Mudanças

14 Capítulo 14


Notas iniciais
Um capítulo fofíneo mas...

Cecilia acordou tarde, não era de se esperar algo diferente. Era um cansaço bom. Saber que tinha feito a filha tão feliz, valia a pena qualquer coisa.
Olhou a geladeira, era muito resto de festa para duas pessoas. Muito bolo, brigadeiros e por ai vai. Ela teria que dar uma esvaziada nisso. Iria dividir com os vizinhos.

Dulce acordou e encontrou a mãe na cozinha. Sentou-se no colo dela e ficou lá. Aproveitando. Isso era uma coisa que ela adora, sentar no colo da mãe, sentir o cheirinho de mamãe que a dela tinha. Ela sentia-se no lugar mais seguro do mundo.

– O que você acha de nós almoçarmos fora hoje? Tô com preguiça demais pra cozinhar!
– A gente pode comer uns brigadeiros de almoço?
Cecilia olhou a filha. Dulce não querendo sair de casa...
– Você não quer sair? O Gustavo nos convidou. O que você me diz? E mesmo se não sairmos, não vamos almoçar brigadeiros!
Falei fazendo cosquinha na barriga dela.
– Tudo bem! A gente pode ir! E mamãe, eu tenho uma pergunta pra você. Posso fazer?
– Qualquer coisa que você queira saber!
Cecilia esperava não se arrepender da resposta.
– O Gustavo é o seu amigo especial? Foi assim, que Ana Julia disse que a mãe dela chamou o namorado dela. Amigo especial. Ele é o seu?
Ela me olhava séria. Eu sinceramente não sabia o que dizer, era complicado. Não eramos namorados, pelo menos não oficialmente.
– É mais complicado que isso. O Gustavo não é meu namorado. Nós somos amigos sim, muito amigos. Mas estamos nos conhecendo melhor, pra termos a certeza de que a nossa amizade, pode vir a torna-se algo mais. Como um namoro. Você entendeu?
– Ah vocês estão ficando! É assim que fala mamãe!
Cecilia não sabia onde enfiar a cara! Como assim a sua filha de seis anos, sabia sobre uma coisa dessas...
– Não Dulce! Nada disso! Nós somos amigos! Amigos! E eu posso saber de onde você tirou isso?
– Mamãe, eu já sou quase uma adolescente!
Ela falou, como se na manhã seguinte, eu fosse acordar e dar de cara com uma Dulce de quatorze anos no quarto.
– Nada de adolescente! Dulce, se tem uma coisa na vida que jamais devemos fazer, é pular fases. Você é uma criança! Uma criança feliz e muito amada. Então, você só tem que brincar e estudar. Tudo na nossa vida tem o momento certo, a hora certa. Você entendeu?
– Sim pi ri rim! Eu amo ser criança! Então, a gente vai almoçar com o Gustavo, seu amigo não especial?
– Vamos sim sapeca!

Dulce Maria não deixava de me surpreender. Imagina com essa agora? Meu amigo especial! Gustavo iria amar mais essa dela.
Pedi que ela fosse tomar banho, já que como a mesma disse, ela estava grudando, por ter ido dormir sem banho. Fui ligar pro Gustavo.

LIGAÇÃO ON

– Bom dia!
Gustavo atendeu com voz de sono!
– Espero não ter te acordado...
– De jeito nenhum! E então, vamos almoçar juntos?
– Vamos sim! Você passa por aqui, ou nos encontramos em algum lugar?
– Adivinha... Claro que eu passo ai pra buscar vocês!
– Certo! Bom, vou desligar ou a Dulce vai inundar o banheiro! Beijos!
– Beijos!

LIGAÇÃO OFF

O banheiro quase foi inundado!

Cecilia ajudou Dulce a escolher uma roupa. Enquanto isso, Dulce reclamou de fome, Cecilia parou tudo e cortou fruta pra filha, já iam mesmo sair pra almoçar.

– Dulce eu vou tomar banho e me arrumar, você comporte-se e se for atender a porta, por favor, pergunta quem é antes! Tá certo?
– Tá certo! E mamãe, eu tô em casa, não vou aprontar nadinha!
– Assim espero!

Foi arrumar-se, e pela primeira vez, prestou atenção no que iria vestir, claro que não saia desarrumada. Mas era diferente, queria estar bonita! Enquanto estava no banho, ouviu a campainha tocar, e Dulce gritar perguntando quem era, Gustavo respondeu.
Cecilia arrumou-se e quando saiu do quarto, lá estavam os dois sentados no sofá conversando.

– Posso saber o que os dois cochicham?
Falei com uma expressão séria. Mas já sorrindo.
– O Gustavo lembrou que eu não abri meus presentes! A gente pode fazer isso agora?
– Tudo bem... Eu vou buscar a caixa!
Estava saindo, quando o Gustavo levantou-se e disse que ele pegava.
– Deixa mamãe, ele é um homem masculino fortão e pode pegar!
Dulce piscou pra mim. Não resisti, pisquei de volta. Era uma coisa nossa, essas piscadelas!

– Tudo bem, tá aqui a caixa... E abri primeiro o meu, porque se você não gostar a gente já troca!
Dulce rasgou o embrulho em segundos...
– Olha é um tablet! Eu vou poder jogar aqui!
Cecilia adorou ver a felicidade da filha.
– Que maravilha! Mas claro, que com horário certo e eu sempre por perto pra ver o que a mocinha está fazendo!
Pisquei pra ela!
– Cecilia você praticamente não tem com o que se preocupar, esse tablet é exclusivo para crianças e vem com controle parental, que já vou ativado! Ou seja, só jogos!
– Isso é ótimo! Dulce continua a abrir os presentes filha!

O dia de ontem tinha sido tão corrido, que Cecilia esqueceu completamente de ir buscar o presente de Dulce, havia comprado pra filha uma bicicleta. Sabia que ela iria adorar. Chamou Gustavo em um canto.

– Depois que nós almoçarmos você pode me levar nessa loja?
Cecilia mostrou o cartão.
– Claro!
– Comprei uma bicicleta pra Dulce e esqueci de ir buscar devido a correria de ontem...
– Qualquer um esqueceria... A bagunça que estava por aqui e em termos gerais!
Ele foi chegando mais perto de Cecilia.

– Posso saber o que os dois conversam ai baixinho?
Uma Dulce com a mão na cintura e com uma cara de curiosidade nos observava.

– Nada demais, estávamos vendo onde iríamos almoçar!
Cecilia falou. Não queria estragar a surpresa!
– Eu queria ir no restaurante do macarrão! A gente pode?
– Claro que sim! Dulce, porque eu não te ajudo a guardar seus presentes e saímos?
Gustavo perguntou a menina, se ela chegasse um pouquinho depois, teria visto ele tentando beijar a mãe.
– Posso levar meu tablet?
Gustavo aguardou a resposta de Cecilia.
– Claro que você pode levar! Agora anda... Vão guardar os presentes, que eu vou buscar minha bolsa! Eu tô morrendo de fome!

Conseguiram sair.

Chegar ao restaurante foi tranquilo, Dulce foi jogando o caminho todo. Mas assim que entraram, Cecilia pediu que a filha desligasse o tablet e o guardasse. O que a menina fez sem reclamar.

Gustavo queria pegar na mão de Cecilia, estava nada menos que deslumbrante num vestido florido. Tudo ficava lindo nela. Ela irradiava uma leveza, uma beleza natural.
Eles conversavam, Dulce depois que os pedidos foram feitos, perguntou se poderia ir brincar, Cecilia afirmou que sim, e lá foi ela, toda serelepe brincar.

Ele não a beijou, mas segurou a mão de Cecilia. Ela não recuou, algo que ele estava com receio que ela fizesse, por estarem acompanhados da Dulce.

– Eu preciso te contar uma novidade! Você não faz ideia do que a Dulce me disse hoje!
Ela falou sorrindo. Não imaginava o que seria mas sorri junto.
– Não faço ideia! Pode dizer.
– Ela perguntou se você era meu amigo especial... Depois que expliquei, ela me olhou, e disse que nós estávamos ficando. Simples assim! Eu não sabia onde colocar minha cara! Minha filha de seis anos, me dizendo que eu estou ficando!
Gustavo riu. Não poderia esperar menos que isso da Dulce. Pegou a mão de Cecilia e a beijou. Acariciou seu rosto e beijou sua bochecha.
– Mas eu achei, que eu era isso, seu amigo especial. Decepcionado!
– E tem mais, você fica ai rindo e fazendo piadas... Ela ainda me disse, que era uma quase adolescente. Adolescente Gustavo! Tudo o que não quero, é que minha filha fique adulta antes do tempo. Mas eu conversei com ela!
– Tenho certeza disso. Você não precisa se preocupar com isso. Ela deve ter ouvido alguma conversa de meninas maiores na escola e guardou, com certeza, ela já esqueceu. E mais, ela é uma criança feliz! Você é uma mãe maravilhosa.

Cecilia encostou a cabeça no ombro do Gustavo. Não agiam como se escondessem o relacionamento, nem da Dulce. Ela iria conversar com a filha.

Dulce do escorrega do parquinho, viu quando o Gustavo beijava a mão da mãe, eles conversam, muito perto um do outro e depois a mãe encostou a cabeça no ombro dele. Ela sorriu satisfeita, gostava do Gustavo.

Dulce voltou para mesa, e estava rindo olhando para os dois.

– Tá com cara de sapeca! Posso saber do que você tá rindo?!
Gustavo perguntou, enquanto fazia cosquinha nela.
– Eu vi vocês dois, dali do escorrega! Vi sim, vocês juntinhos!
Ela falou rindo e apontando pra eles.
Não tinham muito o que comentar, eles não estavam escondendo. Apenas não comentaram nada.

Saíram do restaurante e Gustavo seguiu pra loja de bicicletas, Dulce estava tão distraída cantando que não prestou atenção que não estavam indo pra casa. Pararam na frente da loja e desceram.

– Mamãe porque a gente parou aqui?
– Simples, porque você vai ganhar uma bicicleta!
– Uma bicicleta!? Iuuupi! Pera, eu não sei andar!
Dulce já ficou triste.
Gustavo sorriu com a carinha que ela fez.
– Mas isso não é problema. Na verdade é a melhor parte, eu posso te ensinar! Pegamos a bicicleta e vamos ao parque, simples!
– Então vamos logo!

Foram dois tombos. Cecilia com o coração na mão. Mas não deixou de observar o quão cuidadoso Gustavo era com Dulce, ele ofereceu colocar as rodinhas mas ela disse que não, que iria aprender sem.
E assim foi. Dois tombos depois, algumas lágrimas, e lá estava a sua menina, andando de bicicleta. Como a mesma disse, igual a menina grande.

A unica palavra que podia descrever o Gustavo naquele momento, era deslumbrado. Gravou tudo. Parou Dulce para tirar fotos. Afinal, como o mesmo falou para Cecilia, quando sentou-se ao seu lado pra observarem sua menina andar de bicicleta sozinha, era que um momento como esse era muito especial.

Dulce chegou mortinha de cansada em casa. Chegaram tarde, ela foi pro banho e cama. Insistiu que Cecilia começasse um livro novo para ela, o que fez, e nem cinco minutos depois, Dulce dormia.

Cecilia voltou pra sala. Ela nem conseguia acreditar no que via, um Gustavo sentado, esparramado no seu sofá, vendo televisão. Ele a pegou observando.

– Isso tudo porque tá me vendo assistir televisão?
Perguntou divertido. Colocando as mãos atrás da cabeça.
– Não faço ideia sobre o que você está falando. O que você tá vendo?
Ela perguntou, enquanto sentava-se ao lado dele.
– Não faço ideia na verdade, estava esperando você chegar pra poder ir embora.
Ele ia levantando e Cecilia segurou sua mão.
– Porque você não fica só mais um pouquinho?
Ela foi falando isso, ele sentando-se novamente, e estava com uma expressão divertida.
Beijaram-se finalmente, não queriam fazer na frente da Dulce, melhor dizendo Cecilia não queria, ficava sem jeito.

O beijo foi aprofundando-se, faltava ar, mas nenhum dos dois queria parar. Gustavo não sabe bem em que momento, mas acabou com Cecilia sentada em seu colo. Os beijos, os suspiros. Tudo era mais. Queria mais beijos, queria ouvi-la suspirar mais. Queria faze-la gemer. A trouxe para mais perto. Precisava dela mais perto.

Cecilia não sabia bem como, mas no momento encontrava-se sentada no colo de Gustavo. Os beijos a deixavam sem folêgo, seus suspiros estavam a segundos de transformarem-se em outras coisas. Ele precisava de mais e ela também.

Parou de beija-lo, encostou sua cabeça na dele. Ele sorria.. ela levantou-se e sentou do seu lado.

– Gustavo... Eu...
Eu não sabia bem por onde começar, o que dizer.
– Está tudo bem, no seu tempo, quando você decidir. Eu vou te esperar.
Ela sorrio, por mais vermelho que sentisse o rosto. Precisava falar.
– Eu sou virgem... Eu já tive um namorado, mas por ele não conseguir esperar, acabamos. Forçava demais.

Gustavo não estava surpreso. Ele imaginava isso. E na verdade, não fazia a menor diferença para ele. Ele estava apaixonado por ela, essa era a mais pura verdade. Por isso, e também por respeita-la, ele iria esperar o tempo que fosse.

Olhou sério para Cecilia, que estava vermelha.

– Eu adoro te ver corada. Mas eu tenho uma pergunta bem séria pra te fazer. Posso?
Ela estava de olhos arregalados.
– Tudo bem...
– Você aceita ser minha namorada?
Falei sorrindo. Acariciando seu rosto. Gostaria que uma música estivesse tocando para que se tornasse a nossa musica.
– Você não acha que tá cedo...
– Eu estou completamente apaixonado por você. Pra mim é simples. Eu quero um relacionamento com você.... Eu...
Ela o calou com um beijo. Passava as mãos por seu cabelo e depois o abraçou.
– Eu aceito. Eu também estou completamente apaixonada por você. É uma conclusão simples.
Eles sorriram um para o outro.

Despediram-se. E ambos sabiam, que ali, foi o inicio de algo maravilhoso.

Cecilia foi dormir, estava cansada. Que dia! Acordou depois de um tempo, com uma Dulce Maria manhosa, lhe dizendo que estava com o estômago doendo.
Por mais que lhe desse chá, e depois um remédio, nada parecia resolver. Dulce já se encontrava chorando. Foram para a emergência. A noite que tinha tudo para acabar tranquila, seria longa.

E Cecilia reencontraria alguém, que não esperava ver. Principalmente ali, em Doce Horizonte.

Notas finais
Espero que vocês tenham se divertido tanto lendo, quanto eu me diverti ao escreve-lo! E quem? Quem está em Doce Horizonte? Fico aqui no aguardo dos palpites de vocês ;) * Tô postando na quinta-feira, depois daquela ligação e da piscadela de Gustavo Lários ao falar com Cecilia! QUE SHIPPE MAIS LINDO PESSOAS! Até o próximo ♥