Mudando os Rumos

7 Capítulo 7


Notas iniciais
Algo me diz que vocês vão gostar desse capítulo! :3

Capítulo 7

You're lost, little girl

Você está perdida, garotinha

You're lost, little girl

Você está perdida, garotinha

You're lost

Você está perdida

Tell me who

Me diga quem

Are you?

É você?

I think that you know what to do

Acho que você sabe o que fazer

Impossible? Yes, but it's true

Impossível? Sim, mas é verdade

I think that you know what to do, yeah

Acho que você sabe o que fazer, sim

I'm sure that you know what to do

Eu estou certo de que você sabe o que fazer

You're lost, little girl

Você está perdida, garotinha

You're lost, little girl

Você está perdida, garotinha

You're lost...

Você está perdida...

Acordo com batidas na porta.

Tinha dormido com meus fones e o mp3 ligado.

Era sábado de manhã.

Me levantei da cama e vesti meu roupão.

Só podia ser uma pessoa pra bater na porta tão cedo!

Quando abri, levei um susto.

— Oi fofuxa!

Eu não acreditei... Era o Quim!

Ele trazia nas mãos um buquê de flores e uma caixa de bombons.

— Não vai me convidar para entrar? – ele disse sorrindo.

Fiquei parada olhando com cara de idiota.

Senti minhas pernas amolecerem e minha voz sumir.

Ele ficou me olhando confuso.

Assim que recuperei a fala, disse:

— Quim, que surpresa! – disse com uma certa histeria na voz.

Ele me abraçou.

Eu estava sem ação... Não sabia o que fazer.

—Vim até aqui pra te pedir perdão! Fui injusto com você.

Eu não sabia o que dizer...

Quim era o cara mais previsível do mundo.

Jamais imaginei que ele seria capaz de me surpreender daquela forma.

Sempre que discutíamos, ficávamos uns dias sem nos falar e depois ele sempre me ligava e pedia desculpas. Mesmo que a errada fosse eu.

O Quim era bonzinho demais. Fazia todas as minhas vontades...

Não que isso fosse algo ruim, mas eu só queria um pouco mais de atitude da parte dele.

— Tá tudo bem Magali? Você tá tão estranha. – disse com voz preocupada.

— Não... Er... Quer dizer, sim, sim eu estou bem. – disse gaguejando.

— Mesmo?

— Claro fofo, eu só fiquei surpresa, não esperava que você fosse aparecer assim, sem avisar. – digo com um riso nervoso.

E que surpresa!

Abri a porta achando que fosse o DC, e era meu namorado.

O namorado que eu havia traído.

E agora? Dizia o que tinha acontecido ou ficava calada?

— Você me perdoa Magali? – ele disse com olhar suplicante.

Silêncio.

—Magali?

— C — claro fofo, claro que te perdoo. – digo lhe dando um abraço.

Estava distraída, dispersa.

Eu não conseguia me concentrar, não conseguia prestar atenção no que ele dizia.

Eu ainda estava em choque pela surpresa.

Mas eu precisava agir naturalmente, não podia deixar transparecer minha preocupação.

Estava me sentindo horrível, me sentindo suja.

Ele largou tudo pra me visitar, me pedir perdão...

E agora eu era a errada da história.

Era eu quem lhe devia desculpas.

Eu sabia que precisava ter aquela conversa com ele, que precisava contar o que tinha acontecido entre mim e o DC.

Eu tinha que ser honesta com ele.

Afinal em um namoro a honestidade é algo imprescindível.

Mas eu não fazia a menor ideia de como dizer.

Não sabia por onde começar e como começar.

Eu sabia que aquilo iria destruí-lo. Que ele jamais me perdoaria.

Eu era a pior pessoa do mundo!

Tomamos café da manhã em silêncio.

Depois do café, fomos até uma pequena praça que havia próximo da casa.

Ficamos conversando amenidades.

Na hora do almoço, ele me levou até um restaurante.

Era o restaurante mais caro do bairro.

Ele realmente estava fazendo de tudo para me agradar.

Meu telefone tocou, era o DC.

Senti meu coração pular, mas ignorei a ligação.

Justo agora ele tinha resolvido ligar?

Desliguei meu celular.

— Quem era?

— Era a Denise... – menti

— E por que você não atendeu?

— Ah... Provavelmente ela ligou pra contar alguma fofoca. E eu não tou afim de ouvir fofocas. Quero curtir o dia com o meu fofinho. – disse dando um sorriso mais falso do que unha postiça.

E assim o dia passou, a noite chegou... E eu não tinha encontrado coragem para contar.

— Parece que vai chover... O tempo tá estranho.

— É... – disse distraída.

— Magali, você ainda está magoada comigo?

— Hã? – digo me voltando para ele.

— Perguntei se você ainda tá magoada comigo. Você tá me ouvindo? Parece que tá no mundo da lua.

— Desculpa fofo... Só estou cansada, dormi mal à noite.

— É só isso mesmo? Você estava estranha o dia todo...

— É... – menti. – Desculpa, é que a universidade tá acabando comigo.

— Eu entendo, não é fácil mesmo...

— Aham...

— Adorei passar o dia com você fofuxa, mas já é tarde e eu preciso ir embora. Você me acompanha até o terminal de ônibus?

— Claro. – disse sorrindo.

O terminal de ônibus não era longe da casa e por coincidência ficava próximo da república onde o DC estava morando.

Era o último lugar aonde eu queria ir...

Fomos andando em silêncio o caminho todo.

Não sentia meus pés tocarem o chão.

Era como se eu andasse mas não saísse do lugar.

A única coisa que sentia era uma brisa gelada em meu rosto.

Ao chegar, reuni minhas forças para finalmente lhe contar tudo.

— Joaquim, eu queria...

Ele olhou surpreso para mim. Quase nunca lhe chamava pelo nome.

— Queria? – ele perguntou arregalando os olhos.

— Queria... Queria dizer que o dia foi ótimo.

Não tive coragem de dizer.

Covarde! Mentirosa!

Naquele momento eu era uma grande filha da puta!

Depois que ele entrou no ônibus e partiu, começou a chover.

Comecei a caminhar na chuva sem rumo.

Estava completamente ensopada.

Quando dei por mim, estava em frente à casa do DC.

A entrada da casa tinha um muro baixo e sem portão.

Havia um pequeno lance de escada até a porta.

Subi os degraus lentamente.

Parei em frente à porta.

Vi a luz se acender, e a porta se abrir.

Era o Do Contra.

— Magali? O que você tá fazen... Nossa, você está toda ensopada!

Não respondi.

— Vem, entra logo antes que você pegue um resfriado.

Olhei para seu rosto, e senti a raiva que tomava conta de mim.

Cerrei meus punhos e comecei a bater em seu peito gritando:

— Seu maldito! Seu maldito!

— Ei! O que tá acontecendo? – ele disse me segurando nos ombros com força.

— Me solta!

Lhe dei um empurrão e saí correndo.

Ele correu atrás de mim, me chamando.

Eu não olhava para trás.

Ele consegue me alcançar e me segura pelo braço.

— É tudo culpa sua! Tudo culpa sua! – digo chorando.

Ele segurou em meu rosto com as mãos, olhou profundamente em meus olhos e... Me beijou.

Não ofereci nenhuma resistência.

Eu queria aquele beijo.

O beijo começou sereno. Sua língua quente e macia explorava a minha boca calmamente.

Logo o beijo foi se tornando mais intenso, mais urgente. Nossas línguas enroscavam-se com sofreguidão.

Ele me puxou mais para si, me apertando contra seu peito.

Pude sentir cada milímetro daquele corpo quente.

Sentia meus seios tocando seu peito firme.

Sentia suas mãos em minha cintura me apertando enquanto eu puxava os cabelos de sua nuca.

Nosso beijo tinha gosto de chuva e lágrimas.

Notas finais
Espero que tenham gostado! O trecho de música citado no início do capítulo é You're Lost Little Girl do The Doors.