Mount Cruzto

1 Capítulo 1 - Vaslui


Notas iniciais
Nada a declarar...

— Bom dia alunos do colégio Mount Cruzto, iniciará hoje a abertura de mais um ano letivo, dou graças à entrada de novos professores e a despedida lamentável dos que tiveram que sair, mais tarde será apresentado a vocês os novos compartimentos do colégio e a reforma nos dormitórios, as normas de cada área específica deste colégio serão entregues junto com o material escolar, nenhuma regra deve ser quebrada sem o consentimento do conselheiro das torres, cada torre é formada por cinco turmas sendo que cada uma comporta um numero aproximado a trinta pessoas. Lembrando, áreas restritas não podem ser liberadas a acesso dos alunos sobre nenhuma circunstancia e os alunos devem seguir os horários aplicados a cada torre. Gostaria da colaboração social e participação total nos eventos cometidos no colégio, e por agora, peço que permaneçam no auditório para que possamos fazer a divisão de torres.

Todos os alunos ficaram em completo alvoroço, praticamente não consegui escuta o que o diretor falou antes de sair de cena, pra ser sincero, não consegui escutar nem meu próprio pensamento de tanto escândalo que fizeram, a conversa era excessiva. Achei até engraçado, este era o primeiro colégio interno no qual minha mãe me matriculara, pensei que seria diferente não só os aspectos mais também as pessoas, pelo jeito estava errado. A maioria das conversas eram as mesmas “será que vamos ficar na mesma sala?”, “aí eu quero tanto ficar na sala dele”, “esse ano vai ser diferente não é? Dessa vez a gente vai fazer por onde!” etc. Deve ser ironia do destino, hm, como se eu acreditasse nisso...

Bem de qualquer forma, eu dei tanto trabalho a minha querida mãe para poder sair daquela minha antiga escola nojenta, não que eu particularmente tenha feito algo que causasse minha expulsão, cheio de pessoas burras e ignorantes, não sabem nem dialogar direito, são um bando de retardados que qualquer um consegue julgá-los, vim aqui para ver se pelo menos esta escola pode me ocupar de uma forma mais eficiente. Ainda assim, consigo julgar as pessoas hostil daqui só pelo que vestem, por exemplo... a menina sentada na minha diagonal, cabelos encaracolados, tom amarelado num toque castanho, com um prendedor puxando uma de suas mechas para trás, acredito que não seja para dar um visual diferente, mas porque provavelmente essa parte de seu cabelo não estava do jeito que ela queria, o que pode constatar essa pequena afirmação é o pequeno dobramento enrugado num dos cantos de sua saia parecendo que ela ou o responsável passou a roupa hoje de manhã no desespero pois não deu tempo de passar por dentro da saia e a aba esquerda da argola da blusa dessa menina está virada para cima em vez de ficar deitada sobre seu ombro o que me faz perceber que essa jovem acordou atrasada, não arrumou –se da forma que devia e por estar com a mão próxima ao estômago penso que ela não teve um café da manhã adequado para sustentar uma palestra estudantil.

Sim, sou um observador sem nada para fazer da minha vida escolar, meu hobby é apenas desvendar a vida das pessoas através de pequenos detalhes, mas é algo que já ficou desinteressante, pois é tudo igual. O que aconteceu com essa guria ocorreu com pelo menos 20% das pessoas daqui deste auditório, que chato.

Os coordenadores estavam todos reunidos, havia em torno de cinco pessoas, suas vestimentas eram muito parecidas, uma espécie de bata com desenhos representativos das letras M.C. de Mount Cruzto, típico... Eram brancos com tecidos sobressalentes de cores que de certo diferenciavam um coordenador do outro, ao que me parece, quem fundou esta escola era extremamente católico, pois fazer esses homens usarem roupas que parece que haviam assaltado o armário do Papa. Enfim, um dos coordenadores tomou a dianteira e se dirigiu aos estudantes, ele possuía uma bata branca com tecidos extras alaranjados e antes mesmo de chamar a atenção dos alunos olhou para trás numa região próxima a saída, entrada dos superiores do colégio e acenou discretamente com a cabeça para outro provavelmente coordenador também, mas havia algo estranho, suas vestimentas eram pretas com detalhes de azul e o símbolo de M.C. tinha um pequeno detalhe em baixo do “C” parecido com um desenho que nessa distancia eu não conseguiria ver... Notei que ao olhar para aquele senhor desconhecido e estranho, ele, diante de tantas pessoas percebeu que eu o encarava de cima á baixo e me fitou de tal modo que desejei não ter o visto, não é o que aparenta ser, ele não me encarou de uma forma amigável ou até romântica “graças a Deus”, mas me encarou de uma maneira que é como se quisesse me matar, o típico psicopata que te espera no beco sombrio a meia-noite numa cidadezinha deserta. Não fiquei com medo, só um pouco incomodado, era como se uma voz em minha mente ressoasse o tempo todo “esqueça o que viu”. Desviei o olhar rapidamente e voltei a encarar de novo, mas ele já havia partido, eu sei o que vi, disse a mim mesmo, pensamentos como aquele que tive a cerca de 10 segundos atrás não fazem parte da minha personalidade.

— Certo pessoal, vamos lá, em baixo da cadeira de cada um de vocês tem um cartão pregado nas cores amarelo, laranja, azul, verde e roxo, referente as torres e, eu não sei se vocês perceberam, mais tem haver com a nossa roupa também – disse o coordenador da torre Laranja, começando a se exibir para as pessoas – Enfim, antes de começarmos a separar todos vocês para SEMPRE haha! – ele começou a rir de forma maléfica como se tivesse contado a maior piada de todos os tempos já inventados pelo homem e todos começavam a rir junto a ele, sério mesmo odeio essas pessoas que tentam fazer gracinhas para fazer com que os outros rirem, palhaços, professores ridículos, comediantes, todos... E o pior é que os outros também começam a rir e de uma bobagem como aquela! — Não gente, eu estou brincando, de qualquer forma gostaria de apresentar a vocês os coordenadores das torres.

Depois que ele parou de falar, virou-se e estendeu a mão para um dos quatro senhores que estavam apoiados na parede, um deles com bata branca e tecidos sobressalentes roxas se acomodou e direcionou-se para frente.

— Este é Reloy D’Tostre, coordenador chefe de Gibraltar, torre roxa.

— Prazer em conhecê-los... – Disse Reloy, suas expressões eram simples e serenas, ele não parecia estar nervoso, pelo contrário. Possuía cabelos encaracolados curtos e pretos, seus olhos eram grandes e possuía mais ou menos 1,78 centímetros de altura, não demonstrava ser fraco, seu corpo era bastante robusto, algo nele me chamava à atenção, aqueles olhos opacos... REPITO, não sou gay, é que apenas... Possuía uma cicatriz perto dos olhos, não era grande, digamos que poderíamos considerar até discreto, mas não para mim obviamente.

Outro coordenador já meio apressado andou para frente, esse realmente estava nervoso, sua estrutura corporal era mais ou menos normal... Não demonstrando ser fraco ou frágil que se cair quebra, mas também não aparentava ser forte.

— Este é Deztra Mercotine, coordenador chefe e médico geral de Argos, torre amarela. Qualquer doença que não conhecemos e nossas queridas enfermeiras não conseguem resolver será diagnosticado a ele, não a nada que Dez não consiga fazer.

— Ah... Não diga isso, assim eu vou ficar sem graça – Disse Deztra, colocando as mãos no rosto envergonhado – Prazer em... Hm, conhecer vocês, jovens estudantes...

É eu estava certo, ele não é nem um pouco forte, na verdade ele é literalmente o oposto, diferente aos extremos tanto fisicamente quanto psicologicamente de Reloy que tinha uma pelagem morena e era robusto com seus olhos azuis escuros e opacos, Deztra já era branco com cabelos loiros lisos e curtos, seus olhos eram pretos, mas não eram opacos... Pelo contrário, eram brilhantes como se ele ainda fosse dotado da maior inocência possível.

Uma das gurias que estavam sentadas perto de mim começaram a falar o quanto Deztra era atraente, claro que de uma forma mais vulgar utilizando palavras como “que gostoso” ou até mesmo “pode não ter o corpo de Reloy... mas ainda assim quero pra mim”, “sexy”, etc.. Ficavam tentando ver se ele estava em algum tipo de compromisso sério tentando olhar para suas mãos a procura de uma aliança. “E se ele for casado ou se ele estiver namorando... i daí? Vocês vão dar um sumiço na parceira dele? E se ele não for?! Vocês por acaso acreditam mesmo que podem conseguir alguma coisa com ele?” Era o que eu queria dizer, mas por ser muito mais inteligente e superior a todos esses inúteis daqui a melhor escolha seria guardar essa crítica pergunta retórica para eu mesmo, simplesmente porque o que elas falavam não tinha absolutamente nada haver comigo.

— Atenção pessoal! Eu sei que Deztra é muito bonito, eu sei... Eu sei... Se eu fosse uma mulher, até eu me apaixonaria por ele – disse o coordenador da torre laranja, suas palavras me deram náuseas, que ridículo, enquanto isso todos começavam a rir e ele tentava conseguir a concentração de todos novamente... – Pois bem, silencio... Silencio, obrigado. Continuando apresento-lhes o Coordenador Argemi Detran de Lemnos, torre verde.

O outro coordenador se dirigiu para frente, fez uma reverencia e ficou calado, não demonstrava estar nervoso e muito menos animado com tudo isso, simplesmente estava sem expressão, difícil saber quais eram as intenções desse tal Argemi, possuía olhos negros do tom castanho escuro, pelagem um pouco branca, mas não era um branco pálido que nem Deztra, mas não era moreno que nem Reloy. Seu cabelo era longo e liso, batia na cintura e possuía uma coloração do tom azul escuro quase preto. Estranho, não pensei que fosse permitido professores que haviam pintado o cabelo, esse realmente pode ser um colégio diferente.
— Então, agora apresento o quarto coordenador... Desculpe coordenadora chefa, Melvana Thay Lan de Reims, torre azul... Ela é bastante dura por isso cuidado!
— Ora, ora... Não fique inventando coisas... Sou apenas uma simples mulher — Respondeu Melvana enquanto tirava o chapéu que escondia seu rosto junto com o seu curto cabelo, aquele corte capilar realmente a deixava com um aspecto mais masculino principalmente se fossem vistos de longe, mas mesmo assim ela parecia ser bastante determinada e muito esperta, adoraria ficar numa torre comandada por uma coordenadora que nem ela. Acho que seria um método diferente já que todas as escolas em que estive eram comandadas por homens, talvez uma visão feminina da situação deixasse as coisas um pouquinho mais interessantes e instáveis pelo que posso dizer, já que naturalmente as mulheres por serem mais sensitivas podem acabar admitindo atos movidos por emoções, não que Melvana seja assim... De certo, simples ela não era. Não tinha notado sua presença digamos feminina entre os outros o que me deixa intrigado já que sempre fui um jovem bastante observativo.
Melvana tinha olhos verdes expressivos de uma forma triste, tinha uma pele branca e pequenas sardas que envolviam as bochechas, cabelos castanhos com luses, não havia muito o que comentar, ela apenas acenou com o braço a todos e ficou do lado de Reloy, enquanto isso o coordenador laranja fez uma careta e voltou a falar.
— E para todos, o quinto coordenador, Grey Delporo, coordenador chefe e responsável pelas palestras, torre laranja... Prazer em receber todos vocês — disse enquanto sorria de forma revigorante — Estou feliz por receber novos alunos nessa instituição e espero não ter problemas esse ano, conto com todos vocês. Então, vamos começar com a distribuição das torres, todos peguem os papeis em baixo da carteira, abram-no e olhem a cor de cada torre, após isso se organizem em quatro filas em frente a cada coordenador chefe.
A muvuca começou, puxei o papel que estava armazenado, um pequeno cartãozinho branco, e o abri, estava preenchido com a cor laranja, só para começar a minha desgraça, acho que eu deveria rezar e pedir ao santo dos milagres que pelo menos uma vez me desse à sorte de pegar uma turma decente na qual ninguém fosse extremamente burro, mas só de saber que vou ficar "preso" numa torre na qual Grey Delporo será o responsável já me da náuseas, esperei as pessoas pararem de atropelar umas as outras ao tentar entrar na fila, decidi ser o ultimo para que assim eu não precisa-se me importar com ninguém pisando no meu pé ou me empurrando, e após 10 minutos, todos já estavam enfileirados.
— Muito bem, a partir de agora, todos vocês serão encaminhados para os seus aposentos e ah, só para constar... Uma pessoa que não pertence á tal torre, é proibida de entrar, mesmo que sua vizinha ou sua amiga, ou até mesmo seu amante esteja numa torre diferente da sua estão proibidos de entrar... Tenham uma boa tarde. — Disse Grey chamando sua tropa de alunos para que os guiassem.
Andamos durante 15 minutos, ao sairmos do auditório, caminhamos pelos canteiros dando de cara com um jardim, após ele dava para avistar todas as torres e eram iguais, apenas com o carpete da frente com suas devidas cores. Cada uma mantinha uma distancia de sete á oito metros uma da outra, me intrigou bastante, pra que uma distancia dessas se a única coisa que habita as torres são os próprios alunos basicamente? Era apenas para evitar que eles encontrassem uns aos outros? Ao lado da entrada de cada uma, num canteiro quase que invisível preenchido por arbustos estava uma passagem que dava para outro jardim, mas esse não parecia ter nada de mais a não ser aquelas simples plantas que preenchiam o canteiro...
Ao chegarmos à torre, havia uma placa pequena no canto direito escrito "Welcome to Vaslui (1241)" , gravei o numero na cabeça e entramos, era enorme... Vários e vários corredores que pareciam não ter fim, salas que para a quantidade de alunos, talvez fossem desnecessários, a menos que os dormitórios estejam incluídos nessas salas.
— Bem, antes de tudo, apresento a vocês... Vaslui, é como chamamos a nossa torre, não foi um nome dado por nós, ela já existia antes de me tornar coordenador daqui, e espero que não tenham pensado que o nome da torre era realmente "torre laranja" não é gente, pelo amor de deus, que coisa brega. — "Brega é quem fala brega hoje em dia, babaca" pensei.
— No primeiro e no segundo andar, ficam as salas de aula normais, aquelas tipo, química, física, matemática, biologia, inglês, culinária, espanhol, português, italiano, artes cênicas, visuais, musica. No terceiro é a biblioteca e as salas de computação e no quarto e quinto andar fica os dormitórios onde já foi encaminhado o número de cada um, esta escrita no cantinho do cartão que vocês pegaram.
Olhei no meu e realmente estava lá, numero 19. Fomos enviados para nossos quartos, dentro de cada dormitório havia sete pessoas, mas cada um possuía uma cama com cortinas que evitavam o olhar das pessoas enquanto você dormia e um armário para colocar suas roupas e seus materiais escolares. Após o restante do dia para arrumar suas devidas coisas e por cada um em seu lugar, foram todos dormir para que assim o dia de estudante começasse sem muitos estresses.

Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.