Mudanças

4 Capítulo 4


Julia ficou pasma diante da confissão de Armando. Sempre desconfiou que Betty gostasse dele, mas ele gostar dela estava longe dos seus pensamentos.

–Acho que precisamos conversar, doutor Mendoza. Queira entrar, por favor. -Dona Julia pede indicando para Armando o sofá.

Armando entra um pouco sem jeito e se senta no sofá.

–E o seu marido, dona Julia? -Pergunta com um pouco de medo.

–Não se preocupe, Hermes saiu e vai demorar. Aceita algo para beber?

–Não, obrigado.

–Acredito que a viagem da Betty seja por motivos pessoais e não profissionais, acertei?

Armando balança afirmativamente a cabeça.

–Imagino também que isso tenha a ver com o senhor.

–Sim, dona Julia e não sabe como me arrependo.

–Me conte como foi.

–Não vou entrar em detalhes e nem quero. Betty e eu começamos um romance que tomou um rumo diferente do que eu gostaria.

–Ela foi sua amante?

–Sim.

–Meu Deus!

–Por favor, não julgue sua filha por isso. Ela nunca quis, sempre culpou-se, mas acabou cedendo depois de eu pedir-lhe. -Armando diz com lágrimas nos olhos.

–E o senhor a amava?

–No começo não. Sempre tive grande apreço por ela, mas esse apreço se converteu em amor ao ver a pessoa maravilhosa que Beatriz é.

–E o que aconteceu?

–Ela descobriu que eu a estava enganando. No começo eu até estava, mas mudou. Cai em meu próprio jogo e inverteram-se os papéis. Agora o apaixonado sou eu.

–Doutor Mendoza, não sei o que de tão mal o senhor fez para Beatriz, mas vejo sinceridade em seu olhar. Ela está muito magoada, triste, lhe dê um tempo, deixe as coisas esfriarem. Se bem a conheço, eu sei que ela ainda o ama.

Aquilo havia acendido novamente uma esperança no coração destroçado de Armando.

–Muito obrigada, dona Julia.

–Só aviso uma coisa, senhor Mendoza: Não machuque mais a Beatriz, ela não merece.

–Nunca mereceu. O culpado disso tudo fui eu, mas prometo tentar fazer de tudo para que ela não sofra mais. Daria minha vida se pudesse voltar no tempo e evitar esse sofrimento.

–Acredito que sim. Agora vou pedir que o senhor se retire antes que meu marido volte. Não quero que ele perca a ilusão que tem acerca da filha.

–Lhe entendo e, mais uma vez, obrigado.

Armando se despede de Julia com um abraço e sai. Ainda teria muito o que fazer na empresa.

Betty, apesar de seu sofrimento, estava maravilhada em Cartagena. Aquilo ali não era seu mundo, mas faria com que ela pensasse menos no ocorrido. Catalina também a estava apoiando.

Armando nem passou em seu apartamento para trocar-se, foi direto para a empresa onde estava marcada nova reunião com seus pais e os advogados. Assim que chegou, foi direto para sua sala e encontrou sua mãe que esperando.

Armando, precisamos conversar. -Margarita diz assim que o filho adentra a sala.

–Agora não, mamãe, por favor.

–Como você ousa largar a Marcela faltando dois dias para o casamento?

–Então é isso?

–Sim é isso. E não fale como se não tivesse importância.

–Mamãe, por favor, me entenda. O meu casamento com Marcela nunca foi meu sonho, talvez tenha sido o seu, mas não posso me casar com alguém que não amo somente para deixar a senhora feliz.

–Tem outra nessa história, não tem, Armando?

–Não quero falar disso agora.

–Com qual modelo se envolveu agora?

–Com nenhuma.

–Armando, mais cedo ou mais tarde você se cansará dela. Esqueça essa história e volte com a Marcela, filho.

–Não, mamãe! Me perdoe, mas não voltarei com a Marcela, não a amo. Me apaixonei por outra.

–Quem é ela?

–Alguém que vocês nunca aceitariam. -Ao dizer isso ele sai e deixa Margarita sozinha na sala.

Poucos minutos depois a reunião tem inicio e os advogados explicam que o documento que Beatriz deixou não servirá para muita coisa. Ela continua sendo a dona da Terramoda. Todos, exceto Armando, acreditam que foi alguma jogada dela para apropriar-se da empresa. O caos se instala na reunião. Armando, com o pouco de dignidade que lhe resta, pede para que lhe deem uns dias para tentar falar com Betty. Mesmo que um pouco a contragosto, Roberto dá esses dias para o filho, mesmo porque não lhe resta opção.

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Os dias se passam, Armando tenta de todas as formas falar com Betty, mas sempre quando liga para sua casa, Nicolás e Hermes lhe dizem que ela não pode atender. Julia tenta ajudar o doutor, tenta falar com Betty para ela lhe dar a oportunidade de uma conversa, mas ela sempre se nega. Ainda está muito machucada por tudo.

Os dias se passam, a situação da Ecomoda se complica cada vez mais. Roberto, junto aos advogados, chegam a conclusão de que o único modo de salvar a empresa é manter o embargo. Roberto dá mais alguns dias para que Armando fale com Beatriz, caso contrário, ele irá falar com a família dela. Armando sabe que precisa encontrar Betty, sabe o quanto ele apreça a família e não deseja dar mais esse desgosto para ela.

Nesse meio tempo, Betty se fortalece e começa sua mudança em Cartagena. Ela começa a ter mais confiança em si mesma, começa a mudar o visual. Armando, em contrapartida, se enfraquece cada vez mais. Está cada vez mais deprimido e se entrega ao álcool toda noite. Os papéis inverteram-se.

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A pedido de Betty, Nicolás vai até a Ecomoda para ver o que está acontecendo. Ele se encontra com Armando na sala da presidência. Não pode deixar de reparar como o ex presidente está abatido. Armando estava mais magro, com a barba por fazer e o terno desalinhado.

–Por favor, sente-se, Nicolás. -Armando pede.

Nicolás se senta na cadeira em frente a mesa de Armando.

–Como vai, doutor Mendoza?

–Mal, mas isso não vem ao caso. Nicolás, os advogados querem entrar com uma ação contra a Beatriz, eles acham que ela está querendo roubar a empresa. Eu já não posso mais segura-los. Betty precisa aparecer.

–Isso é um absurdo, ninguém aqui quer nada de vocês!

–Sei disso, conheço Betty e sei o quanto é honesta.

–Sabe tanto que precisou fazer o que fez para ela lhe maquiar o balanço.

–Você sabe? -Armando pergunta surpreso.

–Ela tinha que desabafar com alguém e não creio que os seus pais fossem a melhor opção.

–Me perdoe pelo que fiz. Me arrependo até hoje.

–Peça perdão para ela.

–Nicolás, avise o que está acontecendo para ela. Não quero lhe dar mais um desgosto e ter que contar para o seu Hermes o que está acontecendo.

–Se ela ligar hoje, eu prometo que falarei a situação e pedirei para ela voltar. Uma hora ela vai precisar encarar isso de frente. -Nicolás diz já se levantando. –Até mais, doutor Mendoza. -Ele diz se retirando.

–Ao menos fico feliz que ela goste de você. É uma pessoa melhor do que eu e ela merece toda a felicidade desse mundo. -Armando comenta antes de Nicolás sair.

–Ela nunca gostou de mim como o senhor pensa. -Nicolás confessa.

–Não? Mas e as saídas de vocês juntos que eu vi?

–Foi só para fazer-lhe ciúmes e fazer o senhor acreditar que eu lhe roubaria a empresa. Foi uma forma que ela arrumou de vingar-se de você e da maldita carta. -Nicolás diz e se retira.

Ouvir aquilo foi como levar uma rajada de balas no coração para Armando. Agora entendia um pouco o quanto sua Betty sofreu e compreendia que sua mágoa tinha razão. Mas essas palavras também acenderam-lhe a esperança, Betty ainda poderia ama-lo e, se isso fosse verdade, faria de tudo para reestruturar esse amor.