Mortos não-vivos

5 Em um lugar sombrio, não consigo ver meus amigos.


Em um lugar sombrio, não consigo ver meus amigos.

Em um lugar sombrio, não consigo ver meus amigos.

Luke

Não conseguíamos acreditar, mas estava acontecendo. Aquele aluno era um zumbi e não podíamos fazer nada pra mudar isso por enquanto. Matt se afastou do morto-vivo enquanto os outros avistavam uma menina esbaforida, acompanhada de uma enfermeira da escola, correndo como uma lebre em sua direção:

– AAAAAAAAAAHHHHH seu MALDITOOO! – ela apoiou-se sobre o pé direito enquanto levantava o esquerdo, metendo um soco bem cheio no queixo do valentão, que o fez levantar um 10 cm do chão e quase cair em cima de Jude. Foi o golpe mais incrível que eu já vi alguém dar nele.

– Urrg sua locaa, tá querendo morrer é?! Ele respondeu alto, mas deu pra notar que a dor o tinha deixado tonto.

– Quem vai morrer aqui é você, vai se arrepender com o que fez com a Rinata, filho da puta!! – ela parecia estar falando muito sério.

–Hãaa o que aconteceu? Perguntou a Jude com aquela cara de burra que ela fazia muito bem.

– Foi esse babaca! Ele MATOU ela, ele matou! Vou te matar e após você morrer, eu vou até o inferno ferrar com você filho de uma mãe!!- Eu não acreditava no que ouvia, aquilo parecia mais surreal do que o zumbi do lado.Em falar nele ele começou a rastejar atrás da gente, quando ela se virou nem mudou a expressão. A raiva era maior.

–Cuidado, parece ser contagioso! – Disse a enfermeira!

– O quê?!!- gritou Melissa, ah ela era tão linda, até desesperada...

–Se ele foi mordido por uma aluna, como me disse, caso ele morda alguém essa pessoa também ficará assim!- Continuou. Fomos afastando cada vez mais do monstro, menos aquela menina, ela ainda tava lá parada.

– E se essa praga se espalhar?! – Eu perguntei.

–Aí estamos perdidos. – Respondeu.

–E desde quando a senhora ficou experiente em mortos dona?!

–Desde que vi meus alunos sendo comidos por eles. Isso parece com uma doença, vai se ploriferar e matar muita gente. Tomara que tenha cura. Vamos vocês precisam sair daqui! Eu aviso os diretores, vão!

– Vem logo! Agarrei o braço daquela maluca de cabelo escroto.

– Não preciso da sua ajuda, vai embora!!!

– Se você virar um desses bichos vai dar mais trabalho. Precisa me esclarecer esse negócio do Matt, se quiser se vingar dele vai ter que vir com a gente!- Conforme o zumbi vinha atrás de nós ela resolveu sair dali. Corremos pra fora da quadra e quando estávamos no meio do caminho, ouvimos um grito, a enfermeira já tinha sido mordida.

–Vamos voltar, temos que ajudá-la! Disse a menina estranha.

–Quer se juntar ao clubinho de olhos brancos também?

–Mas ela tentou ajudar a gente!

– E o esforço dela não foi em vão. Precisamos ir até a diretoria avisar sobre isso antes que essa coisa se espalhe por toda a escola, aí sim vai ser pior.

–Eu não, eu vou embora, nem morto fico aqui. — Disse o besta do Matt.

–Não, não! Você não vai embora até dar satisfação sobre o que a doidinha aqui falou! – Enquanto eu falava isso, Mel ligava pra polícia:

–Não adianta, não sei o que houve com meu celular, ele não ta funcionando.

–O meu também não! – Disse Jude. O de ninguém estava. Pra falar a verdade, nada eletrônico estava funcionando, nem celular, nem tablets, nem players de música. Com toda essa confusão não tinhamos reparado, mas as coisas não estavam pegando desde a terceira aula, lembro-me que as luzes e ar-condicionados não ligavam também.

Entramos dentro do prédio da escola e aquela garota começou a dar piti de novo:

–Isso tudo é sua culpa, foi você que fez aquilo com a Rinata no recreio. Ela saiu na terceira aula e não voltou mais, quando fui ver, ela já estava naquele estado!!

–Claro que não sua sem noção!! Eu passei a 3° aula inteira na sala e depois que parei de conversar com você no recreio fui atrás desse rolabosta aqui lá na quadra! Acha mesmo que eu ia saber deixar alguém daquele jeito, e outra, porque motivo eu faria isso?!

–Ele ta falando a verdade- Disse Jude- eu tava com ele o tempo todo.

–Então quem fez aquilo?

– É melhor irmos lá primeiro, talvez a gente descubra o que causou isso tudo.- Eu disse. Mas de nada adiantou, quando chegamos ao banheiro feminino não tinha mais nada lá, só sangue por toda a parte.

–Ela sumiu!

–Mas é claro vocês deixaram a porta aberta, suas antas!! – Mel respondeu com cara de mandona. *--------* Fofa do mesmo jeito.

–Cala a boca sua sonsa! Nós não sabíamos que ela poderia sair andando por aí, nem que isso era contagioso!

–PERA AÊ, se ela saiu por aí rastejando, então isso significa que...

–PUTA QUE PARIU!! – Gritou Matheus. É ele tinha razão, Rinata saiu pela escola mordendo todo mundo.

–Droga!! Precisamos fazer alguma coisa, numa hora dessas ela já deve ter mordido um monte de aluno por aí, sem contar que esses alunos morderiam outros alunos, que morderiam outros alunos... Precisamos de coisas pra nos defender.

–Mas o quê? Não tem nada nessa merda de escola, a não ser que... a gente vá na cozinha e pegue algumas facas.

–Até que enfim uma ideia inteligente, hein Jude!

–Fica na tua, Matt.

Chegamos na cozinha e amarramos as facas na ponta de vassouras e rodos, esquentamos talheres e moldamos para ficarem pontiagudos. Katerina (ela acabou amansando e dizendo seu nome) ficou com um machado que tinha na dispensa da cozinha (ali também ficavam utensílios utilizados na limpeza da escola, o machado serviu pra cortar as árvores no dia anterior), Melissa ficou com um cabo de vassoura com duas colheres (agora tinham virado facas afiadas) em cada uma das pontas, Jude ficou com a tesoura de aparar arbustos, Matt disse que usaria as próprias mãos (ele praticava artes marciais e jiu-jtsu desde a 5° série), e eu usei um facão de cortar carne.

–Vocês estão mesmo dispostos a atacar essas pessoas?!- Perguntou Judithe com um tom de repugno.

–Não é “atacar” é legitima defesa- Respondi seriamente.

–Já eu adoraria dar uns soquinhos nesses palermas babões. — O Matt sempre avacalha.

– Sei não, você tava se borrando de medo lá na quadra hihi.-Katerina parecia mais feliz agora.

–Alguém perguntou alguma coisa pra essa monga? Só não te devolvo aquele seu tapinha de moça por que não bato em mulher, ainda mais disforme como você.

–Não foi o que pareceu não kkkkkkk

– Vai defender o besourinho agora Luke?

–Pessoal? Hello... não seria melhor se a gente fosse logo pra diretoria? –Só a Mel pra botar minha cabeça no lugar de novo.

–Vocês vão na frente, eu preciso encontar uma amiga minha...- A menina já tava querendo fugir já, mas isso é normal, ninguém aguenta ficar perto do Matheus Aleric...

–De jeito nenhum! Se você perambular pela escola ai sozinha, vou ter que acabar usando esse facãozinho aqui na sua cara de zumbi...

– Eu não me importo! A Annie tá precisando de mim e eu não vou deixar acontecer com ela a mesma coisa que aconteceu com a Rinata- Eta menina chata e insistente, acho que vou ter que acabar deixando ela se matar por ai.

–A Annie, precisando de você haha! Eu garanto é que são os zumbis que correm daquela mamute, ela esmaga eles só com um pé. – Todos rimos nessa hora, não foi uma risada sobre falar mal da Anneth e sim mais uma risada tipo: fica tranks, ela ta tranquila. Pelo menos pra isso o Matt serve.

AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAOOOOOOOHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

Na hora que o clima tava bom alguma coisa de ruim tinha que acontecer. Começou o massacre! A gritaria, estava por toda a escola agora, os zumbis não eram o único problema, o pavor dos alunos também ajudava muito.

–Gente, eu acho que não vai mais precisar avisar o diretor agora né?- Judithe, aaahh. As observações de tapada dela eram sempre tão relevantes...

CONTINUA