More Than This
9 Capítulo 9
Notas iniciais
Quinn estacionou o carro em uma manobra digna de filmes de Hollywood em frente à casa da morena e suspirou quando viu que faltava um minuto ainda para o horário combinado. Ela podia virar piloto de fuga se não desse certo na faculdade de Artes Cênicas.
Suspirou e saiu do carro percebendo que estava um tantinho ofegante. Se olhou bem, calça jeans (era da sua irmã e estava rasgada no joelho e na coxa), uma blusa dos The Beatles larga e grande (que também era da sua irmã), o cabelo curto estava todo bagunçado e só então percebeu que estava com pantufas do Superman.
Antes mesmo de tocar a campainha a porta se abriu e por ela apareceu uma Rachel Berry com os olhos estreitos. Quinn a olhou de cima a baixo e umedeceu os lábios.
Ela estava tão linda...
E gostosa.
E que lindas pernas...
Rachel usava um vestido vermelho com a saia solta, a sapatilha preta, maquiagem leve e o cabelo solto. O vestido não era muito curto, mas era perfeito para ela.
–Hm... Tão grande para os padrões Rachel Berry... – murmurou Quinn ainda encarando as pernas da morena, as longas pernas da morena. Para alguém incrivelmente baixinho, Rachel tinha pernas incrivelmente longas. – É uma pena... – Rachel revirou os olhos e deu um tapa no braço da loira que fez uma careta e finalmente encarou a baixinha. – AI! Vai ficar roxo, hein... Você gosta de me bater...
A diva se conteve para não bater na loira novamente quando ela se perdeu em sua fala e voltou a encarar suas pernas.
–Eu não vou usar algo curto para ir num jantar da sua família! – exclamou a morena depois parou para analisar a loira. – Deixe-me ver... Deixaram para se arrumar de última hora e perderam a hora conversando...
Quinn emburrou quando viu que a morena encarava suas pantufas de maneira divertida.
–Vamos logo, Rachel – murmurou emburrada.
Rachel não se segurou e riu.
–Tudo bem, Superman – disse sorrindo e ficando na ponta dos pés para dar um beijo na bochecha da loira. – Você fica linda toda vermelhinha.
Quinn mordeu o lábio se controlando, mas ter Rachel tão perto assim, com a respiração dela batendo no seu pescoço... Era tortura total. Mas ela tinha que se controlar. Estava em frente à casa da garota e os pais dela poderiam aparecer a qualquer momento.
–Rach... – a loira soltou um suspiro misturado com o nome da morena. – Temos que ajudar minha irmã desastrada ainda... Então, vamos logo, sim?
–Tudo bem – Rachel sorriu amarelo. Se virou para trás e gritou: — Pai, papai, a Quinn chegou, estou indo e a proposito, eu vou dormir na casa dela!
–No meu quarto também? – perguntou a loira maliciosa. Rachel se virou para ela estreitando os olhos.
–Da sua irmã – disse a judia sorrindo e Quinn bufou.
A menor se abaixou para pegar uma mochila que estava no chão ao lado da porta e Quinn olhou para o céu rogando autocontrole.
Rachel ajeitou a alça da mochila nas costas e encarou Quinn que olhava para cima com os olhos fechados. Ela sorriu achando graça.
–Vamos Superman? – perguntou tirando a loira dos seus pensamentos.
Quinn a encarou bufando constrangida.
–Vamos Lois.
Rachel sorriu e puxou a loira para o carro.
[...]
–Isso é apertado... Eu não consigo respirar! – exclamou Deborah puxando o vestido para os lados tentando de alguma maneira folgar o tecido que parecia querer lhe estrangular. Rachel e Quinn a encaravam da cama (Quinn entre as pernas de Rachel que penteava seu cabelo rebelde). – Eu não quero usar mais isso!
A Fabray morena estava hiper ventilando, mas as duas garotas na cama duvidam que a culpa fosse do pobre vestido. Ela estava nervosa.
–Deborah... – Rachel murmurou levantando os olhos dos cabelos sedosos da loira a sua frente e encarando a melhor amiga. – Não coloque a culpa no vestido. É só um jantar com a sua namorada, controle-se mulher!
–Eu... Não consigo! – respondeu ofegante. Ela se sentou na cadeira da escrivaninha um pouco irritada e ao mesmo tempo bastante assustada. – É O jantar! Só isso!
–Pelo amor de Deus... – resmungou Quinn puxando o pé da irmã e amarrando o cadarço do all star e repetindo esse ato com o outro pé. – Sem preocupações, vai dar tudo certo. A única diferença é que quando Santana estiver aqui depois disso você deverá manter a porta aberta.
Deborah umedeceu os lábios.
–Estou repensando essa ideia de apresenta-la para a mamãe... – resmungou a Fabray morena fazendo as outras duas rirem. – E vocês duas, hein?
–O que tem a gente? – questionou Quinn.
–Definiram isso já? Ou estão só “vendo se dá certo” primeiro? Por que juntar vocês foi osso e eu tenho certeza que vai dar mais que certo e que meus sobrinhos farão monólogos a cada pergunta simples que eu fizer – Deborah sorriu ao ver que causou o efeito desejado. Elas estavam sem palavras e vermelhas.
–Hmmm... – resmungaram em unissonoro fazendo o sorriso da Fabray Júnior aumentar ainda mais.
Ding dong.
A campainha tocou e o relógio marcava 20h00min em ponto.
E a respiração antes controlada de Deborah voltou a falhar miseravelmente.
–Eu te aconselho a atender – disse Quinn sorrindo marota.
No segundo seguinte a garota saía como um furacão do quarto em direção à escada e quase colidira com o chão no mínimo umas quatro vezes. Quinn riu, mal sabendo que dali a um mês ela estaria na mesma situação.
–Acho melhor descemos também – Rachel sussurrou no ouvido da loira a fazendo suspirar e depois gemer baixinho pela morena ter mordido o lóbulo da sua orelha.
–Tudo bem – Quinn se levantou e depois estendeu a mão para a menor que sorriu aceitando a mão que a loira lhe oferecia. – Vamos senhorita?
–Hmm... Cavalheira – disse a morena fazendo a maior fazer uma careta o adjetivo. Rachel riu. – Assim me apaixono mais...
Quinn sorriu boba.
–Essa é a intenção.
[...]
Deborah abriu a porta – depois de tropeçar no porta casacos e no porta guarda-chuvas, claro – e sorriu para a latina do outro lado. Seria necessário dizer que ela estava mais linda do que se lembrava? A Fabray olhou para o sapato da namorada que a deixava mais alta e fez uma careta, Santana sorriu acompanhando o olhar da namorada e depois riu.
–Quer me deixar mais baixinha ainda? – perguntou a Fabray. Santana apontou para o par de all star (que eram de Quinn) que ela usava com o vestido.
–Como quer ficar mais alta se você foge de saltos, baixinha? – perguntou a latina só para provocar mesmo.
Deborah fechou a expressão e analisou a namorada de cima abaixo para umedecer os lábios e soltar um suspiro.
Santana aproveitou para fazer o mesmo.
A latina estava com uma calça jeans escura que abraçava todas as suas curvas, uma polo branca e uma jaqueta preta, os saltos eram vermelhos e os cabelos estavam soltos em ondas.
Deborah queria se livrar daquela roupa logo assim que a viu.
Santana examinou a namorada sorrindo de lado lembrando-se do vestido (apesar dele também lhe lembrar da festa de 15 anos das gêmeas Fabray’s e a dar vontade de socar a cara de uma certa ruiva assanhada). Ele estava um pouco menor, mas não muito curto, e abraçava todas as curvas generosas da baixinha. O vestido era de mangas compridas e por isso a garota não tinha nenhuma blusa por cima (Santana sabia que se o vestido fosse de outro modelo a namorada se sentiria pelada, não que a latina esteja reclamando). Tudo no visual dela berrava a sofisticado e perfeito e o que tirava o look dos padrões normais era o All Star nos pés da morena, o sapato contrariava tudo na roupa dizendo “Não me subestime”.
Para a Lopez, Deborah Fabray estava perfeita. Mas também não conseguia parar de planejar como tirar aquele vestido.
–Jantar de família, jantar de família... – Deborah sussurrou tentando parar de pensar em como despir a namorada e se focar no jantar com sua mãe.
Ouviram passos e se viraram vendo Quinn e Rachel as encarando de um jeito engraçado.
Santana estendeu um buquê de rosas azuis – Deus sabe o quanto difícil fora consegui-las, tivera que brigar com uma velhinha – para a namorada que soltou um sorriso bobo e pegou as flores. Deborah olhou para trás dando passos em direção a porta, saiu e fechou a porta.
–O que...? – começou Santana mais foi interrompida pela boca da namorada.
Não havia explicação melhor que aquela.
Rachel e Quinn se encararam fazendo caretas de nojo.
–Quinnie eu ouvi a campainha e depois a porta se fechar... O que houve? – Judy perguntou da cozinha.
–Sua filha caçula e a namorada dela estão trocando saliva! – respondeu Quinn.
–O que? – sua mãe perguntou chegando na sala com os olhos arregalados.
–Felizmente elas têm consideração por nós e estão fazendo isso lá fora – disse Quinn e depois recebeu outro tapa de Rachel (já era o quarto naquele dia, mas quem estava contando não é mesmo?), a loira fez uma careta, mas não disse mais nada.
–Enfim... – começou Judy sorrindo divertida em direção as duas adolescentes. – Quinn, você pode terminar de preparar a mesa, eu ainda tenho que terminar de me arrumar. E Rachel, você poderia chamar as duas lá fora?
–Claro – Rachel respondeu com um sorriso enquanto Quinn ainda continuava irritada.
A loira mais velha subiu as escadas em direção a seu quarto pare terminar de se aprontar deixando Rachel e Quinn sozinhas.
A judia se virou para a loira – ainda irritada – e sorriu de lado ficando na ponta do pé e dando um selinho na loira.
–Tire esse bico do rosto e vá fazer o que sua mãe pediu – sussurrou Rachel.
Quinn sorriu agarrando a morena pela cintura e a puxando para mais perto.
–Você também – retrucou a loira para logo em seguida plantar um beijo de tirar o folego na morena.
A mais alta (e mais velha também) se afastou sorrindo e indo para a cozinha deixando uma morena ofegante para trás. Rachel sorriu e rumou para a porta da frente a abrindo.
Mas nem sinal das duas pessoas que procurava.
De repente ouviu um gemido abafado e se virou para o lado encontrando o que procurava. Santana pressionava Deborah contra a parede e tinha uma mão apertando a coxa da mais baixa enquanto se beijavam enlouquecidamente.
Rachel revirou os olhos.
–Hey, parem de se comer e vamos entrar – disse a morena baixinha e as outras duas se separaram bruscamente a olhando como se planejassem a matar. – Oh! Nem vem, estou fazendo meu dever! Vamos?
As outras duas bufaram e Deborah abaixou o vestido e arrumou o cabelo para logo em seguida arrumar o de Santana e limpar o batom da boca dela. A latina sorriu e limpou o batom da boca da namorada também.
–Pelo amor... – resmungou Rachel.
–Ah Rae, cala a boca! – exclamou Deborah. – Vamos logo então!
A Fabray empurrou a amiga para dentro da casa e puxou a namorada. Olhou novamente para o buquê de rosas azuis em sua mão e jogou em Rachel que revirou os olhos indo procurar um vaso para colocar as flores.
–E, por favor, parem de tentar “acasalar” sempre que se veem! – disse a Berry.
–Meu Deus, como eu te aguento desde o primário? – perguntou Deborah.
–Faço essa pergunta para você todo dia – comentou Santana sarcasticamente.
–Somos iguais – disse Rachel jogando um beijinho para a Fabray que revirou os olhos e ignorando a latina. – Vão ajudar a Q.!
–Eu sou convidada aqui! – retrucou Santana.
–Nah! – disse Rachel. – Nunca seremos apenas convidadas nessa casa, Lopez. Vá ajudar a Fabray loira, anda.
Santana bufou e rumou para a cozinha.
–Quem chama a mamãe? – perguntou Deborah. Rachel deu de ombros colocando as flores no jarro. – Você!
–Não!
–Eu tenho que ficar com minha namorada.
–Foda-se.
–Por favor, Rae!
–Ta, ta! Eu vou!
–Valeu R...!
–Cala a boca.
–Também te amo.
–Vai se foder!
[...]
Rachel ia bater na porta, mas ela foi aberta e ela parou sua mão no ar. Judy olhou para ela já em seu vestido e com o sapatos e cabelos devidamente arrumados.
–Chegou – Rachel disse simplesmente e a mulher sorriu assentindo.
–Estou ansiosa para conhecer minha nova nora! – exclamou Judy animada, Rachel sorriu já achando que era a hora de esclarecer algumas coisas básicas para a loira mais velha.
–Você já a conhece, Dona Judy – disse Rachel sorrindo gentil. – Conhece muito bem até. Irá se surpreender...
Judy colocou a mão no queixo estudando as opções de possíveis namoradas de sua filha.
–Por favor, não me diga que é a filha do reverendo! – pediu a mais velha.
–Hm... Rose? Não – Rachel riu. – Na verdade a namorada dela provavelmente quer matar ela.
–Não é uma dessas vadiazinhas aproveitadoras, certo? – perguntou novamente a ex-Fabray.
–Hm... Não – disse Rachel, Santana não era tão ruim assim. – Ela é uma pessoa boa, apesar de às vezes ter toda uma fachada de bitch. Mas é gente boa.
–Tem certeza que conheço ela? – perguntou Judy confusa.
–Completamente... Uma dica... Ela frequenta muito essa casa desde a “era sombria” – disse Rachel brincando com o apelido que a amiga havia dado na época que Russel ainda morava naquela casa.
–Hm... Mas ai só sobra você, Brittany e Santana – Rachel sorriu assentindo. – Oh! Mas qual das duas?
–Essa eu não posso responder, mas você já tem uma ideia do que esperar – a judia sorriu para a mais velha que retribuiu o sorriso.
Olhando para Rachel, Judy só conseguia pensar em como adoraria ter aquela baixinha gentil e adorável na família.
[...]
Quinn acertou um tapa certeiro no rosto de Santana com a força controlada. A latina estava surtando mais que tudo enquanto ouviam os passos na escada e a loira tinha que trazê-la a realidade antes que sua mãe pisasse na sala de jantar.
–Se controle mulher! – exclamou Quinn. Santana pôs a mão na bochecha esquerda e assentiu engolindo em seco em seguida. – Melhor agora.
–Sim – concordou a latina parando de ofegar e andar de um lado por outro.
Deborah estava sentada numa cadeira no lado esquerdo da mesa mexendo no celular e de vez em quando encarando sua namorada e sua irmã, só para garantir que elas não se mataram. Mas a atenção da caçula dos Fabray’s estava mesmo voltada é para seu aparelho celular onde seus dedos corriam rápido pelo teclado digitando algum texto.
–Deborah guarde o seu celular – a voz de Judy fez todas que estavam no cômodo petrificarem.
Rachel passou os olhos pelo rosto das três e não sabia qual estava mais pálida ou sem ação. Ela quase deu um tapa na própria testa e gritou com elas.
–Tudo bem – felizmente Deborah voltara a órbita da Terra. A Fabray morena se levantou e colocou o aparelho celular numa mesinha em algum canto da sala e voltou para a mesa central se prostrando ao lado da cadeira que antes estivera sentada.
–Santana Lopez – exclamou Judy sorrindo despertando a latina de seu transe e a fazendo a encarar. – Supomos que você seja minha amada nora, não é mesmo?
–Bem, sim... – respondeu a latina tombando a cabeça para o lado.
–Então vamos à pergunta que está quase me matando aqui... – começou Judy. – Por que não podiam me contar antes sendo que a srt. Lopez passa metade do dia aqui desde os seis anos?
–Não sabíamos se ia dar certo, não queríamos criar expectativas – respondeu Santana encarando Deborah que tinha a expressão séria, o que fez a latina franzir o cenho.
–E agora vocês tem certeza se vai dar certo? – perguntou Rachel.
–Agora eu tenho certeza que a amo, então sim – respondeu Deborah sem mudar a expressão facial. Todas na sala pareciam ter ficado contentes e satisfeitas com a resposta da garota.
–Desde quando? – perguntou Quinn dessa vez. Deborah e Santana se encararam percebendo que uma sessão de perguntas se iniciava.
–Quatro meses – respondeu Santana com um suspiro.
–Bom... – disse Judy sorrindo. – Poderiam ter dito no segundo mês... Mas fico feliz que tenham contado e estejam felizes! Agora vamos comer se não quisermos que a comida esfrie.
As quatro adolescentes sorriram.
Santana e Rachel se aproximaram das cadeiras em lados opostos da mesa, mas ao lado de Deborah e Quinn, respectivamente. Antes que as duas morenas pudessem sentar, as Fabray puxaram a cadeira para elas em um ato de cavalheirismo (e automático, já que estão acostumadas com isso e receberam uma ótima educação). Depois desse ato Judy sorriu orgulhosa sabendo que criou suas filhas muito bem.
A latina e a judia agradeceram as duas garotas “cavalheiras” sorrindo e com um obrigado fraco enquanto as mesmas se acomodaram ao lado delas.
E o jantar foi servido.
Naquele tempo que passaram naquela mesa, houve brincadeiras, perguntas constrangedoras, momentos sérios, de silencio, momentos em que tiveram que repreender Santana ou Quinn e momentos melosos.
Santana nem sabia mais porque estava pirando antes do jantar.
Ah sim...
A mãe da sua namorada era assustadora.
E estava fuzilando a latina.
Boa sorte, Berry.
A latina tinha a ligeira impressão que Rachel Berry precisaria realmente de sorte.
[...]
–PORTA ABERTA! – berrou Judy do corredor assustando as quatro garotas que estavam no quarto de Deborah e as fazendo pular de susto.
(Elas haviam ido para o quarto a com intenção de conversar, mas acabara não dando certo e em algum momento daqueles trinta minutos Rachel foi parar no colo de Quinn na cadeira da escrivaninha e Deborah e Santana acabaram na cama com a Fabray em cima da latina).
Santana ficou pálida e Quinn ofegante. Rachel estava vermelha e Deborah tinha a mão no peito tentando acalmar e regular as batidas de seu coração.
A Berry se levantou do colo de Quinn (que rapidamente se recuperou do susto) ganhando um grunhindo de protesto e um puxão na cintura, a morena riu e se inclinou sobre a cadeira, que a loira estava sentada ainda, plantando um beijo nos lábios rosados.
–Aonde pensa que vai? – perguntou Quinn prendendo o lábio inferior de Rachel entre os dentes.
–Abrir a porta – respondeu a judia como se fosse obvio e se afastando da loira para abrir a bendita porta.
Santana jogou o corpo da sua namorada para o lado a menor tentava conter o riso perante a situação constrangedora e hilária, por fim a latina perguntou:
–E por que diabos você vai abrir a porta?
–Porque eu não quero levar o quinto susto de Judy gritando no corredor – respondeu a diva enquanto abria a porta fazendo as outras garotas rirem. Santana se sentou na cama e Rachel pôs a cabeça no corredor olhando para os lados a procura de algum sinal de vida.
Vazio.
Judy parecia ter evaporado de repente.
Deborah rolou até a borda da cama e Santana pensou por um segundo que ela fosse se espatifar no chão (ela quase teve um ataque cardíaco por causa disso, não queria uma namorada espatifada), mas ao invés disso, no ultimo instante as mãos pequenas da Fabray tocaram o chão e ela ficou de cabeça para baixo sustentada apenas por suas mãos e depois fazendo uma acrobacia digna das Cheerios. A latina suspirou aliviada, às vezes ela se esquecia de que sua namorada já fora atleta (mas desistira por sua incontrolável paixão por besteiras e seu vicio em chocolate, a dieta dos atletas não permitia tudo isso).
–Quem quer ver um filme? – perguntou a Fabray mais nova sorrindo amplamente.
–Não podemos fazer mais nada interessante... – resmungou Quinn e depois deu de ombros. – Então sim.
Deborah revirou os olhos antes de falar:
–O seu “interessante” é trocar saliva com minha melhor amiga.
–Então estamos quites – disse a loira sorrindo sapeca. Deborah bufou e Rachel revirou os olhos percebendo que as irmãs acabaram ficando cara a cara se fuzilando, a judia empurrou a melhor amiga para a cama e a (bem, elas não tinham definido nada ainda, então não sabia como nomear Quinn exatamente)... Hm... Empurrou Quinn de volta a cadeira e as Fabray imediatamente emburraram fazendo a judia e a latina rirem.
–Vocês duas não conseguem parar um segundo, hein? – bronqueou Rachel e as duas mencionadas abaixaram a cabeça culpadas (Mas qual é?! Elas eram irmãs!). – Tudo bem, que filme vocês querem ver?
–Que tal uma maratona de series? – perguntou Deborah animada e quicando no lugar, Quinn apontou para a irmã sorrindo como se dissesse: “Isso!”.
–Amanhã temos aula – lembrou Rachel.
–Meu primeiro período é Espanhol, não me importo em perder – Santana disse dando de ombros, ela era latina, porque se preocuparia com a aula de espanhol? – E a gente faz esse período juntas... E...
–Nosso espanhol é perfeito – Deborah completou o raciocínio da namorada.
Rachel tombou a cabeça para o lado percebendo que as garotas tinham um ponto, ela não tinha argumento para isso. Por fim, ela cedeu.
–Tudo bem – disse a diva prolongando o “tu” de tudo. – O que então?
–Ohh... – Deborah franze o cenho percebendo agora que ser uma fã de tantas series é um grande problema quando se tem que escolher apenas uma. – Não faço ideia.
Todas as quatro garotas olham para a escrivaninha lotada de DVD’s, cadernos e alguns livros e papeis, com um notebook cuidadosamente colocado no meio de tanta bagunça.
Realmente, ia ser difícil escolher.
–OUAT? – perguntou Santana pensando logo no beneficio daquilo, ver JMo em seus jeans apertados.
–Game of Thrones! – discordou Deborah encarando a namorada como se lê-se os pensamentos dela e emburrando. Logo Santana emburrou também se lembrando do que Rachel falara mais cedo sobre sua namorada e aquela serie.
–Hm... Que tal Friends e vocês pararem de se fuzilar? – sugeriu Rachel e as duas mencionadas a fuzilou. A judia balançou a cabeça em negativa rapidamente e engoliu em seco. – Definitivamente, não Friends!
–Supernatural? – perguntou Quinn puxando um box da estante e ganhando a atenção das garotas imediatamente, a loira sorriu internamente. – Hm... Doctor Who? – puxou outro box da estante sorrindo para as três garotas na cama. – Oh yeah, Arrow? – Deborah quicou no lugar animada e Santana a segurou pela cintura a puxando para seu colo impedindo-a de cair, a latina se esqueceu completamente que devia, fingir, claro, estar brava com a pequena Fabray. – PLL? Smallville? Grey’s Anatomy? The Vampire Diaries? Alguma ideia?
Quinn já tinha o DVD que sabia que ganharia em mãos, mas esperava ansiosamente a resposta das três morenas.
–Pretty Little Liars! – respondeu Deborah e Rachel em unissonoro enquanto Santana concordava com a cabeça vigorosamente, elas precisavam se atualizar na série urgentemente (como em outras, mas estavam duas temporadas atrasadas, precisavam equilibrar).
Quinn sorriu caminhando até a TV gigante na parede oposta a cama e colocando o cd no DVD. Rachel se levantou quando Deborah a “convenceu gentilmente” a fazer pipoca, ou seja, a ameaçou e praticamente não a deu escolha se não fazer a merda da pipoca. A diva correu até a cozinha enquanto Quinn revirava o quarto da irmã atrás do controle do DVD.
–Tudo bem, a Rachel se foi... Agora me contem o que fizeram com os jogadores hoje de manhã – exigiu Deborah e Santana sorriu malignamente enquanto Quinn se enfiava de baixo da cama e pegava o controle com o mesmo sorriso brincando nos lábios finos.
–Nada – Deborah estreitou os olhos para a namorada assim que ouviu a resposta da latina e ergueu a sobrancelha. – Ainda.
Deborah gargalhou.
–E por que não? – questionou a Fabray Júnior novamente.
–Porque você estava enfiada num banheiro tentando parecer forte e evitar chorar, mas completamente quebrada – respondeu Quinn saindo lentamente debaixo da cama e batendo a cabeça no móvel no ultimo segundo, a loira gemeu de dor causando risinhos nas duas morenas na cama. – Não conseguiríamos deixar você naquele estado, a humilhação deles pode deixar para depois, inclusive a do “remetente”. Vamos devolver a entrega...
–Foi engano – concluiu Santana beijando a têmpora da namorada delicadamente.
Quinn continuou estirada no chão com a mão na cabeça e com uma expressão de dor, o controle na outra mão, onde estava sendo esmagado pelo aperto de urso que a loira exercia nele. O casal na cama ignorava os gemidos da loira e recomeçavam uma sessão de amassos.
Rachel entrou no quarto com duas bacias de pipoca (uma das bacias não continha exatamente pipoca, já que a diva era vegan, mas eu não sei o nome do bendito grão) e tombou a cabeça perante a cena que se desenrolava diante dela.
A diva bateu os pés, nervosa e furiosa, chamando atenção para si. Quinn gemeu de dor novamente e a baixinha a encarou um pouco preocupada.
–Eu não posso sair por três minutos que vocês já agem como coelhos? – perguntou a diva furiosa, depois a fúria se dissipou quando ela olhou para Quinn e a expressão ficou séria e preocupada. – Q., o que houve? Está bem?
–Quem é a adestrada agora? – resmungou Deborah frustrada e enterrando a cabeça entre os seios da namorada que riu dela, a Fabray morena sorriu sentido a vibração dos risos da latina contra seu rosto.
–Eu ouvi! – disse Rachel entre dentes enquanto se aproximava da loira ainda caída com a mão na testa e que a olhava com a cara de quem tinha acabado de ser atropelado. A diva se abaixou ao lado da loira tirando a mão pálida gentilmente da cabeça e encontrando um pequeno galo com um corte no meio, ela olhou a loira exigindo explicações, mas a Fabray mais velha tinha os olhos fechados. – O que você fez Quinn?! Tem um galo na sua cabeça e ele está sangrando também!
A loira permaneceu de olhos fechados por mais algum tempo e quando as orbes verdes se abriram, a Berry encontrou somente uma carinha de criança machucada e culpada.
–Eu encontrei o controle – balançou o objeto. – Estava debaixo da cama... E quando eu estava saindo eu bati a cabeça e está ardendo muito... – a loira fez bico e uma expressão exagerada de dor, ela se virou para a irmã na cama elevando a voz: — O que raios têm debaixo da sua cama? Estilete?
A outra Fabray riu da irmã e se levantou indo até o banheiro e saindo de lá com uma caixa branca com uma cruz vermelha além de uma expressão confusa.
–Desde quando eu tenho uma caixa de primeiros socorros, Q.? – perguntou Deborah confusa sentando na borda da cama e estendendo a caixa para Rachel.
–Todo banheiro nessa casa tem uma – resmungou a loira lutando contra Rachel para manter a mão na testa e se afastar do algodão com o anticéptico. – Você não sabe da sua porque sempre corre para mim ou para a mamãe quando se machuca, o que ocorre com muita frequência devo acrescentar, apesar de depois dos treze a taxa de machucados de Deborah Fabray ter diminuído radicalmente, mas você nunca precisou preocupar com isso, pois sempre teve alguém para te ajudar... Eu, mamãe, Rachel, Santana, Brittany... – Quinn perdeu a batalha contra a mão de Rachel e o algodão molhado. A morena levou o algodão até o machucado da loira e a mesma se afastou institivamente quando ardeu mais ainda e contorceu o rosto em dor. – Ai Rach! Ta ardendo mais ainda!
–Tem que arder, Fabray – disse Rachel dando um tapa na mão de Quinn que queria subir novamente para a testa e cobrir o machucado. – O machucado pode ser pequeno, mas eu tenho que limpar ou pode infeccionar e te trazer frustrações maiores depois.
–Isso é verdade, Q. – Deborah assentiu colocando as bacias de pipoca no criado-mudo e se enrolando em Santana depois. – Deixa de birra e a Rae vai cuidar de você direitinho.
Quinn bufou, impaciente. Odiava que as pessoas fizessem as coisas para ela ou cuidassem dela, mas não podia afastar Rachel e nem conseguiria, visto que a diva era bastante insistente e visivelmente irritante.
–Tudo bem... Ai! – Quinn começou, mas gemeu de dor novamente quando o algodão voltou a encontrar seu machucado. Dessa vez Rachel soprou gentilmente o machucado enviando arrepios por todo o corpo da loira que sorriu e assentiu bobamente quando a judia perguntou se melhorou.
A judia deixou um beijinho no machucado quando terminou e se levantou levando a loira junto com si e a fazendo se sentar na cama entre ela e a irmã enquanto pegava as pipocas.
A série mal começou e as garotas na cama já estavam babando nas cinco atrizes principais, mas no sexto episodio elas já estavam dormindo.
Na manhã seguinte elas acordariam atrasadas para a escola (mas não o suficiente para perder o segundo período) com Rachel sobre um tapete felpudo, uma Santana sobre um puff e Deborah completamente sobre Quinn na cama causando risos em todas elas.
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