Notas iniciais
Agora, quando finalmente é descoberto quem foi morto, o mistério se torna cada vez mais tentador. Quem poderia ter feito isso e porque? Será magia negra? Algum tipo de praga? Uma falha de Dona Morte ou uma peça pregada cruelmente pelo destino? É o que veremos.

10:02 a.m – Funeral – Domingo

Os que não choravam não eram os sem-coração, eram os fortes. E, nesse caso, não havia ninguém forte no funeral.

– A-Aninha, a minha Aninha, mas... Por que? E-eu devia ter protegido ela, devia ter feito alguma coisa... E-eu sou uma inútil – Disse Titi, se derramando em lágrimas e soluços.

– Não foi culpa sua gats. – Disse Denise se apoiando no ombro de Titi

– É Titi, logo passa, vai descobrir quem fez isso com ela e você vai voltar a sair com a gente, tá bom lindo? – Disse Carmem

O corpo de Aninha permanecia frio, imóvel, cor de vinho mas mesmo assim não tanto quanto antes, o formol disfarça aquilo que pode fazer piorar ainda mais a dor de perder alguém. Flores docemente colocadas em volta do cadáver mascaravam o cheiro de morte, eram lindas flores brancas, significando então que ela teria finalmente, paz.

Será mesmo?

11:23 a.m – Funeral – Domingo

Todos se ajeitaram em volta do caixão de madeira avermelhada, talvez de freixo ou carvalho. Era a hora mais triste, o enterro.

– O que tens a dizer sobre mim, eu não diria sobre ninguém. Agiria, como ajo, calada, sorrateira, e o meu intento teria um efeito necessário para lembrar-vos (a ti, e aos outros)
que vós sois perecíveis, como o ferro, imantado. – Disse o padre com olhar fixo em um livro amarelo como se tivessem derramado café em suas páginas. – Hoje perdemos alguém, um ente querido e amanhã poderemos nós mesmos ser vitimas da vida.

E o pior era que a turma não sabia que o velho padre tinha toda razão.

14:41 – Cemitério – Domingo

O espectro de Ana estava sentado em seu túmulo, de pés descalços e cabelos desgrenhados usava vestes brancas que escondiam um pouco dos vasos sanguíneos que estavam sobressaltados em seu corpo transparente.

– É tão triste, tão devastador você ver toda a sua família chorando e não poder fazer nada, não poder abraçar cada um deles e falar “eu estou aqui” – Disse Aninha cabisbaixa, quando uma lágrima desceu pelo seu olho fantasmagórico. – Ei, fantasmas choram?

– Até quando morremos ainda ficamos tristes, ainda sentimos a dor, só não podemos mais fazer nada, nosso tempo simplesmente acabou. – Disse Dona Morte. – Aninha, preciso ir agora, eu tenho outra alma pra buscar... Espere... Não pode ser!... E-esse caso é no... B-Bairro do Limoeiro.

03:15 – Museu no Bairro do Limoeiro – Segunda-feira

O corpo estava de bruços quando Dona Morte chegou, havia muito sangue espalhado e mutilações profundas provavelmente feitas por uma lâmina afiada e uma marca de tênis quase inundada pelo sangue repousava no chão de mármore. Novamente, a senhora das almas não sabia quem havia cometido tal feito, apenas sabia á quem o cadáver rechonchudo pertencia.