Mors Tua Vita Mea

1 Capítulo 1 - Inccubus


Um casal sai da boate de mãos dadas. Ela, alta, loira, cabelos longos e cacheados, olhos azuis, usando uma túnica cinza com um decote discreto e calça jeans. Seu acompanhante era um pouco mais alto, cabelo preto, curto e repicado e olhos negros. Estava bem vestido, usava uma camisa de manga curta sobre uma de manga cumprida e calça preta.

Fazia frio lá fora, o que não era sentido dentro da boate, devido ao calor humano. A mulher, então, abraçou o homem, numa tentativa de amenizar as conseqüências de ter escolhido algo sexy pra vestir, em vez de algo quente; mas sentiu ainda mais frio, como se pudesse sentir a temperatura do corpo dele, tão fria quanto suas mãos descobertas, através das duas camisas. Achou estranho, mas não pensou sobre isso.

Ela o conheceu a poucas horas, dentro da boate. Nunca tinham se encontrado antes, mas ela tinha a impressão de que o via com certa freqüência, como em fragmentos de um sonho. Sentiu-se atraída por ele desde o momento em que ele lhe pagou um drink. Ela não era o tipo de pessoa que vai pra casa de homens que mal conhece, mas, dessa vez, sem saber o porque, não se opôs à idéia. Eles caminhavam pela calçada, se distanciando da boate, e quanto mais distante, mais solitárias as ruas ficavam.

— Onde você estacionou o seu carro? — disse a mulher, sentindo-se meio sem rumo.

— Eu não estou de carro, moro a algumas quadras daqui.

— Ah, sim. — a mulher respondeu, se tocando de que não havia sequer perguntado onde o homem morava.

Eles continuaram andando, até que o homem parou em frente a uma rua estreita e pouco iluminada, pois algumas lâmpadas já não funcionavam mais. Um prédio de cinco andares podia ser visto no final da rua, com alguns de seus apartamentos ainda com as luzes acesas.

— Bom, chegamos! — disse o homem, puxando a mulher pela mão em direção à rua.

Ela sentiu que havia algo estranho. Sentiu uma vontade súbita de sair correndo. Hesitou por um momento, mas logo cedeu. Parecia não ter controle sobre si mesma. Ainda que sentisse medo, a atração que sentia pelo homem era maior, obrigando-a a acompanhá-lo, mesmo sentido que não devia. Enquanto caminhavam lentamente pelo beco escuro, o homem notou o olhar indeciso no rosto dela.

— Tá tudo bem, você tem medo do escuro? Não se preocupe, eu to aqui com você. — ele disse, calmamente, colocando a mão em seu rosto.

A mulher sentiu-se mais segura, como se aquelas palavras fossem mágicas. Ele continuou a afagar o seu rosto, olhando-a nos olhos, como se tentasse hipnotizá-la. Seus olhos negros inspiravam desejo. Então, esbanjando um sorriso malicioso, ele a beijou. Ela consentiu, mas em algum lugar dentro de si, não queria. Sentia que não deveria estar alí, mas não conseguia lutar contra isso. Seu corpo já não lhe obedecia mais, e o pouco que restava da sua consciência não era o suficiente pra formar pensamentos racionais. Ela só sabia que o queria, e muito; mas não sabia o porque.

O homem, beijando-a vorazmente, a encostou contra a parede. Ela sentia que seu beijo era estranhamente frio. Mas isso era tudo o que ela sentia, sensações. Ele a virou de costas e beijou seu pescoço, levando uma de suas mãos entre as pernas dela, enquanto a outra pressionava as mãos da mulher contra a parede. Ele abriu o zíper da calça jeans. Ela queria gritar, mas não conseguia formar palavras. A única coisa que ela proferia eram gemidos de um êxtase no qual ela não queria estar.

Ele abaixou sua calça, junto com a calcinha, e, impetuosamente, fez com que ela se curvasse em direção à parede. Os olhos dela brilharam, seus gemidos misturaram-se com soluços. Ela podia sentir as lagrimas escorrendo pelo seu rosto, impotente.

O homem parou repentinamente e cravou os olhos, agora escarlates, no fim do beco escuro. A mulher ainda permanecia sob o seu encanto, estática.

— Eu iria embora, se fosse você. Não gosto de gente intrometida. — disse o homem, num tom intimidador, ainda fitando a escuridão.

— O que? Nós finalmente encontramos você. Não vamos ir embora, agora! — respondeu uma voz feminina, um tanto sarcástica, em meio à penumbra.

— Nós? — o homem falou surpreso, pois só sentia uma presença. E então, ele viu um vulto, já a uma pequena distancia, pouco antes de ter sua cabeça impetuosamente batida contra a parede.

— Sim, nós, tolinho. — disse outra voz feminina

— Mas que... — o homem pensou em voz alta, ainda confuso, se recuperando da colisão. Ele olhou pro lado, e pôde ver uma mulher pálida, de cabelos e olhos negros. Olhos, estes, ainda mais ameaçadores que os seus. A mulher tinha a loira estática em seus braços. — Que diabos é você?! Você não pode ser humana.

— Sou e não sou. Me chamo Anna, e eu odeio vocês, Incubus! Não são nada românticos, sabia?! Se aproveitando de suas vítimas em um lugar sujo como esse... As Succubus têm mais classe, não sei o que elas vêem em porcos iguais a vocês.

— E eu me chamo Selenia. Sou eu quem vai cortar a sua cabeça. Ah, não precisa dizer o seu nome. Nós não nos encontraremos novamente, e você não vai ter uma lápide quando estiver morto. Seu nome é desnecessário — disse uma voz, em meio à escuridão.

O demônio olhou pro outro lado e pode ver o semblante da outra mulher ficando cada vez mais nítido, conforme ela caminhava, lentamente, em sua direção. Ela possuía longos cabelos loiros, tinha seu corpo coberto por uma armadura — com exceção do rosto — que, diferente do de Anna, era um tanto dócil e trazia consigo uma espada em suas costas. A espada, de tamanho quase colossal e aparentemente muito pesada, não poderia ser carregada por uma mulher com tanta felicidade. Nem ela, nem aquela armadura.

— Cortar a minha cabeça, você diz? Em breve você não terá mais braços pra empunhar a sua espada! — o Incubus respondeu, e então, asas negras surgiram em suas costas e ele se lançou, tempestuosamente, em direção à Selenia.

Anna assistia tudo, ainda com a vítima do demônio em seus braços. A garota de cabelos dourados continuava a caminhar vagarosamente, enquanto o demônio de olhos vermelhos se aproximava furioso.

—Uff... — Anna soltou um suspiro de desaprovação, pouco antes de assistir a outra garota empunhar sua espada em frações de segundos, e, com um único movimento, decapitar o Incubus, fazendo com o que o sangue jorrasse impetuosamente contra a parede. A cabeça rolou por detrás de seus ombros e o corpo espasmódico continuou a se contorcer no chão por alguns segundos, até que, finalmente, ficou mais estático que o de sua vítima, que começava a voltar a si.

— O que aconteceu? Quem são vocês?! — a mulher de túnica disse, trêmula. O terror se manifestava em seus olhos.

— É melhor que você não saiba. Está tudo bem agora, então vá pra casa e esqueça esse dia. — Anna disse, confiante, olhando em seus olhos. Mesmo sendo uma Dhampir, sua metade vampiresca dava conta do recado. Ela conseguia manipular pensamentos muito bem.

A mulher, então, consentiu com a cabeça e saiu apressada, ainda meio trêmula e confusa.

— Vamos voltar. Precisamos reportar a organização de que eliminamos esse maldito. Ele sabia como ficar fora do radar, mas no final, não era grande coisa... — Anna disse, evidentemente decepcionada, e caminhou em direção à escuridão, acompanhada por Selenia.

Notas finais
Essa fic não segue uma ordem cronológica, o primeiro capítulo é no presente, os que seguem são no passado, e serão assim até alcançar o tempo do primeiro capítulo... :P Essa e outras fics yuri podem ser lidas em: http://yuriness.net/forum
Este é o último capítulo disponível... por enquanto! A história ainda não acabou.