Morando Com Um Desconhecido
4 Capítulo 4
Notas iniciais
Pov Damon
Permaneci na sala ouvindo os estalos das chamas na lareira. Segurava um copo com uísque e duas pedras de gelo dentro, o tanto que bebi hoje, era resultado do meu descontrole mais cedo. Jogar Tyler no chão daquela forma, causaria problema aos negócios. No fundo, não estava preocupado com isso, ele estava sendo covarde, e se tem uma coisa que é repugnante é homem covarde.
Ela é doce, delicada e tem uma voz tão serena, que seria impossível eu toca-la usando minha força. Eu queria toca-la, isso era inegável pra mim, desde o momento em que a vi, entrando na minha sala acanhada e com os olhos curiosos, porém surpresos ao me ver. E eu sei, que seus desejos estão saindo pelos seus poros, porque eu quase posso senti-los batendo contra a minha pele.
– Precisa de alguma coisa, Sr Salvatore? — Escutei a voz sonolenta da minha governanta.
– Não, obrigado Jenna. — Respondi virando meu corpo. — Elena já adormeceu? — Guardei as minhas mãos nos bolsos, esperando a resposta.
– Sim Sr. Estava um pouco inquieta, mas adormeceu.
– Tudo bem. Boa noite, Jenna.
Ela fez uma pequena reverência e retirou-se.
Eu não poderia estar com ela, e ultrapassar meus limites. John confiava em mim, deixou sua filha aos meus cuidados, e agora, eu quero cuidar mais do que eu deveria. Quero te-la por perto de uma forma, da qual ele jamais imaginaria. Percorrer pelo seu corpo, e ouvir as coisas que ela esconde em seus pensamentos. Sua pele é tão macia, que desejo beijar cada centímetro dela.
Mas não posso.
{...}
Pov Elena
Segurei aquela caixa em minhas mãos. Estava embrulhada com um papel-presente lilás, e um laço cinza. Tinha meu nome escrito, então comecei a rasga-lo.
Sorri sozinha, vendo uma caixa de celular e sentei na cama ainda sorrindo. Terminei de tirar o papel-presente, e dentro tinha um papel dobrado que ao abrir, caiu um chip, no papel com uma caligrafia bonita, estava escrito em uma caneta preta de ponta fina:
Acho que isso é seu. Espero que goste.
{...}
Desci com o celular já ligado, procurando pelo Damon e poder agradecer ao seu presente, e também, queria vê-lo. Depois de ontem, tinha medo da sua reação. Nós tivemos muito contato, e aquele abraço ficou na minha cabeça até que eu adormecesse. Algumas vezes arrependia por ter feito por impulso, outras, agradecia por senti-lo tão próximo ao meu corpo. Era confuso, como ele confundia minha cabeça.
O encontrei sentado no sofá, lendo um jornal com roupas normais do dia-a-dia. Hoje era um domingo, e ele parecia estar perfeitamente adequado para esse dia. Passei pelo sofá, mas não obtive sua atenção, como aquele dia do Grill, parecia estar me evitando.
– Obrigada. — Agradeci.
Ele inclinou a cabeça, olhando-me pelo lado do jornal e deu um sorriso sem mostrar os dentes, mas alcançava seus olhos. Voltou a ler seu jornal, sem dizer nada. Virei os olhos. Damon Salvatore está de volta.
– Vou ligar para o meu pai. — Falei já caminhando pra saída.
– Pergunte que dia ele retornará. — Pediu quando eu já estava saindo.
Eu não o entendia. Uma hora parecia que ele estava confortável com a minha presença, outra, que queria me colocar em um foguete e mandar direto para o espaço. Essa mudança de humor não estava nada agradável. Não precisava ser meu melhor amigo, mas, decidia ser uma coisa só. Não dois em um. Isso era pra enlouquecer qualquer pessoa.
Coloquei o celular no ouvido, e depois do terceiro toque meu pai atendeu.
– Oi minha princesa! — Atendeu animado.
Senti uma pontada no peito de saudade, a voz paternal dele me acalmava muito, era como se um pedacinho de casa ainda estivesse comigo. Nós nunca ficávamos longe um do outro, nenhum de nós três.
– Oi pai, que saudade.
– Estou morrendo de saudade de você também. Tentei ligar ontem, e vi que estava desligado, então falei com o Damon e ele avisou sobre o acidente com seu celular. — Soltou uma gargalhada gostosa. — Celulares não voam querida.
– É! Percebi isso, mas ele providenciou outro, fico mais aliviada em poder falar com vocês.
– Damon é um ótimo rapaz. Mas, então, conta pra mim como estão as coisas?
– Estão ótimas, pai. Da pra suportar mais quatro dias, e o Jeremy?
– Está me orgulhando a cada dia. Vocês dois são meu orgulho, sabem disso, não é? Está sendo bem tratada ai? Se não mando agora uma passagem de avião pra você.
Eu poderia aceitar essa passagem, e livrar o Damon da minha presença. Poderia evitar tantas coisas aceitando esse convite. Mas sabia, que criaria problema para o meu pai, não era tão simples eu aparecer em seus negócios, era seu trabalho e não uma colônia de férias.
– Não se preocupe, pai. Eu estou bem, e ansiosa para reencontrar vocês.
– Eu também filha. Preciso desligar, mesmo sendo domingo, temos uma reunião. Posso te ligar mais tarde?
– Sim, claro, quando quiser! Beijo pai, eu te amo.
– Beijos princesa, eu também te amo. Jeremy mandou um beijo.
– Manda outro, amo vocês. — Desligamos.
Segurei meu celular contra o peito, e respirei fundo sentindo o ar puro entrar pelo meu nariz, e limpar o meu pulmão. O cheiro daqui era tão bom, parecia que a todo instante o cheiro era de grama molhada, era tão leve.
Depois de alguns segundos, recebi uma mensagem do Jeremy. Era uma foto, dele e do meu pai. Jeremy estava com o sorriso branco aberto, de orelha a orelha como se estivesse realmente rindo. Ao olhar para o meu pai, poderia entender o motivo da sua gargalhada e até ouvi-lo rir em minha cabeça, John estava vesgo, provavelmente confuso aonde estava a câmera e com os lábios abertos como se estivesse falando.
Poderia até imaginar o que ele dizia: essas tecnologias de hoje.
Entrei, e ele continuava lendo aquele jornal. Sentei ao lado dele, cruzei os braços e as pernas, olhando para a lareira apagada. Se ele me achava uma inconveniente, eu seria uma. Até porque, eu queria estar por perto, mesmo que seja com ele calado e entretido em seu jornal matinal.
– Estou entediada — Murmurei.
– Que sorte. — Falou, sem tirar a atenção do jornal. Foleou uma página, e continuou lendo.
Virei o rosto pra ele. Jura? Ele estava querendo me tirar do sério, ou só estava sendo ele?
Levantei, e fui até a sua mesa de bebidas. Algumas garrafas já estavam quase no fim, e outras completamente cheias e ainda com as tampas lacradas. Segurei o seu copo na mão, e ouvi o barulho do jornal. Olhei por cima dos ombros, vendo-o cruzar os braços e observar eu escolher uma garrafa.
– Nem pense nisso. — Alertou sério.
– Tenho vinte e um. — Dei os ombros, voltando a olhar para a garrafa.
Peguei uma que já estava aberta, e coloquei uma pequena quantidade no copo.
– Está muito cedo pra isso. — Escutei seus passos se aproximarem.
– Que sorte!
Virei meu corpo pra ele, segurando o copo e levando até os lábios. Ele passa a língua entre os lábios, assim que olha para a minha boca e para os passos de imediato. Engoliu em seco, e eu vi sua garganta mexendo, como se ele estivesse com sede. Meu corpo inteiro arrepiou-se, e senti vontade de correr e entrelaçar minhas pernas em sua cintura e beija-lo, ama-lo. Forcei os dentes de baixo para cima.
– Problemas com proximidade, Elena? — Deu um meio sorriso, e eu corei.
Eu não o respondi, pois seus passos continuaram tirando a minha concentração. Aproximaram-se até demais, a ponto de sentir o ar quente bater contra o meu rosto, e de poder jurar que aqueles azuis eram transparentes. O seu cheiro, já me deixava entregue a ele.
Engulo em seco, sentindo a temperatura do meu corpo aumentar e antes que eu pudesse segurar, o copo desliza entre os meus dedos quebrando no chão. Ele pareceu não se importar, pois não tirou seus olhos dos meus, nem eu dos dele. Estávamos conectados, parecíamos estar hipnotizados um pelo outro.
Eu preciso sentir esses lábios. Deixei que ele se aproximasse mais um pouco, a cada segundo, diminuindo a distância entre nós.
Olhei para a sua boca, que já estava mais próxima do que qualquer proximidade que nós poderíamos ter tido. Mais um pouco, e eu poderia sentir seus lábios nos meus. Engulo em seco mais uma vez, tampando a minha respiração e encarando sua boca. Meu coração batia forte contra o peito, e meu sangue latejava em minhas veias. O que ele estava fazendo?

– Não se mova. — Sussurrou com a voz falha.
Senti o cheiro refrescante do seu hálito, e fechei os olhos.
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