Mortal Game
1 Como Uma Verdadeira "Copas" Deve Ser
Eu corria pelos corredores. Não posso chegar atrasada! Não hoje!
Mas adivinhem só! Para melhorar a minha situação, ainda esbarrei em Scott, que é apenas a pessoa mais detestável que eu conheço.
—Com pressa, Sammy? – Zombou ele. O fitei com meus olhos castanhos. Já lhe digo quem é a Sammy! A Sammy vai ser a garota que lhe vai acertar um murro no meio daquele focinho!
—Vai irritar outra pessoa! – Falei tentando passar por ele. Mas o idiota não me saía da frente. Eu ia para um lado, estava mesmo cara a cara com ele. Ia para outro, lá estava ele de novo!
—Ainda não respondeste à minha pergunta. – Proferiu ele, sarcasticamente. Revirei os olhos e respondi friamente:
—Sim, estou. Feliz? – Terminei arqueando a minha sobrancelha esquerda, coisa que eu fazia sempre que estava irritada com algo.
—Sim, muito. – Falou saindo da minha frente. «Finalmente!» – Ah, uma coisa! – Ele falou quando eu já estava a uns três metros dele. – Hoje o professor está de mau humor! Má sorte! – «Ah, obrigada por me atrasares!», agradeci-lhe mentalmente.
Agora tinha a certeza que estava ferrada! O professor vai matar-me!
Maldito! Ele ainda me há de pagar! Olhei para trás. Ele já não estava mais lá.
Aquele filho da ****! E pensar que fico do seu lado na maioria das disciplinas!
—*-
Do lado de fora ainda se ouviam as vozes alegres e animadas de rodos os alunos.
Abri a porta e entrei, fazendo o mínimo som possível. Não queria interromper o "Assunots Da Semana, Com A Turma Da Samantha!". Me sentei no meu habitual lugar. Pousei meu cotovelo esquerdo sobre a mesa, e logo apoiei a minha cabeça sobre a mão. E deixei-me ficar ali até à chegada do professor.
Devo dizer que quase adormeci umas três vezes durante a aula.
O que mais me despertou durante aqueles cinquenta minutos mais mal gastos da minha vida foi, sem dúvida, o toque de saída.
Ah, mas depois ainda me lembrei... Próxima aula. Aturar o loiro mais chato do Universo. Duas coisas que não deveriam de estar na mesma frase.
Decidi ficar pela sala. E não fui a única. Tereza e Mariza falavam alegremente num dos cantos, mesmo no fundo da sala.
O tempo até passou rápido. Apesar de serem apenas cinco minutos... Eles costumavam durar mais!
—*-
—Olha se não é a apressada! – Falou Scott sentando-se à minha esquerda. Suspirei e virei o meu olhar para ele.
—O que é que queres? – Perguntei num tom de voz baixo, comparado com o que eu costumo usar com ele. Estava cansada de suas piadinhas e ainda só eram dez e vinte e cinco da manhã.
—Desde quando é que eu preciso de querer algo para falar contigo? – Perguntou no seu tom irônico. Eu juro que estava com vontade de me levantar, erguer a minha mão direita e lhe acertar um par de estalos naquela cara. Mas me conti, inspirei profundamente e tentei manter a minha calma. Hoje eu tenho direito a não ganhar nem um fiozinho de cabelo branco. Me dêem um desconto!
—Hum... Não sei... Talvez desde... SEMPRE?! – Respondi-lhe, com a minha voz carregada de raiva. Nem duvido que meus olhos também tivessem passado de castanho para vermelho, de tanta fúria que eu sentia em minha alma.
—Tem calma, Sammyzinha! – Zombou. okay... Eu não Tolero que me chamem de Sammy, agora, imaginem se acrescentarem um "zinha" ao final dessa alcunha parva. Agora sim, eu precisava de me acalmar! Semicerrei meus olhos e cerrei os punhos. Respirei fundo umas cinco vezes. «Sem encrenca! É o último mês que aturas este palhaço!». Ele esboçou um sorriso vitorioso. Logo voltei a minha cara para a frente, sem paciência.
O professor logo entrou na sala. Em suas mãos, trazia uma caixa. Achei estranho, tendo em conta que, algumas vezes, o homem nem traz os materiais para a aula.
—Alunos, hoje teremos uma aula diferente! – Falou. «Desculpe, não tinha entendido!». – Muitos de vocês estão a precisar de subir as suas médias. – Eu não, de certeza. – E aqui estou eu para vos dar tudo de mão beijada. – Revirei os olhos. Mas quem é que ainda usa essa expressão? – Vocês são parte da nova geração: computadores, celulares, consoles... Então este "teste" será fácil para toda a turma. – Sim, professor. Agora, dê logo isso antes que eu complete cem anos. – Senhorita Stewart, poderia entregar por mim? – A ruiva logo se levantou e pegou numa grande porção do conteúdo da caixa. Pelo menos, o máximo que suas duas mãos conseguiam trazer.
Quando ela pousou o pequeno acessório na minha mesa, eu fiquei paralisada a analisá-lo. Branco, numa textura borrachuda, com um pequeno botão azul. Provavelmente o "power" da pulseira.
—Coloquem-na quando estiverem preparados para entrar no mundo virtual. – Falou o homem. – Ah, lembrando... A equipa que ganhar, terá nota máxima. As que perderem, se preparem para um belo teste que envolve a matéria toda. – Toda a gente começou a cochichar para os lados, planeando a equipa. – Escusam de fazer planos. A pulseire emitirá uma ordem ao vosso cérebro para que não digam os vosso verdadeiros nomes e sim, o nome de vossos personagens. – Toda a turma começou a reclamar.
Voltei a olhar para a pequena circunferência em minha mão.
«Isto vai ser divertido!».
—*-
O resto do dia até correu normalmente, se compararmos a todos os outros anos que eu passei aqui.
Entrei em casa. Fui logo recebida pela minha mãe, que estava toda sorridente. De certeza que o meu pai a convidou para algum jantar e eu vou ficar sozinha. Ótima altura para testar o jogo.
—Filha... – Começou ela. Antes aue pudesse terminar, eu concordei logo.
—Sim, mãe. Tenho quase dezoito anos, sei me cuidar. Podem ir à vontade.
—Obrigada, Sam! – Ao contrário de Summy, Sam era uma alcunha até bem aceita por mim.
—De nada.
—Queres que te deixe o jantar pronto? – Pronto, começaram as complicações.
—Mãe, tem calma. Vocês só vão sair por umas horas. Não por um ano.
—Okay... Sem problemas?
—Sim, mãe. Sem problemas. – Falei terminando a frase com um sorriso reconfortante. Pousei o meu pé sobre o primeiro degrau da escada inteira. A meio do trajeto para o meu quarto, consegui ouvir a porta da frente bater. Já haviam saído.
Entrei no meu quarto e fechei a porta. Deitei-me sobre a cama, numa posição confortável e peguei na minha mochila. De lá tirei a pulseira branca, que vinha aconchegada por minhas canetas no estojo.
Pus a mesma em volta do pulso. Prémi o botão azul e fechei os olhos. Quando os voltei a abrir, uns dez segundos depois, já não estava em meu quarto.
Primeiro avaliei o meu físico. Em estaturas de peso e altura, parecia igual. Mas, meus trajes haviam mudado. Nos pés, trazia um par de All-Star de tonalidade negra, já com um pouco de uso; acompanhadas de um short's e de um croptop branco. Amarrada à cintura, uma camisa de flanela enxadrezada. No pescoço, uma goleira com um pendente. Ao início não percebi o que era mas, ao contornar o objeto, percebi que se tratava de um coração. Provavelmente teria algum significado. Coração provavelmente significa o Coração de Copas. Um detalhe que também não deixei de reparar foi no meu cabelo que agora tinha uma tonalidade azulada, que ia em degrade até às pontas, onde se tornava lilás.
Eu era o símbolo de Copas! Ou melhor, eu sou! Deixei um sorriso aparecer em meu rosto. Por isso é que adoro jogar às cartas!
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