voou em minha direção, as garras mortíferas viradas para meu rosto e pousou em meu braço descoberto.
Tudo girou rapidamente e parou, percebi que um pedaço de couro que não estava ali antes se enrolava em meu braço, então olhei para baixo. Minhas roupas haviam sumido e agora eu usava uma túnica preta de alcinas que vinha até metade da coxa, um cinto largo de couro marcava minha cintura como um espartilho e sandálias trançadas até meus joelhos.
–Annabeth- chamou a voz de Clary, ela estava parada no meio do templo- você encontrou- concluiu ela maravilhada olhando a coruja em meu braço- vamos, recebemos uma ligação do acampamento, temos que chegar lá em dois dias, não contaram porque, mas vai ter uma reunião e você e os outros precisam estar lá.
Ótimo, mais confusões no acampamento meio-sangue!
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