Mudanças
11 Capítulo 11
Após a exaustiva reunião, Betty foi até sua casa com seu pai almoçar. Iria começar a trabalhar naquele mesmo dia, mas precisava pegar alguns documentos em casa e achou que também lhe faria bem poder desabafar com sua mãe.
Armando estava feliz. Agora teria motivos para ficar todos os dias ao lado de sua Betty e tentar reconquista-la novamente. Provar que havia mudado. Com esses pensamentos dirigiu-se até a sala da presidência e adentrou na "caverna". Sentou-se na cadeira de Betty e, da última gaveta da mesa, retirou a sacola com as lembranças e presentinhos dela. Começou a selecionar o que era verdade e o que havia sido escrito por Mario. Queria tentar descobrir em que momento exatamente se apaixonara.
Estava tão deslumbrando relendo os cartões e se lembrando de momentos em que passou ao lado de Betty que nem se deu conta quando Mario entrou na sala. Se assustou quando percebeu a presença do amigo.
–O que faz parado aí, Calderón? -Armando pergunta já irritado.
–Nada. Só estava vendo o quanto um homem apaixonado pode se afundar na lama.
–Se veio aqui pra rir da minha cara pode ir embora.
–Não vim pra isso. Só vim pra saber o que te aconteceu.
–Nada, não me aconteceu nada.
–Não parece. Nunca pensei que você fosse renunciar à presidência por um amor. Acho que vou pedir a receita para a Betty dessa bruxaria. Nunca vi uma assim tão eficaz.
Nesse momento Marcela se aproxima e Armando rapidamente joga as coisas na gaveta.
–Enlouqueceu de vez, Armando?
–Acho que já me vou. -Mario diz e se retira de fininho da sala.
–O que quer agora, Marcela? -Armando questiona irritado.
–Como pôde entregar assim a empresa na mão de uma estranha?
–Beatriz não é uma estranha e entreguei porque é o melhor para essa empresa no momento.
–O melhor para a empresa? Essa empresa já não tem mais salvação. Tudo graças a vocês dois, você e aquela maldita de sua assistente!
–Você pode me xingar o quanto quiser, mas deixe Betty de fora disso. Ela não é culpada por nada disso.
–É tão culpada quanto você. Ela fez por livre e espontânea vontade ou você a obrigou?
–Não, mas ela só fez por mim.
–Por que defende tanto ela, Armando? Nem a mim você defendia assim.
Armando sentia vontade de gritar ali mesmo que amava a Betty e por isso agia do jeito que agia, mas sabia que não poderia fazer aquilo, não naquele momento.
–Por que ela sempre foi fiel a mim e a empresa. Porque eu confio nela e porque ela é a única que pode nos salvar nesse momento, Marcela.
–Quando ela nos deixar sem nada, na rua e sem empresa, você vai se arrepender. -Marcela grita e sai batendo a porta.
Armando apenas suspira, pega novamente as coisas e volta para suas lembranças.
Na sua casa, Betty havia acabado de almoçar e sumiu para o seu quarto onde separava uns papéis. Dona Julia foi logo atrás para conversar com ela.
–Foi o doutor que te convenceu a voltar, não foi, filha? -Julia pergunta.
–Como a senhora sabe? Não foi a senhora que disse para ele onde eu estava, foi mamãe?
–Não, não falei nada. Só imaginei que ele seria o único que poderia te convencer.
–Na verdade, foi dona Catalina que me fez tomar a decisão.
–Certeza que não foi o seu Armando?
–Ele ajudou um pouco, não nego.
–E como ele está?
–Deprimido pela empresa, como mais estaria?
–Só pela empresa? E por você?
Aquela pergunta havia pego Betty de surpresa. Ela se preguntava em pensamento se sua mãe sabia de alguma coisa.
–O que quer dizer com isso, mamãe?
Julia puxa a filha para sentarem-se na cama e fala baixo para que Hermes não ouça.
–A verdade, filha, é que seu Armando esteve aqui assim que você foi viajar. Seu pai não estava em casa no dia e eu o atendi. Ele procurava desesperadamente por você.
–Por causa da empresa. -Betty corta a mãe.
–Não. Não era só pela empresa. Betty, minha filha, o seu Armando me confessou que se apaixonou por você. Ele disse que começou de uma forma não muito correta. Me contou que foram amantes. Mas que as coisas mudaram no caminho e que ele realmente se apaixonou por você.
Ouvir aquelas palavras de sua mãe eram algo que nunca esperava ouvir. Também lhe impressionava o fato de Armando ter dito aquilo para sua mãe. Dele ter revelado que haviam tido um caso. Betty já não sabia mais o que pensar e no que acreditar. Armando estava mudando de atitude e isso a desconcertava cada vez mais. A cada nova atitude de Armando ela se sentia perdida e não sabia como deveria agir.
Continua.
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