Mudanças
31 Capítulo 31
Passou uma semana desde que Armando viajara. Nesse período, por sorte de Betty, Daniel teve vários compromissos e não lhe sobrou tempo para ir na empresa importuna-la, mas, a cada dia, mandava uma lembrança diferente. Desde flores e cartões a bichinhos de pelúcia. Todos foram parar no lixo. As meninas do quartel começavam a comentar desses pequenos presentes que a presidenta recebia diariamente. Aura Maria ainda tentava descobrir qual era o nome do amor da Betty. Desde que escutara a conversa no telefone não deixava mais a pobre mulher em paz. Queria saber o nome do homem pelo qual Betty suspirava.
Armando, na Venezuela, trabalha muito. Betty havia lhe pedido para evitar ligações em horário de trabalho já que o quartel estava sempre atento. Ele reclamou um pouco, mas acabou obedecendo. Porém, como disse em sua carta, as ligações noturnas viraram costume.
Nos Estados Unidos, Mario e Marcela também conseguiam grandes avanços no projeto. Tudo corria muito bem. No tempo livre, Mario corria atrás de mulheres, novas conquistas para seu ego. Marcela apenas se trancava em seu quarto e, enquanto chorava, tentava pensar uma forma de afastar Armando de Betty. Não conseguia aceitar que o perdera para alguém que julgava inferior a ela.
Já estava na hora do almoço e, como ainda tinha muito trabalho, Betty decidiu almoçar na empresa. Estava almoçando tranquilamente na sala de reuniões quando Daniel chegou com um grande urso de pelúcia nos braços. Ele prontamente puxou uma cadeira, colocou o ursinho sentado ao lado de Betty e puxou outra cadeira, também ao lado dela, para ele. Beatriz apenas olhava a tudo sem dizer uma palavra. Apesar do tempo que trabalhava na empresa, ainda não tinha se acostumado ao jeito abusado de Daniel.
–Esse é até bonitinho. — Betty disse apontando para o ursinho.
–Finalmente encontrei um que lhe agrada.
–Não disse que me agradava. Disse que é bonitinho. Esse não terei coragem de jogar fora. Irá ser doado a um orfanato aqui perto. Acho que as crianças irão gostar.
–Ainda vou achar um presente que seja do seu agrado.
–Acho melhor que guarde o seu dinheiro. Já lhe disse que não quero nada que venha do senhor.
–Não sei porque essa indiferença comigo. Me dá uma chance, doutora. Só uma para eu te mostrar que não sou esse ser desprezível que todos me tacham. Deixe-me provar que posso ser a mais adorável das criaturas com você.
–Nunca lhe tachei de desprezível, doutor Valencia. Acredito que todos possuem um lado adorável. O senhor não é uma exceção, mas mostre esse seu lado adorável para outra pessoa.
–Tirando você, não achei mais ninguém digno de conhecer esse meu lado. Não acha que já é um motivo para uma chance?
–Não, sinto muito.
–Por que me despreza tanto. Será que seu coração já tem dono?
–Isso é um assunto que diz respeito somente a mim.
–Pelo que vejo parece que sim. Mas, se ele já tem dono, por que esse medo todo? Talvez tenha medo de me conhecer e notar que eu posso vir a ocupar um espaço nele também?
–Sei muito bem o que sinto. Mas, desde quando ficou tão romântico? Não me parece condizente com a sua imagem.
–Já disse que você desperta o que há de mais adorável em mim. Basta uma chance para te provar o que digo.
Daniel se levanta e começa a se aproximar de Betty. Ela se levanta rapidamente e se afasta dele. Ele começa a encurrala-la contra a mesa. Estava prestes a beija-la quando Inezita entra da sala e ele se afasta rapidamente.
–Desculpem. Devia ter batido antes. Volto depois. –Inezita diz já se retirando.
–Não, Inezita. Fique, por favor. –Betty pede.
A pobre senhora, vendo o desespero da amiga, se aproxima de Betty e se coloca entre ela e Daniel.
–Bom, doutora. Já vou. Amanhã passo por aqui de novo. –Daniel diz e se retira.
–Betty querida, o que foi isso que eu acabei de ver?
–Ai, Inezita. Nem te conto. Esse louco do doutor Valencia cismou comigo.
–Cismou mesmo. Nunca o vi assim por ninguém.
–Não sei mais o que faço. Já disse com todas as palavras possíveis para ele que não tenho interesse, mas ele não desiste. Olha isso. –Betty diz apontando para o urso.
–Quer que o jogue fora?
–Não, depois vou pedir pro Freddy deixar lá no orfanato.
–Betty, posso lhe fazer uma pergunta?
–Claro que sim, Inezita.
–Eu sei que não é do Daniel que você gosta e muito menos do Nicolás. Sei também que você está se relacionando com alguém misterioso e que não quer nos falar o nome. Esse alguém é casado, Betty? Se for, não continue com isso. Não será bom pra nenhuma das partes.
–Vou ser sincera com você, Inezita: ele já foi comprometido, mas hoje está livre. O que nós mais queríamos era poder gritar aos quatro cantos que nos amamos, mas ainda não é o momento certo.
–Fico feliz em saber disso. Me tira um peso dos ombros. Aquela louca da Aura Maria colocou na cabeça que o homem é casado e por isso você não o assume.
–Ele não é.
–Eu já vou, Betty. O Hugo já deve estar como um doido atrás de mim. Se precisar de alguma coisa, mesmo que seja apenas desabafar, pode contar comigo.
–Muito obrigada, Inezita.
Inezita sai e deixa Betty sozinha com seus pensamentos. Ela estava estressada pelo que acabara de acontecer com Daniel. Decidiu que precisava se acalmar um pouco. Pegou o celular e ligou para Armando. Ele demorou um pouco e atendeu no quinto toque.
–Alô? –Armando atendeu.
–Doutor?
–Oi, meu amor. Me desculpe, não reconheci sua voz.
–Te atrapalho?
–Nunca. Só achei estranho receber sua ligação em horário de trabalho já que combinamos de nos falarmos só à noite.
–É que estava com saudades. Queria ouvir sua voz.
Nesse momento Betty ouve, ao longe, uma voz feminina chamando a Armando.
–Já vou, Alejandra. –Armando grita para a mulher.- Meu amor, preciso desligar agora. Te amo. Mais tarde nos falamos, doutora monstro.
Armando desliga. Betty sente suas inseguranças voltarem ao se lembrar como a mulher chamou Armando com intimidade e como ele rapidamente respondeu com entusiasmo. Quando ele ligasse à noite teria que ter uma longa conversa com Armando sobre quem era a tal Alejandra.
Continua.
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