Então fomos andando a caminho da escola e fomos conversando e eu ia contando à ele sobre a minha vida no Rio de Janeiro apesar de ser meio chata.

–Chegamos Cebola, essa é a escola.

–Nossa que legal! — Disse um pouco surpreso.

A escola era grande, melhor do que a minha antiga escola no Rio de Janeiro. Tinha um corredor enorme e as salas aparentavam ser bem organizadas. Enquanto andávamos, Cascão ia me falando os lugares que tinham na escola por onde passávamos.

–Bom Cebola, acho que você já viu tudo por aqui, só faltou o campo de futebol. Vamos lá?

–Claro — falei o seguindo.


(P.V. Mônica)

–Um e dois e três e quatro, cinco, seis, sete, oito. Um e dois e três e quatro, cinco, seis, sete, oito...

Eu estava ensaiando os passos de dança junto com as meninas pra apresentação de líder de torcida no grande jogo de futebol mês que vem, mas elas pareciam não conseguir acompanhar na minha contagem, era meio difícil ser a capitã. Eu já estava ficando desesperada. O Tony chegou de repente me abraçando por traz e me dando um beijo na bochecha.

–Oi gatinha estava com saudades... — eu o interrompi colocando o meu dedo indicador sobre seus lábios, o fazendo ficar quieto.

–Precisamos conversar — falei com o olhar um tanto sério.

–O que foi princesa? — ele perguntou parecendo não se importar com o que eu diria.

–Você se esqueceu de ver a apresentação da coreografia de líder de torcida ontem, eu entendo que seja ocupado mas não pode fazer promessas que não cumpre.

–e-eu prometo que vou na próxima — ele gaguejou.

–você sempre promete. — disse um pouco decepcionada.

–Deixa eu te compensar por isso, vamos no Shopping Center hoje à tarde tomar um sorvete que tal? — fiquei calada por um tempo até que abri um sorriso de convencida no rosto e me dei por vencida.

–Tá bom fofo, tá perdoado, mas só desta vez tudo bem?... Então, hoje as 15:00hrs?

–Claro gata. Então continuem ensaiando ai — disse ele apontando pras outras garotas que á esse ponto já deveriam estar mortas de cansaço.

–Tudo bem meninas, uma pausa de 10 minutos, ok?! — eu falei.

???Ai até que enfim... — diziam as garotas.

Eu estava exausta também, então fui me sentar com o Tony, as meninas e os garotos do time de futebol.

De repente entrou um menino lindo no campo, acompanhado pelo seu amigo que me parecia familiar e estava do lado dele e parecia estar apresentando o lugar para ele, acho que era novo na escola, ele tinha cabelos bagunçados em cinco ou seis direções, carregava uma mochila preta nas costas e usava uma roupa descolada com uma calça jeans escura e uma blusa verde, ele fez o meu coração acelerar a mil batidas que fiquei com medo de que as ouvisse do outro lado do campo, meus olhos transbordavam luxuria e por mais difícil que fosse, tentei fingir que não o tinha visto entrar e continuei conversando com Tony.


(P.V. Cebola)

Quando eu entrei no campo, vi um espaço enorme, cercado por gramas e em volta uma arquibancada bem montada. Mas aquilo deixou de chamar a minha atenção, quando eu vi a menina mais linda que já vi em toda a minha vida. Ela usava um uniforme de líder de torcida com uma mini saia, o que destacava ainda mais as suas lindas pernas. Ela tinha cabelos lisos castanhos na altura do ombro, os olhos eram dourados e brilhantes, eu virei rapidamente pro outro lado pra não correr o risco dela olhar pra mim, não queria que ela me visse pagando pau pra ela, mas infelizmente Cascão me viu olhando pra ela.

–Ei cara, eu vi que você estava olhando!

–viu nada. — eu neguei.

–vi sim, então, quem é a garota?

–Ham... — Na hora que eu ia responder, vi que ela tinha se levantado pra ir em algum lugar, ela ia sair do campo, mas pra sair do campo ela teria que passar por mim, mas eu não queria que ela me visse por que eu poderia ficar sem jeito ao olhar pra ela, então fingi estar olhando para alguma coisa distraído.


(P.V. Mônica)

Me levantei e sai dali de perto do pessoal, disse que eu ia me aprontar pra primeira aula, a chatíssima aula de ciências. Tentei não olhar pro garoto novo, pois não queria ficar envergonhada perto dele, então comecei a olhar pra baixo e andar bem de pressa, cheguei a correr de tão rápido que estava andando. Quando estava chegando perto daquele garoto, aconteceu a pior coisa que poderia acontecer, eu tropecei na grama, ele viu e rapidamente segurou na minha mão pra que eu não caísse, mas ele também tropeçou e nós dois caímos no chão. (que vergonha)

–CUIDADO!-gritou o amigo dele mas já era tarde de mais, nós dois estávamos caídos no chão um em cima do outro e ele caiu sobre mim o que nos deixou bem próximos um do outro, por um momento achei que íamos nos beijar, ficamos nos olhando nos olhos, chegando cada vez mais perto e quando eu percebi, estava rolando um clima entre nós dois, tentei cortar o clima empurrando de leve o seu peitoral fazendo-o sair de cima de mim.

–Me desculpe, você se machucou?-Perguntei me levantando da grama, tentando não parecer tão preocupada com ele.

–T-t-tá tudo bem, você esta bem?-Ele me perguntou se levantando e olhando dentro dos meus olhos.

–estou, obrigada por me segurar, ou por tentar me segurar.

Ele riu baixinho e direcionou um sorriso lindo pra mim.Ficamos em silencio por um tempo, até que eu falei:

–Bom, eu tenho que ir agora, obrigada de novo por tudo...Tchau.

Sai dali de pressa sem olhar pra traz, escutei ele dizendo um tchau pra mim mas não quis olhar pra traz, e continuei correndo.


(P.V. Cebola)

Ela saiu dali rapidamente, deu vontade de dizer pra ela não ir embora, mas não havia motivos pra ela ficar ali. Eu fiquei paralisado, pensando no quanto ela era linda e que eu queria vela outra vez. Cascão me tirou dos meus pensamentos:

–Ei Cebola-Disse ele balançando a mão em frente ao meu rosto-que tombo feio em, kkk. Mas pelo menos agora eu já sei pra quem você tava olhando naquela hora.

–Do que você ta falando?-me fiz de desentendido-não tem nada a ver.

–Não adianta mentir pra mim, admite, olha só essa sua cara de bobo, hahaha.

–Tá bom, eu tava olhando pra ela naquela hora, pronto falei tá feliz?

–tá, cara...Pra começo de conversa, aquela ali é a Mônica,-‘’que nome lindo’’ pensei -e ela é a capitã das líderes de torcida, o que deu pra perceber já que ela estava usando o uniforme da equipe...Ela é a mais popular e a mais rica daqui.

–Uau!-Eu a admirei com um sorriso bobo.

–Se eu fosse você, eu não estaria com esse sorrisinho, porque a Mônica tem namorado, o Tony, e ele é o capitão do time de futebol do colégio. –Ele falou apontando pra um garoto loiro do outro lado do campo.

–Ah tá.-disse tentando disfarçar a minha tristeza.

–Relaxa Cebola, ela é um caso perdido, admiro o seu bom gosto mas ela não é a pessoa mais legal do mundo, é muito patricinha, mimada e exibida.

–Tem certeza?-perguntei na esperança que ele estivesse errado sobre aquilo.

–tenho, vem, vamos pra aula!

–tudo bem.


(P.V. Mônica)

Meu coração estava disparado, eu nunca tinha me sentido assim com ninguém antes, nem mesmo com Tony. Mônica vê se para com isso, ele é só um garoto que você nem conhece e além do mais, você tem namorado. Eu estava no banheiro me trocando, eu coloquei um blusa no modelo tomara que caia rosa, uma calça jeans e um saltinho alto que não era muito alto. Fui pra sala de aula e quando eu entrei, vi Tony sentado junto com a Denise, fiquei com raiva, ele percebeu e disse pra mim:

–Desculpa Mônica, a Denise quis sentar comigo.-Ela me deu um sorrisinho falso e eu revirei os olhos e sai dali de perto. Então vi aquele garoto novo sentado sozinho, percebi que ele tinha visto aminha sena com o Tony e a Denise, ele virou o rosto fingindo não ter visto nada, mas eu sabia que tinha, resolvi ir me sentar ao lado dele. Quando eu me sentei, ele ficou me olhando surpreso, até que eu me virei pra ele e disse um curto: Oi.

Ele respondeu: O-oi-ele gaguejou um pouco.

Ele era tão fofo, bom a aula passou bem rápido, parecia que o tempo passava mais de pressa quando estava perto dele. O Tony nos olhava ás vezes com raiva, que abusado que ele é, ele pode se sentar com a Denise na hora que quiser, mas quando eu sento com outro garoto ele fica todo nervosinho, que ridículo.


(P.V. Cebola)

Eu mau acreditava que ela iria estudar na mesma sala que eu, e pra melhorar ainda mais ela tinha se sentado comigo, parece que estávamos cada vez mais próximos um do outro, dava pra perceber que o namorado dela olhava pra gente com cara feia, eu simplesmente fingia não ligar. O sinal pro intervalo tocou e ela saiu rapidamente da sala sendo seguida pelo namorado que ia atrás dela com raiva.


(P.V. Mônica)

Fui até o refeitório e quando olhei pra trás, vi Tony com o olhar muito sério.

–O que foi? Por que essa cara?-perguntei.

–Porque você se sentou com aquele garoto?

–Porque você se sentou com a oferecida da Denise. -respondi, já irritada.

–Ah Mônica não seja tão ciumenta.

–Eu ciumenta? Você é quem esta todo bravinho só porque eu me sentei com outro garoto.

–Tá mas isso é diferente, você poderia ter se sentado com uma de suas amigas.

–Mas eu não quis.

–Ok, não quero mais te ver com ele.

–hunf! você não manda em mim.-eu disse, á essa altura eu já estava totalmente brava.

–Quer dizer que vai continuar falando com ele?

–Sim...Se eu esbarrar com ele por aí, nada vai me impedir de falar com ele muito menos você.-Eu hesitei um pouco e depois continuei:-Olha Tony, falamos disso depois, certo?-Disse me virando e saindo dali rapidinho.

–Mônica não vire as costas pra mim, volta aqui. -Gritava ele de longe,mas eu fingi que nem ouvi.

Fui me sentar pra lanchar com a Magali, Quim, Carmem, Tikara, Marina e Franja e depois de um tempo, Tony chegou e se sentou conosco. Sinceramente eu estava cansada de sentar naquela mesa sem graça, nós sempre riamos e fingíamos achar graça de alguma coisa que na verdade não tinha graça nenhuma, só pras pessoas acharem que estamos nos divertindo, quando não estamos.