More Than Love At First Sight
1 Pieces (Only)
Notas iniciais
P.O. V Neon
O sol já desapareceu dando lugar as estrelas. Encontrava-me agora nas praias do Leste, havia matado pelo menos três monstros hoje, e no caminho acabei vindo parar nestas praias. Tiro minhas botas e sinto a areia entrar por entre meus dedos, continuo andando, contornando a praia – agora deserta- e pensando na minha vida.
Por vezes, andar sem motivo, principalmente à noite com a brisa fria batendo contra o rosto é bom. A sua mente viaja, permitindo a ti pensar em detalhes, sobre você mesmo, sobre o seu dia, ou sobre coisas consideradas banais.
Sou tirado de meus pensamentos quando vejo uma movimentação na água, mas não como se alguém tivesse nadando, foi como se tivesse algo dentro da água. Vi novamente a mesma movimentação, entretanto, desta vez uma cabeça saiu da água, pegou ar e a pareceu-me que foi brutalmente puxada de volta ao mar.
Não cheguei a pensar duas vezes, joguei minhas botas na areia e tirei o casaco. A movimentação vinha de um espaço do mar que ficava perto de algumas rochas. Para adiantar-me, corri e subi nas rochas dispostas em terra, depois me joguei ao mar.
Vi que havia um monstro e uma garota lutando. Os dois estavam muito machucados, e os movimentos da garota estavam lentos, pelo fato de estar submersa. A garota subiu para pegar um pouco mais de ar, e o monstro foi atrás dela. Eu aproveitei a oportunidade e fui pelas costas do monstro com a espada em mãos, já era algo tão monótono que nem percebi o momento em que fiz tal ação. Nadei até as costas do grande polvo a minha frente, atingindo-o por trás, e levando a espada acima cortando sua enorme cabeça em dois.
O que eu não percebi foi que, o tempo que levei para chegar ao monstro, ele mantinha a garota desconhecida, dentro da água, e ela já estava perdendo a consciência – o que logo aconteceria comigo, já que meus pulmões queimavam, pedindo ar.
O monstro afundava gradativamente ao fundo do mar com um de seus longos tentáculos enroscado fortemente em uma das pernas da garota. Pedi mentalmente aos meus pulmões que agüentassem firme. Nadei até a garota cortando o tentáculo que se prendia a ela e levando-a para cima.
Quando submergi, foi como algo que me impedisse de respirar fosse tirado, como se jogassem água em brasa. A garota, por muito pouco ainda não havia perdido a consciência. Nadei com ela em meus braços até a areia onde a coloquei. Pressionei seus pulmões, e foi o bastante para ela cuspir toda a água ingerida.
-Como é teu nome? –Perguntei a garota
-Riza, e a propósito, obrigada por salvar-me.
-Por nada
Como seria teu nome então? –Riza disse, com um fraco sorriso de canto. Só neste momento parei, e reparei no quanto ela era bonita. Tinha olhos lilases, e cabelos curtos lisos na altura dos ombros. E com o sorriso que Riza ostentava foi impossível não sorrir também.
-Neon.
-Prazer em conhecer-lhe Neon. –Mesmo a noite, foi possível ver que suas bochechas ficaram levemente vermelhas.
***
-Alguns meses depois -
Eu e Riza estávamos sentados encostados em uma arvore com o oceano a nossa frente. Não estávamos na praia em que eu tinha salvado-a. Havíamos viajado um pouco mais para o sul, e agora ela caçava monstros junto a mim.
-Já percebeu como fica a cor do céu quando o sol esta se pondo? –Me virei para vê-la, e ela olhava fixamente o céu. Era como se naquele horizonte a sua frente ela buscasse o Maximo de detalhes possíveis. E a nossa convivência me mostrou o quanto ela era observadora, uma coisa que eu aprendi com ela. Olhei para o mesmo e para mim era como todo pôr-do-sol, só que como estávamos no leste, não era possível ver o sol.
-Não exatamente. -Respondi
-É como se o céu fosse uma tela, seu fundo era azul, mas foi feita gradativamente uma sobreposição de tintas. Pouco a pouco, a cor do céu antes azul claro, pela luminosidade do sol, vai ganhando um tom rosado, e depois arroxeado, como se o sol antes de se pôr, quisesse deixar sua marca e brilhasse ainda mais, fazendo o céu ficar colorido. Mais chegou à hora da noite, e ela vem delicadamente sobrepondo o brilho do sol, dando lugar ao azul marinho e de madrugada o negro.
-E isso tudo é só o por do sol? Permita-me pensar em como seria então o amanhecer. –Fiz uma expressão pensativa, e ela riu. E de certa forma aquele riso foi reconfortante. Acabei por rir também. Olhava para Riza e percebi que de repente ela parou de rir e seu rosto passou a ter uma expressão preocupada.
-Neon corre.
-O que?- Olhei para trás e cerca de cinco cavalos da guarda vinham em nossa direção. Mas o estranho é que, pelo símbolo, eram da guarda do Norte.
-Neon corre depois eu explico.
-Não. Explica-me agora. O que foi? –Os guardas da cavalaria nos alcançaram. Riza bufou e me mandou um olhar fulminante.
-Riza, criança. Venha conosco. Já é hora de parar de fugir. –O comandante daqueles homens tirou o elmo e disse.
-Não. Já disse que não vou voltar. –Ela rebateu, e sinceramente eu não estava entendendo nada
-Estamos pedindo por bem. Seu pai quer que a senhorita volte. Já se passaram anos.
-Voltar para que? Para ele me enfiar em um casamento arranjado? Não obrigado.
-Riza... –O comandante que tinha os mesmos cabelos castanho-avermelhados que Riza, e os mesmos olhos lilases iriam começar a falar, mas foi cortado
-Tio Matthew, o senhor sabe que meu pai só se importa com isso. Ele sempre deu mais atenção ao Rize por que um filho encaixava-se perfeitamente em seus planos, mas quando Rize desapareceu, eu era sua única opção. Ela que eu me case com alguém, de algum reino que o possa trazer benefícios. Meu pai está cego. Por obséquio volte pra lá, diga que novamente não me encontrou, invente uma desculpa, mas não me force voltar pra lá. – O comandante da guarda real, deu um longo suspiro e disse:
-Tudo bem. Você tem razão. Esta precisando de alguma coisa? Comida, roupas, algo?
-Não tio. Obrigado.
-Então cuidado, e boa sorte. Qualquer coisa mande alguém me chamar.
-Sim senhor, obrigada.
-Por nada. –O comandante que descobri ser tio da Riza, e chamar-se Matthew foi embora junto com os outros membros da cavalaria. Eu, provavelmente estaria com uma expressão muito engraçada, pois entendi muito pouco. Mas não perguntaria nada para Riza agora.
A noite já havia caído, e parecia estar mais fria do que o normal fui buscar alguns gravetos para acender uma fogueira. Quando voltei tinha vários gravetos em mãos, o bastante para manter o fogo aceso por tempo suficiente. Riza estava sentada, encostada na mesma árvore de antes, olhando para o céu, entretanto, seu olhar estava perdido, como se seu pensamento estivesse à milhas daqui.
Posicionei alguns dos gravetos encima de um pedaço de papel de pergaminho. Logo, acendi o fogo, e me sentei ao lado de Riza. O silêncio que havia se instalado era um pouco desconfortável.
-Riza. –Chamei-a
-Diga. –Ela continuava a olhar para o céu
-O que aconteceu mais cedo? Você esta fugindo de que?
-Na verdade, “de quem”. E do meu pai. Talvez esteja se perguntando o porquê do meu tio ser o comandante da guarda real do norte. O meu pai é o rei do Norte. Após a derrubada do castelo onde morávamos, e o desaparecimento do meu irmão, meu pai queria casar-me com um príncipe de um dos reinos, mas eu não queria então fugi. Desde então vivo matando monstros e fugindo.
-Entendo. Sinto muito.
-Pelo que?
-Por seu irmão.
-Não era muito próxima a ele. –Ela falava enquanto desenhava algo na areia. Minha curiosidade foi maior e fui ver o que ela desenhava. Era um castelo. Sentei-me novamente e pegando alguns gravetos que tinham sobrado e comecei a construir um castelo. -Me conte a sua história.
-Ela não é muito interessante. – E realmente minha história não tinha nada de interessante.
-Mas eu te contei a minha. Você tem a obrigação de me contar a sua.
-Não tenho não.
-Neon
-Diga
-Você já amou de alguém?
-Não, nunca, por quê?
-Nada só curiosidade. –Mas, ela me pareceu um pouco decepcionada. Fiquei quieto.
Passaram-se alguns minutos e o silencio tinha se instalado enquanto eu terminava de construir o castelo. Estava pensando na pergunta de Riza. Acho que nunca tinha amado alguém. Talvez nem saiba como é amar. E não sei o que sinto por ela. Por vezes quando olho em seus olhos sinto algo tão bom, algo reconfortante. Quando lutamos com monstros fico apreensivo, pois quero protegê-la a todo custo mesmo sabendo que ela sabe cuidar de si mesma. Mas, não sei o que isso significa. Terminei de fazer o castelo.
-Olhe. –Ela virou-se
-Não sabia que era bom em construir coisas.
-Acho que descobri isso agora. –Ela sorriu, e logo depois bocejou o que me fez bocejar também.
Deitamo-nos na areia Longe um do outro, como sempre fazíamos desde que nos conhecemos. Não consegui dormir então me virei para vê-la. Riza estava de costas para mim. Uma brisa fria passou e a vi tremer um pouco.
-Esta com frio? –Perguntei
-Só um pouco. –Tirei o casaco que usava, levantei-me e coloquei sobre ela
-Mas, e você? –Perguntou
-Tudo bem. Eu não estou com frio. –Dei um leve sorriso e voltei para onde estava e apaguei.
***
Acordei e senti que tinha algo encima de mim. Olhei e era meu casaco. Será que Riza já estava acordada? Sentei-me e olhei em volta. Ela simplesmente não estava lá. Por um momento me desesperei. Meu sono não era tão pesado para não acordar caso algo tivesse acontecido.
Olhei mais uma vez em volta e vi que embaixo do castelo que tinha construído ontem havia um papel. Peguei-o e li o que estava escrito surpreendeu-me.
Neon,
Não se preocupe comigo. Estou bem apenas acho que cada um deve seguir seu caminho agora.
Com carinho, Riza
“Ela foi embora” pensei. Mas esse pensamento parecia-me, somente uma coisa: errado. Não porque ela ir embora. Não fazia sentido. Ela havia escrito com um graveto queimado, e a textura do carvão no papel demonstrava que ela havia escrito há mais de uma hora.
Parei e pensei no que sentia por Riza. Já havia pensado nisso antes, mas nunca conseguia decifrar o que era aquele sentimento. Quando ela estava perto de mim era como se os pedaços que eu sou se juntassem e me fizessem inteiro. Percebi que não conseguia me ver sem Riza porque ela o que me mantinha vivo. O seu jeito às vezes brincalhão que me fazia rir, o seu jeito por vezes autoritário, por vezes tímido, e como ela era observadora. Os olhos dela pareciam duas ametistas que ao te olhar conseguiam ver até sua alma, seus mais obscuros segredos. Sabia tão pouco sobre ela, apenas um pedaço de sua história, mas era completamente... Completamente... Apaixonado por ela.
Então é isso que sinto por ela. Eu a amo. Como não percebi isso antes? Desde o dia em que vi aqueles olhos pela primeira vez, na primeira vez em que encarei aquele sorriso, eu me apaixonei. E quando matávamos monstros ficava apreensivo, com medo de perdê-la. Não a perdi para nenhum monstro, não a perderei agora por não ser tão minucioso quanto deveria. Estava determinado a ir atrás dela, e encontrá-la custe o que custar.
Guardei o bilhete que ela tinha escrito em meu bolso, vesti meu casaco e corri o mais rápido que consegui até a vila mais próxima. Fiquei sabendo que as 06h00min da matina uma caravana havia saído dali. Entretanto era uma caravana pequena. Perguntei ao senhor a quem eu tinha pedido informação, para onde a caraná se dirigia, e ele disse que ela iria para o Sul, depois Oeste, depois Norte pela estrada principal. Agradeci ao senhor, e corri como se minha vida dependesse daquilo. E dependia, pois sem Riza eu não teria vida.
***
Quando cheguei ao reino Sul, na vila principal, a caravana já havia passado por ali. A essa altura meus pés doíam e eu estava cansado, mas, não iria parar. Precisava encontrá-la me declarar. Corri mais e mais minhas botas estavam gastas e meus pés cheios de calos, que de tanto correr sem descanso já sangravam. Faltava pouco para chagar ao reino Oeste. E o que eu vi logo a minha frente fez meu coração saltar. Havia uma caravana parada na estrada perto de um rio. Afinal toda a estrada principal era cercada por diferentes matas e florestas. Entrei na floresta e fui chegando silenciosamente perto do rio e a vi. Ela era a que estava mais afastada das pessoas da caravana. Então uma idéia um pouco sem noção passou por minha cabeça e eu a coloquei em pratica.
Dei uma volta maior na mata chegando por trás de onde ela estava. Com cuidado coloquei a minha mão enfrente a sua boca a impedindo de gritar e a peguei trazendo para mata adentro. De repente senti algo bater contra o meu nariz, fazendo-me solta-la e depois algo veio de encontro ao meu rosto com mais força ainda quebrando meu nariz.
-Quem ousa... Neon? Oh meus Deus.
-Também senti sua falta-Falei com sarcasmo, com a mão tampando meu nariz tentando estacar o sangramento.
-O que faz aqui? –Ela perguntou e eu me lembrei do meu propósito.
-Riza eu preciso te dizer algo.
-Estou escutando
-Eu te amo-Ela ficou surpresa e já ia dizer algo mais eu a calei com um olhar. –Eu sei que talvez não tenha demonstrado, mas, eu te amo com todas as minhas forças, e quero você do meu lado, por que eu não vejo uma vida que não seja a que você esta do meu lado. Eu vejo o mundo nos seus olhos e seus olhos em todos os cantos do mundo. Eu me apaixonei completamente por você, e só quando você se foi que eu percebi isso. Volta pra mim? –Não vi quando tínhamos nos aproximado, só sei que estávamos incrivelmente perto, e eu quebrei essa distancia com um beijo. Um beijo ao qual ela retribuiu. Um beijo calmo, cheio de sentimento. E quando separamo-nos por falta de ar, ouvi as palavras que me fizeram ficar com um sorriso capaz de rasgar meu rosto ao meio:
-Eu também te amo.
***
Aproveitamos as ultimas horas da tarde para irmos às praias do Oeste, a alguma vila mais afastada, já que por algum motivo desconhecido era um momento de comemoração no Oeste, e uma vila afastada seria onde conseguiríamos hospedaria mais barata, por que sinceramente com a minha coluna e os meus pés desse jeito o ultimo lugar que eu gostaria de dormir era no chão.
Já era noite quando chegamos a uma vila mais calma e perto do litoral, onde conseguiríamos uma hospedaria mais barata. Entretanto como já era à noite as musicas já ecoavam por toda a vila e no refeitório da hospedaria também. Eu e Riza fomos para a praia onde mesmo assim era possível ouvir a musica que ecoava no vilarejo.
Sentamos-nos na areia e ficamos olhando o mar. O mesmo se fazia agitado, provocando pequenas ondas. Uma musica calma começou a tocar lá na vila e era possível ouvi-la de onde estávamos. Levantei-me.
-Vossa majestade me daria à honra? -Ela corou
-A majestade não sabe dançar.
-Não importa. Eu a ensino. –Ela se levantou e pegou minha mão.
Passou os braços por meus ombros e encostou a cabeça na curva do meu pescoço e começamos a dançar. Dançávamos em um ritmo calmo, só nosso. E em toda a vila musicas calma tocavam permitindo que ficássemos um bom tempo daquele jeito. Parecia que naquele momento o universo finalmente começou a conspirar a meu favor.
***
-Três anos depois-
Já tinha planejado tudo. Estava quase pronto. Já tinha conversado com o dono do restaurante. Tinha juntado algum dinheiro para isso, e ira valer à pena.
O restaurante em que estávamos estava cheio, e eu havia combinado com Riza de ela vir pra cá. Um garçom estava esperando na porta e me avisaria quando ela tiver chegado. Estava atrás do palco onde a banda fazia seu trabalho. Olhava fixamente para a porta esperando o sinal do garçom. Passaram-se cinco minutos e o garçom deu o sinal, a banda também viu e diminuiu o volume da musica que tocava. Riza entrou pareceu-me que me procurava. Levantei o tom de voz e pedi a atenção de todos ali presentes, o que a fez olhar para o palco e me mandar uma pergunta silenciosa: “O que você esta fazendo?”
Respondi sua pergunta com um sorriso e comecei a falar num tom de voz em que todos ali me ouvissem:
-Há três anos, conheci uma garota, eu havia a salvado de um monstro, passamos então a conviver. Até que um dia ela foi embora sem nenhuma explicação, apenas um bilhete então eu percebi que não poderia viver sem ela. Corri atrás dela e me declarei. Então essa musica é para você Riza. –Ela encontrava-se parada, em frente à porta do restaurante, apontei para ela que corou quando todos a olharam. Comecei a cantar:
[...]
Desci do tablado onde me encontrava e fui até Riza e me ajoelhei a seus pés.
-Prometa-me que nunca ira parar uma dança desde que nós já tenhamos começado. Riza aceita se casar comigo? –Seus olhos estavam mareados e ela me fez levantar, se jogou em meus braços com um abraço apertado ao qual eu retribuo. Ela respondeu a minha pergunta:
-É o que eu mais quero.
***
-Três anos depois-
-Neon, você pensou no que eu te disse?
-Pensei, e continuo achando que daria muito bem para continuarmos assim. –Ela suspirou e iria dizer algo, mais fomos interrompidos quando um Orc saiu do meio das arvores e disse:
-Riza, eu fui encarregado de lhe levar de volta ao Norte, ou matá-la caso resista. –Eu e Riza sacamos nossas espadas ao mesmo tempo. Tudo então aconteceu muito rápido.
Eu parti para o ataque de frente ao Orc enquanto Riza o acertava por trás, conseguimos ferir o monstro a nossa frente, mas algo aconteceu e por um deslize o Orc me jogou para longe, se virou e Riza o golpeou, mas no próximo golpe enquanto eu me levantava e iria ajudá-la uma flecha passou ao lado da minha cabeça cortando todo o cabelo que tinha ali. O monstro desviou e o que fez meu coração se partir em mil pedaços aconteceu. Ao desviar do ataque, o monstro atravessou o pulmão de Riza e enquanto eu corria até ela o Orc foi embora.
(Música)
Quando cheguei, ela respirava com dificuldade, e sangue espalhava-se por toda a sua camiseta, ela já tinha perdido muito sangue.
-Neon...
-Shh, não faça esforço. Eu irei te tirar dessa. -Arranquei a camiseta que usava e tentei parar o sangue. Mas, logo a mesma ficou encharcada de sangue e o desespero tomava conta de mim aos poucos. Não podia perdê-la. Aquele Orc miserável não tinha o direito de tirá-la de mim. Senti sua mão por cima da minha e olhei em seus olhos.
-Eu te amo.
-Aguenta firme, eu vou te tirar dessa. Aguenta firme, por favor.
-Você sabe que não tem mais jeito – Ela tossiu, e um pouco de sangue escorreu no canto da sua boca. Lagrimas corriam pelo meu rosto-Eu te amo mais que tudo. Sempre irei te amar
-Eu também sempre irei te amar. Até o mundo acabar. Prometo.
-Me beija, por favor. –E eu a beijei, um beijo molhado e salgado por causa das lagrimas que corriam pelo rosto de nós dois. Quando nos separamos sua mão estava em meu rosto.
-A propósito, o novo corte de cabelo ficou legal. –E após falar isso ela fechou os olhos, o pequeno sorriso adquirido com o comentário, foi diminuindo aos poucos até não existir mais. Foi como se, eu sentisse a vida se esvaindo do seu corpo. E eu chorei, como se as lagrimas pudessem diminuir aquela dor que eu sentia. Era uma dor forte, que machucava intensamente, era na região do coração.
A minha vontade era de poder arrancar o meu coração do peito, mais sabia que a dor não iria diminuir. Pois eu poderia me machucar o quanto quisesse, ela não iria voltar pra mim. E ao pensar nisso a dor só aumentou, e eu chorava como nunca me lembrava de ter chorado na vida. Aquela dor era muito forte, e machucava como nenhuma outra dor, meu coração estava comprimido apertado e logo estaria em pedaços, por que foi assim que Riza o encontrou, em pedaços, e conseguiu reconstruí-lo, deixá-lo inteiro, mas quando ela me deixou, foi como se torturassem meu coração antes de quebrá-lo em pedaços ainda menores e que ninguém conseguiria reconstruir novamente.
A minha mão encontrava-se em seus cabelos extremamente macios e o meu polegar em seu rosto, perto de seus olhos, e aquela dor que me torturava só aumentou, quando eu vi que eles nunca mais abririam para me olhar, que eu nunca mais veria aquele brilho intenso que eles ostentavam. Nunca mais veria aquele sorriso contagiante, que ela carregava onde fosse. O nariz perfeitamente desenhado, os lábios macios e a pele uniformemente branca que se fazia gelada.
A morte de Riza deixou um buraco no meu coração. Um buraco que nunca iria ser preenchido. Eu estava em pedaços e não conseguia parar de chorar, porque chorar amenizava a dor que eu sentia. A grande dor de saber que ela não estaria ao meu lado, e que eu estava novamente sozinho e aos pedaços.
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