Mudanças
15 Capítulo 15
Assim que Armando conduziu Beatriz para dentro do seu apartamento, ela ficou maravilhada. Ele fez questão de mostrar cada cômodo para Betty. Ela olhava a tudo maravilhada. Após o rápido tour pelo apartamento, se sentaram na sala.
–É lindo o seu apartamento. -Betty comentou.
–Obrigado. Aceita algo para beber?
–Tem algum suco? Não queria tomar nada com álcool hoje.
–Acho que não, mas deixa eu conferir.
Armando corre para a cozinha e retorna com dois copos de leite e um pacote de biscoitos.
–Leite e biscoitos, serve? É a única coisa que achei na validade. -Comenta rindo.
Betty acha graça de como Armando, mesmo sendo um homem, não conseguia manter os armários de seu apartamento abastecidos.
–Está ótimo. O biscoito ainda é do tipo que eu gosto.
Armando se acomoda no sofá junto a Betty e abre o pacote de biscoito.
–Posso te perguntar algo, meu amor? -Armando questiona.
–O que quiser.
–Quando te encontrei em Cartagena, você estava acompanhada de um homem. Posso saber quem é?
–Está com ciúmes?
–Estou sim. Morri de ciúmes ao te ver com aquele tipo. Já não nego mais o que sinto por você. Te quero só pra mim. -Armando comenta puxando Betty para si e fazendo com que ela se apoie nele.
–Ele é um amigo de dona Catalina. Na verdade, também acabou virando meu amigo. É um bom homem. Se chama Michel.
–Fico feliz em saber que era só um amigo. Assim que te vi com ele, senti vontade de dar uns murros naquele rostinho dele, mas me controlei, por você.
–Você não teria coragem.
–Teria sim. Não quero que ninguém se aproxime de você. Beatriz, sinto lhe informar, mas você se apaixonou pelo homem mais ciumento de Bogotá.
–O mais ciumento, mas também o mais bonito, o mais carinhoso e o mais maravilhoso que eu já conheci.
–Te amo, Betty.
–E eu te amo, doutor Armando.
–Só Armando, por favor. Estamos sozinhos, não precisamos de formalidades, minha vida.
–É o costume. Não sei te chamar de outra forma além de doutor.
–Pois então irei te chamar de doutora, minha doutora.
Armando dá um apaixonado beijo em Betty.
–Não sabe como lhe desejo, Beatriz. Depois que estive com você, no seu aniversário, não consegui olhar para mais nenhuma mulher. Desde aquele dia você tem sido a única em minha vida. Desde aquele dia algo, que não sei explicar, mudou em mim.
–Eu também mudei naquele dia. Naquele dia me senti realmente amada, pela primeira vez na minha vida.
–Te amo, doutora.
Armando dá um apaixonado beijo em Betty que o corresponde. O beijo acende o desejo que a muito os consumia. Armando, com carinho e sem separar seus lábios dos de Betty, a conduz para o quarto.
Chegando lá a deita na cama, retira os seus óculos e os dela, os coloca na cabeceira e se deita por cima de Betty. Ambos estavam com as mãos trêmulas, mas se ajudam e, aos poucos, as peças de roupa que cobriam seus corpos, voaram pelo quarto.
Ambos exploram o corpo um do outro com as mãos e com delicados beijos. Já não podiam se segurar.
Armando reconhecia cada centímetro do corpo de Betty, mesmo nunca tendo o visto totalmente na claridade, suas mãos reconheciam à geografia daquele esbelto corpo.
Betty, dessa vez deixou sua timidez de lado e também permitiu-se explorar, sem medo, o corpo de seu amado que tremia a cada beijo que ela dava. Sabia que Armando não aguentaria mais muito tempo. Ela também já estava pronta.
Armando, vendo os olhos de Betty ardendo de desejo, não pôde mais resistir e terminou o que havia começado.
Dessa vez, antes de seu próprio prazer, vinha o de sua amada. Começou com movimentos lentos e, ao ver como Betty ansiava por mais e arquejava o corpo, começou a aumentar o ritmo. Dentro de pouco tempo ambos estavam em um ritmo sincronizado, em harmonia. Eram apenas um. Chegaram ao ápice quase ao mesmo tempo.
Haviam saciado o desejo que os consumia, mas estavam exaustos. Acabaram adormecendo abraçados. Depois dessa noite, ambos sabiam que não poderiam mais viver separados.
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Após algumas horas, Armando acordou. Viu que sua Betty ainda dormia em seus braços.
Olhou o relógio e viu que já passavam das 23 horas. Lhe doía, queria deixar Betty dormir e dormir a noite inteira ao lado dela, mas sabia que ela teria que voltar para casa. Com delicadeza começou a encher o rosto dela de pequenos beijos. Batriz logo despertou e sorriu para Armando.
–Isso é um sonho? -Betty questionou ainda não acreditando no que havia acabado de acontecer.
–Mesmo eu achando que também estou sonhando, não é. Estamos aqui, juntos. -Armado responde e dá um demorado beijo nela para provar.
Betty interrompe o beijo e se levanta, enrolada no lençol, apavorada.
–O que houve? -Armando pergunta assustado.
–Que horas são? Meu Deus, já deve ser tarde.
–São onze e vinte. Acho que ainda temos uns minutinhos.
–Acho que não, eu nem avisei meus pais que chegaria tarde.
–Não?
–Não, acabei me esquecendo.
–Então vamos logo antes que seu Hermes te mate e me mate.
Armando levanta rapidamente da cama e começa a recolher as roupas pelo chão. Betty fica envergonhada de ver ele, como veio ao mundo, e se vira. Armando acha graça e, para provoca-la, a abraça.
–Vista ao menos a cueca. -Betty pede envergonhada.
–Por que essa vergonha, minha vida? Acabamos de fazer amor.
–Eu fico sem graça, doutor.
–Pois não fique e deixe esse lençol de lado que também quero te ver. -Armando pede puxando o lençol de Betty.
–Não há do que se envergonhar, você é linda. -Armando a elogia.
Beatriz ainda sente vergonha e começa a vestir suas peças de roupa. Armando apenas acha graça e também termina por vestir-se.
Armando a leva em casa. Como costumava fazer, Betty repousa sua cabeça sobre o ombro de Armando. Fizeram a viagem calados. Nenhuma palavra que dissessem bastaria para descrever o momento que passaram.
Assim que chegaram, Armando parou o carro em frente à casa.
–Obrigado, Betty. Obrigado pela melhor noite de minha vida. -Armando comentou lembrando-se da vez em que Betty também lhe agradecera. Os papéis haviam se invertido.
–E obrigada, Armando, por me fazer a mulher mais feliz nesse mundo. -Betty também agradece.
–Repete, por favor.
–Obrigad...
–Não, não isso. Você disse meu nome pela primeira vez. -Ele a corta.
–Armando, eu te amo.
Armando dá um beijo em Betty, mas logo o corta ao ver que a luz do quarto de Hermes havia acendido.
Betty, temendo o esporro que tomaria de seu pai, despediu-se de Armando e adentrou a casa.
Armando seguiu feliz para seu apartamento. Agora teria uma razão pela qual viver, razão essa que tinha nome e sobrenome: Beatriz Pinzón Solano, a mulher de sua vida.
Continua.
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