Mortalidade

1 1977 — Hino a uma juventude condenada


Notas iniciais
Hino a uma juventude condenada (Anthem for Doomed Youth) é um poema de Wilfred Owen, escrito durante a Primeira Guerra Mundial. Achei que ia bem com o tema que quero explorar aqui. Espero que gostem e vejo vocês lá embaixo!

É 1977, final do sexto ano, e Lily virou uma silenciosa soldada antes de terminar os estudos.

Ela passa correndo pelos corredores labirínticos de Hogwarts, uma mão sempre na varinha, os olhos vítreos dissecando todos os rostos que entram em seu caminho, procurando o perigo. Alguns alunos voltaram do verão afiados como facas, seus sorrisos largos e cheios de dentes — quando rolam as mangas, a maioria deles têm rolos de gaze nos antebraços pálidos. Lily é um prodígio em Poções e em andar olhando por cima do ombro, tentada a murmurar as orações de sua mãe Irlandesa demais e Católica demais.

As portas da enfermaria se abrem como a boca de uma masmorra. Madame Pomfrey não está lá. Nem precisa. Só há uma menina com catapora, de talvez onze ou doze anos, dormindo e, é claro, James Potter, que abre um sorriso radiante quando a vê chegar. Alecto e Amycus Carrow o acertaram com meia dúzia de azarações.

— Dois contra um é burrice. — Estava com raiva? Preocupada?

James dá de ombros, mas não consegue parar de sorrir. — Valeu a pena. Minha especialidade é ser irritante, não sair na proverbial porrada, vai vendo.

— Você está aqui e eles não. — Lily torce o nariz.

— E eu ia fazer o que? Deixar que eles amaldiçoassem os bebês? A maioria na sua palestra eram nascidos-trouxas que mal chegaram em Hogwarts. Ia ser feio, muito feio. — James se arrasta para o lado, abrindo espaço para que ela se sente na ponta da cama.

— Sirius pegou três meses de detenção quando descobriu.

Ele inclina a cabeça, perguntando silenciosamente se Lily está surpresa com a atitude do amigo. Não está, nem um pouco. Todo mundo sabe que aqueles quatro crescem presas quando alguém se mete com um deles. Nesses últimos tempos, James mais do que qualquer um — porque ele é um desgraçado burro e um caso de martírio crônico que faz do seu impecável status de sangue-puro escudo e espada. Lily cerra os punhos.

— Não é seu trabalho servir de guarda. — sibila. A raiva, entrelaçada em suas costelas, arranha seu peito, sem alvo e sem escape. — A APNT não precisa disso.

— Precisa sim. E eu já parei aqui em estados piores jogando quadribol.

— Trasgo idiota.

— Você se preocupa! Sabia!

A risada de James começa alta e escandalosa, feita para quebrar o silêncio de funerais, mas beija o silêncio antes mesmo de deslanchar. Ele olha acanhado para a menina adormecida. Descendo pelo ralo, a alegria se transforma em algo duro e ardente, preparado para a guerra que ninguém quer admitir. Lily foi a primeira aluna a fazer parte da Ordem da Fênix, seus pedidos a Dumbledore cobertos de aço quando a poetisa-amiga-brilhante Aradhna Rawala foi encontrada morta como um porco em Cardiff, mas James foi o segundo. Ninguém perguntou o que os fez jurar lutar e morrer no próximo ano.

Os corpos de Fleamont e Euphemia Potter ainda estavam quentes quando James os encontrou. Lily saiu do útero marcada para o abate e assumiu a coroa de espinhos.

Notas finais
Só uma introdução bem básica para entrar no ritmo de escrever de novo, mas eu espero que tenham gostado. Eu dou meu primogênito para quem comentar. Abraços, Warden Dresden.
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.