Mudanças
34 Capítulo 34
Notas iniciais
Cecilia acordou com calor, percebeu que estava nua. Lembrou-se da noite passada e um sorriso veio junto com as lembranças. Com os beijos demorados, as carícias perfeitas... E fazer amor, além do que apenas sexo. Eles se transformavam em um só.
Mas no momento, ela estava com calor. Gustavo a tinha aninhado em seu peito. Lhe segurava, não tinha como ela sair sem acorda-lo. Suspirou, mas antes que pudesse fazer algo, seu telefone deu sinal de mensagem. Estranho, era cedo demais.
— Gustavo...
— Oi, dorme é cedo.
— Eu preciso pegar meu telefone, me solta!
Dizendo isso, e o afastando, coisa que pouco adiantou, já que ele pouco se mexeu. Mas com algumas cutucadas, ele a deixou sair.
Pegou o pijama, colocou e foi até o telefone.
Era uma mensagem da sua irmã. Enquanto ela estava vivendo um dos momentos mais lindos da sua vida a irmã estava saindo de um casamento turbulento, cheio de brigas. Havia chegado ao fim. E a Fátima estava de mudança para a casa de uma amiga em Recife. Cecilia não iria aceitar isso, precisava da irmã. Mais do que nunca, e mais ainda, a irmã precisava do carinho dela, de todo seu apoio.
Gustavo acabou acordando depois dos cutucões. Cecília estava triste.
— Amor o que houve? Algum problema?
— Minha irmã se divorciou do marido. Gustavo, eu vou chamá-la pra vir morar aqui na cidade.
— Tudo bem, ela pode ficar aqui. Sem nenhum problema.
— Eu acho que ela vai ficar mais confortável na minha casa. Acho que o melhor, seria se Dulce e eu nos mudássemos pra cá, tem problema pra você?
— Problema nenhum! Pelo o contrário!
Cecília foi até o noivo, e o abraçou. Depois fez uma careta pra ele.
— No final, você acabou ganhando.
— Não entendi...
— Eu não vou ter como voltar a trabalhar... Organizar a mudança pra cá, mais a mudança da Fátima... Sinto muito chefe, acho que preciso pedir demissão.
Gustavo gostaria de sorrir. Ele sabia o quanto isso estava aborrecendo a mulher. Ele não queria cutucar.
— Tudo bem. Dispensa aceita. Não demissão.
— Mas você vai ter que encontrar alguém.
— Eu sei. Vou mandar colocarem uma mesa ao lado da Silvania.
— A única na minha sala, sempre vai ser você.
— Eu te amo. Eu vou ligar pra Fátima!
— Ei, se ela precisar de alguma dinheiro, por favor, me avisa que eu transfiro. Não existe só mais o meu, agora é nosso.
Cecilia já imaginava isso. Mas ainda não se sentia a vontade. Tudo tem seu tempo. E mais, ela sabia que a irmã também não aceitaria.
Convencer a Fátima, foi mais fácil do que ela esperava. A irmã lhe disse, que isso era tudo que ela precisava. Um novo começo.
E as novidades, Cecilia contaria quando se vissem.
Dulce Maria não queria acordar, sentia-se feliz mais que tudo, e tinha um friozinho na barriga bom também.
Não foi surpresa quando a mãe lhe chamou, lhe fez carinha nos cabelos, essa era a melhor forma de acordar. Ao abrir os olhos viu a mãe, que sorriu, depois olhando para a mesinha de cabeceira, via sua caixinha amarela. Deu um pulo da cama.
— Mamãe meu irmãozinho ainda tá aí?
— Tá sim filha, e vai ficar até estar grande e forte! Mas pode ser uma irmãzinha... Você sabe!
— Não mamãe, é um príncipe! Eu sei!
Ela falou isso, e abraçou a mãe. Gustavo entrava no quarto e não entendeu o motivo do abraço.
Ele foi lá, e as abraçou.
— Estamos sentimentais já pela manhã?
— Não Papi. Eu já disse pra mamãe, que ela tá esperando um príncipe. É simples!
— Meu amor, ele ou ela, tá muito pequenininho, não tem como saber.
— Mas eu sinto.
— Tudo bem vocês dois, vamos dar um tempo da discussão. Mocinha, banho e café da manhã. A mamãe precisa conversar com você, antes de você ir pra aula.
— Tá bom!
Dulce Maria foi para o banheiro. Eles ouviram a filha cantar.
— Gustavo eu deixo a Dulce na escola, e depois vou em casa arrumar algumas coisas.
— Cecilia nós podemos contratar umas pessoas pra fazer isso. Você não precisa ficar carregando caixas.
— Não preciso, mas preciso separar tudo o que vamos trazer pra cá. Depois que eu fizer isso, seus músculos me ajudam a levar tudo pro carro.
Ele não conseguiu dizer mais nada, depois que a noiva o olhou e deu uma piscadinha para ele.
Ele era um bobão quando se tratava dela.
A primeira coisa que Dulce Maria fez ao sentar na mesa, foi anunciar a família que ela ia ganhar um irmãozinho. Quando Cecilia e Gustavo desceram a comemoração estava a pleno vapor. Eles foram abraçados e todos desejaram felicidades.
O grito que Estefânia deu foi tão de repente, que todos se assustaram. A mesma começou a bater palmas, levantou-se e foi abraçar a Cecilia.
— Vocês vão casar! Gente é novidade demais de uma vez só!
Dulce Maria, levantou da cadeira, olhou seria para a mãe e disse.
— Eu não acredito que você não me contou que é uma noiva mamãe!
— Meu amor, foi uma coisa atrás da outra. Mas olha você vai ser a daminha mais linda desse mundo.
— Papai você devia ter pedido meu contentamento...
— Filha acho que você quer dizer, consentimento.
— Isso aí!
— Filha linda, eu posso casar com a mamãe?
— Claro que pode!
A família assistia a conversa. Houve mais uma salva de palmas. Mais gritos e pulos da menina. O café da manhã foi movimentado. Vítor saiu para organizar o restaurante, Estefânia para ver a casa e organizar tudo, Gustavo corria atrás das chaves, da bolsa que ficou no quarto e por fim, parou na sala, beijou a noiva, abraçou a filha e foi trabalhar.
— Filha, a mamãe precisa conversar com você.
— Eu não fiz nada, eu juro!
— Eu sei! Olha, o que você acha de nós nos mudarmos de vez pra cá?
— Porquê? A gente não pode mais pagar a nossa casa? Eu tenho moedinhas guardadas, eu ajudo.
A atitude da filha lhe surpreendeu. A bondade da filha, a cada dia lhe deixava mais cheia de amor.
— Não é isso amor. Mas você lembra da tia Fátima? Então, ela se separou, ela era casada, mas não está mais. Então, ela precisa de muito amor, carinho e da família por perto. Por isso, eu pensei em nós morarmos aqui, e ela ficar na nossa casa. Mas claro, se você concordar.
— Tudo bem mamãe, a gente é família e tem que ajudar. Quando a titia chega?
— Eu ainda não sei, vou combinar tudo com ela e ai eu te conto tá bom?!
— Tá bom!
— Agora mocinha, vamos para a escola!
— Mamãe, mais uma coisa. Eu posso contar na escola que eu vou ganhar um irmãozinho e ser daminha?
— Pode! Agora, escola!
Elas saíram. Momento de calmaria na casa, era a hora de Silvestre e Franciely tomarem conta da casa.
— Oh careca, tu já viu que vamo ter que abrir espaço no guarda-roupa do patrão, pra patroa neh?
— Eu ouvi sim. Finalmente essa família tá sendo feliz.
E Silvestre ao passar, fez algo inesperado. Deu um beijo na bochecha da Fran. Eles que viviam mais brigando do que qualquer coisa.
Deixar Dulce na escola foi a parte fácil. Sua menina parecia um coelho de tanto que saltitava.
Chegar em sua, que em breve seria da irmã, e tentar organizar tudo, foi mais complicado. Eram tantas lembranças. Ela sabia que não estava deixando nada de importante para trás. Afinal, lar é onde seu coração está, e o seu estava onde estivesse Dulce e Gustavo.
Ela tinha algumas caixas, tirou a mala do guarda-roupas, começou a separar tudo. Suas roupas, e as de Dulce. Estefânia ligou e perguntou se ela gostaria de ajuda, ou simplesmente companhia, ela aceitou. Gustavo também ligou, e disse que ele iria buscar Dulce no final da tarde. Perguntou se ela já havia comido. Verdade fosse dita, não tinha muita fome, e quando disse isso a ele, ela sabia que ele deveria estar revirando os olhos, e com um pouco de raiva. Ele perdia tão fácil a paciência, para certas coisas.
— Não se preocupa, eu vou alimentar o nosso bebê assim que a Estefânia chegar! Ela vai trazer comida. E eu não estou fazendo nenhum esforço além do normal. Tudo bem!
Cecilia desligou o telefone, e voltou a organização. Logo depois, Estefânia chegou, e como sempre, parecia uma criança de tanta animação. Ela lhe disse que gostaria de ajudar com a organização do casamento, coisa que Cecilia ainda não tinha parado pra pensar em nada.
Elas limparam o quarto de Dulce, afinal, os móveis novos já estavam pra chegar, então o que tinham de decoração do quarto da casa de Cecilia, seria aproveitado, ficaria com mais casa de lar.
Cecilia conseguiu falar com a irmã no final da tarde, elas acertaram que Fátima viria no final de semana. Era tempo suficiente para se organizar em Recife, e vir para Doce Horizonte.
Elas foram para casa, a conversa girou em volta do casamento, que não tinha data, que não tinha lugar... Que enfim, não tinha nada decidido. Cecilia e Gustavo precisavam pensar em tudo isso.
Ela achou estranho assim que entrou em casa. Tudo estava muito quieto, subiu as escadas, e lá do quarto da filha ouvia vozes.
— Não Dulce, não é desse jeito que você vai resolver qualquer coisa. Eu sei que você está cansada dessas suas coleguinhas, mas assim, não vai dar certo.
Nesse momento ela entrou no quarto. A filha estava sentada na cama, Gustavo andava de um lado para o outro, parecia um leão enjaulado.
— Posso saber o que está acontecendo?
— Mamãe!
A filha correu e a abraçou.
— Dulce não vai adiantar se esconder na sua mãe, ela vai concordar comigo.
A menina já ficou triste, afinal, não tinha nesse mundo, advogada melhor que sua mãe.
— o que houve?
— Ela aprontou na escola... Mas aprontou muito bem!
— O que ela fez?
— Ela decidiu fazer uma festa de comemoração durante o intervalo, tirando a comida da cozinha da escola.
— Dulce porquê você fez isso?
— Porque eu queria comemorar com as minhas amigas! Também não é para tanto! Tinha muita comida! O problema foi que a Bárbara e a Frida, começaram a falar que eu ficaria no canto, que vocês só amariam o bebê e essas coisas! Eu disse que tudo era mentira!
— E quando elas se deram conta, estava ocorrendo uma guerra de comida... Comida na cara da diretora! Cecilia, comida na cara da diretora!
— Eu já entendi Gustavo. Filha, não precisava começar a bagunça!
— Mas eu não comecei, foi todo mundo! Quando eu vi, buuum! Já tinha explodido tudo! Era comida pra todo lado, e era pra ser uma reunião bem pequena!
Gustavo olhou pra filha.
— Sem passeio no fim de semana!
Ela disse isso, e saiu do quarto. Cecilia sabia que do lado de fora, ele estava rindo.
— O Papi ficou muito chateado.
— Eu sei filha. Mas vai passar. E mais uma coisa, sua tia chega no fim de semana!
— Iuuupee!
— Tudo bem, estamos felizes! E mais, vai tomar banho que eu já venho pra te ajudar com a lição.
Cecilia piscou para pequena e saiu.
Foi direto para o seu quarto. Gustavo estava sentado na cama, a gravata folgada em volta do pescoço.
Eles se olharam e desataram a rir.
— Você a ouviu dizendo que era pra ser uma pequena reunião?! Eu não sei de onde ela tira essas coisas!
— Bom, como a mesma diz, da cabeça dela ué!
Eles se abraçaram.
— Tudo certo com a mudança?
— Sim, as caixas ficaram lá, eu trouxe as malas. Mas as caixas vai precisar de músculos! Pequenas peças que eu não pude abrir mão. Me trazem boas lembranças.
— Vou contratar um pessoal pra ir até lá!
— Certo, eu falei com a Fátima e ela vem no fim de semana.
— Tudo certo com as passagens?
— Eu já transferi o dinheiro, ela nem queria aceitar. Mas eu enviei assim mesmo.
— Qualquer coisa, que vocês vierem a precisar, por favor me diga.
— Tudo sob controle! E, precisamos pensar sobre o casamento!
Cecilia sentou-se na cama em frente a Gustavo.
— Eu gostaria de algo simples, família e amigos. Nada mais que isso. Eu sei, que você é um homem de influência e tudo mais...
— Amor, é a nossa celebração. Nosso casamento. Só família e amigos.
— Em quanto tempo você acha que tudo fica pronto?
— Uns dois meses? Pros papéis e uma benção?!
— Eu acredito que sim! Mas a barriguinha vai ser atração! E eu, não dou a mínima!
Gustavo riu alto. Abraçou Cecilia por trás e lhe disse.
— Não vai existir noiva mais linda nesse universo além de você.
Os preparativos começaram.
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