Mudando os Rumos

13 Capítulo 13


Notas iniciais
Eu li e reli esse capítulo um milhão de vezes... Eu não fiquei satisfeita com o resultado, mas fiz o melhor que pude. Me perdoem se não tiver ficado bom, mas espero que gostem!

Capítulo 13



Chegamos ao Limoeiro em pouco mais de meia hora, Nimbus corria acima da velocidade permitida.
Confesso que a minha vontade era de que nunca chegássemos, eu não queria encarar a situação complicada que tinha pela frente.


Nimbus e eu fomos direto ao bar onde a Mônica disse que ele estava.
Era um daqueles botecos sujos que ficavam abertos a madrugada toda.
Quando entrei, mal pude acreditar nos meus olhos.
Quim estava debruçado no balcão do bar com uma garrafa de vodca na mão. A garrafa já estava pela metade.
Não tive coragem de me aproximar dele. Era como se meus pés estivessem presos ao chão. Minhas pernas não me obedeciam.

Nimbus segurou em minha mão para me dar forças, me tirando daquele estado de torpor.
Nos aproximamos um pouco mais do balcão onde ele estava.

— Quim? – eu disse em voz baixa.

Ele virou-se para mim, encarou-me por um tempo, como se não estivesse me reconhecendo.
Seus olhos estavam vermelhos e marejados.
Por fim, ele falou:

— Olha só quem tá aqui, a putinha da facul!
— Que isso cara! Isso é jeito de falar? – disse Nimbus em tom de reprovação.
— Cala a sua boca que eu não falei com você, seu Mandrake de merda! — disse lhe fuzilando com o olhar.

Fiquei extremamente constrangida quando ele se referiu a mim daquela forma.
Quim estava irreconhecível.
Quem estava ali não era aquele rapaz tímido, gentil e meigo que eu conhecia, era um completo estranho.

— Quim, anda vem, a gente vai te levar pra casa. – disse com voz trêmula me aproximando um pouco mais.


Ele me deu novamente um longo olhar, como se estivesse me estudando.


— Olha aí, não contente em ficar com um só, tá ficando com o irmão também? – Não sabia que você curtia dividir puta com seu irmão Nimbus! – disse em tom de deboche.
— Quim, pára com isso! Olha o que você tá falando! Já bebeu demais, chega! – disse Nimbus intervindo.


Eu estava em choque, não conseguia acreditar nas coisas que ele dizia... Era como se fosse um sonho, mas não meu sonho, o sonho de alguém em que eu precisasse estar.*


(* “É tudo como um sonho, mas não meu sonho, o sonho de alguém em que eu preciso estar. O que acontecerá quando o sonhador acordar? Envergonhar-se.” – Skammen (Vergonha),1968 Ingmar Bergman.)

— Eu bebo o quanto quiser, você não é ninguém pra me dizer o que fazer! E me faz um favor? Tira essa vadia daqui... – ele disse enquanto dava mais um gole.

Aquele definitivamente não era o Quim que eu conhecia. Era um estranho cheio de ódio e rancor.


Sentia as lágrimas escorrendo pelo meu rosto.
Eu não conseguia formular nenhuma palavra.
Nimbus acariciou gentilmente meu rosto, enxugando minhas lágrimas.

— Calma Magali, não é ele é o álcool falando. – ele disse.

Nimbus soltou minha mão e foi até o Quim, tirou a garrafa de sua mão e tentou levantá-lo.
Quim lhe deu um empurrão fazendo com que Nimbus quase caísse.


Nós dois não íamos dar conta daquela situação.
Eu estava desesperada, não sabia o que fazer, ia ser impossível tirá-lo dali.
Nimbus era forte, mas não tanto para aguentar carregar um cara do peso do Quim, ainda mais bêbado e violento.
Liguei para Mônica. Ela era a única pessoa que poderia nos ajudar naquela situação.

— Mônica por favor, eu preciso da sua ajuda. – disse em meio as lágrimas.
— Calma Magá, eu já tô indo.

Logo Mônica e Cebola apareceram para ajudar.
Cebola estava com o olho roxo.
Depois de muita briga e xingos, conseguimos tirá-lo do bar e levá-lo pra casa.
Se a Mônica não estivesse ali, seria preciso o Limoeiro inteiro para ajudar.

Ao chegarmos na casa de Quim, Mônica e Cebola foram embora, logo menos ela teria uma prova na universidade e Cebola estava com enxaqueca pelo soco que havia levado.

Ficamos novamente apenas Nimbus e eu.
Com a ajuda de Nimbus colocamos Quim embaixo do chuveiro e ligamos a água fria.
Ele começou a nos xingar, e me puxou para debaixo d’água fazendo com que minha camiseta ficasse toda molhada.

Com a pressa, eu não tinha colocado sutiã, apenas vesti a camiseta. Por ser branca e de um tecido mais fino, ela havia ficado completamente transparente, revelando a forma de meus seios.

Imediatamente Nimbus me soltou dele, e me levou para fora do banheiro.
Ele tirou a blusa que estava usando e me entregou para que eu a vestisse.
Eu estava completamente roxa de vergonha.

— Toma Magali, veste a minha blusa. – disse enquanto me estendia a peça.
— O — obrigada. – respondi gaguejando enquanto pegava a peça da mão dele.

Ele voltou para o banheiro e ficou um bom tempo lá dentro com o Quim.
Eles estavam conversando, mas não pude entender nada, pois estavam falando baixo e a voz de Quim estava embargada.
Porém pude ouvir meu nome algumas vezes e percebi também que Quim estava chorando.

Nimbus o ajudou a se secar e a vestir roupas limpas.
O levou para o quarto e o colocou na cama.
Nós ficamos no quarto por um tempo enquanto Quim dormia profundamente pelo efeito do álcool.

Por sorte seus pais tinham ido a outra cidade comprar mercadorias e só voltariam dali dois dias.
O velho me detestava, se visse o filho naquele estado, caindo de bêbado e soubesse que eu era o motivo, acho que seria capaz de me matar.
Tudo bem que ele ficaria sabendo de qualquer forma, afinal fofocas voam, mas quando ele voltasse eu não estaria ali e não precisaria ouvir desaforos.

— Nimbus... – disse hesitante. — Vocês conversaram sobre o quê lá no banheiro? Eu pude ouvir meu nome algumas vezes...
— Ah... – ele deu um suspiro. – Falamos sobre várias coisas. Ele me disse que você largou dele pra ficar com o meu irmão...

Fiquei corada.

— Ele disse mais alguma coisa?
— Te xingou de vários nomes, disse que você e o meu irmão não vão ficar juntos...
— Ele falou isso? – minha voz saiu como um miado.
— Ele tá bem mal com o término de vocês.
— Você também acha que eu não presto? – disse de cabeça baixa.
— Claro que não Magá! – ele respondeu enquanto se aproximava e segurava em minhas mãos.
— O Quim acha que eu não presto... E eu acho que concordo com ele... – disse chorando.
— O Quim tá magoado, ferido. É natural ele sentir raiva, mas depois passa. – disse sorrindo.
— Eu não queria que as coisas tivessem acabado dessa forma.
— Eu acredito em você. Mas o seu erro foi ter prolongado um relacionamento que já havia acabado.
— É, acho que você tem razão...
— Olha pra mim! – ele disse segurando em meu rosto e se aproximando. – Você não é uma má pessoa, apenas cometeu um erro. Todos nós somos passíveis de cometermos erros. Não seja tão dura com você mesma! – disse sorrindo.
— Obrigada Nimbus. – disse dando um sorriso tímido.

Ele me sorriu de volta.
Ficamos no quarto conversando enquanto o Quim dormia.
Eu não queria deixá-lo sozinho, tinha medo que ele passasse mal durante o sono e sufocasse no próprio vômito. Eu já tinha lido sobre pessoas que morreram dessa forma.

Estava sentindo-me exausta, aquele dia tinha sido um verdadeiro pesadelo.
Me recostei na poltrona e acabei adormecendo.

Notas finais
A frase citada no capítulo é uma das minhas frases favoritas de filmes, por isso quis usá-la. ;*