Motsatt

32 Epílogo - Aquele que Vê


Notas iniciais
Certo, com isso termino Motsatt. Sinceramente eu gostaria de agradecer caso alguém leia até aqui, mas qualquer animação que eu poderia ter em postar um último capítulo não vem porque como dito anteriormente, nos capítulos mais recentes da história não tive qualquer apoio por parte dos leitores. Isso simplesmente mata qualquer um. Mas bem, estrelinha pra você se alguém ler isso aqui, e por favor, tenha um pouco de consideração e comente, porque pelo menos no último capítulo eu gostaria de ter uma opinião, uma crítica construtiva ou qualquer coisa.

Epílogo – Aquele que Vê

As marcas ardiam em seu braço.

Os olhos vermelhos seguiam cada movimento das mãos do homem totalmente vestido de negro, a longa lâmina em sua mão sobrepondo mais uma marca entre as anteriores. Ele estava nervoso. Sempre ficava. O corpo de Inq era muito mais musculoso do que era visível entre sua capa e roupas largas, o braço totalmente definido por músculos firmes.

O sangue pingava.

–... Terminei. – disse simplesmente, a voz trêmula.

Inq ergueu o braço, como se o examinando. A pele clara demais para um Talbordai, as cicatrizes ainda vivas sobre ela. Quanto tempo fazia? Dez, vinte, trinta? Trinta e seis anos desde aquele dia. Desde o dia em que vira tudo pela primeira vez, desde que tivera que dizer adeus à tudo afim de ser tudo e o nada.

O pobre mago nunca viu o golpe que recebeu. Simplesmente voou até o outro lado do recinto, atravessando a parede como se ela fosse uma simples tela de papel, não concreto.

– Sim, me parece bom. – constatou. Mais vinte e cinco vezes fora marcado. Já até esquecera de sentir dor. – Mas ainda não me parece o suficiente. Nunca será o suficiente.

Levantou-se, o tronco musculoso nu e totalmente à mostra. A capa lilás lhe servia bem. Quem o levaria à sério a uma primeira vista com aquilo? O álibi perfeito. Apenas precisava que não reconhecessem seu rosto, sua voz. Sua identidade impossível. À quanto tempo deixara de ser ele mesmo?

Trinta e seis anos.

Nunca haveria fim, haveria?

– Não... – murmurou. – Está apenas começando.

Precisava encontrar, não precisava? O túmulo esquecido, o rapaz adormecido. Precisava urgentemente conhecer o outro profeta, mesmo que seu “conhecer” fosse apenas ver o rosto daquele cujo sono duraria mais vinte e um anos, terminando às portas da tragédia.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!