Mudando de Vida
11 Então Deus olhou para ele
Jay não queria pensar no assunto. Não sabia realmente porque inconscientemente queria um Jen fragilizado e irritante atrapalhando a vida de Sam. Mais de uma coisa ele tinha certeza... Aquele ser era apenas fruto de sua imaginação, e todo aquele sofrimento era irreal. O único que poderia sofrer ali, de verdade, era ele próprio. Sendo assim, não se deixaria arrastar pelo sofrimento do amigo imaginário. Iria ignorá-lo se fosse preciso.
Jen passou uma noite péssima, delirando com febre alta. Estava confuso, e nem mais acreditava ser o verdadeiro Jen. Ele era a imaginação daquele Deus sádico, e tinha medo de morrer. Ou pior, tinha medo de ficar vivo pra sempre.
No dia seguinte, a mesma novela. Jay acordou cedo e se arrumou ao som das lamúrias de um Jen desesperado. Ele saiu, dirigiu por horas, comeu x-burgers, caçou meia dúzia de fantasminhas fajutos, e chegou tarde em casa. Jen passou o dia inteiro na cama, imaginando se Jay voltaria, e não comeu nada. Já não tinha mais lágrimas para chorar, e nem sequer forças para reagir. Já tinha perdido todas as esperanças de ser salvo.
Quando Jay entrou no quarto, Jen levantou-se cambaleando, e andou até ele, talvez em uma última tentativa de ser notado. Tocou o moreno levemente com as mãos. Jay tentou afastá-lo, querendo evitar o contato. O gesto foi suficiente para desequilibrar Jen que estava fraco. Seus joelhos cederam, e Jay instintivamente o segurou para que não caísse no chão. Em seguida ele ergueu Jen nos braços e colocou-o de volta na cama. Não trocaram nenhuma palavra, mas se olharam nos olhos por alguns segundos, ambos confusos.
Jay se afastou, o coração de Jen acelerou. O moreno andou até porta, pensativo, e depois voltou, pousando a mão delicadamente na testa de Jen. Sentiu o calor debilitante que vinha dele. Se entreolharam novamente. No olhar de Jen, Jay pôde notar um misto de medo e alivio. Como Jay pudera demorar tanto para perceber o motivo de sua imaginação ter criado ser tão belo e frágil? Jen era um presente, não uma maldição...
Jay então olhou ternamente para Jen. Lágrimas rolaram dos olhos do louro mais uma vez, agora por pura emoção. Deus então olhou para ele, acariciou seu rosto e secou suas lágrimas
– Não precisa mais chorar – disse ele – Eu já volto. E dizendo isso, Jay pegou a chave do Impala e saiu novamente.
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Meia hora se passou antes que Jay retornasse ao quarto. Jen voltou a se apavorar, porém agora sem perder as esperanças. Quando o moreno entrou no quarto, carregava uma enorme sacola de compras.
Sentou-se do lado de Jen, que permaneceu deitado, olhando-o com admiração.
– Vamos cuidar desse machucado primeiro... – Jay então falou.
Jen se manteve quieto, sem dizer palavra. Tinha medo de estragar aquele momento. Tinha medo de falar qualquer coisa que pudesse destruir o que finalmente havia conquistado.
Jay então desfez o curativo, que já estava velho, da barriga de Jen. Limpou o ferimento com muito cuidado. limpou o pus e colocou remédio. Doía tanto que Jen queria chorar, mas se controlou. Nem mesmo gemeu.
– Pronto... Agora está bem melhor... Doeu muito? – perguntou Jay.
Jen acenou negativamente com a cabeça.
– Muito bem, vamos cuidar dessa febre agora...
Jay voltou a sentir a testa do louro com as mãos. Estava pegando fogo. Ele então ajudou o amigo a tomar um antitérmico, levantando sua cabeça com uma das mãos e oferecendo-lhe a água e o comprimido com a outra. O fez também tomar um antibiótico.
Feito isso, Jay pegou seu cobertor e somou ao cobertor de Jen para cobri-lo bem, já que o rapaz tremia de frio. Depois foi até o banheiro, molhou um pano com água gelada e trouxe para perto da cama. Deitou-se na cama com Jen, colocou um dos braços por baixo de seu corpo, puxando o louro para perto se si. Jen então pousou a cabeça no ombro de Jay, que o abraçou ajudando-o a manter-se quente. Depois colocou o pano úmido contra a sua testa.
Jen sentiu um alívio imediato. O seu corpo finalmente estava aquecido e o pano gelado ajudava a amenizar a dor de cabeça. Sentia-se agora confortável e protegido. Mais do que isso, sentia o amor de Deus. Sendo assim, não tardou a dormir, exausto.
Jay ficou acordado ainda um bom templo, apenas observando o homem que dormia em seus braços. Como era bonito... Como era frágil... Como era gostoso de abraçar... Jay sentiu vontade de beijá-lo, mas não o fez pois não queria acordar o louro com o movimento. Acabou adormecendo também.
De madrugada, Jen acordou ensopado de suor. Tentou afastar as cobertas, e acordou Jay.
– O que houve, meu amor? – perguntou ele.
Jen corou. Deus o amava... Tentou segurar um sorriso.
– Calor... – respondeu, sem mais detalhes.
Jay então ajudou Jen a se livrar das cobertas. Ele estava molhado de suor.
– Vou te ajudar a trocar essa roupa, ficar molhado desse jeito te fará mal... – e dizendo isso, Jay ajudou Jen a se recostar na cama. Puxou a camiseta que Jen usava cuidadosamente por cima de sua cabeça. Depois abriu o botão de sua calça e o zíper, livrando o rapaz dessa peça de roupa também.
Com uma toalha felpuda, Jay secou o louro cuidadosamente, evitando qualquer movimento que pudesse machucá-lo. Vestiu-o com uma camiseta sua, que ficou comprida.
– Pronto, vamos dormir de novo, vou te cobrir só com um lençol agora – disse Jay, enquanto envolvia Jen novamente em um abraço aconchegante.
No dia seguinte, quando Jen acordou, Jay já estava de pé.
– Então, vamos tomar um banho? Você ainda está todo melado de suor... – disse o moreno.
Jen fez que sim com a cabeça, sem pestanejar... O que quer que Jay quisesse, ele faria. Jay então protegeu o machucado de Jen com um plástico, e começou a despi-lo, deixando-o completamente nu. Jen, enrubescido, viu Jay tirar a sua roupa toda também. O moreno era grande, forte e bonito. De fato, um Deus!
Jay então ajudou o louro a se levantar da cama, e o amparou até o chuveiro. "- Sente-se aqui", disse ele mostrando um banquinho de plástico que havia arranjado. Com Jen sentado, Jay abriu o chuveiro, e deixou que a água molhasse os dois. Depois, com total naturalidade começou a se ensaboar e a ensaboar o amigo. Deslizava suas mãos pela pele suave de Jen, em um movimento sensual. E que macia era aquela pele... Então começou a mover suas mãos para acariciar as partes mais íntimas do rapaz.
– Sam... pode deixar que posso fazer isso sozinho... – disse Jen corando sem graça.
– Agora sou Jay – ele respondeu – e não me incomoda em nada te ajudar...
Jen não respondeu, mas Jay então notou como o louro estava ficando constrangido... Sorriu.
– Você está com vergonha?
Jen sorriu encabulado.
– Jen, você não precisa ter vergonha de mim... Afinal, eu que criei você, lembra? Então qualquer situação constrangedora é 100% "problema meu". Dizendo isso, tascou-lhe um beijo na boca.
O coração de Jen acelerou mas ele continuou calado, e Jay sorriu. O seu inconsciente era um Deus e tanto, porque era delicioso ver Jen assustado, corado e sem graça daquele jeito. Ele não queria mais ser Sam e sair por aí perdendo tempo com fantasmas idiotas, podia se divertir muito mais brincando com aquele lourinho fofo.
Já de banho tomado, Jay secou e vestiu a si mesmo e ajudou Jen, que ainda sentia muita dor ao se movimentar. Jen voltou a se deitar e Jay disse que ia sair para comprar algo para eles comerem. Jen não comia direito há dias, e precisava se alimentar. O louro, entretanto, não queria ficar sozinho nem por um instante. Estava com medo de monstros...
– Jen, talvez nem existam mais monstros... – disse Jay, tentando tranquilizá-lo — Afinal, não existem mais Sam e Dean...
– como podemos ter certeza? – perguntou Jen, incrédulo.
Jay resolveu então ligar para Garth. Só ele poderia tirar a dúvida... Quando o caçador atendeu, o moreno foi logo perguntando:
– Garth? Você ainda existe? Ainda existem monstros?
Apesar das perguntas estranhas, Garth conseguiu encontrar sentido para elas. O fato é que Kevin havia agora decifrado como fechar a porta do Purgatório, e o caçador magrelo estava trabalhando nisso. Garth estava mantendo sigilo absoluto sobre sua empreitada, porém entendeu que os Winchesters, de alguma forma, sabiam de tudo. Traduziu a pergunta de Sam da seguinte forma: "- Garth? Estou surpreso que você ainda esteja vivo trabalhando nisso sozinho! Você por acaso já conseguiu fechar a porta do purgatório, prendendo lá dentro todos os monstros?"
E então Garth apenas respondeu: "- Sim, Sam, infelizmente os monstros ainda existem. Mas já estou quase exterminando-os de vez..."
Jay então agradeceu pela informação e desligou o telefone. Garth ficou um pouco chateado pelo Winchester caçula não ter oferecido ajuda.
– E então? – perguntou Jen ansioso.
– Desculpa, meu anjo, eles existem ainda... Meu inconsciente provavelmente gosta de te ver assim assustadinho... Mas nada vai te acontecer, eu te protejo!
Jen ficou choroso quando Jay insistiu que precisava ir a rua comprar comida, e prometeu a ele que assim que estivesse melhor eles dois procurariam o esconderijo dos "homens das letras", que era o lugar mais seguro do mundo. E quando eles encontrassem esse local, mesmo que Jay precisasse sair sozinho, Jen estaria 100% a prova de seres sobrenaturais.
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