Chegamos em Los Angeles rápido demais, Connor estava dirigindo loucamente a van, fazendo tudo e todos dentro dela se balançarem, ele gritava e ria ouvindo o desespero de alguns de dentro da van. Finalmente chegamos e todos saíram do veículo tontos, Connor gargalhava de nosso estado quando finalmente paramos na construção vermelha e roxa no meio de tantas casas comuns.

Megan se aproximou da escandalosa e pequena casa mas antes que pudesse tocara campainha uma figura apareceu, era uma garota, parecia ter cerca de quinze anos, tinha cabelos pretos ondulados e tão longos que se arrastavam no chão, os olhos eram um roxo escuro e um verde extremamente claro, ela era pálida e baixa. Suas feições demonstravam raiva descomunal.

Eu podia sentir a aura irritadiça dela afetando todos, deixando-os confusos, aquela era Lissa, a deusa da raiva. Lissa parou a dois metros de nós, o vestido negro e largo cobria seu corpo magro por inteiro, deixando só a cabeça e as mãos de fora,ele grudava em seu corpo, mostrando as poucas curvas que tinha.

A deusa chamou Megan com os dedos e simplesmente tocou sua testa, a fazendo cambalear, com um brilho verde e roxo a sua volta. Logo minha amiga voltou até nós e ouvi a deusa suspirar, irritada. Oras, ela está sempre irritada, é coisa dela. Revirei os olhos com esse pensamento.

–Os poderes com que abençoei a garota- começou Lissa com a voz alta e marcante- não precisa de demonstrações, ela poderá tanto causar raiva entre seres inferiores a ela quanto absorver a raiva deles, acabando com as brigas. Mas tome cuidado, esses poderes são perigosos.

Todos concordaram e saíram de lá o mais rápido possível, arrumando as coisas desorganizadas de dentro da van pela viajem louca, Lissa se aproximou de mim e me entregou um pacote, dizendo que Eros havia mandado entregar para mim, uma coisinha para eu ler na viajem e saiu, incrivelmente sorrindo para mim.

Entrei na van com o pacote escondido atrás de mim e me sentei lá no fundo, quando o veículo partiu e eu abri o pacote e tive que me segurar para não rir. Eros quer mesmo deixar todos os legados dele comigo, ele havia me dado a coleção dos livros “Cinquenta tons de Cinza”, ele ainda colocou um bilhete escrito :

“Espero que aproveite o presente, ele é parte da minha herança, se é que me entende.

Xoxo, Eros”

Ri ao leras poucas palavras, ele era uma criança, que tipo de homem casado com mais de mil anos escreveria “xoxo” em uma carta para a sua bisneta filha de Atena? Só Eros, claro. Comecei a rir baixo e senti Dani se aproximar, esqueci de mencionar, ou não, mas ele era o único que sabia do meu parentesco com o deus do erotismo e do sexo.

–Porque você...- não o deixei terminar, só mostrei os livros e o bilhete, ele pôs as mãos na boca como se não acreditasse e riu abafadamente sobre elas- você vai ler? – pergunta um pouco assustado, reviro os olhos e solto um sorriso malicioso, abrindo a primeira página, Dani fez cara de paisagem e se afastou duas poltronas de mim, soltei uma risada da reação dele e comecei a ler

...

–Annie!- chamou Thalia me chamou, tirando minha concentração do livro a minha frente- Já chegamos- avisou, então percebi que todos já haviam saído do automóvel, ri nervosa e saí de lá, guardando o livro na bolsa e me postando ao lado de Thals.

Era a vez da filha de Zeus, Thalia iria encontrar Hebe, deusa da juventude. Andamos por um tempo, até chegar em uma pequena clareira rodeada de belas árvores com pequenas flores, mais a frente estava uma bela mulher, cabelo loiro liso até a cintura fina, olhos verdes claros mesclados com um azul quase translúcido, pele levemente bronzeada, alta e com poucas curvas, não sabia dizer que idade tinha, poderia ter quinze ou vinte aparentemente.

–Vocês vieram- ela sorriu abrindo os braços e caminhou até Thalia e Alex (Alexander), passou a mão pelo rosto dele, beijando sua bochecha, sussurrando algo para ele e se virou para Thals- a você eu concedo os poderes da juventude e saúde, você poderá curar ferimentos leves ou profundos sem nenhum dano em si mesma mas cuidado, não poderá ressuscitar nem ferir ninguém com esses poderes, além disso terá saúde eterna.

Ela abraçou minha amiga e uma luz circulou as duas, logo a deusa desapareceu e voltamos para a van. A entrega dos poderes era rápida e precisa e assim foi pelas outras três outras cidades com seus deuses que passamos, fomos para a “casa” de Flora, Pomona e Íris. Alex ganhou o poder de criar campos de flores ou trepadeiras para prender os inimigos ou invocar chás medicinais de flores variadas.

Luk podia criar pequenas árvores cheias de frutas ou de frutinhas envenenadas ou até criar enormes folhas repletas de orvalho para matar a sede. Por fim, Connor, ele poderia criar feches de luz para cegar momentaneamente em batalha e criar miragens pequenas e coloridas como o arco-íris. Agora era duas da manhã, iriam dividir os quartos em duplas para dormimos aqui no pequeno hotel para casais na estrada, todos se dividiram até que sobrou eu, Dani, Alice e Percy.

Para minha surpresa Alice se adiantou pegando uma das chaves e arrastando Dani com ela, o sorriso da garota de Hades era maior que a cara, é, acho que ela gosta dele (acha, Annabeth, tem certeza que só acha?) cala a boca, consciência. Esqueci de contar que descobri que ouço uma voz muito parecida com a minha também, além de Evanly, essa voz nova é minha consciência.

–Quer dormir ou vai tomar banho antes?- pergunta Percy meio sem jeito, nego com a cabeça e tiro minhas roupas ali mesmo, vestindo um conjunto rosa claro, regata e shorts soltinho- er... eu vou... pro banho-disse envergonhado, as bochechas vermelhas e saiu enquanto eu me deitava.

Apago as luzes e olho para o teto branco, sem sono nenhum, então pego o livro que Eros me deu (ainda o primeiro da “saga”) e comecei a ler, já estava nas últimas páginas quando a porta se abriu e Percy passou por ela só de calça de moletom fino. Ele franziu o rosto e arregalou os olhos quando viu o livro que eu estava lendo, ri da sua expressão.

–Não sabia que lia esse tipo de livro- disse baixinho e eu revirei os olhos, o puxando para deitar comigo e dormi abraçada a ele.