Morning Star

30 Por trás da gentileza


Notas iniciais
Boa noite, gente!!! Anciosos???
Boa leitura

Eu permaneci no quarto de Nessie com ela e Jacob pelos mais de trinta minutos que se seguiram com os Volturi em nosso jardim. Não me movi um centímetro do lado deles até que os visitantes se retiraram. A tranquilidade só veio quando ouvi os primeiros passos dentro de casa, era Emmett entrando, o que deduzi pelo fato dos passos serem firmes e ao mesmo tempo relaxados. Com certeza Rosalie estava junto dele. Logo após ouvi o som mais suave e menos notável, era Alice.

Quando desci as escadas, Edward e Carlisle entravam por último. Jasper e Esme já haviam entrado e eu mal percebi. Jacob e Renesmee estavam logo atrás de mim, de mãos dadas, os dedos entrelaçados.

- Já foram. — Carlisle disse em tom tranquilizador — Em paz, felizmente.

- Nem tanto. — Edward falou em contradição, seu olhar estava quase triste e aquilo me machucou como uma pontada no coração, talvez pior — Eu consegui ler os pensamentos de Chelsea, pude ver quais os planos de Aro.

Naquele momento ele tinha completa atenção, todos estavam olhando para ele fixamente como se não o víssemos há três décadas.

- Ele está chateado desde aquela manhã na clareira, nosso último encontro. A parceria entre ele, Caius e Marcus já não é mais a mesma e todos eles se sentem ameaçados constantemente. O orgulho deles foi ferido e ele pensa que há quem possa desafiá-los após nossa 'vitória' sobre eles. Assim ele pretende mostrar para o mundo, no caso o mundo vampiro, que os Volturi ainda são a Autoridade e que não há ninguém acima deles. E para isso eles pretendem aniquilar todos os rebeldes.

- E nesse caso os rebeldes somos nós. — Rosalie propôs e Edward assentiu dando-lhe razão

- Nós, os Denali... — Esme raciocinou — ... as amazonas, Vladimir, Stefan, os nômades, nossos amigos irlandeses, Amum, Benjamin, Tia e Kebi.

- Todos. — Jasper concretizou o pensamento — Talvez até os lobos.

Jacob o olhava, como se não tivesse pensado nisso e se arrependesse. Ele ponderava sobre algo. Alice também refletia.

- Então ele pretende vir até nós? — Emmett perguntou, ele mantinha os braços cruzados e estava encostado na parede, logo ao lado da amada — E também ir atrás de todos os outros?

- Na verdade não. — Edward prosseguiu — Ele fará uma grande reunião em Volterra, com todos os seus aliados.

- Se é uma reunião para os aliados dele, o que ele espera que os supostos rebeldes vão fazer lá?

- Pois é, ele já enviou vários mensageiros em busca do maior número de vampiros que consigam encontrar. Não somos os únicos que ele deseja destruir, com certeza existem outros, muitos outros. Quando todos estiverem presentes, os aliados e os membros da guarda cercaram Volterra, impedindo a fuga de qualquer um.

- Será uma verdadeira guerra. — mencionei desacreditada, desejando que naquele momento pudesse haver um único lugar no mundo onde eu tivesse certeza de que os Volturi jamais incomodariam nenhum de nós, mas eu sabia que isso era impossível — Tem que haver um jeito de impedir isso.

- Impedir é impossível. — Esme falou, com um olhar vago, quase como se estivesse conversando consigo mesma — Mas talvez possamos atrasar essa ideia de alguma forma. Para que tenhamos alguma chance.

- Não temos muito tempo. — Edward confessou — Se eles já baixaram a guarda a ponto de eu já poder descobrir o plano de Aro, é porque ele provavelmente está bastante adiantado.

- Ainda assim, é possível que consigamos fazer algo. Nem que seja para ter uma melhor chance já que a guerra é iminente, temos de tentar. Se não de que valeu tudo o que passamos? Nós batemos de frente com eles uma vez, podemos fazer isso de novo. — as palavras de Rosalie eram cheias de segurança — Vamos ligar para Eleazar, pedir para que ele e os outros venham aqui. Chamemos Abraham também, afinal ele é um lobisomem. E pelo que nos disse os outros filhos da lua odeiam tanto os Volturi quanto nós.

- Você tem razão. — Carlisle concordou após analisar cuidadosamente cada palavra que a loira pronunciara — Não podemos mais conviver nesse impasse com Aro. Vou ligar para Eleazar e Abraham.

Então era isso, chamaríamos nossos primos e chamaríamos Abraham para que juntos pudéssemos decidir o que fazer. Ao que parecia, a imortalidade não servia apenas para durar eternamente ao lado de quem ama, como também para nunca me deixar esquecer que nada é cem por cento perfeito. Aro tinha um plano e nós éramos os alvos principais. Eu, Renesmee, Alice, Edward... ele nos queria. Por nossos dons, nossas particularidades, peculiaridades. Claro que após tudo ele faria a seleção de quem ia querer 'adotar' em sua família. Eu podia apontar dedos e dar nomes: Kate, Benjamin, Zafrina, Emmett e Jasper talvez, Alice com certeza. Esme, Carlisle e Rosalie ele ficaria feliz ao ver queimando numa pira. Espantei esse pensamento na mesma hora em que o invoquei.

Eu não conseguia parar de pensar neles, no rosto perversamente sábio de Aro, no rosto cruelmente jovial de Caius e na ociosa expressão de Marcus, que não devia ser subestimado em hipótese alguma. Ainda sim ele era parte da tríade como os outros dois, ele também decidia, ele também estaria na guerra, ele também tentaria nos matar se tivesse a oportunidade.

Seria a felicidade possível para nós? Quando teríamos paz? Poderíamos sobreviver a isso, todos nós? A família toda? Talvez sim, talvez não, talvez, talvez, talvez.

Horas depois, no mesmo dia lá estávamos todos reunidos. Nós, os Denali e também Abraham, que antes da reunião começar, conversou bastante com Jacob. Os dois tinham mínimo contato mas se davam bem de uma maneira impressionante.

- Bem, acho que não precisamos de nenhum tipo de formalidade aqui. — Carlisle iniciou, a voz serena como sempre mesmo nas mais diversas e difíceis situações — Todos temos consciência do que está acontecendo e de que não temos tempo.

- Irônico. — Garrett comentou consigo mesmo porém todos pudemos ouvir, ele então compartilhou o pensamento com os demais — Logo nós, vampiros, seres imortais... não termos tempo para uma decisão. Isso é irônico.

- Então estamos mesmo declarando guerra aos Volturi?! — Kate refletiu — Isso é insano, vejam quantos anos de existência eles têm. São invencíveis. Vladimir e Stefan são a prova disso. Por quantas vezes eles já tentaram derrubar o clã de Aro e por quantas vezes saíram perdedores.

- Mas mesmo assim eles não desistem de tentar. — Carlisle rebateu, gentil como sempre — É verdade que todos pensamos que os Volturi são invencíveis mas nada dura pra sempre. Nenhuma dinastia dura pra sempre, nós como imortais sabemos isso melhor do que ninguém. Todos esses séculos mostraram que as nações não são eternas, toda sociedade é mortal, e morrem por diversas razões. E a mais comum é por fazer escolhas erradas em momentos críticos para sua sobrevivência, e isso é suficiente para preparar o epitáfio.

Carlisle sabia falar muito bem, tinha o dom da palavra. Quase como um poeta romântico, se sentia livre falando, dialogando da mesma forma que um artista com seu pincel, passeando alegremente por uma tela, criando seu próprio mundo de fantasia e imaginação. Não importava o perigo, todos se sentiam bem e seguros ao lado dele. Carlisle era o tipo de pessoa que eu, ou qualquer um com o mínimo senso de humanidade seria capaz de magoar. Não havia exemplo melhor.

- Isso vai ser um caos. — Eleazar afirmou após apreciar as palavras do amigo — Centenas de vampiros reunidos em Volterra. Uma guerra. O que Aro espera que vai acontecer? Ele acha que os humanos vão simplesmente se retirar da cidade sem mais nem menos, ou ele pretende revelar o nosso segredo aos humanos?

- Ele vai criar um falso alarme. — Edward explicou, compreendendo a dúvida do primo, então aproveitando para complementar a explicação — Ele e os aliados criaram algum desastre, e dirão que foi um desastre natural e que a cidade deve ser evacuada imediatamente. Os humanos sairão com medo. Os que não saírem, eles matarão.

- Minha nossa. — Carmem exclamou horrorizada — Isso realmente vai se tornar um caos. Nós precisamos de aliados, bem mais do que da última vez. Qualquer um que consigamos encontrar, qualquer um que esteja disposto a lutar. Temos de ser rápidos. Eu conheço alguns amigos na Espanha, faz algum tempo que não os vejo, na verdade faz bastante tempo. Mas posso pedir ajuda á eles. Antes que os Volturi façam isso.

- Uma verdadeira corrida por aliados. — Renesmee falou, por um momento eu tinha me esquecido de que ela estava ali devido a seu silêncio

- Guinevere também nos ajudará com certez. — Carlisle lembrou — Ela, Persephone e Orlando. Eu posso ir atrás deles.

- Sozinho? — Esme protestou — De maneira alguma, eu vou com você.

- Tor, Giselle e a família deles. — Rosalie se manifestou como se tivesse encontrado um objeto que todos procuravam há horas — Eles são numerosos. E moram na Itália.

- Eles devem ter sido os primeiros em quem Aro deve ter pensado. — Edward respondeu pensativo — Mas ainda sim não faz mal ligar para eles, caso não saibam de nada ainda, o que acho impossível. Peça ajuda.

- As amazonas. — Alice murmurou como se tivesse apenas pensado alto — Tanto elas como Huilen e Nahuel.

Jasper subitamente deixou um sorriso aparecer em seu rosto. Naquele momento eu o imaginei com uma lâmpada ascendendo no cérebro devido a um possível pensamento produtivo. Ele e Edward se entreolharam rapidamente e Edward assentiu, porém Alice não percebeu nada. Ninguém percebeu.

- Os irlandeses. — Esme acrescentou — E Alistair. Dessa vez ele não tem como escapar da luta. Vamos atrás de Amum também.

- Acho que não preciso mencionar Vladimir e Stefan. — falei, na verdade apenas para dizer algo — Eles irão por conta própria certamente. Talvez sejam os primeiros a chegarem lá.

- Não estão se esquecendo de ninguém? — o doce sarcasmo na voz grave de Abraham preencheu a sala, apesar do odor eu também havia quase me esquecido dele — Afinal vampiros não são a única espécie que quer ver o castelo dos italianos em chamas, por assim dizer. Os filhos da lua estarão lá, podem ter certeza.

- Como fará para reuni-los? — Jacob perguntou a ele

- Farei o chamado. — respondeu ele singelamente, logo imendando a explicação que já esperávamos — Em tempo de batalha contra vampiros, nós lobisomens fazemos o chamado convocando os outros para a batalha. Não importa que não convivamos juntos, na hora do combate, é a existência de nossa raça que conta.

E então foi decidido assim, nós iniciaríamos nossa busca em uma semana, o tempo necessário para providenciar todas as 'desculpas' para que ninguém suspeitasse de nada. Carlisle diria algo no hospital, eu e os outros trancaríamos a matricula na universidade.

Mais tarde naquele mesmo dia, após a reunião, eu subi as escadas afim de tomar banho porém um som em particular me chamou a atenção do outro lado do corredor. Era Jacob, ele choramingava e dizia algumas palavras em tom tão baixo que mal pude discernir. Ele tinha nas mãos uma foto, bastante surrada, de seu pai abraçado com Rachel.

- Jake, por que está chorando? — perguntei estupidamente ao entrar em seu quarto, ele tentou enxugar as lágrimas porém parou de fazer isso ao ver que não adiantaria

- Eu sinto falta deles. — falou Jacob, e a expressão dolorosa em seu rosto partiu meu coração em milhares de pedaços — E agora com essa bomba prestes a explodir sobre nós, eu não sei se voltarei a ver minha família e minha matilha novamente.

Ele falava sobre seus sentimentos mas enquanto falava, eu me identificava com cada palavra pronunciada. Eu provavelmente jamais veria ninguém de Forks novamente. E principalmente Charlie, eu não sabia se veria meu pai outra vez, mesmo que de longe, sem ele saber.

Jacob não me disse nada, mas eu sabia que ele queria ficar sozinho, então o deixei, mesmo consciente de que logo Nessie daria falta do namorado e subiria para vê-lo, e assim tentaria consolá-lo. Enquanto tomava banho eu pensei no que ele dissera e ainda mais, pensei em Charlie, em Sue, Seth, Leah e todos os outros. Todos que eu deixara para trás e que agora me faziam tanta falta ao lembrar deles. Como uma ferida não cicatrizada que após algum tempo para de doer, porém quando é tocada, traz de volta toda a agonia sentida, com o dobro de intensidade.

Eu decidi, levaria Jacob a Forks. Na reserva para que pudesse ter a chance de ver sua família uma última vez antes do que estava por vir. Eu sabia que não haveria uma forma de manter Renesmee de fora dessa tempestade, e se ela fosse para Volterra, ele com certeza iria.

Edward concordou com minha ideia, porém achou melhor que Nessie não fosse, mesmo sendo bastante madura, ela poderia perder o controle e querer ver Charlie, falar com ele, abraçar ele, coisa que eu também queria mas que as circunstâncias não permitiam.

Sendo assim eu e Jacob partimos logo pela manhã, ele ainda estava bastante sonolento e não demorou mais que dez minutos para cair no sono novamente com a cabeça encostada na janela do carro. Eu tive vontade de ligar o rádio, mesmo que em volume baixo apenas para ter algo que distraísse minha mente enquanto dirigia o carro de Edward em meio aquela estrada coberta de neve e cercada por árvores. Mas não fiz isso, deixei Jacob dormir tranquilamente, tomando apenas para mim a turbulência psicológica.

Ele estava imóvel, como um amigo não muito íntimo que vai a casa de um outro amigo e por algum tempo tem de ficar na sala com os parentes deste amigo enquanto o mesmo está ausente por alguma razão. Jake estava imóvel dormindo como se eu fosse uma estranha que tivesse lhe oferecido carona no meio da estrada.

Quando um cervo cruzou a estrada e eu forcei o freio, ele não acordou porém seu corpo foi jogado para a frente e de imediato soltei o volante para impedir que sua cabeça se chocasse com o parabrisa.

Após esse susto, a viagem seguiu normalmente. Eu gostaria que Alice tivesse vindo, ou Rosalie. Até mesmo Emmett, as piadas e brincadeiras dele cairiam perfeitamente naquela hora. Eu precisava mais que tudo descontrair, todos precisávamos. Mas era impossível.

Chegamos em Forks e eu agradeci aos céus pelos vidros do carro serem de vista apenas para o lado de fora, eu não tinha pensado nisso mas seria um desastre caso fossem janelas normais e alguém me visse ou visse Jacob. Principalmente se esse alguem fosse Charlie.

Tomei o caminho da reserva, optando pela estrada que levava a antiga mansão dos Cullen. Eu cortei o caminho, não aguentaria passar em frente aquela casa sem que meu espírito desmoronasse. Finalmente lá estávamos.

- Jake. — eu sacudi seu ombro — Acorde, chegamos.

Ele esfregou os olhos e piscou algumas vezes até reconhecer o lugar onde nascera, crescera e vivera. Saímos do carro vagarosamente, ele não intencionalmente abusou da força na hora de bater a porta, o que chamou a atenção de algumas pessoas que se encontravam a alguns metros de distância. De todos aqueles rostos eu apenas reconheci o de Sue, tive a intenção de tentar me esconder mas no mesmo instante ela estava com os olhos em mim. Rezei para que Charlie não estivesse por ali e eu e Jacob tivéssemos chegado em meio a alguma festa, algum aniversário ou coisa do tipo.

- Bella. — Sue falou vindo até nós, ela foi a única, todos os outros deram as costas como se fôssemos demônios — Jacob. Vocês estão vivos.

O tom dela não era o de saudade saciada, e sim de surpresa. Como se não acreditasse no que estava vendo. Faltou apenas querer nos tocar para certificar de que não éramos espíritos.

- Sim. — Jake respondeu vagarosamente, não entendendo a dúvida no rosto dela — E qual o motivo da surpresa?

- Bom, todos pensamos que eles tivessem matado todos vocês no Alaska, ou então que tivessem levado vocês também.

- Eles quem, Sue? — o pânico tomou conta de mim, sem exagero eu teria infartado caso fosse humana — Do que está falando?

- Dos frios, aqueles italianos em vestes negras. — ela falou e o chão fugiu de meus pés — Eles estiveram aqui. E destruíram tudo. Atearam fogo em nossas plantações e lutaram contra nossas matilhas.

- O quê? — eu e Jake dissemos juntos e eu prossegui — Os Volturi estiveram aqui? Quando? Onde estão todos?

- A maior parte dos lobos foram... — Sue se interrompeu, reprimindo as lágrimas — ... os que sobreviveram foram levados. Aceitaram ir espontaneamente. Se ofereceram em troca da reserva, para que eles não queimassem e destruíssem mais nada.

- Eles levaram os lobos?! — Jake aparentava ter levado um chute no estômago — Minha nossa, e meu pai está bem? E Rachel?

- Foram levados também. — Sue começou a chorar — Eles quiseram Billy por ele ser um dos membros do conselho e saber praticamente tudo sobre o poder dos lobos, mesmo não tendo herdado o gêne. Levaram meus filhos, levaram Rachel e também Paul, Sam e Emily. Ela não aceitou deixá-lo, se recusou a permitir que Sam fosse sozinho.

- Levaram meu pai e minha irmã!! — naquele momento eu queria que Sue parasse, eu temia que o coração de Jacob não aguentasse, pela expressão em seu rosto eu seria capaz de apostar que ele estava sentindo pontadas no peito

- Por isso eu pensei que vocês também tivessem sido levados ou mortos. — Sue prosseguiu, enquanto chorava — Eles falaram algo sobre reunião e justiça, e que o líder deles tinha grande interesse nos lobos. E pior, Bella, eles levaram Charlie.

Notas finais
Quem quase caiu pra trás no final desse capítulo levanta a mão??!
Pois é galera, parece que os Volturi estão com sangue nos olhos e daqui pra frente, é um capítulo mais ''tira fôlego'' que o outro então se preparem
Beijos