Mudança de Mundos- hiatus
8 8- Camafeu
Notas iniciais
Era meia noite de um escuro domingo que eu passei. Depois de trancar a janela de meu quarto e arrumar minhas coisas na noite de sábado, fui dormir, não tive sonhos e isso foi agonizante para mim. As três da manhã eu saí e estoquei o máximo de comida que pude no frigobar do meu closet e passei a manhã e a tarde trancafiada entre quatro paredes pesquisando sobre lendas e pensando o porquê de terem levado a caixinha do meu quarto.
Eles com certeza não eram demônios, muito menos vampiros para entrarem no Instituto, mas se tinham acesso ao mesmo, porquê invadir pela janela do meu quarto e não entrar pela sala, claro, devia ter alguém lá a essa hora, talvez Jocelyn e Luke, Maryse? Devia ter algum motivo para arrombarem a janela do meu quarto.
Agora estou aqui, no telhado, enquanto todos estão dormindo. Amanhã não tem aula, choveu de noite e um raio destruiu o teto do ginásio, alagando o mesmo, não teremos aula por cerca de três dias, o que me dá bastante tempo para explorar o Instituto. Se minhas hipóteses estiverem corretas, tem alguma passagem no Instituto que dá acesso ao baú ou porta da segunda chave, então eu vou encontra-la.
Não estava com sono, passei grande parte da tarde e ínicio da noite dormindo então me levantei sorrateiramente do telhado e pulei para a minha janela, dando um mortal no ar. Atravessei meus aposentos (nossa, que palavra antiquada) , destranquei a porta e respirei fundo, pondo a mão na maçaneta.
–Vamos, Annabeth- murmurei para mim mesma.
Estava com uma sensação estranha. Tinha medo. Não sei o que aconteceria se eu me envolvesse demais com o mistério das chaves e do belo anel, mas isso eu não podia evitar, tinha alguma coisa nesses objetos que me atraía e eu não queria me livrar dessa sensação, se eles me descobrirem quando eu estiver envolvida demais eu acho que não iria aguentar, era disso que eu tinha medo, era um vício.
Girei a maçaneta com cuidado, felizmente ela não fez nenhum barulho, olhei para baixo, tinha algo aos meus pés. Um bilhete de Isabelle.
“Oi Annie, desculpa, mas eu, Simom saímos com os outros casais para passear.
Eu sei que você pode se sentir sozinha e tudo mais, mas não vai embora, por favor.
Vamos sair por umas onze ou doze horas , é isso, quando voltar faremos uma noite só de meninas, prometo.
Bjs, Izzy
Ah e os casais adultos também foram embora, parece que Luke vai apresentar uns amigos dele de São Francisco, que nojo, imaginar minha mãe namorando, eles sim vão ficar um tempo a mais fora, cinco dias, eba!
Então é isso, bjs e divirta-se. “
Ri das palavras de Isabelle e saí do quarto, a “casa” estava silenciosa, era quase uma hora da manhã, fui até a cozinha comer algo. Abri a geladeira e peguei uma caixa vermelha de plástico nela, abri ela e suspirei, comida de verdade, eu não comia as receitas de Isabelle então ela me fazia comer salada e fazer uma dieta maluca que ela criou, mas eu tinha minhas maneiras, a caixa vermelha, nela tinha doces, salgadinhos e outros.
Mas eu decidi fazer algo diferente, peguei uma caixa amarela no armário, outra “mareira” minha, de lá tirei a farinha, os corantes, açúcar e outros, iria fazer macarons, sabe, aquela bolachinha colorida que derrete na boca com recheio cremoso. Algumas horas depois ficou pronto. Olhei o relógio, era quase seis da manhã, peguei um macarons, cobri os outros e fui dormir.
...
Sentar no sofá e comer macarons enquanto assisto a vários filmes filmes de suspense, romance, etc. Esse era o meu grande programa da tarde. De manhã eu havia limpado o meu quarto e o arrumado durante um tempo, passeei pelo Instituto e li alguma coisa na enorme biblioteca, uma hora depois fui assistir ao filme “comer, rezar, amar” com meus macarons, após o primeiro filme não saí do sofá.
As cinco horas resolvi treinar um pouco, fui a sala de treinamento do Instituto e arrumei alguns bonecos para mim. Joguei adagas, acertei dardos, atirei flechas, ataquei e golpeei os bonecos de madeira com acolchoado de algodão até me cansar, depois tomei um banho e me sentei no sofá da sala.
Era seis da tarde quando eu senti a chave no meu pescoço vibrar, me levantei confusa e percebi que seu rubi estava brilhando, pulsando como um coração, a pedra emitiu um facho de luz que tocou a parede, em seguida se moveu pela mesma até chegar a outra, indo cada vez mais longe. Em um impulso, instinto ou atração, chame como quiser, eu segui a luz.
Caminhei por corredores desconhecidos e belos, detalhados com afrescos, pinturas, quadros e lindos papéis de paredes, um corredor diferente do outro. Entrei em uma sala antiga, as cadeiras acolchoadas, decoradas por rococós, a mesa entre elas, de metal, sua parte superior trabalhada como se fosse um desenho, tapetes persas forrando o chão, cortinhas pesadas e bordadas nas opacas janelas de madeira, culturas e épocas misturadas eram vistas nos detalhes como nos talheres decorados com diferentes pedras de diferentes metais. Toda a sala era iluminada por um belo e grande lustre vermelho, no meio da sala.
Percebi que a sala era repleta de portas, como em “Alice e o país das maravilhas”, procurei uma cuja a fechadura combinasse com a minha chave, encaixando a mesma em todas as portas possíveis. De madeira, ferro, metal, portas com espelhos, metais raros, cupins, ferrugem e outros, além dos detalhes no formato, tamanho e desenho.
Finalmente achei, era uma porta de madeira escura, simples, mas com um rubi na altura dos meus olhos, segurei a maçaneta dourada e girei, abrindo a porta. A sala era completamente dourada, quando eu digo dourada, eu digo paredes, teto piso e chão. Era pequena, uns três ou dois metros quadrados no máximo, uma das únicas coisas nessa salinha era uma mesinha de madeira avermelhada com patas de leão esculpidas nos pés da mesa.
Em cima da mesa estava um chale prateado de tecido transparente, uma sandália também prata com tiras finas e delicadas, Pulseiras e um par de brincos com diamantes e pedrinhas azuis bem escuras, ao lado, com as mesmas pedras uma daquelas tiaras brilhantes usadas perto da testa com uma pena delicada de pedras saindo da lateral da peça para cima. Estendido na mesa estava um vestido cintilante grafite, alças finas suspendiam o vestido com comprimento até o joelho, as mesmas davam origem ao grande decote que ia até pouco antes do umbigo. No centro da mesa estava o colar, uma gargantilha de diamantes rente ao pescoço, com um pingente pendendo do meio da bela jóia. Um camafeu, um perfil de rosto e busto de uma figura feminina esculpida em madre-pérola dentro de um aro oval de prata.
Toquei o colar, fascinada e os diamantes brilharam, meus sentidos ficaram mais aguçados, podia ouvir os carros na rua, as pessoas conversando, podia ver melhor cada detalhe, desde o prisma dos diamantes até as falhas na tintura da parede.
Soltei o colar e tudo voltou ao normal, percebi que o camafeu tinha um fecho, para se “soltar” do colar, peguei as coisas de cima da mesa, a chave e pendurei o camafeu na correntinha em meu pescoço e meus sentidos se aguçaram novamente,fui até meu quarto e guardei as coisas no fundo falso da minha mala, ouvi um carro estacionando na frente do Instituto e corri para a sala.
–Boa noite!- gritou Isabelle escancarando a porta, sendo seguida pelo casal 20 e pelas meninas, revirei os olhos- Podem sair casalsinho, vaza!- Clary e Jace saíram- então, vamos botar o papo em dia- e nos largamos no sofá
Enquanto conversávamos, sorri segurando meu camafeu e assim, com elas adormeci.
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