Mudando de Vida

8 Billy, vá comer a avó!


Os familiares e esposas de Jen e Jay foram comunicados sobre o estado de saúde dos dois, e mantiveram tudo em segredo. Os fãs e a imprensa acreditavam na versão de que eles haviam se assumido como um casal gay e haviam abandonado Supernatural por algum tempo. Os fãs, muito aflitos, especulavam se eles algum dia ainda veriam seus personagens prediletos voltarem à série. Após os dois atores entrarem de licença, Supernatural vinha sendo protagonizada pelo ator DJ Qualls, que interpretava Garth. Era ele agora quem enfrentava as difíceis provas para fechar os portões do inferno.

Os primeiros dias na nova casa foram agradáveis para os irmãos, que finalmente viviam em um ambiente doméstico seguro. Dean cuidava do jardim, cozinhava, e arrumava a tudo com muito bom humor. Sam ficou encarregado de tratar dos assuntos burocráticos, como a separação dos dois e questões financeiras. O Dr. Guttorp os visitava sempre. Em sua opinião, no estado de confusão mental em que se encontravam, não tinham ainda condições de reencontrar seus familiares.

Com o passar do tempo, entretanto, a monotonia foi tomando conta da vida dos caçadores. Entediado, Dean passou a sair a noite para beber e se divertir. Para desgosto de Sam, que detestava ter seu espaço invadido, Dean sempre arranjava mulheres para passar a noite com ele. Nunca dormia com a mesma pessoa mais de uma vez. As vezes era fotografado por paparazzi, e logo a notícia de que Jen era um galinha sacana caiu na boca do povo.

Para falar a verdade, o que saía na imprensa não incomodava Sam, e muito menos Dean. Outras pessoas, entretanto, não compartilhavam da mesma opinião. Cristy Kelly, criatura gorda, ruiva, desgrenhada e espinhenta, se importava muito! Ela passara sete anos de sua vida escrevendo fanfictions e torcendo por Wincest e Padackles. Colecionava montagens de Jen e Jay se beijando, e em posições sensuais. Passava tantas horas pensando nisso que se esqueceu de namorar, trabalhar e estudar. Vivia com a avó cega que a sustentava em troca que alguns favores.

Quando finalmente suas preces foram atendidas, Cristy percebeu que todos aqueles anos haviam valido a pena. Ficou aliviada por ter sobrevivido às tentativas de suicídio ocorridas logo após o casamento de seus ídolos. Jen e Jay apaixonados e morando juntos era tudo que ela sempre sonhou.

Para ela, a notícia de que Jen traía Jay com mulheres foi como um tiro no peito. Chorava dia e noite e jurava vingança. Resolveu pôr em prática seu plano de sequestro. Faria justiça com suas próprias mãos.

O plano de sequestro de Cristy Kelly, convenhamos, não era dos mais inteligentes. Consistia em tocar a campainha da casa dos rapazes, e assim que um deles abrisse a porta a gorducha entraria e amarraria seus braços. Vendaria seus olhos, amarraria suas bocas, e os conduziria até o carro velho, azul cheguei, que Cristy teria estacionado na porta. Simples assim.

E foi em uma ensolarada tarde de quinta-feira que Dr. Guttorp finalmente conseguiu colocar uma boa dose de uma droga anti-psicótica na bebida dos irmãos Winchester. O remédio deixou-os tontos e de reflexo lento. Cristy teve a felicidade de escolher o momento certo, e sendo assim, nunca desconfiou que seu plano tinha 99% de chance de dar errado. Foi fácil amarrar e amordaçar dois homens, que apesar de grandes, estavam completamente dopados.

Cristy os levou até a casa da avó e conduziu-os até seu quarto. Era um quarto pequeno, muito bagunçado, com uma cama de casal, e uma poltrona reclinável. A mulher, enlouquecida, algemou Dean na poltrona e Sam na cama. Os dois estavam tão grogues que mal entendiam o que estava acontecendo.

Quando Sam deu por si, uma mulher horrível estava deitada ao seu lado o encarando. Tentou se levantar, mas sentiu a algema machucar seu pulso.

– Hey, o que é isso? – protestou ele.

Cristy sorriu. Faltava-lhe um dente.

– Jay, meu querido, eu nunca mais deixarei esse vilão machucar seu coraçãozinho sensível! – disse, apontando acusatoriamente para Dean.

– Coraçãozinho sensível!? Do que você está falando? Me solte! – A tom da voz de Sam era alto. Acabou acordando Dean, que dormia recostado na poltrona.

– Sammy, o que está acontecendo? – gemeu ele.

– Ahh, que bonitinho, ele chama você de "Sammy", Jay? – arregalou-se a fã.

Sam e Dean se entreolharam. Não podiam acreditar que tinham se deixado sequestrar por aquele ser. Não carregavam nenhuma arma, nenhuma faca, nada. A certeza de estar em segurança os haviam deixados totalmente indefesos...

– Jen, seu pervertido, cretino! – A moça se aproximou de Dean e tascou-lhe um tapa na cara – Como tem coragem de fazer o meu coelhinho de pelúcia sofrer?

Falando isso, Cristy se jogou na cama ao lado de Sam e poe-se a desabotoar a camisa do pobre infeliz. Dean soltou um sorriso discresto... Não que o tapa não tivesse doído, mas "coelhinho de pelúcia" era engraçado.

Cristy prosseguiu seu ritual, despindo Sam até deixá-lo apenas de cueca. O moreno protestava e se debatia.

– Não se preocupe, querido, não vou te fazer mal. Vamos deixar o canalha do seu namorado com ciúmes... – e dizendo isso, começou a beijar-lhe o corpo todo. Arrastou suas unhas compridas, pintadas com esmalte vermelho já descascado, por seu peito nu, passando de lá para a virilha. Sam sentiu calafrios de desprazer e nojo.

Dean já havia parado de rir. Aquela mulher feiosa estava maltratando seu irmãozinho.

– Pare com isso, cretina! – protestou o mais velho – Deixe ele em paz!

– Ahh, está sofrendo agora, bonitinho? – perguntou ela.

Dean não sabia que resposta poderia dar para salvar seu irmão. Sam então começou a choramingar e a se declarar gay, totalmente gay.

– Por favor, garota... Não leve pelo lado pessoal, mas eu gosto de outra coisa...

Cristy parou, olhou para Sam e se desculpou. O caçador respirou aliviado.

– Vou buscar um amigo. – declarou ela sorrindo.

– NNNÃÃÃÃOOO! – berrou o rapaz, quase tendo uma síncope.

A balofa desceu as escadas, ainda ouvindo os gritos de "socorro" que saiam da boca de ambos os rapazes. Ela queria que Jensen sofresse. Queria que visse com seus próprios olhos o seu querido namorado ser devorado por outra pessoa. Infelizmente não seria por ela, já que o rapaz deixou bem claro que mulheres estavam fora de questão.

A verdade é que Cristy não tinha amigo algum, e por isso teve que ir as ruas catar algum candidato. Enquanto isso, a avó da menina ouviu a berração que vinha do quarto. Foi até lá.

– O que está acontecendo aqui? – perguntou a velha.

–Ahh, amável vovó, por favor, nos solte... – pediu Dean com seu sorriso mais doce estampado no rosto.

– Eu não enxergo – disse ela secamente – quantas pessoas estão aqui presas no quarto da minha neta?

– Duas! Respondeu Dean – Por favor, chame alguém para nos ajudar, estamos algemados! Prometemos não dar queixa a polícia se a senhora nos deixar ir...

– Dois rapazes? – perguntou curiosa. — Vocês são bonitos?

– O que importa? –gemeu Sam, já estava percebendo que a velha também era louca.

A senhora se aproximou deles. Sentou-se aos pés da cama a apalpou todo o corpo de Jay, que tremia de indignação. – Hmmmm... – exclamou ela. Passou suas mãos calejadas e ossudas pelos seus cabelos macios e sentiu as feições de seu rosto.

Depois passou para o braço da poltrona. Dean tentou se disvencilhar como pôde, mas a velha também apalpou seu rosto, e seus braços e pernas.- Hmmmm... — disse ela

– Vocês são lindos! – finalmente completou, passando a língua pelo beiço pendurado – Cristy vai ter que dividir vocês comigo, o eu lhe corto o almoço.

– Somos gays! Somos muito gays! Por favor nos deixe ir! – berraram os dois.

Sam já começava a lacrimejar, ao ver a velha se despindo, quando Cristy apareceu. Puxava um homem pelo braço. O rapaz conseguia ser mais alto que Sam. Era meio sujo, careca, balofo, olhos pequenos, boca mole e orelhas de abano. Algo nele lembrou a Dean do personagem Slott, do filme "Os Goonies". Talvez fosse pelo jeito abobalhado.

– Vó! Sai daqui! Quem vai comer o Jay é o meu amigo Billy! — Dizendo isso, a moça apontou para a cama, mostrando a Billy sua vítima.

A velha Matilda já estava sem blusa, e exibia os peitos miúdos e murchos. Nem pareceu ouvir o que a neta tinha a dizer.

– Você trouxe outro rapaz? – perguntou, enquanto já tateava Billy – Hmmmmm! – completou –Você é lindo!

O gigante sorriu, ao mesmo tempo em que os irmãos se entreolharam ofendidos. Pelo jeito um elogio daquela velha não servia de nada...

Cristy, já irritada, deu com a vassoura no cocuruto da avó, que saiu de lá resmungando sobre o egoísmo e a falta de respeito aos mais velhos.

– Pronto, querido, sirva-se – disse novamente para Billy, e apontando para Sam.

O brutamontes arriou as calças sem pestanejar, e foi direto em direção ao moreno, que já estava mudo de horror.

Dean fechou os olhos com força, instintivamente, pois não queria ver seu irmão caçula sendo estuprado por um troglodita.

– NÃÃÃOOO! – gritou a ruiva, adiando o sofrimento de Sam – Seus lindos olhinhos precisam ficar abertos – disse, se dirigindo a Dean.

O louro se recusou a abrir os olhos, protegendo assim a integridade do corpo de seu irmão. Cristy, raivosa, se lançou sobre ele, tentando abrir seus olhos a força com os dedos. Dean se debatia, balançando o rosto.

– Cristy, por favor, deixe ele em paz! – choramingou Sam. — Nos deixe em ir embora, já sofremos o bastante. Eu não quero errr "namorar" com o Billy.

Cristy então parou o que estava fazendo, olhou Sam nos olhos e começou a chorar de forma dramática e exagerada. Billy assistia a tudo com um olhar de palerma nos olhos, segurando seu membro flácido para fora da calça, e esperando pelo sinal de ataque.

– Eu estou fazendo isso tudo por você, Jay, meu bem! Será que não percebe que nós precisamos nos vingar desse traidor? – disse entre soluços.

– E você acha mesmo que ele quer ser estuprado por esse gorducho sujo? – protestou Dean – Ele está apavorado, sua louca! Bela forma de se vingar de mim, maltratando meu companheiro...

Cristy voltou a chorar e finalmente deu o comando – Billy, vá comer a minha avó!