Mudanças

38 Capítulo 38


Notas iniciais
Sei que demorei mais que o meu normal para postar esse, mas me desculpem por isso. Esse, adianto, será um capítulo decisivo. Sem mais, deixo-lhes mais um capítulo e espero que desfrutem. Forte abraço!

Passaram-se alguns dias e chegou o grande dia do desfile onde seria apresentada a nova coleção de Hugo. Todos estavam muito nervosos. Apesar de tudo pronto, o futuro da empresa dependia do sucesso dessa coleção. Todos, sem exceções, estavam convidados. Desde o quartel, até os pais de Betty. O palco estava sendo montado, mesas arrumadas. Armando e Betty supervisionavam tudo pessoalmente, não queriam que nada saísse errado.

Desde a última briga que tiveram por ciúmes e desconfianças, Armando não tirava da cabeça que deveria assumir logo sua Betty e pedi-la em casamento, mas, toda vez que tentava, que começava a criar coragem, alguém os interrompia. Aquilo já o estava matando. O anel não saía mais de seu bolso, sempre o carregava junto a si. Nessa noite, se tudo desse certo, a pediria em casamento e a assumiria na frente de todos.

Estava quase na hora do desfile. Os convidados começavam a chegar. Todo o quartel já estava presente e deslumbrados com tudo. Os pais de Armando também já estavam lá. Os país de Betty chegaram com Nicolás e logo foram se enturmando entre os demais convidados. Armando e Betty bancavam os anfitriões dando boas vindas para todos. Estavam na entrada. Até que o celular de Armando toca e ele, ao ver o nome no visor, logo faz cara de desespero. Betty percebe.

–Quem é? –Ela questiona.

–Alejandra. –Diz, sem graça.

–Atenda, doutor. Pode ser algo importante.

Ele se afasta um pouco e atende. Apesar de tudo, Betty ficou um pouco enciumada, mas compreendeu que era necessário que ele atendesse. Assim que retorna, ele vem com semblante fechado.

–O que ela queria, doutor?

–Você não vai gostar, Betty.

–Fale, prometo me controlar e entender.

–O Mario não pode apanha-la no hotel, parece que o carro dele quebrou no meio do caminho. Aí então ele ligou para ela e mandou ela me ligar...

–Para o senhor ir busca-la, certo? –O interrompe.

–Sim, é isso.

Betty fica séria e segura as lágrimas que começavam a querer rolar.

–Me desculpe, meu amor. –Armando sussurra próximo ao seu ouvido.

–Isso foi armação do seu amigo, não foi? Ele quer nos separar.

–Se foi ou não, eu não posso dizer. Se você quiser, eu ligo para ela e mando um táxi a buscar.

–Não, doutor. Não ficaria bem fazer uma desfeita dessas com ela. Vá. Confio no senhor.

–Não demoro.

Armando já ia saindo, mas para no meio do caminho e a olha novamente e pronuncia, sem som, um “Eu te amo”.

Betty fica boba e percebe que não possui motivos para duvidar dele. Fecha os olhos e fica com um sorriso bobo no rosto, mas uma voz indesejada a traz de volta para a realidade.

–Muito bom vê-la sorrindo assim, doutora. Não sabe como senti saudades. –Daniel fala.

Betty perde o sorriso no mesmo instante que escuta a voz dele.

–doutor Valencia, não estava viajando?

–Consegui voltar. Não achou que eu perderia esse desfile, achou?

–Do senhor eu não acho nada.

–E o Armando, onde está?

–Saiu.

–Saiu é? Bom, assim ele não nos atrapalhará.

–Ele não atrapalha, muito pelo contrário, a ajuda dele é muito bem vinda.

–Sei. E como ele está?

–Acho que bem. Pergunte a ele quando ele chegar. Senhor Valencia, será que pode me dar licença? Preciso atender aos demais convidados.

–Claro. Vou ali beber alguma coisa, mas eu também sou um convidado e de honra, mais tarde farei questão de receber uma atenção diferenciada de sua parte.

Daniel dá uma pequena piscadela para ela e se afasta.

–Meu deus, ainda bem que Armando não estava aqui. Isso não vai dar certo.

Daniel até que se comportou por um tempo, como disse, foi apenas beber um pouco. Dentro de alguns minutos, Armando chegou com Alejandra. Ela segurava em seus braços e Betty, logo que viu, não gostou. Ele, de longe e sem que ninguém percebesse, pronunciou, sem som, um “Me desculpe”. Foram até Betty e Alejandra a cumprimentou e parabenizou pelo local escolhido.

–Vou ali pegar algo para beber. Me acompanha, Armando? –Pede Alejandra.

Ele olha com desespero para Betty, mas ela lhe passa calma pelo olhar. Então entende que ela não se importaria se ele acompanhasse a executiva.

–Claro, acompanho. –Ele disse.

Ele a Alejandra se afastaram de Betty. Daniel, que estava mais afastado, viu a cena e não deixou de sorrir. Viu que Armando estava com outra e que era carta fora do baralho. Não iria atrapalha-lo com Betty. Com um sorriso no rosto, pegou uma taça de champanhe e foi até Betty.

–Pra você. –Ofereceu.

–Agradeço, mas não bebo, doutor Valencia.

–Vai fazer essa desfeita?

–Não é desfeita, apenas não bebo.

–Por que é assim tão fria comigo? Será que ainda não acredita que me interessa?

–Não sou fria com você. Acho que já fui muito clara quando disse que não me interessa manter nenhuma relação, além da profissional com o senhor.

Betty tenta se afastar dele, mas Daniel a segura pelo braço. Armando, de longe, observa a cena e, pedindo liça para Alejandra, vai até eles.

–Algum problema aqui? –Armando questiona.

Daniel larga imediatamente o braço de Betty e ela fica com um olhar assustado para seu amado.

–Armandinho, que saudades estava de você. Mas deixou a bela dama que estava com você sozinha só para me ver?

–Deixei, Danielzinho. Também estava com saudades de você. O que faz aqui? Perturbando nossa presidente?

–Não, muito pelo contrário. Vim oferecer a nossa belíssima presidente uma bebida, mas ela não aceitou.

Armando se enfurece mais ainda ao ouvir Daniel chama-la de belíssima. Betty percebe e se coloca entre os dois.

–Doutor Armando, será que o senhor pode me ajudar com uns últimos preparativos? -Betty diz e sai arrastando ele para longe de Daniel e para um local calmo.

–O que ele te fez, Betty? –Armando questiona, furioso.

–Até agora nada, Armando.

–Ele está te cantando na minha cara. Eu vou matar ele.

–Calma, doutor. Não é bom para nós que esse desfile acabe em confusão.

–Mas ele vai ficar te cantando assim? Isso eu não vou permitir!

–Armando, por favor, entenda: Ninguém sabe que estamos juntos. Para Daniel, sou solteira.

–Por isso permite que ele fique por aí te paquerando? Te enchendo o ego?

–Já cansei de pedir para ele parar, mas sabe como é. Quando ele quer algo, não desiste.

–Sei sim. Mas eu também sou assim e não vou te perder para ele.

–Sabe que só amo ao senhor. Ele pode tentar o quanto quiser que nunca terá minha atenção.

–Não parece, você estava conversando bastante com ele lá. Às vezes parece que faz isso, Betty, para me punir pelos meus erros do passado.

–Armando Mendoza, quantas vezes precisaremos ter essas brigas infantis?

–Não sei. Na verdade, não sei de mais nada, Betty. Prefiro sair daqui antes que lhe fale algo mais que não devo.

Armando sai irritado e Betty fica perplexa com a atitude de seu amado. Fica mais irritada ainda ao ver que ele foi para perto de Alejandra.

–Boa desculpa, hein doutor, para ficar perto dela. –Betty pensa alto.

Os dois ficam emburrados um com o outro. Ficam cada um em um canto do evento. Daniel vê que brigaram e fica feliz com isso. Armando, numa forma de tentar se acalmar, começa a beber descontroladamente. O desfile tem inicio. Betty faz a apresentação inicial e logo as modelos vão para a passarela. Tudo é um sucesso. No fim, Hugo coloca o quartel também para desfilarem, numa tentativa de humilhar a presidente, mas o tiro sai pela culatra e tudo se torna um enorme sucesso. Todos aplaudem Betty e o quartel de pé. Mesmo Armando, estando com raiva também a aplaude. Sentia imenso orgulho dela. Alejandra então percebe qual é a mulher pela qual ele está apaixonado.

É ela, não é? –Alejandra questiona.

–Como? –Armando pergunta, confuso.

–A mulher que te roubou o coração. É a doutora Pinzón, não é?

–Como descobriu?

–Você não parou de beber desde que falou com ela e, desde então, não tira os olhos dela. Também vi seus olhos brilhando ao aplaudi-la.

–É ela sim.

–Não sei o que há entre vocês, mas não a deixe escapar, Armando. Vá lá parabeniza-la. Não deixe que outro tome o seu lugar.

–Obrigado.

Betty estava sendo parabenizada por todos. Somente poucos convidados ainda não a tinham parabenizado, um desses era Daniel. Ele aguardou pacientemente ela se afastar um pouco das pessoas e foi até ela.

–Meus parabéns, Beatriz. Incrível ideia a que teve. A coleção ficou boa.

–Obrigada, senhor Valencia.

–Posso lhe dar ao menos um abraço?

–Acho melhor não. Um aperto de mão seria mais profissional.

Betty estica sua mão para Daniel. Ele a segura e a puxa, a beijando de surpresa. Ela começa a se debater, chamando a atenção de todos. Armando, que estava a procurando, ao ver aquilo, não se contém mais. Puxa Daniel e lhe desfere um soco o fazendo cair no chão.

–Larga a minha mulher! –Armando grita.

–Sua mulher? –Daniel, ainda caído, pergunta.

–Sim, a Betty é minha mulher!

Todos olham espantados. Marcela começa a chorar. Armando finalmente havia confessado o que há tempos ela desconfiava. Margarita e Roberto estavam perplexos. Margarita não acreditava que seu filho havia trocado sua ex nora por Betty. O quartel começava a alvoraçar-se e a fofocar. Hugo quase desmaiava pela surpresa. Não acreditava no mal gosto do seu chefe. Alejandra sorria tristemente. Mario tapava o rosto e tentava segurar o riso pela situação que se desenrolava. Hermes questionava para a mulher e para Nicolás que história era aquela de que Betty era a mulher de Armando e Julia e Nicolás tentavam fingir surpresa e acalmar o pai nervoso da presidente.

Armando agarrou novamente Daniel e o levantou. Iria lhe dar mais um soco, mas Betty segurou seu braço.

–Não mais, doutor. Por favor. –Ela pediu.

Nesse momento ele se distraiu e olhou para Betty então Daniel, se aproveitando do momento, lhe deu um soco. Armando rapidamente se levantou e revidou. Os dois se atracaram no chão. Quando os seguranças conseguiram os separar, estavam totalmente desarrumados. Armando estava com o terno rasgado e com a boca sangrando. Daniel tinha um corte acima da sobrancelha e o nariz sangrava.

Betty se aproximou de Armando e, com um lenço, limpava o sangue que escorria pelo canto de sua boca.

–Isso não vai ficar assim, Armando. –Daniel ameaçou.

–Doutor Valencia, por favor não piore as coisas e vá embora. –Betty pediu.

–Tá bom, mas vou somente porque você me pede, doutora. –Daniel diz e se retira.

Betty limpava as feridas de seu amado enquanto todos olhavam, surpresos, a inusitada cena. Hermes se aproximou dos dois e falou.

–Seu Armando, será que poderia me explicar essa história da minha filha ser sua mulher?

Armando ficou sem reação e Betty disse:

–Papai, por favor.

–Fique quieta, Betty. Vamos doutor, estou esperando e não tenho a noite toda.

Armando então suspirou e falou.

–Senhor Hermes, há muito tempo que eu amo sua filha, por isso, na frente de todos, queria pedir sua permissão para me casar com ela.

–O quê? –Hermes se espantou.

Armando então enfiou a mão no bolso e de lá retirou a caixinha dos anéis, se ajoelhando de frente para Betty a abriu e fez o tão esperado pedido:

–Beatriz Pinzón Solano, me daria a honra de ser minha esposa?

Todos os convidados ficaram perplexos. O quartel fazia algazarra. Margarita tentatava consolar Marcela que só chorava. Roberto estava perplexo com a atitude do filho. Hugo não acreditava ainda. Julia olhava encantada a cena. Nicolás olhava torto e Hermes estava de queixo caído.

Betty finalmente compreende o que acabou de acontecer então, puxando Armando para levantar-se lhe diz:

–É tudo o que eu mais quero, doutor.

Armando então a toma nos seus braços e a beija. Hermes não gosta nada disso e os separa.

–Será que podem explicar-me que diabos está acontecendo aqui! –Diz furioso.

–Vamos casar, papai. –Betty diz, emocionada.

–Com a autorização de quem?

–Eu espero que seja com a do senhor.

Betty e Hermes ficam discutindo e nesse momento Marcela se aproxima de Armando e lhe dá uma bofetada na cara.

–Eu tinha o direito de saber de outra forma. –Ela diz.

–Me desculpe, Marcela.

Marcela vai embora sob o olhar curioso de todos. Nesse momento Margarita e Roberto se aproximam de Armando.

–Muito bonito, hein, meu filho! –Margarita diz.

–Armando, O que se passa aqui? Já não entendo mais nada. –Roberto diz.

–Se passa, papai, que eu vou me casar com a mulher que amo.

–Eu não vou permitir que você case com essa aí, Armando! –Margarita diz.

–Não estou pedindo permissão, mamãe. Só estou comunicando.

–Tem certeza disso, filho? Não é muito precipitado? –Roberto questiona.

–Tenho sim papai. Eu amo essa mulher.

–Então só posso desejar que seja o mais imensamente feliz, Armando. A vida é sua e você já é um homem para tomar as próprias decisões.

Armando agradece ao pai e o abraça. Margarita já ia refutar essa decisão do filho, mas Roberto a arrastou para fora de lá. Armando estava com um sorriso bobo, mas assim que olhou para sua Betty seu sorriso se desfez ao ver Hermes o olhando, de braços cruzados e cara feia.

–Acho que chegou minha vez, não é doutor? –Hermes fala.

–Sim, seu Hermes. Queria pedir a permissão para casar com sua filha.

–E por que eu deveria deixar?

–Porque eu o amo, papai. –Betty intervém.

–Não te perguntei nada, Betty. Fique calada. E então, doutor?

–Porque eu amo sua filha, seu Hermes, e nada me faria mais feliz do que casar com ela.

–Está bem, acho que não tenho muito mesmo o que fazer, mas vamos com calma. Primeiro vocês vão noivar e depois casamento.

–Isso é um sim, seu Hermes? –Armando questiona, esperançoso.

–Sim, mas não me decepcione, doutor. O senhor terá que seguir o que manda a tradição. Minha filha é uma mulher de respeito. Ainda teremos que ver direitinho essa história. Acho que os dois ainda tem muito o que me contarem.

–Claro, seu Hermes. Tudo o que o senhor quiser. Farei tudo para fazer Betty feliz. Posso colocar o anel no dedo dela?

Pode, mas sem beijos. Vamos com calma com isso aí. O diabo é porco.

Ele então se ajoelhou e colocou o anel no dedo de sua amada. Betty nem acreditava no que havia acabado de acontecer. Tamanha era sua felicidade.

Armando ainda nem acreditava que agora poderia ser feliz com sua Betty sem precisar se esconder. Sabia também que agora seu Hermes daria marcação cerrada, mas que no fim valeria a pena se terminasse num altar com Betty ao seu lado.

Continua.