Monsters: A Guerra Começou
3 Capítulo 2 - "O Jogo Virou"
Notas iniciais
Ao despertar, Michelangelo percebeu que ainda estava na sala que fora aplicada a injeção. Ele levantou-se e foi em direção à porta. Ao abri-la, apareceu o médico que tinha o examinado e um militar, que parecia mais um guarda roupa para Michelangelo. O médico falava na língua estrangeira para o militar e ele assentiu, pegando o braço do menino.
– Venha comigo, por favor – disse o militar.
– E-ei! Onde está a me levar?! – disse tentando soltar-se, mas o militar era bem mais forte.
O homem leva Michelangelo até o pátio. Michelangelo encontra Andrew mexendo nos fios do cabelo. Ao olhar para ele, vê a expressão do rapaz com um sorriso lateral. Que diabos esse desgraçado está rindo?, pensou. O homem leva Michelangelo até a porta grande por onde havia passado horas atrás.
Os outros guardas são ordenados a abrir a porta e assim que fora aberto, o militar larga Michelangelo com mais um empurro para fora da Reserva.
– Ei! Por que estão me chutando para fora dessa merda?! – disse Michelangelo.
– Você não passou no teste, seu peso morto.
Aquelas palavras foram o suficiente para paralisar Michelangelo. Mesmo sendo um rapaz um pouco grosseiro, ainda tinha um pouco de sentimentos moles no coração.
– Ei! Mas eu não tenho mais alimento! – disse mostrando a bolsa com apenas roupas sujas e rasgadas enroladas na fotografia quebrada da mãe. – Pelo menos me dê um pouco de água e alimento que eu cairei fora desse lugar de merda!
– Hein? Por que deveria fazer isso, peso morto?
Desgraçado..., murmurou muito baixo, baixo o suficiente para que o militar não ouvisse. Michelangelo, com um ataque de fúria corre para cima daquele homem gigante. Não chega a bater no militar, mas gruda seus olhos nos pequenos olhos negros do homem.
– Olha aqui, sua montanha de carne, vocês injetaram uma droga de líquido na minha corrente sanguínea sem eu autorizar. E agora vocês ficam com essa putaria de largar qualquer um por aí? Il vostro verme marcio e disgustoso....
Dito isso, Michelangelo deu as costas e saiu andando quando foi acertado na cabeça. Ao virar, ele havia recebido uma garrafa d’água. Michelangelo deu um sorriso lateral, um tanto assustador, para o militar. Ao agachar para pegar a garrafa, o militar lança mais duas para ele.
– Buono ragazzo – Michelangelo esnobou da cara do militar. E ele gostou, de ver um homem, daquele tamanho, daquela força, se rebaixar a um adolescente de apenas dezessete anos. E sem armamentos!
Colocando as garrafas na bolsa, volta a perguntar se ele entregaria alguma ração. Mas não teve jeito, o militar não entregara nada. Bom, pelo menos morrer de sede, Michelangelo sabia que não ia. Pensou em caçar algum animal por aí. Assim que o militar voltou para dentro da Reserva, Michelangelo foi até o lugar que havia escondido sua faca e a pegou. Tirou a terra que estava nela e colocou na mochila, embrulhando em uma camiseta.
Michelangelo não sabia para onde ir, então decidiu ir de onde ele veio. Talvez achasse comida na cidade e se refugiar lá.
– Talvez eu volte, encontre alimento e água e vou viver feliz... Talvez eu encontre um cãozinho e dê o nome de Cane. Ele me fará companhia – disse em voz alta para que o militar escutasse enquanto chutava uma pedrinha.
Nesse momento, ele percebe que a pedrinha que ele havia chutado estava pulando. Ele sente um vento forte, o suficiente para levantar um pouco de terra e areia. Michelangelo cobre o rosto com os antebraços e depois do vento, ele percebe que um dos monstros estava de volta.
– Meraviglia... Não conhecerei Cane... – murmurou as palavras.
Percebeu que o Monster estava vindo em sua direção, feroz, faminto. Sem saber o que fazer, pensou na faca. Mas o que uma faquinha de cortar carne de cozinha vai fazer?! Ele correu em direção à Reserva pedindo por ajuda.
– Abram! Esse desgraçado voador vai me devorar! Eu quero conhecer Cane! AIUTO!
Nesse momento, uma voz feminina e firme gritava para ele em cima do muro.
– Halten!
Ele havia lançado para ele uma espécie de arma. Não era uma arma comum que se vendiam nas lojas e supermercados para uso de caça ou defesa pessoal. Era uma arma criada pela Classe Militar. Talvez tenha sido criada até pela Classe Científica. Michelangelo não sabia o que fazer. Então tentou usá-lo como uma arma normal. Sem sucesso. Como uso essa droga?!, pensou.
Em cima do muro, alto o suficiente para a visão dos Monsters no chão e no ar, um homem não muito novo e nem muito velho chega perto à moça.
– Löhnhoff, o que está a fazer?
Sem tirar os olhos do garoto, ela responde.
– Vendo do que ele é capaz, General Analois. E não me chame pelo sobrenome, e sim pelo nome: Heike.
– Okay, okay... E eu já disse que quando não estivermos em meio às pessoas, pode chamar-me de pai. – Heike deu de ombros ao pai. – Ele foi recusado no teste. Não sabe nem como usar isso! Regelrech... que peso morto.
O General era um homem de muito respeito, pois estava na classe Divina e também era o líder da Classe Militar. Era um homem loiro, com seu cabelo lambido para trás – mas de um jeito charmoso -, com olhos verdes claros. Não usava capa ou algo do gênero, apenas uma camisa e jaqueta pesada com vários broches e distintivos que ganhara de batalhas. Já Heike era uma moça loura, de olhos azuis celestes de corpo bem definido, seios fartos e alta. Possuía uma pequena cicatriz na bochecha direita e usava um colar de cruz. Puxara a mãe.
Antes que General Analois virasse as costas e saísse andando, Heike, sua filha, o segurou pelo casaco militar.
– Veja isto – disse ela agachando-se com um joelho no chão estilo príncipe, colocando a mão direita no chão para maior equilíbrio.
Michelangelo, de alguma forma conseguiu ativar a arma. Ela havia ficado vermelha e depois ficou branca com alguns tons de lilás bem fracos. O adolescente mirou no monstro e apertou o gatilho. Uma bola enorme de fogo foi lançada da arma. Mesmo com a força da arma, Michelangelo ficou de pé. A primeira bala desperdiçada não acertou o Monster. Ele havia desviado, pulando por cima, chegando perto de Michelangelo. Antes que o devorador de pessoas o atacasse, Michelangelo correu em sua direção e depois se jogou de joelhos, deslizando. Isso fez com que o monstro olhasse para ele por trás do peitoral enorme. Nesse momento, Michelangelo novamente atiçou fogo, explodindo a cabeça do monstro. Uma chuva de sangue, esse foi o resultado.
– UOU! Isso foi... Incredibile! – grita o italiano de felicidade levantando a arma.
– Como... Como ele... – Coronel Alaois começou sentindo uma gota de suor correr sua têmpora esquerda. – Heike, essa arma quanto pesa?
– Bom... para quem é treinado e tem hormônio próprio... é como se tivesse que carregar um travesseiro de pena de ganso. Já para uma pessoa normal... Deve ser mais ou menos levantar um caminhão encarregado de levar seis caminhões.
– Traga-o para dentro. Agora.
– Sim, senhor! – ela levantou-se do muro e deu batida de continência.
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