Monocromático
1 Monocromático
Notas iniciais
Tudo do ponto de vista dele, guys. Espero que eu tenha caracterizado ele bem >///////<
E não, essa fic não tem romance -Q
Monocromático
A primeira coisa de que me lembro é o branco, nada mais.
Uma cor simples, clara, limpa. Depois eu vi o preto. Ele também estava lá, impregnado nos meus cabelos, olhos, e nas teclas do piano.
Ah, o piano...! Minha maior companhia na maior parte de todo esse tempo. Para um músico como eu, um excelente passatempo. Lembro de quando meus dedos passearam por suas teclas pela primeira vez. Eu não sabia onde estava, tinha medo de me proibirem.
Então eu notei — estava só.
O indicador pressionou uma das teclas, e foi assim que decidi-me calmamente que estava gostando desse local.
Eu e o instrumento nos divertimos, por horas e horas. Só depois resolvi me sentar na mesa que havia logo atrás.
Uma coisa que me deixara muito curioso era que tinha duas cadeiras, mas eu não esperava ninguém. Não que fosse um problema. Era uma sala grande e limpa.
Virei meu rosto pálido para a janela. A vista era digna de ser observada por dias sem parar. Inúmeros, praticamente incontáveis pontos brancos no fundo enegrecido do espaço. E eu era um deles.
Foi aí que percebi como eu era uma criatura pequena e solitária. Fui ao quarto ao lado — a cama era de casal, só me lembrando ainda mais de que estava sem nenhuma companhia — e adormeci em poucos segundos.
Repeti essa rotina no segundo dia, e assim foi. Logo me acostumei com a calma.
Até que ela chegou. Até hoje não sei como entrara, mas acho que é essa a graça.
Ela puxou minha roupa, a princípio. Virei-me, encarando-a. Ela usava uma saia vermelha e camisa rosa, além de ter os cabelos castanhos. Era muito mais viva do que eu, e ela se destacava de toda a paisagem.
Chegou, tocou um pouco no piano, experimentando. Depois deu um beliscão na própria bochecha e se foi.
Passaram-se mais dias. Quando achei que nunca mais a veria, ela retornou, agora com uma faca em mãos. Assustado, fui andando para trás, desajeitado e temeroso do golpe que receberia.
Ela enfiou a lâmina com tudo em mim. Não gritei, mas lembro da dor angustiante e de como aquele objeto atravessou minha carne tão facilmente.
O chão e eu fomos pintados de vermelho, mas quando eu acordei mais tarde estava tudo bem. Eu não sentia mais dor, e era como se nada tivesse ocorrido.
Afinal, fui me acostumando. Ela vinha, às vezes me rasgando por dentro, outras só a me olhar. Nunca conversamos, e eu nunca lhe ofereci sequer um chá.
Uma vida muito sem-graça e esquisita, num replay constante.
Foi só depois de muito tempo que eu entendi: Eu era só um fruto do subconsciente dela. Eu sou só parte do sonho dela. Não existo, e vou ficar aqui para sempre, até a morte dela ou o esquecimento.
Minhas bochechas se molharam quando percebi a realidade dos fatos. Mas chorar, para quê? Nada que eu fizesse iria mudar o curso da história...
Suspirei, e levantei-me.
Hora de tocar mais uma melodia.
Notas finais
Ah, ele é fofinho, gente. Tenho pena de matá-lo ;-;
E, ele é o único que se afasta da faquinha ;-;
Vontade de abraça ele forever
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