Notas iniciais
Tudo estava em paz novamente, finalmente.

O jogo havia virado, a menina desfigurada com o rosto demoniaco estava paralizada aos pés de Dona Morte que agora assumia sua forma humana: Uma bela menina de cabelos castanhas escorridos, olhos tempestuosos estampados em um rosto branco giz. Usava um vestido lolita preto costurado com rendas e fitas delicadas.

Com um gesto, as algemas dos reféns se quebraram e os sete soltaram suas bocas que estavam amarradas com pedaços da capa do espectro.

Mônica já ia correr ao encontro de Dona Morte quando uma barreira os cercou.

– Não vou mais deixar esse monstro interferir no destino de outro vivo, vocês estão sob minha proteção, fiquem aí. — Disse Dona Morte.

– Mas você precisa de ajuda! — Gritou Mônica.

– Mônica, não. Pelo menos uma vez na vida deixe alguém ter sua própria luta, por favor...E-eu não que-quelo t-te pelder... — Disse Cebola que puxou e abraçou Mônica enquanto lágrimas desciam.

O espectro desapareceu dos pés de Dona Morte e surgiu em suas costas, mas antes que atacasse foi surpreendido: a menina o chutou ainda virada e antes que caísse no chão, segurou sem pescoço.

– Já chega. Eu tenho o poder sob você agora!

– Você não sabe me dominar... Não aprendeu ainda. Não adianta me afugentar! HAHAHAHA — Disse o espectro evaporando das mãos de Dona Morte.

– Ahn... MÔNICA?! EU MUDEI DE IDEIA SOBRE A AJUDA!

– TEM ALGUMA CARTA COM VOCÊ ? ALGUM TIPO DE... SEI LÁ, CARD DE MANGÁ?

– Na... — Dona Morte pausou vasculhou o vestido. — NÃO!

– Procurando alguma coisa? — Disse o espectro sorrindo com um card em mãos.

Dona Morte arregalou os olhos cinzentos e correu em direção ao espectro, decidida a finalmente acabar com aquela batalha. Porém, o espectro sumiu novamente e sobrevoando a menina soltou uma gargalhada.

– Eu tenho pena... Uma humana tentando lutar contra um superior de tal nível...

– Vou ter que te lembrar... — Disse Dona Morte encaixando a curva da foice no pescoço do espectro e puxando-o de modo que ficasse em suas mãos novamente. — Que eu não sou mais humana?

Com um puxão, Dona Morte pegou o card ID e o ergueu próximo á testa do espectro que estava com o pescoço paralizado em uma de suas mãos.

– EU TE DOMINO AGORA, KEMATIAN!

– N-NÃO VOCÊ N-NÃO P-PODE... NÃAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAO!!!

O espectro foi sugado pelo card e agora estava finalmente dominado, tudo parecia mais calmo... Aos poucos o local foi se tornando novamente o cemitério, enfim, a batalha havia acabado. A barreira que protegia os reféns se desfez e eles foram até a menina, que caiu fraca no chão.

– Dona Morte? Tudo bem? — Disse Cascão erguendo-a do chão.

– Sim... Eu só estou... Cansada... Tudo voltará ao normal uma hora. Como meu presente por suportarem tudo isso, ficarão com os Beijos de Ceifadora, mas eles perderão seus poderes, serão apenas um souvenir. Me perdoem por essa confusão... Eu.. Não queria atrapalhar o destino de algum vivo.

Com um gesto Dona Morte voltou a esconder os olhos cinzentos e o cabelo castanho por trás de um capuz escuro.

– Obrigada á todos... — E com outro gesto, tudo desapareceu.

10:32 a.m — Casa da Mônica — Sexta-feira

Mônica acordou assustada, com suor em todo o corpo e os olhos arregalados. A mãe estava no quarto tirando o pó da mesa de cabeceira.

– Até que enfim mocinha, achei que iria dormir até ás 11...

– Q-que dia é hoje?

– Quinta-feira filha.

– Mas... Ontem foi segunda... Ou terça... Espera... Mãe, teve o funeral da Aninha domingo e...

– Filha? Tá tudo bem? A Aninha está viva, que nem você! Ela até deixou um panfleto do novo emprego dela... Teve algum pesadelo essa noite?

Mônica ficou chocada e parou um tempo para refletir. Seria tudo um sonho? Mas... Foi tão real...

– Estranho mãe, eu ...

Foi quando ela percebeu: um colar de pedras negras incrustadas em um fio de ouro enfeitava seu pescoço, um Beijo de Ceifadora.


FIM


Notas finais
Sugiro que entrem no google tradutor, coloquem "Kematian" do indonésio para o português para descobrir o significado do morte ID e leiam a primeira linha do capítulo "Fatos estranhos" para entender o porque de Mônica acordar numa sexta-feira.
Esse foi o fim, espero que tenham gostado, não foi nada planejado, na hora que escrevia o capítulo inventava a história e foi isso que desenrolou.
Você chegou ao fim do livro. Parabéns!