Monochrome Destiny
1 Prólogo
Notas iniciais
Em uma época de guerra, o pânico se alastrava, hordas de sombras e demônios atacavam as terras humanas, enquanto os clãs pacientemente se mantinham neutros em suas montanhas e florestas. Milhões de mortos e desastres naturais alastravam o reino. Foi nesta mesma era, em um dia de escuridão e terror que uma criança nasce em berço real. Agarrando a esperança de que esta fosse a pessoa destinada.
Dado a seriedade do acontecimento, é convocada uma reunião urgente entre os 12 magos mais influentes do reino para decidir o futuro da raça humana.
Aria, uma condecorada guerreira mágica, antiga comandante do exército real, que agora vivia isolada junto dos clãs por um erro que cometera no passado, recebe a convocação real, desde que possuía o status de maga SS, uma dos 4 mais poderosos magos do reino. Estava na hora da realização da profecia e Aria sabia muito bem de seus deveres para com a raça humana, não poderia deixar seus sentimentos pessoais afetarem as pessoas por mais podres que elas fossem por dentro, ainda eram sua raça e seu povo.
Em seu caminho á capital real, chegando ao final da floresta proibida que vivia junto dos clãs, Aria avista uma luz branca em meio á vegetação densa. Com medo que algum mago estivesse lutando dentro do território dos clãs, causando a fúria desse povo, nada amigável com os humanos, ela foi em direção á iluminação que ficava mais forte á sua aproximação.
Chega em uma clareira, não havia nenhum mago a vista, mas tinha uma esfera branca em meio ao terreno aberto e sombras contornavam loucamente a luz, toda vez que uma chegava perto, era possível ver uma lâmina dessa mesma luz surgir da esfera e com um corte sugar a vitalidade do ser, o fazendo desaparecer. Desprovidos de consciência, as sombras não tinham noção do perigo, somente de que havia algo ali que deviam devorar. Aria se aproximou cautelosamente da esfera, as sombras não pareciam nota-la, desde que a luz as atraia mais do que a guerreira. Conforme se aproximava, Aria não recebeu o ataque das lâminas, como as sobras e pode passar tranquilamente pela iluminação.
Ao observar o centro da esfera, havia um embrulho de panos negros, se mexendo e esperneando. Agora dentro do local era possível ouvir o choro vindo do embrulho. Adivinhando o possível conteúdo, Aria rapidamente agarra a criança. Olhos totalmente negros e intensos a encaravam, o bebê deixou de chorar e ao sentir-se segura no colo da mulher o manto de luz se desintegra, deixando as duas expostas. Aria sem hesitar corre para seu cavalo e parte em direção ao castelo novamente. A criança dorme em seus braços o caminho inteiro.
Chegaram ao palácio, normalmente as reuniões entre os ranks, se organizavam na torre, uma organização mágica responsável pela segurança da população. Mas como a criança era de sangue real, não era adequado tira-la do palácio antes de completar 15.
"Bobagem!’’ – rosnou Aria.
"Mau-humor como sempre, Aria...’’- comentou uma voz na entrada do estábulo, para onde Aria se dirigia agora.
"Eric...’’- suspirou com desdém. Eric abriu a boca para falar mas fora interrompido. "Oras, ter de vim até o castelo! Já é difícil eu vim para a cidade, imagine ao castelo real...! Essa nobreza me da nos nervos, não suporto aquela rainha duas caras...’’- desabafou emburrada. Eric riu mas calou-se ao ver o embrulho no braço de Aria, acompanhando uma cara surpresa.
"Er...’’- Eric estava sem palavras. Mas apontou para o embrulho negro.
“Oh! Essa cria, eu achei por ai... eu ia leva-la para uma igreja qualquer ai, mas... Eric, promete não contar a ninguém?”-exigiu antes de liberar qualquer informação do acontecido. Assim que Eric confirmou com um laço de sangue, técnica própria de sua habilidade de controlar o próprio sangue, onde ele sela uma parte de sua vitalidade em um feitiço, o impossibilitando de quebrar a promessa, se ele o fizesse, iria perder bons anos de vida. Contou o acontecimento. Eric era um dos 4 grandes e seu único amigo do qual podia confiar a retaguarda.
"Interessante...’’- parou para raciocinar a informação.- "Esse poder... luz? Não existem registros de pessoas capazes de utilizar essa habilidade... tem o controle sobre a luz do Lui, o sobrinho do Rei, mas ele só controla o reflexo dessa, bem dizer, uma barreira contra a luz, mas não ela em si, muito menos lâminas de luzes...’’- refletiu mais um pouco. – "Além disso, tem os olhos, olhos negros não existem na nossa sociedade, nem mesmo os clãs possuem essa cor...’’- fez uma careta por não conseguir uma explicação. Eric era um alquimista e possuía um conhecimento vasto em habilidades e magias, até mesmo nas técnicas de cultivação dos clãs.
Aria escondeu rapidamente a bebê no manto ao sentir uma aura conhecida se aproximar.
"Presidente!’’- cumprimentou Aria sem se virar, entregando as rédeas do cavalo ao escudeiro.
"Como sempre afiada, senhorita Scarlet, senhor Bloodwesser...’’- cumprimentou calmamente.
"Como não notar um pavão exibido, soltando mágica como se fosse feromônios...?’’-resmungou Eric baixinho, arrancando um sorriso de Aria.
"Hum? Falou algo sr. BloodWesser?’’- perguntou o homem de figura esbelta e frágil, cabelos longos e compridos, dando-lhe um ar feminino e sereno, como um Deus que não se importa por assuntos formais. Exceto que este se importava muito com a própria aparência, se tornando um tanto quanto narcisista.
"Naah...’’- resmungou fazendo cara de inocente.
"Ara! E esta criança?”.- perguntou o homem ao notar o embrulho nos braços de Aria.
“Minha filha.” – fechou a cara mostrando não querer falar sobre o assunto. O homem a entendeu e não perguntou mais nada.
"Bom, a reunião está prestes a começar, sugiro que se apressem, pois eram os únicos que faltavam para o inicio desta, os outros já nos esperam no salão do conselho real...’’- comentou se dirigindo ao aposento.
Chegando ao aposento era possível sentir a tensão e a energia que vazava dos presentes, qualquer iniciante em artes mágicas já teria sofrido um desmaio diante de tanta pressão. Assim que os três entraram na sala os outros rapidamente encolheram suas auras. Eles se sentaram e um momento de silêncio mortal pairou na sala até o presidente se aclamar.
“Senhores e Senhoras, Guerreiros e Magos, peço a atenção de todos para o assunto que trago á esta reunião. Como todos já devem estar informados, estamos em guerra, ou pelo menos estávamos... o inimigo está se retirando, por ora. Mas quem sabe quando não irão voltar? Logo, enfrentamos era após era, guerras e sofrimento, os três povos se odiando e ignorando um ao outro, mortos cobrem nosso solo, sangue corre em nossos rios, destroços decoram nossas cidades, além de perdemos incontáveis companheiros e familiares...”- suspirou. – “Meus colegas, é com esta convocação que eu declaro o início da profecia...’’- todos ficaram tensos em seus acentos.
Uma figura entra no aposento, junto de uma criada carregando um bebê no colo.
“Rainha Gwenevieeve!’’- curvou-se ligeiramente. "Como podem ver, esta criança nascida em linhagem real, em meio ai caos é a criança que trará o poder de unir os povos e trazer a paz para nosso povo.’’- declarou direcionando a mão em direção a criança. Em nenhum momento demonstrou qualquer emoção, suas palavras eram confiantes e firmes.
"Também á nossa possível erradicação”- retrucou a maga Felicitá, controladora do elemento puro da água.
“Sim, como a senhora disse, não devemos descartar esta opção...’’- suspirou. “Mas, também não temos o luxo de jogar fora esta oportunidade, se esta criança for a mesma da profecia, então é nosso dever treiná-lo e cria-lo á nosso favor... Molda-lo ao nosso ideal e a nossa causa! Assim evitaremos o caminho da destruição e favorecemos a salvação dos nossos!”- declarou.
“E como podemos ter certeza de que a criança é a mesma da profecia?”- perguntou Gwendhall, atual comandante do exército real.
“Não podemos...”- suspirou. “Mas podemos compara-lo á profecia! Val’har, poderia, por favor, citar a profecia para nós?’’- perguntou a um homem a duas cadeiras de distância, vestido em um sobretudo preto, este era o quarto rank SS, conhecido por “O Sábio”, Val’har era responsável pela maior biblioteca de todo o reino humano e possuía um vasto conhecimento, além de sua magia celestial que lhe permitia prever o futuro, lhe custando boa parte de sua vitalidade. Apesar de não possuir poder destrutivo maior do que qualquer outro na sala, sua sabedoria, junto de sua habilidade de clarividência lhe dava o status de rank SS.
“Em tempos de guerra e terror, o destino se revelará sobre um somente, do sangue real descende, linhagem divina, carrega consigo treva e luz, a harmonia dos povos há de trazer ou a destruição ira causar.’’- recitou.
Ouvir a profecia fez Aria repensar sobre o assunto, de fato a criança era de linhagem real, mas a parte de carregar treva e luz... Aria olhou para a criança que dormia em seus braços e lembrou do poder que a rodeava mais cedo.
Não pode ser...— pensou.
Olhou para a rainha, esta que demonstrara reações estranhas á conversa dos magos, se emburrando toda vez que alguém discordava de um ponto ou outro. Á menção da profecia sua expressão escureceu. Aria não pensou muito no assunto, mas com certeza notou que algo estava errado e logo lançou uma comunicação mental á Eric.
*Fala!*- respondeu animado em ter algo para se distrair, toda aquela besteira deixava Eric entediado.
*Se eu estiver certa o presidente vai propor que nós 12 treinemos essa criança... você já deve ter percebido a farsa que está se realizando aqui. Eu irei recusar e espero que você faça o mesmo*- não foi um pedido e sim uma ordem que deu calafrios em Eric. Com certeza ele iria obedecer se não quisesse perder a vida ali.
"Assim acredito...’’- Aria voltou a prestar atenção na fala do diretor. “que agora é o momento em que todos nos reunimos e juntos treinaremos e educaremos este menino para se tornar nosso salvador!’’- declarou o homem.
“Sinto muito...”- se manifestou Aria.“Mas eu nunca concordei com isto, de qualquer maneira, não faço mais parte do reino pessoalmente, somente em nome, o que não é suficiente para me obrigarem a realizar esta tarefa, nem qualquer um aqui dentro, então se me derem licença tenho uma criança para criar, não preciso de outra.’’- Se levantou e iria se dirigir quando a rainha finalmente se manifestou.
“Mas, Senhora Scarlet, não acha que a educação do nosso salvador não seja de importância maior do que seus animaizinhos selvagens?’’ – perguntou a rainha com uma cara gentil, mas o interior amaldiçoando a maga.
Aria franziu as sobrancelhas e retrucou- "Com todo respeito minha rainha, não, não acho”- Um murmúrio de vozes entre os magos ecoou baixinho. – "Além disso, eles não são animais, são seres bestiais, tão dignos de respeito quanto uma criança que possui uma natureza suspeita. Como ele vai unir os povos, quando a própria mãe é ignorante aos seus inimigos?’’- fez uma pausa.- "E é bom não mandar ninguém me seguir pois qualquer um que entre na floresta proibida que não esteja comigo não vai conseguir passar de dois metros...’’- virou-se e saiu.
Mandou que buscassem seu cavalo e o de Eric, junto de alguns suprimentos.
Sentiu a presença de Eric. “Oh... você veio!’’- sorriu abertamente, fazendo Eric se arrepiar de medo, ele sabia o que aconteceria se não viesse e ver o escudeiro trazendo seu cavalo junto do de Aria só provava como ele não tinha escolha no assunto. Aria era a maga mais forte depois do presidente, mesmo que Eric fosse um rank SS, Aria lhe passava um medo que nem mesmo o presidente era capaz.
"Além de mim, Grimm, o bruxo híbrido e Frey, o maníaco por plantas, também decidiram não participar’’- reportou.
“Hmm... interessante.”- refletiu. “Bom, você vai comigo de volta para a floresta e vai cuidar dessa coisa.”- apontou para a criança. “Se me irritar ou desobedecer eu te faço de isca para sombras!’’- direcionou uma aura assassina para o outro que concordou rapidamente. Eric tinha cabelos ruivos e olhos azuis claros, uma combinação interessante ao considerar seu controle sobre o sangue, e outros líquidos.
Os dois se dirigiram ao território dos clãs. Alguns assassinos os seguiram, mas assim que entraram na floresta, seus traços sumiram, junto de suas energias vitais.
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