Morando Com Um Desconhecido
1 Capítulo 1
Notas iniciais
Tudo bom? Espero que gostem do primeiro capítulo, se gostarem eu continuo ♥
Desde que a minha mãe faleceu, devido a maldita doença — o câncer — eu praticamente virei a mulher da casa aos onze anos. Ajudando Jeremy, que tinha apenas seis, em seus estudos e brigas do colégio, já que meu pai estava ocupado, bebendo todos os dias e anti-depressivos. Eu tinha que ser forte, por eles dois e no final do dia, sobrar força para mim, foi longos meses, quase uma eternidade. Ainda dói, a falta que ela faz. Não é fácil, ter que ouvir arrotos, escutar os dois gritando com video-game, assistir futebol e ainda no final do dia recolher as garrafas de cerveja. Quando eu me tornei mulher, e vi o sangue escorrer pelas minhas pernas aos treze anos, gritei com tanta força que meu pai praticamente arrombou a porta do banheiro, ofegante e muito preocupado. Seus olhos ficaram tão assustados quanto o meu, e por um segundo, achei que ele desmaiaria. Em seguida, ele fecha os olhos envergonhado, quando eu me dou conta de que estava nua. Peguei a toalha apressada, e pedi para que ele abrisse.
- Pai, o que é isso? Estou morrendo? — Perguntei desesperada, batendo os pés no chão.
- Não não. Deus me livre, querida. Não. — Falou calmo, abaixando na minha altura. — Como vou dizer? São coisas de mulheres, mas, posso tentar. Pode ser?
Afirmei com a cabeça, preocupada.
- Quando as meninas, se tornam mulheres alguém tem que avisa-las certo? E é esse o aviso, é o sinal vermelho para qualquer idiota que queira, beijar você. Você é uma mulher, querida. Mas, pra mim sempre será a garotinha do pai.
- Mas, isso irá parar, não é? — Questionei mais calma.
- Irá voltar uma vez por mês, você irá ficar chatinha, querer atacar a geladeira e com certeza irá tacar as coisas. Sua mãe fazia isso. — Respirou fundo, segurando-se para não chorar. — Fica calma, tudo bem? — Acariciou meus braços finos, mas era ele que precisava de um conforto.- Vou providenciar tudo o que irá precisar, e pesquisar na internet o que você precisa saber.
Eu o vi chorar naquela noite, um daqueles choros desesperador que o deixava sem fôlego. As vezes, ele surtava, e deixava a indignação tomar conta. Jeremy ia para o meu quarto, e dormia comigo, ficava tão assustado que saltava a cada coisa derrubada.
Ele esforçou-se, fez o máximo e sei que deu mais do que um dia imaginou, que daria de si. Nos ensinou a andar de bicicleta, nos ajudou nos problemas da escola, foi em todas as reuniões, espantou todos meus namorados, mostrou todas as revistas de mulheres peladas ao Jeremy, quando ele completou dezesseis anos, nos ensinou a dirigir e me deu o primeiro carro. John, com certeza era um super-pai. Eu me orgulhava dele, e sabia que lá de cima, ela também suspirava orgulhosa.
Mas hoje, eu sentia-me afrontada por ele. Aos meus vinte e um anos, ele queria que eu ficasse aos cuidados de um homem, que pelo o que eu sabia, era aquele tipo frio e calculista, que todos os funcionários da sua empresa tinham medo. Era o sócio do meu pai, porém, nunca apareceu em casa. Meu pai explicava, que ele era muito ocupado, então, por quê tinha tempo para ficar com uma mulher de vinte e um anos?
O único problema, dessa capa de super-pai, era que ele era super tudo. Super-ciumento, super-preocupado, super-protetor e super-louco. Não tinha necessidade.
- Jeremy irá comigo, não terá homem nenhum aqui. Se caso arrombarem a porta, o que irá fazer? — Perguntava, enquanto dirigia.
- Poderia pelo menos, só pedir para ele ir em casa repôr a ração e encher minha tigela de água. — Ironizei do banco de trás, e ouvi uma risada baixa do Jeremy na frente.
- Elena, querida. — Seus olhos me olharam pelo retrovisor. — Será apenas uma semana, o que mais poderia acontecer? Damon é um homem confiável, e não terá problemas com diálogos, ele odeia.
- Poderia ficar na casa da Caroline, mas você insiste que eu fique com esse cara. — Virei os olhos, voltando a olha-lo pelo reflexo.
- A mãe da Caroline nunca está em casa, o pai bebe mais que um alcoólatra...
- E a a Care, é uma dissimulada. — Jeremy completou e todos nós rimos.
- Ela não é dissimulada. — Defendi minha amiga. — E você tem uma queda por ela, eu sei. Mas ela é velha demais pra você, pirralho. — Brinquei e ele virou com uma careta, mostrando a língua e sorrimos.
Os seguintes minutos, foram em silêncio. Eu estava indo por livre e espontânea pressão, mas não iria bater o pé com meu pai, muito menos criar uma briga por causa de sete dias. E bom, como diz meu pai, ele não abre a boca, talvez não será tão ruim.
Ele parou o carro, e eu inclinei meu corpo para o lado, vendo o enorme portão se abrir.
- É a casa da Madonna? — Perguntei impressionada, com o tamanho da mansão.
A julgar pela casa, ele era rico. Não rico como nós três, ele era um milionário. O tamanho da mansão, fez eu pensar que talvez, nós nem seriamos obrigados a manter alguma conversa chata e desagradável.
Meu pai praticamente me despachou, assim que a governanta buscou-me na porta. Dentro, as paredes eram altas de madeiras, e os meus passos faziam eco no chão de carpete de madeira. Os móveis pareciam ser parte daquela casa, como se fossem construídos juntos, era perfeitamente decorado com uma arquitetura admirável. Ao meu lado, passou um homem uniformizado com a minha mala, subindo rapidamente pelas escadas.
- Aceita um café-da-manhã, Senhorita Gilbert? — Ofereceu-me cordialmente.
A olhei, e a vi. Ela era jovem, não passava dos trinta e cinco. Olhos verdes arregalados, cabelos soltos e ondulados, na cor castanho claro ou dourado. E um sorriso que alcançava os olhos. Estranhamente simpática.
- Só Elena. — Sorri, relaxando os ombros. — Na verdade, gostaria de ir para o meu quarto. — Tentei não ser indelicada.
- Sim, claro. Sem problemas!
A acompanhei até o meu dormitório, e novamente, estava encantada com aquela casa, poderia conviver nesse quarto durante sete dias sem problemas.
Passei horas desfazendo minha mala, e guardando aonde eu acharia depois. O quarto era enorme, desnecessariamente grande, mas o espaço era bem dividido. A cama de casal, a lareira, o banheiro ao lado, um closet, guarda-roupa e uma varanda que dava na parte da frente da casa.
Peguei uma troca de roupa, e resolvi ir tomar um banho, aquela banheira estava convidativa demais. Fiquei ali longos minutos, imaginando o que meu pai ou o Jeremy estariam fazendo. Ouço duas batidas na porta, e afundo meu corpo entre as espumas.
- Senhorita? — Ouço a voz da Jenna, e solto o ar que não sabia que segurava.
Imaginei que seria ele. Mas, o que ele iria fazer no meu quarto?
Por um lado, estava curiosa para conhece-lo. O temido Damon Salvatore, até os paparazzi pareciam ser medo da sua rispidez. Um homem bem-sucedido, dono de uma empresa enorme e com muitos imóveis. Ele poderia comprar Mystic Falls inteira. Respondi a governanta, e ela apareceu na porta. Minhas bochechas coraram, não estava acostumada com outra mulher me ver tomando banho, mas, ela não pareceu incomodada.
- Desculpe-me incomoda-la, mas, o Senhor Salvatore deseja conhece-la.
E assim ela me deixou, com os olhos arregalados, mãos tremulas e um medo que eu ainda não tinha descoberto ter dele. Queria me afogar nessa banheira envergonhada. Por que ele queria conhecer a sua hóspede? Duvido que meu pai coruja, nunca lhe mostrou fotos, vídeos e micos que ele guardava e protegia naquele celular.
Céus! O que meu pai já mostrou a ele?
Não poderíamos simplesmente, manter distância e passar esses sete dias o mais longe possível?
Coloquei uma calça jeans, uma regata preta e calcei meus chinelos. Antes de abrir a porta, respirei fundo e fechei os olhos. Não tinha motivo para ficar tão nervosa, ou intimidada. Será que era esse efeito, que ele causava nas pessoas? Antes mesmo de encara-lo, eu já sentia-me intimidada.
Desci as escadas, procurando fazer o possível para meus passos não serem notados. Era óbvio, que ele já sabia que eu estava indo ao seu encontro, o motivo do silêncio, colocava a culpa no nervosismo.
A governanta aparece entre as paredes, como sempre, e pede para que eu a acompanhe. Passamos pela sala, e por um corredor até chegar na última porta, e entrar em um escritório.
Foi quando eu o vi.
Cabelos negro como a noite, os olhos extremamente azuis e um rosto rígido, seus lábios estavam fechados fazendo uma linha reta em seu rosto, sem expressão alguma. Suas sobrancelhas arquearam-se, como se esperasse algo de mim.
Os ombros largos, aproximadamente um metro e oitenta, vestindo uma roupa social, com um nó perfeito na gravata e as mãos escondidas em seus bolsos da frente.
Ele espremeu os olhos, assim que percebeu que eu o analisava. O que ele queria ver tão fundo, com aqueles olhos intensos, só Deus sabe.

- Meu nome é Elena. — Balbuciei, ainda impressionada com a sua beleza.
Ele não parecia um velho barrigudo, beirando os cinquenta como eu o imaginava. Estava longe de uma pessoa asquerosa. Meus olhos não conseguiam controlar-se diante dele, diante daqueles azuis desconcentrantes.
- Olá. — Com a voz rouca e baixa, respondeu um simples e curto. Seus olhos não desviavam do meu por um segundo.
- A governanta disse que... — Comecei a falar, quando já estava ficando constrangida.
- Disse que eu queria conhece-la. Eu a conheci. Pode voltar aos seus aposentos se desejar.
Dei uma última olhada no seu rosto, que permanecia com a mesma expressão e dei as costas a ele, soltando um ar que eu nem sabia que segurava. Ousei olhar para trás, e vi suas costas larga. Seu corpo estava virado para a janela, ainda com as mãos nos bolsos.
O que ele estava pensando? Pela sua pressa, para que eu saísse do seu escritório, me fez imaginar que a primeira impressão não foi boa. Mas a primeira impressão dele, foi ofegante.
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