Mudanças
29 Capítulo 29
Notas iniciais
A melhora de Dulce era visível, foi exatamente como André falou que seria. Dentro de horas, a cor voltou para suas bochechas. Ela já reclamava dos “canudinhos” no nariz que a estava incomodando... Ou seja, ela estava se sentindo como a mesma fez questão de dizer, pronta para aprontar. Não queria mais ficar deitada.
— Dulce filha, você precisa me ajudar a te ajudar... Hoje você continua de repouso, e eu te prometo que pergunto ao Dr. André se amanhã, você pode dar uma voltinha pelo hospital. Mas por hoje fica quieta. Por favor!
— Muito tempo deitada mamãe, eu não aguento mais! Mas eu vou fazer um esforço e ficar quietinha.
— Obrigada meu amor. Agora, cê quer ler uma historinha? Nós podemos ler juntas, o que cê acha?
— Tudo bem! Deita aqui do meu ladinho? Bem juntinho?
— Tudo o que você quiser.
Estefânia estava agoniada dentro do apartamento.
— Amor não vai adiantar você ficar dessa forma. Daqui a pouco o Gustavo chega e te fala o que aconteceu. Calma!
— Vítor o melhor para a sua vida, é não me pedir para ficar calma...
Vítor no mesmo instante colocou as mãos para cima em sinal claro de rendição. Ele conhecia bem a esposa. Sabia o quão ansiosa ela estava. Foram muitas informações e pouco tempo para digeri-las. E o único que no momento tinha o poder de deixá-la mais tranquila, era o primo que estava para chegar.
A porta se abriu. Gustavo entrou, com cara de cansado mais satisfeito. O sorriso que deu ao ver a prima e o amigo, já lhes deixou claro, que a filha estava bem.
— Ela está bem!
Abraçou e foi abraçado pelos dois.
— A melhora é vista! Nem precisa de exames pra comprovar! Foi exatamente como o médico falou.
— Ah primo eu fico muito feliz! Graças a Deus que tudo deu certo! E a Cecilia como está?
— A Cecilia? Grudada na nossa menina! Ela me mandou vir descansar... Amanhã cedo, eu em casa buscar umas coisas pra Dulce. Mas tá tudo resolvido prima!
Estefânia abraçou mais uma vez o primo.
— Quando eu posso ir até o hospital? Me apresentar? Eu sou titia!
— Aí que tá prima! Nós não contamos nada pra Dulce ainda. Cecilia achou melhor esperar, nós voltarmos para casa e aí, contar pra ela.
— Tudo bem. A Cecília é a mãe, e sabe o que é melhor. Disso não dá pra duvidar!
— E você me dizendo isso, eu lembrei que eu preciso falar com o Cristóvão. Eu não quero que a guarda da Dulce seja anulada. Eu sou o pai mas a Cecilia foi e é a única mãe que a Dulce conheceu. Eu quero que elas tenham a certeza, que independente do que aconteça, com o meu relacionamento com a Cecilia, ela sempre vai ter a Dulce.
— Você faz o certo. Então, agora será que podemos jantar?
— Como diz a Dulce, sim pi ri rim!
Gustavo entrou em seu quarto, olhando pelo o canto, achou um urso de Dulce, e na cadeira que ficava próximo a sua mesa, tinha um casaco de Cecília. Ele queria essa normalidade de volta. As duas de volta em casa.
Pegou o celular.
— E ai amor? Como ela está?
Gustavo ouviu Cecília suspirar, sabia que ela estava sorrindo.
— Agitada. Reclamou de tudo! E antes de dormir, o médico suspendeu o oxigênio. Não fazia mais sentido, manter ela com ele.
— Graças a Deus. E você, como está?
— No momento com dores no pescoço porque estava toda torta na cama. Estava lendo com ela, pra ver se ela acalmava um pouco. Acabou dormindo.
— Tudo bem... Mas eu posso te pedir um favor?
— Eu já vou comer Gustavo. Não se preocupa com isso. Eu te amo!
— Vou te deixar comer, e amanhã eu chego cedo, você vem pra casa e descansa. Tá certo?
— Tá sim! Te amo... Você ouviu?
— Eu também te amo! Muito, vocês duas são a minha vida.
Não havia mais nada a ser dito. Gustavo queria descansar bem. Amanhã iria cedo, queria ter certeza que Cecilia também descansaria.
Dulce acordou durante a noite, pedia pra ir pra casa. Dizendo que se tua falta do cheiro do seu quarto. Cecilia podia com essa?! Mas uma vez lhe explicou que ela continuaria no hospital, mas pro precaução. Deitou-se ao seu lado, lhe fez carinho no cabelo, cantou sua música favorita é sua menina voltou a dormir. Ela dormiu, mas cada vez que tentava levantar, parecia que Dulce sentia e se apertava mais junto a mãe.
Assim como Gustavo disse, chegou cedo ao hospital. Foi direto para o quarto de Dulce. Não lhe foi estranho o que viu, Cecilia completamente encolhida, com uma Dulce colada a mãe. A cena vista era digna de uma fotografia se fosse em outras circunstâncias.
— Amor acorda...
Cecilia abriu os olhos. E pelas expressões que fez, não dormiu bem, pelo menos não confortavelmente.
— Eu estou toda dolorida.
— Você vai pra casa, que eu fico com ela a partir de agora. Por favor, relaxa, descansa. E se qualquer coisa acontecer, eu te ligo.
— Eu venho a tarde...
— Não você vem a noite, e dorme com ela de novo. Ela não vai me querer aqui, quando pode ter você. Mas durante o dia, eu fico.
— Eu vou aceitar, porque parece que eu fui atropelada. Parece que o estresse tá se esvaindo pelos meus poros!
— Olha aí. Vai lá e descansa. Por favor...
— Come, eu sei. Eu vou! E pra você saber, eu estou com fome... Muita fome!
Gustavo se aproximou da namorada. Beijou sua bochecha, encostou sua testa na dela. Queria beija-la. Queria fazer amor com ela. Mas isso, já vê-la feliz e voltando a ser a mesma, já lhe deixava feliz. Para ele, tê-la ali, em seus braços. Era o suficiente, por enquanto.
— Vai descansar.
Cecilia chegou próximo ao seu ouvido, e lhe disse.
— Eu estou com saudades.
Deu um sorriso. Aquele sorriso, que lhe tirava o fôlego e lhe fez ver que a vida tinha sentido.
Gustavo suspirou.
— Você não deveria fazer isso.
— Eu já vou indo. Não quero acorda-la, ela também não dormiu bem. Dá um beijo nela por mim, por favor.
Eles se beijaram. Não como antes, mas contido.
Murmuraram um eu te amo, e Cecília foi pra casa.
Cecilia não sabia bem pra que casa ir. Tinha tudo o que precisava no apartamento de Gustavo. Mas no fundo queria sua cama. Como disse Dulce, sentia falta do cheiro da sua casa.
Chegando em casa, ela notou que fazia um tempo que não passava por lá. Não que a casa estivesse suja. Mas parecia que não havia movimento. Não tinha bagunça.
Cecilia estava com fome. Mas antes, foi organizar a casa. Parecia que fazendo isso, colocando as poucas coisas, que estavam fora do lugar, em seus devidos lugares, organizava assim também sua vida.
E foi o que fez. Limpou a casa, organizou o que era preciso, fez uma lista de compras, tomou um banho demorado, e colocou um pijama. O descanso era necessário, ela sentia-se exaurida.
Dormiu. Como uma pedra na verdade.
Dulce quando acordou, a primeira coisa que fez, foi perguntar pela mãe. O pai lhe explicou, que ela fora descansar mas que tinha lhe deixado um beijo, e que voltava a noite, para dormir mais uma vez com ela.
Dulce não reclamou do café da manhã. Foi sanduíche e suco, coisas que gostava.
Perguntou ao pai, se ela podia dar uma voltinha pelo hospital, sabia que tinha um jardim.
— Como você sabe que aqui tem um jardim?
— Porque eu sentei lá fora! Quando eu estava dormindo, eu sonhei com a minha mãe a que fica no céu, e ela me disse que eu ficaria bem.
— Papi vamo no jardim, eu quero andar um pouquinho!
Gustavo não sabia o que responder, ele estava impressionado. Dulce falava com uma naturalidade. Minha mãe que tá no céu.
Ele não queria fazer mais perguntas. Falou com o médico, e lê liberou que Dulce desse um passeio pelo jardim.
No jardim, Dulce não perdeu tempo. Correu, encontrou outras crianças e brincou com elas. Não parecia que apenas, alguns dias atrás, estava em sedação induzida. E por mais que o pai lhe pedisse que ficasse mais calma, não corresse o tempo todo, nada adiantou.
— Dulce por favor, vamos almoçar!
Ela veio correndo até o pai.
— Tudo bem pai! Eu tô morrendo de fome!
Cecilia acordou com a sensação que perdeu a hora. Na verdade ainda era cedo, mas decidiu assim mesmo, já ir para o hospital. Colocou em uma bolsa mais coisas que Dulce viesse a precisar, parecia que nada era de mais. Inclusive iria levar algumas lições também. Talvez assim, ela se concentrasse por um tempo.
Enquanto passava pela porta, acabou por se encostar na parede... Sentiu-se tonta. O chão rodando a baixo dos seus pés. Mas estava bem, da mesma forma que viera, já havia passado. Era tudo estresse.
— Dulce sua mãe precisa descansar filha! Daqui a pouco anoitece e ela vem!
— Mas Papi liga rapidinho pra ela! Eu quero que ela traga meu tablet, ele não tá aqui!
— Daqui a pouco, o seu quarto vai estar todo aqui!
— Papi não diz isso não! Nem brincando!
Cecilia podia ouvir a conversa, e sim o tablet estava na bolsa que trazia. Ao entrar no quarto já foi dizendo.
— Antes do tablet, vai fazer lição!
— Mamãe! Ainda bem que você chegou! Assim, a gente pode conversar sobre coisas de mulheres femininas. O papai não sabe falar disso!
— Ué! Você não quis falar! Eu poderia falar...
— Que lindo! Aqui estamos nós discutindo sobre tópicos de conversas. Eu amo vocês! E você senhor Gustavo, já está livre e pode ir pra casa! Eu assumo a nossa menina!
— Agora que você chegou, você já quer que eu vá embora?! Não vou mesmo!
Gustavo se aproximou de Cecilia e lhe deu um beijo rápido.
Estavam se aproximando da cama, quando a porta foi aberta e André entrou.
— Eu trago excelentes notícias!
— Espero que seja sobre eu ir pra casa mais rápido!
— É exatamente sobre isso Dulce!
André pediu pra Cecilia e Gustavo saírem do quarto para que pudessem conversar.
— Filha, nós não vamos demorar!
— O tratamento foi um sucesso! Todos os órgãos em funcionamento normal. É vida normal quando sair daqui, e um check-up uma vez por ano, como sempre. Ou seja, amanhã a tarde eu vou dar alta. Vamos só aguardar o resultado do exame de sangue e tudo certo.
Cecilia não sabia bem o porquê, mas estava as lágrimas. Era a melhor notícia que recebia.
Abraçou André.
— André muito obrigada pela a forma que você cuidou da nossa filha.
— Eu fiz o meu trabalho Cecilia. E a Dulce é um amor, muito parecida com você. Bom, eu acho que vocês querem dar essa notícia pra ela! Até logo.
Eles voltaram para o quarto e Dulce já estava concentrada em uma lição. Quando ela os viu, foi logo falando com o pai.
— Papai, eu não quero que você vá agora! Olha essa lição de matemática, é pra derreter meu cérebro!
— O papai te ajuda! Mas antes, que tal se nós te contarmos uma coisa?
— O que? É coisa boa? Porquê a mamãe tá com a cara vermelha?
— Porque a mamãe tá feliz, aí chorou! Você sai daqui amanhã a tarde!
— Iuuupee!
Finalmente a família poderia respirar aliviada. Eles estavam sorrindo, conversando. Quando de repente, Dulce Maria gritou ao ver a mãe caindo ao chão desmaiada.
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