"Montanha-Russa"
3 Capítulo Terceiro — Gêmea Má
Notas iniciais

POV Miory Sutbelle
— Parece que você chegou cedo para incomodar minha irmãzinha. — Caminhei em direção á Kayley, sorrindo.
— Claro que sou eu quem está incomodando. Por que eu cheguei fazendo escândalo. — Ironizou, revirando os olhos. Levantou-se do sofá e veio até mim, parando á minha frente.
— Haha, sempre tão engraçado, Kayley. — Aplaudi por alguns segundos. — Você não percebe que ela não te ama? Por que insiste em aparecer?
Ele riu. Alto, exagerado. O tipo de risada que assustaria qualquer humano mortal.
O tipo de risada que se iguala a minha.
Então eu ri junto. Não tinha graça. Nem para mim, nem para ele.
Mas nós estávamos rindo.
— Você não sabe sobre o que está falando. Deveria ficar quieta ao invés de falar asneiras. — Parou subitamente de rir, me encarando com aqueles olhos assassinos.
— Asneiras? Aw, não diga assim... — O devolvi um olhar decepcionado, logo voltei a rir. — Eu sei mais do que imagina. Muito mais.
Ele parecia ter desistido de conversar. Liberou um grande par de asas, uma de anjo e outra de demônio. Isso aumentou o sorriso que eu mantinha em meu rosto.
— Pretende me atacar, é? Que tosco.
Não me respondeu. Voou em minha direção, me segurando pelo pescoço e assim fomos lançados para fora.
— Parece q-que... O babaca é um t-tanto quanto... Forte... — Minha voz falhou por conta da força que ele fazia tentando me sufocar.
Levantou-se do chão, ainda me segurando, e então fez questão de jogar meu corpo de volta para o solo, colocando toda sua força na ação.
Apesar da dor, não estava machucada. Então continuei sorrindo.
Ele deve ter esquecido sobre meus poderes de Rosa e de ceifadora. Claro.
Concentrei-me em criar longos espinhos, como os de uma rosa, feitos de ferro. Os fiz sair do solo e, em seguida, enrolarem-se nos pulsos e cintura de Kayley, mantendo-o preso.
— Você não é o único com poderes. — Aproveitei para finalmente me levantar do solo. — Só queria te lembrar disso.
Antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, manipulei um dos espinhos para perfurar seu olho direito, fazendo-o soltar um abafado gemido de dor.
— Já me fizeram coisas piores. — Revirou os olhos. — Sinto em informar, mas você vai precisar ser mais forte que isso.
— Você que pediu...
Levantei um de meus braços, girando meu pulso calmamente, invocando uma foice simples e de coloração negra em minha mão.
Apontei sua lamina afiada para o garoto lobo, que apenas sorriu diante do ato.
— Já vi foices melhores. Aquelas de cortar capim, sabe? — Ironizou.
Ignorei o comentário idiota e fui em sua direção para ataca-lo, mas uma forte luz me forçou a parar e fechar meu único olho.
Quando finalmente pude abri-lo, Kayley não estava mais a minha frente. Os espinhos que eu tinha criado estavam destruídos e eu não sabia como.
Surpreendi-me com seu braço atravessando a região de meu estomago totalmente, me fazendo soltar um escandaloso e agudo grito.
POV Mia Sutbelle
Estava encolhida atrás da porta, tentando ignorar a luta que acontecia. Tarefa que foi ficando cada vez mais difícil, visto que o barulho da batalha se intensificava.
Coloquei as mãos sobre minhas orelhas, mas de nada adiantou.
Decidi finalmente espiar para ver como eles estavam. Então me levantei e fui até a varanda do quarto e me debrucei sobre a grade.
Miory estava com um ferimento aberto no estomago, enquanto Kayley tinha um olho sangrando e cortes por todo corpo, que ela provavelmente fez com a foice.
Eu queria fazer alguma coisa. Eu realmente queria.
Mas só interferi uma vez numa briga deles. Ou pelo menos tentei. Eles não levaram a sério, só pediram para que a “garotinha” os deixasse resolver o problema em paz.
— Fraca demais para fazer algo... Sou patética... — Murmurei, voltando para o interior do quarto.
Continuei apenas tentando ignorar por longos minutos. Já não aguentava mais aquilo.
— Ele disse que... Caso eu precisasse... — Voltei a pensar na proposta de Kira. — Eu só precisaria chamar...
Talvez não fosse uma boa ideia.
Mas eu sentia a necessidade de mostrar que posso ser levada a sério em uma batalha.
Que posso ser mais forte que eles.
E ter uma foice de verdade resolveria isso facilmente.
— Só chamar, não é... — Suspirei. — Hum... Kira? Você... Pode me ajudar agora?
Esperei que algo acontecesse, porém nada mudou. Antes que eu pudesse abrir a boca para dizer o quanto sou idiota, sua voz soou ao meu lado.
— Chamou, purrincesa? — Levei um susto ao vê-lo ali, parado, brincando com os fios do meu cabelo.
— Eu... Estive pensando, e... — Kira soltou uma leve risada, me interrompendo. — Qual a graça..?
— Eu sei para que me chamou, não precisa perder tempo explicando. — E neste instante, ele girou sua mão no ar, fazendo uma enorme foice aparecer sobre ela.
Além de grande, tinha duas laminas. A maior possuía um circulo com um “M” desenhado nele. Como bônus, possuía uma menor oposta à primeira. Seu cabo era branco com faixas vermelhas, e sua ponta também vermelha era levemente deformada e afiada.
— É... Perfeita... — Meus olhos chegaram a brilhar de tão encantada que fiquei.
— Isso por que não viu nada do que ela faz. Mas não há tempo para treinar, você tem uma briguinha para apartar. — Riu, bagunçando meu cabelo. Então ele me entregou a foice, que segurei com firmeza.
— Você está certo...
Corri até a varanda, e pus-me de pé sobre a grade. Tentava pensar no que fazer, mas estava um tanto quando difícil.
— Quer uma dica? Os assuste. — Sentou-se no chão da varanda, logo atrás de mim. — Não estou falando de um simples sustinho. Aja como se tivesse ficado insana de vez.
— É, parece uma boa ideia... Mas...
— Você deve saber usar seus poderes de ceifadora... Vamos, se concentre um pouco e deixe as coisas divertidas!
Soltei uma risadinha. Mas ele estava certo, eu só precisava me concentrar.
E assim o fiz. Fechei meus olhos, e ergui meu braço com a foice, girando-a no ar rapidamente.
Reabri os olhos e a atmosfera do local estava mudando rapidamente. O clima antes ensolarado tornava-se frio e assustador. Uma tempestade iniciou-se, com raios e trovões barulhentos.
— N-nossa... Eu.. Eu que...
— Sim, você fez isso. — Ele aplaudiu, com um sorriso bobo no rosto. — E pode fazer pior!
Fale com o autor