Mudanças
16 Capítulo 16
Notas iniciais
Armando havia acordado atrasado. A noite anterior havia sido tão maravilhosamente cansativa que acabou dormindo mais que devia. Levantou-se xingando em pensamentos, tomou um banho de menos de 5 minutos, se arrumou e saiu.
Assim que chegou na Ecomoda estava mais de meia hora atrasado, perguntava-se em pensamento o que Betty estaria pensando dele, como estaria interpretando aquele atraso.
– A doutora Pinzón está na sala dela? -Armando perguntou para Aura Maria.
–Está sim, doutor. Quer que o anuncie?
–Ela está sozinha?
–Está sim.
–Não precisa anunciar então.
Armando entra na sala e encontra Betty remexendo uns papéis em sua mesa. A abraça por trás e lhe beija o pescoço.
–Parece que alguém se atrasou hoje, hein. -Betty brinca se virando para Armando.
–Culpa da senhorita que me cansou muito ontem.
–E você não me cansou?
–Queria ter cansado mais, mas infelizmente o relógio foi nosso inimigo.
Aura Maria entra novamente sem bater e faz com que Armando se afaste rapidamente de Betty.
–Aura Maria! -Armando praticamente grita.
–Já sei, bata quando entrar. Me desculpe. -Aura Maria diz.
–Tudo bem, Aura Maria. Trouxe o que lhe pedi? -Betty questiona.
Aura Maria entrega para Betty algumas pastas e se retira sobre o olhar fuzilador de Armando.
–O que são isso, Amor? -Armando questiona remexendo umas pastas.
–São detalhes das últimas coleções. Terei que estudar bem a situação. Amanhã teremos a reunião para estabelecer os novos parâmetros para a nova coleção e quero estar preparada. Sei que o seu Hugo vai me atacar com tudo o que puder.
–E eu vou estar lá para te defender, minha doutora.
–Bom poder contar com o senhor, doutor.
–Armando dá um rápido beijo em Betty.
–E o seu pai, te matou ontem? -Armando pergunta curioso.
–Reclamou um pouco, mas disse que fiquei aqui trabalhando com o senhor. Se ele aparecer e perguntar, confirme.
–Com todo o prazer. Afinal, nós estávamos juntos mesmo. -Armando diz com um sorriso malicioso fazendo Betty corar.
–Acho melhor irmos trabalhar, doutor. Podem começar a suspeitar de algo.
–Concordo, mas quero um último beijo antes.
Betty lhe dá um beijo, não tão demorado quanto ele gostaria, e o empurra para fora da sala.
Armando passa sorridente para sua sala deixando as meninas do quartel curiosas. Não entendiam como o seu chefe poderia estar tão feliz e tão calmo após perder a presidência para sua assistente. Elas sabiam que tinha algo de muito estranho lá.
Mario estava sentado trabalhando em seu computador, mas não pôde deixar de zombar do amigo assim que ele entrou na sala.
–Esse sorriso aí me cheira a mulher. -Mario comenta com um sorriso malicioso.
–Não deixa de ser. -Armando comenta.
–Você e a Betty...?
–Sim, Mario. Nos reconciliamos e estou mais feliz que nunca, meu amigo.
–Coitado de você. Já não é mais aquele Armando que eu conhecia. Sinto que estou perdendo meu amigo. Não vá para luz, não siga o brilho daquele aparelho metálico da Betty. -Mario zomba.
Armando apenas lhe lança um olhar repreendedor e Mario segura a risada.
–Se já parou com a palhaçada, será que podemos trabalhar? -Armando questiona sério.
–Podemos sim e não fui eu quem chegou atrasado hoje.
Armando prefere não comentar do ocorrido, se falasse, Calderón riria dele o resto do dia.
Na hora do almoço, como prometido, Betty foi almoçar com o quartel no Correntazo lá, de maneira ponderada e omitindo algumas coisas, especialmente seu romance com Armando, explicou para o quartel a situação em que a empresa se encontrava e como havia chegado à presidência. O quartel estava de queixo caído após ouvir a história. Ainda tinham muitas questões que Betty respondia com paciência. Uma das questões foi o cancelamento do casamento de Armando com Marcela. Betty sentiu-se um pouco incomodado pela pergunta, mas limitou-se a responder que aquilo era um assunto pessoal ao qual não lhe dizia respeito. O horário do almoço terminou e, entre resmungos, voltaram para a empresa. Ainda queriam fofocar mais.
O resto do dia caminhou bem dentro do possível. Vez ou outra Armando escapava para visitar Betty em sua sala e ela sempre o repreendia pela sua imprudência, mas no fim se rendia e acaba cedendo ao charme dele.
Marcela estranhava a atitude de seu ex noivo, a empresa estava passando por uma crise, ele havia renunciado à presidência e mesmo assim vivia feliz com um sorriso estampado no rosto, de um lado para o outro. Reparou também o número de vezes que havia entrado na presidência. Algo que dizia que alguma coisa ali não estava certa, mas Armando sempre tivera um bom gosto, não seria possível ele com Beatriz. Sua mente não poderia aceitar isso.
Continua.
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