Mudanças
14 Capítulo 14
Assim Armando viu que sua mãe saiu da sala, ele entrou lá. Já não se aguentava de curiosidade para saber o que ela conversou com o Mario.
–E então, Calderón? -Armando questionou.
–Meu querido amigo, não queria estar na sua pele. Sua mãe praticamente me interrogou para saber qual mulher te flechou.
–E você não falou nada, falou?
–Claro que não. Queria que eu falasse que você se apaixonou pela morceguinha? Tudo bem que ela está melhorzinha agora, mas ainda não é nenhuma modelo.
–Mais respeito com a Beatriz. Só isso que minha mãe queria?
–Não. Ela também queria que eu bancasse o cupido entre você e a Marcela. Já me aposentei, a última vez que banquei o cupido as coisas saíram do controle e você se encantou pela fera. Não levo jeito para essas coisas.
–Calderón, pare de falar mal da Betty.
–E era não é uma fera?
–A mais doce das feras. Como eu amo aquela mulher, Mario.
–Ainda com isso? Depois do que fizemos, acho melhor você desistir. Aquela fera quer nos matar.
–Você pode até ser, mas ela me ama.
–Não me diga que voltou com ela?
–Acho que voltei. Ao menos ela me deu o beneficio da dúvida.
–Não faz muito o meu gosto, mas se você está feliz e conseguir controla-la para que ela não me esgane, eu também ficarei feliz.
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Mais tarde, no término do expediente, Armando não se aguentou e foi até a sala de Betty. Ele sentou-se na cadeira de frente para a mesa dela e, enquanto conversava com ela, lhe segurava as mãos.
–Sabe, meu amor, estava pensando que talvez pudéssemos sair hoje. Acho que ainda temos muito o que conversar.
–Eu não sei, doutor. Será que não é muito arriscado sairmos agora?
Nesse momento Aura Maria entra sem bater e Armando rapidamente solta as mãos da Betty.
–Quantas vezes terei que avisar para bater antes de entrar? -Armando resmunga.
–Me desculpe, doutor.
–O que você quer, Aura Maria? -Betty questiona rindo da situação.
–É que eu e as meninas iremos sair hoje e vim te convidar. Acho que temos muito papo para colocar em dia.
Armando lança um olhar fuzilador para Aura Maria e um olhar com medo para Betty. Betty entende seu olhar.
–Eu adoraria, Aura Maria, mas hoje realmente não posso. Ainda tenho umas coisas para revisar e estou muito cansada.
–Aí, vamos Betty. -Aura Maria pede.
–Será que já não ouviu a doutora, Aura Maria? -Armando resmunga.
–Hoje realmente não posso, mas prometo almoçar com vocês amanhã para colocar o papo em dia. -Betty comenta.
Aura Maria se dá por satisfeita e prefere sair da sala antes que Armando a tire de lá. Betty acha graça do jeito enciumado dele.
–Onde vamos? -Betty pergunta.
–Você vai sair comigo?
–Vou. Depois de você quase expulsar a pobre da Aura Maria daqui, não me atreverei a negar. -Betty brinca.
–Vamos onde você quiser.
–Terá que ser um local discreto. E se fôssemos até uma daquelas boates onde você me levava?
–De jeito nenhum. Aquilo lá não é lugar para você.
–Também não podemos ir em nenhum local chique. Todos te reconheceriam. E se ficássemos na empresa?
–Com aquele enxerido do Wilson pra cá e pra lá? Não teríamos paz.
–E onde iremos então?
–Eu tenho uma ideia, mas não sei se você vai gostar. Há um tempo já que tenho pensado nisso, mas nunca consegui te convidar pelas circunstâncias. Tem meu apartamento, mas se você não quiser ir até lá eu vou entender.
Betty não estava acreditando que Armando a estava convidando para entrar em seu apartamento, em sua intimidade. Lágrimas involuntárias começaram a lhe escorrer do rosto. Armando rapidamente correu e a abraçou.
–Me desculpe, meu amor, foi uma ideia idiota. -Armando diz se culpando por ter feito Betty chorar novamente.
–Eu adoraria conhecer o seu apartamento.
–Verdade?
–Sempre tive essa curiosidade.
Armando estava feliz em ouvir aquilo. Ele mostraria seu local, seu mundo para mulher que mais amava. Ele segurou o rosto de Beatriz e lhe deu um delicado beijo.
Saíram de lá um ao lado do outro, queriam poder sair de mãos dadas, abraçados, mas não podiam, ainda não. Mas, mesmo assim, estavam feliz pela presença um do outro.
Continua.
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