Mudanças

28 Capítulo 28


Notas iniciais
Surpresa da madrugada pra vocês! E eu prometo que juro, sai mais um pelo menos essa semana! Divirtam-se!!

Cecília não sabia por onde começar toda a história. Gustavo no fim das contas foi mais prático. Olhou para o André é simplesmente disse, eu sou o pai da Dulce, quando podemos fazer a transfusão sanguínea?
André os olhou, como se olhasse para um casal de alienígenas. Afinal, a algumas horas atrás, tudo que ele sabia era que a menina era adotada. E agora essa... Cecília pensou em contar toda a história, afinal, era o médico da filha. Mas estava exausta e precisava, necessitava ver Dulce Maria.
— André o Gustavo é o pai biológico da Dulce. Você pode fazer um teste de compatibilidade sanguínea, e tudo resolvido. Mas eu preciso ver minha filha! Agora!
Cecília exaltou-se, tudo que queria, precisava era pôr seus olhos na sua filha. Essa separação já a estava lhe deixando fisicamente e psicologicamente exausta. Ela só queria sua menina. E estava cansada de repetir isso para as pessoas.
— Ela já está no quarto, você pode vê-la agora mesmo.
— Qual é o quarto? Afinal, você e o Gustavo tem uma coisa importante a fazer. Amor, quando você acabar, passa por lá.
— O quarto é o 313.
Cecília fez um sinal com a cabeça. Os seus passos eram ouvidos. O toc toc desesperado dos seus sapatos. Chegou em frente ao quarto. Respirou fundo e entrou.

Dulce Maria estava de olhos fechados, as bochechas gordinhas e que sempre foram coradas, estavam pálidas. A sua menina mostrava um aparência cansada, apesar de todo o tempo deitada. E estava com oxigênio.
Cecília chegou mais perto, percebeu que a filha na verdade não dormia, mas fingia.
— Posso saber o porquê de você não abrir esses olhinhos lindos pra me ver?
— Mamãe! É você! Finalmente! Eu achei que você tinha me esquecido aqui...
E assim que essas palavras saíram, as duas se abraçaram e começaram a chorar. Cecília por ver a filha e Dulce de alívio por finalmente estar com a mãe.
— Mamãe, eu achei que fosse uma enfermeira querendo me furar de novo! Eu não aguento mais agulhas! Quando eu posso ir pra casa? Hoje? Agora?
— Amor calma, você precisa melhorar. É isso vai ser rápido! Então, nós vamos pra casa! Eu prometo que juro!
— Cadê o papai?
— Ele tá fazendo um exame... Mas daqui a pouco ele tá aqui, e nós vamos conversar. Tudo bem?
Dulce arregalou os olhos para mãe.
— Ele também tá doente?
— Não amor, nada disso! Ele tá bem! É daqui a pouco, nós vamos te explicar tudo! Agora porquê você não me diz o que andou fazendo?
— Eu não fiz nada mamãe, só fiquei aqui deitada. Não dá pra aprontar deitada.
Dulce falou com a maior seriedade. E Cecilia sabia, que assim que tudo isso passasse, sua menina seria a de sempre outra vez. É isso acalmou seu coração.

Enquanto Dulce não parava de falar, exceto para respirar. Porque ela perdia o fôlego. Não adiantava a mãe lhe pedir, para falar com mais calma. Ela estava agitada. E já que não podia sair por aí, pra gastar as energias, falava como se estivesse em uma maratona. Por mais atenção que Cecilia desse a filha nesse momento, uma coisa não saia de sua cabeça, como Dulce iria receber a notícia sobre Gustavo. Tudo bem que ela já o tinha como pai. Mas aí vir a saber de tudo. Lá no fundo, Cecilia estava com medo, medo dele decidir tirar a Dulce dela. Não que ela realmente achasse que isso fosse acontecer, mas o medo, o medo existia e estava lá.

A porta do quarto foi aberta, e um Gustavo bem desconfiado entrou. Olhou para Cecília, como se estivesse perguntando algo. Ela sabia bem o que era. Mas achou que o melhor lugar para se conversar sobre um assunto tão delicado, ainda mais para uma menininha de seis anos, o hospital não seria o melhor lugar. O lugar era a casa deles.
— Olha o seu Papi! E nem tá doente!
Cecília disse isso e piscou. Gustavo entendeu. Ter essa sintonia com uma pessoa, era algo incrível. Falavam-se pelos olhos.
— Como a minha pequena está?
— Eu tô querendo ir pra casa... Mas ninguém me diz quando!
— Então eu tenho uma ótima notícia pra você... Eles vão te dar um remédio ainda hoje, e dando tudo certo, você conta mais dois dias e nós vamos pra casa!
Dulce Maria apertou os olhos em concentração. Estava muito concentrada.
— Então, eu vou ficar aqui mais... Três dias?!
— Sim!
— Isso é muito tempo papai! Até de lição de casa eu tô com saudade!
Eles riram.
— Por isso não filha, a mamãe pega as lições pra você com a Valentina é nós estudamos juntas. O que você acha?
— Qualquer coisa pro tempo passar mais rápido!
— Filha, a mamãe vai sair um pouquinho com o seu pai e já voltamos. Tá bom?
— Tá sim mas não demora hein...

Cecilia sentiu quando Gustavo saiu atrás dela. Ele fechou a porta.
— Amor eu achei que você já tinha começado a conversar com a Dulce...
— Eu quero esperar até nós estarmos em casa. Não vai fazer bem algum pra ela, ter essa conversa aqui. Ela já está muito agitada, é provável que saber tudo, que ela tem pra saber, acabe por deixá-la mais agitada. Ela já passou muito Gustavo. Vamos esperar.
— Você é a mãe dela, e sabe o que é melhor pra nossa menina. Você comeu?
— Ah que lá vem você com essa fixação por comida! Eu já estou...
— Calma. Eu só perguntei, não precisa disso tudo também. Me desculpe se eu me preocupo com o fato de você estar com a aparência de quem vai desmaiar a qualquer momento. Eu vou buscar um suco e um sanduíche BN pra você. Pergunta a Dulce se ela quer alguma coisa, e me liga.
— Ela não pode tá em dieta restritiva. Nada com sal.
— Ok, eu pego pra você.
Ele saiu, mas ela sabia que ele estava chateado com ela. Nem ela mesma entendia o seu temperamento. Tudo bem, que estava preocupada com Dulce, mas já sabia, tinha a certeza de que a filha ficaria bem. Ela não precisava ter “explodido” com o pobre do namorado, que só fazia preocupar-se com ela.
Ela respirou fundo, e voltou ao quarto.
— Mamãe tá tudo bem? Você tá com sobrinhas na testa! Isso é sinal que eu aprontei e você descobriu. Mas não tem como ser por minha causa!
— Eu vou te dizer uma coisa, a senhorita é esperta demais pra sua idade. Mas tá tudo bem, problemas de adulto. Vai ficar tudo bem. Eu vou ficar bem!
— E o meu papi?
— Foi comprar um sanduíche.
— Obaaaa!
— Nada de oba! Desculpe, mas você não pode comer... Tá em dieta.
— Criança não faz dieta!
— Faz sim meu amor, quando o médico passa. Como no seu caso, mas não se preocupa porque eu tenho certeza, que logo, você vai poder comer o que quiser.
Não foi que Dulce tenha ficado conformada com a situação. Ela reclamou mais uma vez quando a porta foi aberta, e a enfermeira entrou trazendo sua comida. Parecia realmente sem graça. Mas Cecilia a fez comer. Depois de comer e reclamar mais um pouco da falta de sabor, Dulce acabou dormindo enquanto a mãe lhe contava uma história.
Nesse meio tempo, Cecília já estava preocupada com Gustavo, que parecia que tinha decidido ir comprar o sanduíche em outro país. A porta abriu.
— Eu trouxe de queijo e frango. Espero que você goste.
— Eu prometo que juro, que vou comer tudo.
Cecília sorriu pra Gustavo. Ele ainda lhe olhava sério. Ela se aproximou e o abraçou pela cintura.
— Me desculpe pela explosão... Eu só estou... Nem eu mesmo sei!
— Eu entendo, é o estresse. Não está sendo fácil eu sei, enquanto vinha pra cá, aproveitei e fui falar com o André. Hoje a tarde a Dulce faz a transfusão. Amor, o pesadelo vai acabar.
Essa sim era uma notícia é tanto! Finalmente! Tudo seria resolvido e sua menina voltaria a vida normal.
Ela aproveitou e o beijou. Parecia que fazia anos que não faziam isso. Ela se entregou ao beijo, mesmo tendo total consciência da filha que dormia ali do ladinho. Mas ela precisava dele. Sentia essa necessidade.
— Não se importem comigo, eu já fechei os olhos de novo!
Cecília ficou vermelha. Se separaram. Obviamente que a única com vergonha era ela, porque Gustavo ria olhando pra filha.
— Então você acordou e ficou aí caladinha? Hum...
— Eu não quis atrapalhar papai, é diferente.
Enquanto eles conversavam, Cecilia aproveitou e sentou-se para comer. Não era a coisa mais apetitosa do mundo. Não que qualquer coisa fosse ultimamente. Mas se comprometeu a comer tudo é seria isso que faria.
Gustavo a olhava de vez enquanto, para ter certeza que ela comia. Ela sorriu pra ele uma vez, da segunda mostrou a língua. E se ele lhe olhasse uma terceira iria mostrar o sanduíche mastigado. Mas para a sorte dele, isso não aconteceu.

Depois do que pareceram horas, André entrou no quarto. Estava com uma caixinha de isopor nas mãos.
— Oi Dulce!
— Você vai me furar mais uma vez?
— Nada disso, eu vou colocar seu remédio aqui, onde já está seu soro. Nem mais uma piscadinha! Tudo bem?
— Tudo bem. Pode colocar.
Ele fez todo o procedimento. Cecilia e Gustavo estavam de mãos dadas. Tudo daria certo. Sua filha iria se curar.
Assim que tudo ficou pronto e o sangue começou a entrar, André os explicou que a melhora seria vista dentro de algumas horas, mas que Dulce ficaria em observação por mais dois dias e depois casa.
Cecilia respirou fundo. Depois seria vida normal, com algumas mudanças mas vida normal.

Notas finais
Boa madrugada pessoas! Sinto muito se está com algum erro de digitação... Eu fui escrevendo e quando vi, estava onde queria! E mais uma coisinha... Estamos chegando a reta final! Iuuuupe? Me digam o que acharam!! Desculpem por não ter respondido todas as reviews... Bjos