Monsters-hunters
3 Capítulo 2- O que é uma Monsters-Hunter? - Parte 1
Quando cheguei em casa naquela madrugada, meus pais até se assustaram com a minha cara.
— Filho!! Aonde você foi a essa hora da noite???? O que houve com você???? Você está com cara de quem viu um fantasma!!!!
Um fantasma não. Uma meio-fantasma, uma vampira, uma alienígena, e uma tropa de Theo-alguma-coisa. Como não podia dizer isso aos meus pais então subi ao meu quarto ignorando todas as interrogações e exclamações deles. Eu já estava muito estressado, para ter que importar com preocupações paternas.
FLASH BACK
— VOCÊS SÃO O QUÊ???? C-como assim!?! É algum tipo de brincadeira!?!
— É claro que não seu terraquiozinho intrometido! Nós três somos as Monsters-Hunters do Japão!
— O que é uma Monster-Hunter???
— Pessoas como nós, que livram pessoas como você, de monstros como aquele! E agora cadê meu hambúrguer???
— M-mas..Por que logo aqui!?! Por que logo no Japão!?!
Ayumi virou os olhos impaciente, como se estivesse tentando explicar física a um cachorro. Por fim deu um suspiro, e me explicou com mais calma:
— Originalmente só existe um Monster-Hunter em cada país, são os Aerooxianos, o pessoal do meu planeta. Isso é devido a um trato entre duas companhias importantes e secretas entre os nossos dois planetas, que existe desde a idade média. Deveria ser só eu por aqui, porém eu achei Mikuba e Tsuki e achei interessante juntá-las ao grupo. Entendeu agora, ou quer que eu desenhe!?!
— Só tenho mais uma pergunta... O que exatamente vocês fazem???
— Não é da sua conta! Se você não tivesse se intrometido não estaríamos tendo esse dialogo extremamente entediante!!!
- Não é isso. Eu cheguei aqui um pouco antes que você, Ayumi. E eu o vi conseguindo conversar com eles.
— M-mas...Eu pensei que só você conseguisse,Tsuki-chan!- Falou Mikuba admirada, mostrando sua opinião pela primeira vez
— Quer dizer que esse inútil serve pra alguma coisa?- Disse Ayumi \"muito meiga\", apontando para mim
— Sim.
— Droga! Então tá legal!Amanhã, depois da aula, nos encontre na sala de música! Se você não for, cabeças vão rolar!
FIM DO FLASHBACK
Quando acordei de manhã cedo, pensei seriamente em faltar aula. Não para fugir, é lógico. Para me esconder! Fugir é algo definitivo, e eu não ia conseguir ficar longe para sempre daquela escola maluca.
Ao chegar à sala de aula, não vi nenhuma das três garotas, isso me fez suspirar de alívio.
— Suspirando, hein? Que fofo! Meu amigo está apaixonado!- Brincou Otani que tinha acabado de chegar na sala
— Cale a boca, seu idiota. A palavra amor nem devia sair da sua boca!¬¬
— Ahhhh! Kyo-kun você é tão cruel!!!- Fez ele imitando novamente um travesti, para a sorte dele Deus tinha me agraciado com uma enorme paciência
— Ei,seus moleques desordeiros! Deixem de conversar besteiras e se sentem de uma vez!- Reclamou a professora se esparramando em sua cadeira
Quando todos sentaram em seus lugares, Tsuki e Mitsu-san chegaram na sala.
— Me atrasei.- Explicou Tsuki calmamente
— M-me perdoe professora!!! Eu sei que é imperdoável uma aluna cometer uma atrocidade tão grande quanto se atrasar na sua aula!!! D-desculpa!!!!- Falou Mitsu fazendo cara de choro, e mexendo a cabeça de um jeito que seu cabelo balançava sutilmente
— Tá limpo, mas só porque eu estou com preguiça de anotar vocês! Entrem logo de uma vez!
— Sim. — Falou Tsuki sentando-se elegantemente em sua carteira
— Muitíssimo obrigada, sensei! Serei grata a você pelo resto da vida!!!^^
Não dava pra acreditar que aquelas duas garotas fossem Monsters-Hunters. Não dava para acreditar mesmo.
Para a minha surpresa Ayumi faltou todas as aulas.
\"Talvez esteja doente\" — Pensei esperançoso. Estava querendo adiar ao máximo possível o meu reencontro com ela
Porém no final da aula quando tentei escapar, uma pequena mão segurou meu braço.
— Ela mandou você ir para a sala de música.
Ai,ai! Não tinha mesmo como fugir! Enquanto caminhava ao lado das duas meninas mais bonitas da minha sala, para ir à sala de música onde uma alienígena doida e violenta me esperava, eu só conseguia pensar em como seria se eu não tivesse metido meu nariz nessa história. Eu poderia continuar com a minha vidinha de estudante sem graça, e não morrendo de medo de uma garota.
Quando finalmente chegamos à sala de música, vi Ayumi dormindo sobre o piano. Será que ela tinha passado o dia alí?
— Ela está doente. As mudanças de temperatura de um planeta para o outro foram muito fortes. — Explicou Tsuki
— Sei...
Por um instante até senti pena dela, parecia tão abatida...Tão derrotada...
— Acorde, Tsukamoto-san — Falou Tsuki encostando a mão delicadamente nos ombros ela, para a minha surpresa,Ayumi levantou de imediato.
— Ahhhh! Sinto como se tivesse passado uma eternidade dormindo!!!! Han? O que o Kyon-kun está fazendo aqui????
— Você marcou com ele
— Ah,sim! Kyon-kun, essa é a nossa sala de atividades! Eu a tomei dos professores!
— Você fez o quê!?!
Ignorando-me completamente, ela continuou:
— Eu precisava de uma sala grande!
— Pra quê?
— Porque eu queria uma sala grande!- Explicou ela irritada, como se fosse algo muito óbvio. — Ah! Mikuba! Você está aí!!!
— E — eu...!
— Mikubinha...- Cantarolou Ayumi avançando em cima de Mitsu-san com um sorriso sinistro, parecia uma onça caçando um coelhinho indefeso
— N-não, por favor! N-não hoje!
O QUE AQUELA MENINA IA FAZER?????????????
Mas para o meu alívio as mãos de Ayumi foram para cima dos cabelos longos e volumosos de Mitsu, e começaram a arrumá-la, bagunça-lo, e prendê-lo com uma força tão grande que lágrimas brotavam nos olhos da pequena.
— Ai!!!! Isso dói!!!- Gritava Mitsu enquanto se debatia, porém era uma luta justa em que Ayumi tinha muito mais força e persistência do que sua vítima. Quando finalmente soltou, o cabelo de \"Mikuba\" estava preso em duas pixuquinhas volumosas, que ficaram muito meigas nela.
- Pronto. Perfeito!- Comentou Ayumi apreciando vitoriosa sua \"obra-prima\". Mitsu escondia o rosto com as mãos, mas dava para se notar que estava completamente vermelha.
— T-Tsukamoto-san...
— Deixe de ser tão lerda, Mikuba! Agora, o nosso assunto é o Kyon-kun!
\" Oh-oh...Eu devia ter fugido enquanto ainda tinha tempo\"
— Pode fazer mais perguntas,Kyon! Já vi que você faz o tipo curioso!- Ela disse para mim, com um sorriso implicante
— Se a Mitsu é uma vampira...Por que ela pode pegar sol?
— Simples! Porque ela ainda não mordeu ninguém! Ela também pode se refletir no espelho, em compensação seus poderes são limitados! Mas posso saber por que de tantas coisas você perguntou primeiro sobre a Mikuba?¬¬
Corei violentamente ao escutar aquilo. Como já falei antes, eu nutria certo sentimento por Mitsu, então aquele comentário me constrangeu profundamente. Senti-me ainda mais embaraçado quando vi que Mitsu também estava vermelha.
— Bah! Eu não vou me intrometer no namoro de vocês! Mas nem venha me aparecer grávida, entendeu Mikuba-chan????
— S-sim!!!
— Humpf! E aí, mais perguntas?
\" Como você se agüenta?\"
— Como foi que Tsuki-san virou uma meio-fantasma? E o que é uma meio-fantasma?
— Tsuki-san morreu em um acidente de carro, ela foi ressuscitada e ganhou alguns poderes.
Ela explicou dessa maneira, simples e objetiva como se estivesse explicando que um mais um é igual a dois. Provavelmente vendo a imensa interrogação que estava em minha cabeça, Tsuki explicou-me o resto da história:
— A chama vital é o que nos mantêm vivo. Sem ela somos uma casca vazia. Não confunda chama vital com alma, as duas são coisas diferentes. É como se a chama vital fosse o cadeado que une o corpo e a alma. Quando eu morri em um acidente de carro quando tinha onze anos, meus pais me passaram suas chamas vitais, possibilitando que eu voltasse a viver. Devo acrescentar que eu não ganhei novos poderes, eu apenas fortaleci os que eu tinha antes. Foi graças a esses poderes que meus pais puderam me passar a vida deles, se eu fosse uma humana comum desde o principio, provavelmente eles não teriam conseguido isso. — Ela contou essa história toda com uma expressão tão neutra, que eu me perguntava se a garota ao menos piscava os olhos.
— Entendo...- Disse eu, mentira. Na verdade quanto mais sabia mais confuso ficava
— É só isso que você tem pra perguntar!?!- Perguntou Ayu parecendo extremamente emburrada
\" O que você espera que eu pergunte???? Sobre a crise do dólar???\"
— Na verdade eu tenho uma última. Por que vocês estão me contando isso??? Eu não consigo entender! Eu sou só um humano normal!
— Não exatamente
— Como assim????? Eu tenho algum super-poder ou sou o escolhido para alguma coisa que vai mudar o mundo, ou a ordem do universo????? — Tá legal, eu viajei. É que no fundo eu estava cheio de esperanças que fosse isso.
— É claro que não, idiota! Por que alguém como você seria o escolhido pra mudar o mundo!?!- Disse Ayu, em um ponto eu tenho que concordar; ela era a pessoa mais franca que eu já tinha conhecido.
— Então o que diabos eu estou fazendo aqui!?! Por que não apagam minha memória, sugam meu sangue, me matam ou qualquer coisa do tipo????
— Você pode falar com eles
— Eles quem?? Com os shinigamis, com os espíritos habitados por seus corações, com os animais????- Será que eu tinha bebido tequila?
- E eu achando que a Mikuba fosse a burra dessa sala!- Falou Ayu virando os olhos com impaciência
— E-ei!!! E — eu não sou burra, Ayumi-san!!!!- Reclamou chorosa, a pequena criaturinha vermelha de pixuquinhas que estava sentada ao meu lado
— É sim! E cale a boca!
Ela se calou assustada, quase chorando. Como era meiga e inocente, qualquer palavra de Ayumi parecia ser o suficiente para abalá-la completamente.
— Continuando! Você não pode falar com o espírito que habita nossos corações, não pode falar com shinigamis, e a não ser que você seja o Tarzan você não pode falar com animais!
— Então eu posso falar com quem????
— Com um bando de coisas! Com alienígenas de todos os planetas, com lobisomens, com espíritos...!
— E como é que eu nunca falei com eles antes????
— Porque você nunca viu um, seu idiota!- A palavra idiota estava começando a se tornar meu apelido, mas antes que eu pudesse reclamar de alguma coisa me veio a dúvida:
— E você, Ayumi? Você fala outra língua? É por isso que você é tão calada na sala?
— É óbvio que não! Eu estudei por dez anos a cultura desse lugar, sua língua, e parte de seus conhecimentos gerais! Você não achou que eu ia chegar aqui completamente despreparada achou????
— Achei
Ela bufou e me deu um olhar irritado, para variar um pouco
— Er...Ayu-san?Será que eu poderia sair? Eu preciso dormir um pouco...Eu não posso dormir a noite devido aos meus poderes, e não posso dormir de manhã por causa da aula, então eu...
— Pode ir, Mikuba! Autorização concedida!
\" Não fale como se fosse a chefe de um comando militar, muito menos como se fosse a chefe da Mitsu-san!\"
Mitsu-san saiu lenta e encolhidamente, como alguém que sai de fininho depois de ter cometido uma burrada na frente de todos.
— Eu também preciso ir.- Informou Tsuki, ao contrário de Mitsu ela não pediu autorização. Apenas informou e foi embora. Assim só sobrou eu e Ayumi na sala, isso de certa forma me dava calafrios. Ficamos um tempo encarando um a cara do outro, como se estivéssemos planejando o que faríamos.
- Vamos.
Devo acrescentar que quem disse essa frase conclusiva foi Ayumi, para variar.
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Quando eu, e ela saímos da sala, eu me sentia perdido em um universo paralelo onde eu era uma espécie de poliglota, que teria que conviver diariamente com uma vampira, com uma alienígena, e com uma meio-fantasma. Será que eu estava vivendo em um mangá de ficção cientifica? Será que eu estava sonhando? Me belisquei para verificar isso, e a dor na mão comprovou que o que eu estava vivendo era real. De fato, eu não conseguia imaginar Ayumi como a protagonista dos meus sonhos.
— Aquelas saídas que você e as outras dava no meio da aula...
— Missões inesperadas. Geralmente eles preferem atacar a noite, mas às vezes acontecem casos assim.
Passaram-se mais alguns minutos de silêncio, até que eu resolvi perguntar:
— Vocês tem certeza que eu posso falar outra língua? Digo, eu nem sei falar inglês direito!
— Você está duvidando da Tsuki-chan!?!
Ela parecia realmente revoltada. Aparentemente Tsuki era a única que exercia uma certa influência sobre ela.
— Não, não é isso! Eu estava perguntando por que eu queria saber qual vai ser meu papel no grupo! Só isso!
— Você vai ser o cachorrinho da equipe!- Exclamou ela animadamente, apontando o dedo para a minha cara
— O...cachorrinho?¬¬
— O cachorrinho!
— E o que é exatamente ser o cachorrinho da equipe?¬¬
— É ser o meu serviçal!
Ficou muito mais claro, e muito mais revoltante.
— Eu não vou ser seu serviçal! Eu tenho uma vida!
— Ser meu serviçal vai ser bem mais interessante do que ler sobre os óvnis do Peru!- Ela alfinetou. Droga! Ela conhecia bem os pontos fracos de suas vitimas!
— Hum...Por que eu não posso ser um Monster-Hunter?
— Porque você morreria em menos de dois segundos! Agora... Todos os dias, depois da aula, você deve ir para a nossa sala!
— Nossa sala?¬¬
- A \"sala de música\"!- Disse ela em tom fingido como se estivesse falando de algo que foi a sala de música há muito tempo atrás, ou que nunca tivesse sido uma sala de música.
Finalmente chegamos ao portão do colégio, ela era uma garota estranha, autoritária, e egocêntrica, mas ela ainda era uma garota. Eu devia ser cavalheiro
— Se quiser eu te deixo em casa
— Humpf! Não precisa!
— Mas está ficando tarde, e se aparecer um tarado ou alguma coisa do tipo?
— Em primeiro lugar, nenhum tarado iria me atacar porque eu sou feia demais!
— É, você tem razão..- Caçoei dela, era óbvio para os olhos de qualquer um que Ayumi Tsukamoto não era uma menina feia, nem uma regular, mesmo quem a odiasse(como era o meu caso) a achava linda.
— Humpf! E em segundo lugar, se eu consigo derrotar vampiros, lobisomens, robôs, espers, e etc. , por que não conseguiria derrotar um mero ladrão?
— Me desculpe, eu estava errado em tentar ser gentil..- Respondi irritado
— Desculpas aceitas! Tchau!- Ela disse saindo emburrada, com o passo acelerado, sem nem ao menos acenar um tchauzinho.
\"Garota chata...\"
Fim da Primeira Parte
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