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28 Capítulo 27 - Momento Errado


Notas iniciais
Capítulo para a linda da Maytana, porque ela adora esse casal XD Bom, espero que gostem!

Capítulo 27 – Momento Errado

Estava frio...

Tão frio...

Dolorosamente frio para uma criatura do fogo como ele. Estava no chão de sua cela daquela maldita fortaleza de gelo, com os restos de sua armadura do Esben, tentando não tremer. Não conseguia parar de questionar o que poderia fazer, o que haviam feito com sua esposa. Reencontrá-la naquele lugar maldito após tantos anos pensando que ela estava morta ajudara a apaziguar a dor daquela prisão, porém já fazia algum tempo em que haviam a arrancado da cela em que dividiam. Tanto tempo que perdera a noção.

Não a vira mais desde então. Não sabia o que poderiam ter feito a ela? Se haviam-na levado para outro lugar ou se haviam-na executado. Era agonizante, o que o fazia se questionar também em como poderiam estar seus filhos. Os quatro primeiros...

– Dante! – sentiu um pisão em sua perna e com um xingamento, Dante se pôs sentado, acordando.

– Ao inferno, o que foi Z... – Viu a expressão de Zia, o que o fez se consertar. — ... Piero?

– Estou tentando te acordar há horas, mas o senhor caolho não acordava! – cochichou. Dante olhou para o lado, vendo Heidi ainda adormecida no monte de feno que usavam como cama. – Parece que a qualquer momento iria saltar e esganar Heidi!

Bufou e esfregou o olho enfaixado. Doía como se houvessem arrancado o globo ocular e houvessem cauterizado o ferimento com uma barra de ferro enfiada no buraco formado. Estava se segurando para não soltar guinchos semelhantes aos de Phaeron.

Se levantou sem dizer uma palavra. Sua cabeça pesava e doía também, assim, acabou saindo do celeiro. Cambaleou para dentro da floresta, para algum lugar calmo. Não sabia exatamente porque estava indo para lá, apenas sentia como se devesse fazê-lo.

– Ei! – sentiu Zia pegando-o pelo pulso. Olhou-a brevemente. – O que houve?

Apenas olhou-a brevemente, uma expressão dolorida em sua face. Ela ergueu uma mão, tocando em seu rosto, e Dante fez uma careta.

– Estranho... Sua mão está quente mas a sua cabeça está parecendo um bloco de gelo.

Soltou um resmungo e adentrou ainda mais a floresta, arrastando Zia consigo. Passaram do laguinho que normalmente era onde ficavam e foi direto até as árvores começarem a se tornar menos densas, revelando uma espécie de gramado que dava para uma imensa lagoa de águas cristalinas. A garota piscou. Nunca havia passado do lago, então não sabia da existência daquela outra.

Dante a soltou e se sentou no chão, pressionando seu olho, atraindo sua atenção.

– Dante, sério, o que houve? – questionou preocupada, ajoelhando-se ao seu lado.

– Não sei... Tive um sonho e acordei com o meu olho doendo... – arfou.

– Sonho... Pesadelo?

– Não... – hesitou e seu olho deu uma pontada especialmente dolorosa. Não se aguentou. Simplesmente levou as mãos até as bandagens, rasgando-as, sem paciência para desenfaixar seu rosto. Zia ficou surpresa, já que nunca havia o visto sem aquilo. Assumia que ele apenas possuía algumas cicatrizes e a falta do olho.

Pegou seu rosto delicadamente, fazendo-o virar para si e afastou os cabelos de seu olho direito, então acabou arregalando os olhos. Obviamente fora pega desprevenida diante a esclera azul, a pupila prateada e a íris vermelha, além da cicatriz em forma de cristal. Porém o que realmente a alarmara era o fato de toda a região estar completamente roxa, quase como se Dante houvesse passado horas com apenas a parte direita do rosto em água glacial. Tocou-o de leve, e o rapaz se crispou, parecendo se segurar para não soltar uma enxurrada de palavrões – o que Zia considerou uma grande consideração da parte dele, já que Dante era assumidamente boca suja -. A pele estava gelada e rígida como se houvesse realmente congelado.

– Seu rosto está roxo Dante! – murmurou. – E o que houve com esse olho? Ele é assim?

– É... – gemeu. – Quer dizer, não roxo, mas é assim desde os meus catorze... Argh, ele nunca doeu tanto!

Zia abriu a boca, mas não conseguiu dizer nada. Simplesmente não sabia o que poderia fazer por ele, já que não sabia o que era aquilo exatamente.

– Não acha que é melhor irmos atrás de Godofredo ou algo do tipo...?

– Não. – sacudiu a cabeça. – Estou surpreso já pelo fato de Phaeron não ter nos seguido. Ele apenas falaria mais do que agiria.

A jovem suspirou, antes de acabar por puxá-lo, fazendo-o se deitar sobre seu colo. Dante acatou o ato, porém admitiu ficar surpreso com o mesmo. Deitou-se, abraçando-a e cerrando os olhos, soltando o ar de maneira ritmada numa tentativa de apaziguar a dor.

– Você disse que teve um sonho e que seu olho amanheceu doendo. Acha que foi por isso?

Dante hesitou, recordando-se das imagens precárias. Vira tudo com exatidão, porém de certa forma ainda havia a incerteza. Não havia nada demais ali, porém havia algo errado com aquilo tudo.

– Talvez. – admitiu.

– Com o que você sonhou?

– Acho... Que com o meu pai.

Sentiu o peso do olhar de Zia e soltou um suspiro. Mantinham ainda alguns segredos: Nenhum dos dois falava da própria família, Dante não dissera a ela sobre seu olho, além de não questionar os motivos para ela se vestir de homem e porquê ela matinha seus membros enfaixados, mantendo-os daquele modo mesmo quando ambos haviam descido do telhado quando descobrira que ela era uma garota, indo para qualquer local onde pudessem ter privacidade.

– Seu pai?

– Eu não me recordo dele, mas... – fez uma careta. – Tenho quase certeza de que era ele. Era estranho... Era como se eu fosse ele. Como se estivesse na pele dele, e ele estava preso em algum lugar. Tudo era feito de gelo, e ele estava agoniado com isso, e pensava em minha mãe e.... Em mim e meus irmãos. Esse foi o meu sonho. Não foi nada demais, então não acho que justifique essa dor.

–... Tem certeza?

– Não.

Ficaram durante algum tempo daquele modo, quando mais sentiu do que viu Zia enrijecendo. Levantou-se, virando-se para olhar na direção em que ela olhava, deparando-se com um homem alto, trajando uma capa lilás, seu rosto coberto por faixas marrons.

A dor pareceu se intensificar quase insuportavelmente.

– Mas de onde ele...

O estranho levantou as mãos, e Dante demorou um tempo para perceber que em sua mão esquerda estava o amuleto que deveria estar em seu pescoço. Na sua mão direita havia um colar que nunca havia visto, porém era uma flor semelhante à uma rosa, cujas pétalas eram de um azul vibrante e escuro em dégradé, com diversas gavinhas douradas, quase como veias.

– Ei! – Ouviu Zia exclamando. Aquilo era dela? E quando ele pegara aquelas coisas?!

– Aqui está o quarto! – o estranho exclamou. Sua voz pareceu entrar em seus ouvidos de maneira que não soube descrever, e pareceu que seu rosto passou de uma hora para a outra a pesar uma tonelada. – No conforto e segurança da Terra!

–... Conforto e segurança?! Mas o que você está dizendo?! – talvez se estivesse bem, teria avançado nele, mas simplesmente sua vontade era voltar para o colo de Zia e ignorar o resto do mundo até a dor passar. Porém ainda assim se importava o suficiente para não fazer o que desejava.

– Encontrei com seus irmãos... Rapazes fortes, já estão bem versados na arte de matar, mas você? – questionou num tom zombeteiro. Inq examinou o amuleto de Ringan, os olhos vermelhos refletindo a pedra. – Quanto tempo demorará até se juntar a eles? Esperará o pior acontecer para poder fazê-lo? É visível em seus olhos: Eu vejo, seu irmão vê, você vê. Esperará pelo que não está visível?

– Olhe aqui seu lunático, não estou com o mínimo saco para ter que lidar com alguém falando sobre algo que eu não compreenda! – grunhiu, levantando-se, porém o mundo girou de maneira tão avassaladora que quando percebeu Zia já o segurava enquanto tropeçava, quase caindo novamente. – Só devolva esses cordões...

– Senão o que fará, se mal se põe de pé?

Abriu a boca, pronto para lhe retrucar algo, quando com a mão que segurava seu amuleto o homem lhe apontou. O lago, a grama, tudo sumiu de seus olhos, e se viu numa espécie de gruta a qual havia ali um rio. Dentro da água, viu três faces idênticas à sua. Os três vestindo negro, os três parecendo encará-lo.

– Dante, por favor, você... Pesa... – Zia grunhiu e só então voltou a si. – O que você está fazendo com ele?!

– Ora mocinha... – Os olhos verdes da garota se arregalaram. Como ele percebera que era uma mulher? – O que vejo aqui...? O viço estendendo-se em contraste com o deserto estéril. – Pareceu desapontado. – Tsc, que desperdício. Mas... – Voltou seu olhar para o amuleto em rosa. – Lyb... Como eu imaginaria isso? O caminho de uma fada fora da solidão...!

– Já... – Dante rosnou. – Chega!

Zia teve certeza que até Dante se questionaria depois como fez aquilo: Ele simplesmente ergueu a mão e uma explosão ocorreu no lugar que estava o homem. Antes da claridade desaparecer, a água da lagoa ergueu-se como uma serpente pronta para dar o bote e desceu à toda velocidade.

Porém ele não estava mais lá.

Apenas duas armas e dois amuletos em seu lugar.

Ele não aguentou muito mais que aquilo. Caiu sem que Zia conseguisse segurá-lo, atingindo o chão. Seu olho doía. Doía demais. Doía tanto que queria arrancá-lo apenas para que a dor apaziguasse. Levou sua mão até o local, porém não teve coragem de tocá-lo.

– Ah... – Zia olhou para seu rosto. – O que eu faço?!

Sacudiu a cabeça. Não fazia a mínima ideia. Mordeu os lábios com tanta força que sentiu o gosto de sangue, e tentou se levantar, porém dessa vez a garota que não o deixou se erguer. Já sentia o resto de seu rosto formigando e não sabia se estava prestes à perder a consciência, mas ainda assim estendeu a mão em direção à seu amuleto. Teve a impressão de que ele simplesmente voara até sua mão, porém não teve certeza. Pressionou-o, sentindo-o quente entre seus dedos.

Eu vejo, ele vê.

Quando percebeu, parecia estar escuro, com o crepitar e a luz de uma fogueira. À sua frente estava um rapaz idêntico a si, com cabelos prateados, deitado na grama com um braço sob sua cabeça e o outro passando sobre uma garota pequena que dormia encolhida próxima a ele, fazendo-a parecer ainda menor. Dante ofegava, e como se sentindo-se observado, seu irmão abriu os olhos, antes de virar a cabeça e olhá-lo com penetrantes olhos amarelos. Pareceu surpreso.

... Esben?! – murmurou num tom incrédulo, erguendo-se ligeiramente com cuidado para não acordar a garota. Vendo melhor, Dante percebeu-o ligeiramente translúcido, quase como uma miragem.

– Oh, nossa... – Dante bateu na própria testa e quase imediatamente se arrependeu. – Certo, não sei o que fiz, mas... Argh.

O rapaz olhou-o preocupado, os olhos fixos no rosto de Dante.

–... Você não está aqui, então como...?

– Não sei. Não sei o que está acontecendo, não sei porque estou aqui. Só sei que estou com uma dor infernal e que isso aconteceu depois que aquele lunático apareceu.

– Lunático?

Sacudiu a cabeça, então o outro continuou.

–... Eu estava falando de você hoje... Ou ontem, não sei. Onde você está?

Dante piscou, e a dúvida se instalou por um segundo em sua mente. A voz do homem falou em sua mente: “Esperará o pior acontecer?”. Era mesquinho por não querer sair da vida com que estava acostumado? Era isso talvez que o impedia de realmente se importar com...

Os olhos amarelos de seu irmão se arregalaram. Era como se ele não estivesse mais o vendo, e sim houvesse outra coisa se passando por eles.

– Aos deuses Esben! Onde você está?! – exclamou tão alto que a menina ao seu lado acordou, olhando-o em dúvida. – Diga agora!

– O quê...? – ouviu várias exclamações e sentiu. Foi como se algo extremamente errado estivesse acontecendo no momento em que estava ali, e que deveria voltar a si o mais rápido possível. Um frio terrível começou a passar por seu corpo. – Itália...! – ouviu Zia o chamando, quase como se estivesse dentro da água. – Na costa oeste, em uma cidade chamada Orsola... Eu estou um pouco afastado da cidade, próximo à uma lagoa...

– Dante! – a imagem de seu irmão desapareceu, e quando percebeu, estava de volta. E que tudo estava errado. Estava quase tão frio como se nevasse, e sentia algo puxando-o furiosamente. Arregalou os olhos, as visões se chocando e viu braços d’água o puxando. – Me soltem seus...

Ouviu um grito de dor, e com um grunhido, Dante puxou sua perna de forma furiosa. A água moveu-se como se ele puxasse uma corda e com ela veio um homem. Seu tronco era musculoso, e usava um capacete e couraça feitos do que parecia ser escamas, enquanto da cintura para baixo, seu corpo era de peixe, quase como uma enguia. Ele ofegou e tanto ele quanto Dante se encararam por um segundo, antes que o Galrdai tivesse uma reação e incendiasse o Bergal. Ele gritou e com movimentos extremamente semelhantes aos de um peixe fora d’água, ele se jogou na lagoa.

Levantou-se aos tropeços, vendo dois homens tentando segurar Zia. Suas peles e cabelos eram tão brancos quanto a neve e traziam orelhas afiladas, além de armaduras feitas de gelo. Preparou-se para ataca-los, porém a garota se incendiou, fazendo com que ambos a soltassem. Ela pulou do chão e agarrou a um pelos cabelos, e ele começou a se debater furiosamente, os gritos de agonia soando agudos pelas queimaduras.

O outro preparou-se para ataca-la, mas Dante atacou-o quase instintivamente. A água se moveu e o empalou, mantendo-se ainda líquida. Seus olhos se arregalaram minimamente antes de ser puxado para a água quase como se fosse pescado. O que Zia segurava caiu morto e ela ofegava. Dante se aproximou, pronto para perguntar se estava tudo bem, porém ela deu um tapa em seu rosto.

– Nunca mais faça isso! – gritou ofegante. – Entrar num transe e alguma coisa ruim acontecer! É a segunda vez!

– Não é como se fosse algo que eu controlasse! – exclamou, e olhou novamente para o lado, vendo então as armas. Foi até elas, vendo uma espada fina e elegante, ligeiramente curva. Parecia ser feita de safira, o azul profundo e brilhante com as mesmas gavinhas douradas do amuleto. Aliás, jurava ver as rosas e espinhos entremeadas formando o punho e bainha da arma, que estava presa à uma corrente de ouro entremeada como se fossem plantas. Percebeu o colar de Zia ainda ao lado. – De onde ele tirou essas armas?

– Como se eu soubesse!

– Bem, mas acho que essa é sua. – ela olhou-o com uma sobrancelha erguida. – Está com seu cordão, e mais... Não acho que uma espada dessas seria para mim. Sinto muito, mas é feminina.

– Não é como eu não gostasse de ser uma mulher. – bufou, e pegou a arma da mão de Dante. – Mas o que eu faria com isso?! Não sei exatamente usar uma espada!

Dante pegava a outra arma. Ela era vermelho sangue e dourada, uma espada não muito mais comprida que a de Zia, porém mais larga, quase semelhante à uma cimitarra. Seu punho formava uma asa, e na lâmina havia o desenho de uma fênix dourada gravada nela. Ao contrário da de Zia, a bainha estava jogada no chão, e parecia ser uma capa de um metal que jamais havia visto: Ele era translúcido, de certa forma lembrando a membrana de uma água viva, porém era negro como fumaça.

Ia dizer que pelo menos aquele homem deixara alguma coisa com que poderiam se defender um pouco melhor, porém ouviu algo. Pareciam gritos agudos de desespero, distantes dali. Se encararam por quase um minuto, até perceberem o que era.

– O celeiro!

Dante sentiu o rosto pulsar e então apaziguar. Saíram em disparada pela floresta, o coração agitado. Estava com um péssimo pressentimento, como se devesse ter sido mais cuidadoso, como se quando chegasse, simplesmente encontraria uma pilha de madeira e corpos carbonizados. Mas se era um ataque Bergal, por que...

Quando chegaram ao celeiro, permitiu-se parar um mísero momento. O celeiro pegava fogo. As chamas seguiam vivas, indo em direção ao céu em labaredas esverdeadas e zombeteiras. Os meninos saíam numa bagunça, correndo, gritando, chorando. Correu até eles.

– O que aconteceu?! – Zia gritou com o primeiro que viu.

– Não sei... Não sei... A fumaça, foi o que me acordou, eu... – Zetico começou a chorar. Dante olhou para ele, e então para todos os garotos ali. Piscou, e observou-os novamente. Os rostos masculinos. Todos se mantinham em pé sozinhos. E não carregavam nada.

– Onde está Heidi?!

O menino ergueu a cabeça, os olhos dobrando de tamanho. Todos parecendo se entreolhar, procurando a pequena nas costas e braços de cada um. Dante balançou a cabeça, sem acreditar no que via, e correu em direção à construção em chamas, entrando no calor escaldante que o recebeu num abraço, os gritos dos garotos atrás de si.

Tudo queimava com vontade. Olhou envolta, nas sacas em chamas, nas pilhas, nos montes de feno... Olhou para o monte em que ele e a menina aleijada usavam como cama, e viu-a lá, tossindo e chorando. Ela ergueu o rostinho aterrorizado e ergueu as mãozinhas.

– Dante!

Nesse exato momento uma viga caiu.

– Heidi! – Fora exatamente sobre o monte de feno. Exatamente sobre ela. Correu até lá, porém se aproximando, notou que as chamas verdes mudavam de cor. Em três cores, na verdade: brancas, prateadas e douradas. Viu que um pouco mais atrás havia outro alguém idêntico a si, os cabelos praticamente negros ligeiramente compridos, passando-lhe do queixo. Acabou soltando um suspiro aliviado ao perceber Heidi em seu braço, os olhos infantis arregalados.

– Essa foi por pouco! – exclamou, e alguém bateu em seu ombro. Outro idêntico, a única diferença entre eles era que seu cabelo era mais curto.

– Tire-a daqui idiota! Ela vai sufocar com a fumaça!

Alguém agarrou Dante pelo braço, fazendo com que ele saltasse, pronto para atacar quem quer que fosse, porém viu que era o irmão de antes, o de olhos amarelos.

– Você está bem? – gritou por cima do rugido do fogo.

– Melhor agora. – respondeu aliviado. – Entrei por causa da...

Alguém agarrou-o pelo pescoço, empurrando-o como um touro furioso antes que Nero fizesse qualquer coisa. Viu à sua frente um Talbordai cujos cabelos eram massa de cabelos cacheados verdes. Ambos caíram por cima de uma viga caída, e o homem levantou num salto. Dante pegou a espada que havia recebido, e quando este tentou ataca-lo, pegou-o pela mão e a arrancou fora.

O homem começou a gritar, porém o toco sangrento de sua mão brilhou, como se estivesse sendo coberto por uma camada de metal líquido. Ele começou a se desesperar enquanto o brilho subia, porém mal teve tempo de se mover antes de se tornar uma estátua de metal, completamente imóvel.

– Vamos sair daqui! Há mais deles e esse lugar está desabando! – algum de seus irmãos gritou. Teve de acatar o pedido e correu atrás deles, saindo para a noite. Saltaram em disparada pela madeira em chamas que ruía, e além dos Talbordais que os seguiam, haviam Bergais do lado de fora. Os meninos haviam fugido para algum lugar e estavam ali apenas Zia, Heidi e o ruivo que a havia resgatado.

– Mas que inferno, eles vieram em massa!

Heidi estava chorando e ainda tossia, agarrada em Winter, que não conseguia sacar seu arco enquanto estivesse a carregando, assim tinha de relegar a seus ataques ao uso dos elementos. Zia estava com a espada de antes em mãos, e aparentemente estavam receosos em ataca-la.

– Um instante! – Winter pôs a criança no chão, pegando Sanadora. A flecha passou zunindo por Dante e este sentiu tanto o frio quanto a explosão atrás de si, porém continuou correndo em direção a eles. Nero ergueu uma mão e com uma explosão, os Bergais que pareciam prontos para saltarem sobre Heidi saíram voando.

Zia cravou sua lâmina no primeiro que ousou ataca-la. A pele dele pareceu ser coberta por diversos desenhos douradas enquanto se partia e ele gritou, até que ele secou, caindo como um cadáver seco aos seus pés. Entendeu porque hesitavam em ataca-la.

Preparou-se para ataca-los também, porém simplesmente escutou o que lhe pareceu ser como se fossem ondas furiosas quebrando as árvores. Com o coração aos saltos, olhou para o lado, porém como se fosse um tentáculo do Kraken, a água pareceu saltar da floresta, e para o desespero de Dante, rodeou Zia, agarrando-a. Ela arregalou os olhos.

– Zia! – Dante só teve tempo de agarrar a mão que ela lhe estendera por puro reflexo, antes que ambos fossem arrastados numa velocidade aterradora. Agarrou-lhe os braços e a sentiu apertando os seus com tanta força que pensou que eles fossem quebrar, mas rangeu os dentes e a segurou com toda sua força enquanto ia se batendo pelas árvores e o chão, até que com um golpe furioso, simplesmente caiu na água da lagoa.

Os braços de Zia fugiram dos seus, e para seu desespero procurou no nada até emergir em outro lugar.