Monarquia
21 Conflitos.
Notas iniciais
FELICITY
Esse é um daqueles momentos na vida em que não há espaço para pensar no que fazer. Meus pés tomaram vida própria e quando percebo estou em cima do palco, sendo observada pelos olhos assustados de uma das minhas melhores amigas, Iris aparenta confusão, como se só agora percebesse que nenhum dos dois tinha consciência do desaparecimento de Clark. Nenhum de nós sabia disso. Nós esperávamos ser acusados pelos atentados em Metrópoles, esperávamos toda essa enxurrada de perguntas, mas só agora me dou conta da proporção de tudo. Sinto uma empatia instantânea por Lois, apesar de não ter gostado da forma que a pouco ela usou para fazer suas perguntas, usando de uma ligação antiga com Bruce para o atingir, mas consigo a entender nesse momento, não posso dizer que faria diferente em seu lugar. Acho que no fim um casamento arranjado, não é capaz de diminuir nenhum sentimento pré-existente.
—Boa noite, sou Felicity Smoak, chefe de inteligência real. –digo tentando ter a melhor postura possível e esconder meu constrangimento.
—Srta. Smoak, qual a posição de Gotham e Starlling com o desaparecimento de Clark? –Iris volta a perguntar, e posso ver em sua face o desconforto por precisar me fazer passar por isso.
—Não há nada a dizer, acabamos de receber a notícia. –afirmo olhando em volta, e todos tiravam fotos e gritavam outras dezenas de perguntas que não poderia responder. –É tudo o que temos a dizer no momento. –encerro e Diggle aparece ao meu lado, para me tirar do palco, mas ainda consigo ouvir as reclamações por minha falta de informação. –Isso é insano! –comento quando já estamos dentro do castelo e John me guiava para me juntar aos outros.
—Insano é um eufemismo. –responde tocando o comunicador, ouvindo alguém lhe informar algo. –Estamos a caminho. –responde ao comunicador.
—Quão ruim é a situação? –pergunto tentando não entrar em pânico, mas não sou a melhor nesses casos, andar apressada dentro de um castelo, não é exatamente meu esporte preferido, e pensar em meu pai é inevitável nessas horas, um fato que John parece se dar conta nesse momento.
—Não perdeu muito, apenas os levamos para o quarto de Oliver, mas ele pediu que eu voltasse para te buscar. –respiro fundo assentindo. –Felicity. –chama em voz baixa e sinto sua mão tocar a minha. –Você aguenta, sabe disso, não sabe?
—Sei. –confirmo tentando me convencer de que ele estava certo e aperto um pouco mais minha mão na sua.
Quando entramos no quarto de Oliver, havia muito mais pessoas do que esperava, o que me faz perceber como o quarto dele é absurdamente grande. Além de toda a equipe de Bruce, e toda a família real, Malcom Merlin e Walter também estavam presente, toda essa gente e nenhum clima de festa. Ando o mais distante que posso do crápula do Merlin, não por medo dele, mas medo de mim, pois acho que sou capaz de socá-lo eu mesma se tiver a oportunidade.
—A imprensa vai querer uma declaração. –digo quando paro entre Oliver e Thea, já que todos me olhavam como se eu tivesse a resposta da pergunta de um milhão.
—Não temos o que dizer. –o rei Robert diz com a voz cansada. –Não ainda.
—Mas se não nos posicionarmos as acusações só farão aumentar. –Walter rebate.
—Talvez devêssemos esperar a poeira baixar. –Malcom diz e contenho minha vontade de revirar os olhos, mas aparentemente, eu não era a única incomodada por ele.
—Não temos tempo para esperar. –Oliver diz sem olhar na direção do conselheiro real. –Precisamos voltar lá agora e nos posicionar, ou seria o mesmo de assumir a culpa.
—Concordo com Oliver. –Bruce que estava quieto até então, perdido em seus próprios pensamentos, resolve se pronunciar. –Acho que precisa ser algo grande, com sua família inteira presente. –diz para Robert que assente concordando.
Thea ajeita sua roupa, tensa ao meu lado, Oliver assente olhando para o pai, então todos saem do quarto, deixando apenas Barbara e eu para trás. Eu vou em sua direção e forço um pequeno sorriso, mas os olhos bondosos de Barbara me passam uma estranha segurança. Peço permissão para levá-la a meu quarto, assim passamos pela porta de acesso, comigo empurrando sua cadeira.
—Sinto muito. -falo a estacionando ao lado do sofá, e deixo meu corpo cair sobre uma poltrona.
—Por que está se desculpando Felicity? -parece estudar meu rosto com cuidado, enquanto me observa.
—Por... -bufo frustrada. -Nem eu mesma sei. -dou de ombros consertando minha postura. -Minha amiga está lá fora agora, e o trabalho dela é fazer as perguntas que irão colocar meu namorado em uma posição terrível... Sem trocadilhos. -acrescento rapidamente e Barbara dá um sorriso fraco. -E teve sua lua de mel que usamos para ajudar no plano, que tipo de pessoas fazem isso? -olho para ela. -Tanta gente morreu desde o começo dessa guerra por pura ganância, e agora o príncipe desaparece! -e tinha o fato do meu namorada/melhor amigo, estar me escondendo a dias um possível noivado, mas não acho adequado acrescentar isso.
—Eu sei que é frustrante, e entendo como se sente. -ela olha para as pernas, depois para mim com um sorriso fraco e os olhos brilhando. -Isso aconteceu comigo por uma consequência dessa maldita guerra. Eu era uma garota decidida, sexy e cheia de sonhos, louca pelo agente mais lindo de todo o reino, e com a sorte dele também ser louco por mim. Esse tiro não era para mim Felicity, eu era apenas a pessoa mais próxima do príncipe, mas minha lealdade foi mais rápida, e quando percebi o que estava prestes a acontecer, me lancei na frente dele. Bruce ainda se culpa por isso, mas a verdade é que eu faria novamente, da mesma forma.
—Deus, eu sinto muito Babs. -me inclino para pegar suas mãos.
—Você perdeu seu pai, não precisa sentir, sofreu tanto com isso quanto eu. -dá de ombros. -Passei muito tempo me martirizando, cheguei a terminar com Dick, bom, claro que ele não aceitou! -solta uma risada divertida. Barbara é uma garota linda, mas agora, sua beleza acabou de tomar uma nova proporção a meus olhos. -Quero que entenda que nós faríamos qualquer coisa para proteger pessoas inocentes. -nesse momento ela me olha séria. -E às vezes a nossa função é salvar o nosso rei.
—Eu não entendo...
—Bruce e Oliver saberão em breve, assim que passarem por todo o processo com a imprensa, mas precisamos que sejam legítimos em seus sentimentos e reações. -ela pegava o tablet em sua bolsa. -Desculpe, por fazer que Oliver também passe por isso. -acrescenta me entregando o tablet, e não posso acreditar no que meus olhos veem.
THEA
Ollie e eu ficamos ao lado de nossos pais, do outro lado Bruce e Selina faziam o mesmo, e a nossa frente um mar de repórteres e flashes incessantes. Mas um rosto em especial me chamou atenção dentre todos eles, Iris West, minha apólice de seguro. Eu deveria ter contado a eles o que fiz, deveria ter ao menos contado ao Ollie, tenho certeza que ele não se oporia a nada, mas simplesmente não consegui. Após ambos os reis declararem como sentem sobre o desaparecimento do príncipe, nós nos retiramos, cada um para seu canto, acho que foi o suficiente de teatro por um dia, ou melhor, achava.
—Princesa. -só a sua voz já me faz congelar, coloco um sorriso ensaiado em meus lábios e me viro em direção a Malcom Merlin. -Você está bem? -sua preocupação é quase genuína, se não tivesse me drogado a ponto de quase me matar, eu provavelmente acreditaria nele.
—Estou cansada com tudo o que aconteceu hoje, e triste por Clark e sua família. -respondo, tentando não me encolher.
—É muito raro te ver andando sozinha por esse castelo. -vários sentimentos me atingem ao mesmo tempo. Medo, aflição, desespero, mas mantenho minha pose de sempre.
—Minha família teme que tenha outro ataque psicótico e tente tirar minha própria vida. -faço piada.
—Tem certeza de que fez isso mesmo, alteza? -ele dá um passo em minha direção. -É uma jovem tão controlada. -quando minha cabeça começa a girar, vejo Roy aparecer do outro lado do corredor, ele se assusta ao perceber como Malcom estava próximo e apressa o passo.
—Veja isso. -aponto para meu guarda, com ar de irritada. -Não tenho privacidade por muito tempo, já me encontraram! -Merlin se vira na direção indicada, e depois sorri para mim.
—Todos só querem te proteger. -garante antes de tomar o caminho contrário.
—O que aconteceu? -Roy olha cada centímetro meu, como se quisesse se certificar de que estou inteira.
—Acho que ele sabe. -sussurro, e ele apenas passa o braço por meus ombros me levando para meu quarto.
Dois meses atrás...
Ronnie me ajudava a caminhar, meu corpo estava pesado demais e desacostumado com qualquer tipo de exercício após tanto tempo parada. Eu me lembro de ouvir a voz dele sempre, em meu estado letárgico, ele me contava coisas a respeito de seu relacionamento com a Dra. Snow, como seu coração foi partido, mas não conseguia responder nada, não podia confortá-lo, e às vezes, nem mesmo me lembrava quem ele era, e por que deveria me importar.
Mas nesse momento, enquanto ele me guia pelos corredores da Star Labs, me segurando com tanto cuidado, me sinto muito mal, por não me lembrar dele, mesmo que tenha sido por apenas um segundo. Então vemos Tommy se curvando de tanto rir, Felicity olhando para ele de forma assassina e a repórter, amiga dela, observando a cena sem entender direito o que acontecia ali.
—Licença. -forço minha voz para que saia mais alta o possível, e todos me olham. -Iris?
—Sim alteza. -parece surpresa por estar a chamando pelo nome.
—Por favor, me chame de Thea. -sorrio para ela. -Teria mais vinte minutos para falar comigo, a sós? -questiono.
—Claro! -se dispõe imediatamente, e Ronnie nos leva para um escritório.
—Me chame se precisar de qualquer coisa. -fala dando um beijo no alto de minha cabeça antes de sair.
—Em que posso ajudar? -Iris que estava sentada a minha frente pergunta.
—Quero te contar o restante da minha história, e isso pode ser o furo de sua vida, mas só pode publicá-la sobe algumas condições. Topa?
—Quais são essas condições. -pergunta pegando o gravador na bolsa.
—Se algo acontecer com Felicity Smoak. -ela me olha surpresa, mas naquele momento percebo que confiei na pessoa certa. -Ela se arriscou muito para me salvar, não vou deixar que nada a aconteça. Ou se algo acontecer comigo, e eu mesma não possa dizer isso, quando todos estiverem salvos, quero que seja minha apólice de seguro Iris. Pode fazer isso?
—Estou dentro.
Agora...
—Thea, Thea! -Roy me chamava, me despertando de meus devaneios.
Estávamos na segurança de meu quarto agora, eu sentia falta disso, de me sentir a salvo. Seus olhos eram preocupados, e algo mais que não sei como descrever. Me estendia um copo com água que aceito, sem protestos, virando tudo de uma só vez.
—Me desculpe. -murmuro com a voz fraca.
—Deve mesmo se desculpar. -me surpreendo com sua resposta, e parece furioso quando se senta à minha frente. -Passou o dia fugindo de mim, se esquivando. Eu sou seu guarda Thea, e é meu trabalho evitar coisas como essa que acabou de acontece! -Roy balançava a perna sem parar, então decide que está enérgico demais para permanecer sentado, e levanta andando de um lado a outro na minha frente. -Precisa me deixar fazer o meu trabalho!
—Claro, tudo o que importa é seu trabalho. -sussurro, mas ele me olha chocado.
—Do que diabo está falando?
—Sou seu trabalho, entendo. Não vou mais te atrapalhar a fazê-lo. Feliz? -me levanto pronta para me esconder no banheiro, mas Roy segura meu braço quando passo por ele.
—Não vou tirar meus olhos de você, passou tempo suficiente longe hoje, te dei seu espaço e vimos no que deu. -ele estava tão próximo que conseguia sentir o calor de sua respiração em minha face. -Foi a sua maneira até agora, mas não vou mais arriscar perder você. Desse momento em diante, eu estou no comando. -sua voz era baixa, precisa, quase ameaçadora. -Tem dois minutos para usar o banheiro, ou vou arrombar aquela porta. -dizendo isso me solta.
OLIVER
Entro em meu quarto no fim do dia exausto, e me jogo na cama sem me dar ao trabalho de tirar o terno que usava. Como um príncipe pode desaparecer assim, de baixo do nariz de todos, e ainda levar a esposa junto? Eram milhões de perguntas sem respostas, e tentava à toda forma não pensar no óbvio, que seria o casal morto, jogado em uma vala qualquer. Olho ao redor de meu quarto vazio, e percebo que deveria estar do outro lado daquela porta de acesso, mas não sei se quero enfrentar Felicity nesse momento. E como se meus pensamentos a tivessem chamado, ela abre a porta usando um pijama de flanela, com o semblante cansado e se senta na beirada da minha cama.
—Eu ia te contar. -falo olhando seu lindo rosto, que parecia estar torturado.
—Mas não contou.
—Não contei. -respondo.
—Por quê? -se levanta indo ao centro do quarto, antes de olhar novamente para mim, que me sento a observando. -Claro, tirando o fato de que não sou uma princesa, não tenho nenhuma aliança política para oferecer, ou um exército para colocar à sua disposição. -seus olhos se enchem de lágrimas.
—Felicity...
—Não Oliver. -me silencia. -Não me chame assim, ou me olhe dessa forma como se eu fosse o centro do seu mundo. Não quero ser consolada, não preciso que me peça desculpas, preciso saber o que isso significa, o que eu sou para você, e até que ponto minha opinião é relevante em sua vida. -encosta em uma cômoda, cruzando os braços sobre o peito. -Quer um exército para somar ainda mais poder, ou quer alguém que lute a seu lado? -uma lágrima escorre por sua face e ela se apressa em limpar. -Seria um exército por você, ou por Thea. Só preciso... -esconde o rosto entre as mãos.
—Eu sei. -sussurro me levantando e vou até ela, a puxando para meus braços. -Não te deixaria, acho que não sou capaz de fazer isso nem mesmo se quisesse, e não quero. -confesso acariciando seus cabelos. -Mas se te contasse... -me afasto para olhá-las nos olhos. -A verdade, é que temia, que se te contasse você tomasse essa decisão por mim. -dou um sorriso triste, mais vulnerável do que me lembro já ter estado antes na vida.
—Acha que te faria casar com uma princesa de Nanda Parbat? -questiona e apenas a encaro. -É está certo, eu provavelmente julgaria que isso salvaria sua vida. -dá de ombros me fazendo sorrir.
—Não vou mais esconder nada de você, okay?
Felicity sorri, antes de se inclinar em minha direção, me curvo para que ela possa fazer o que queria, e sinto seus lábios sendo pressionados contra o meu, antes de aprofundar o beijo e a erguer em meus braços a caminho da cama, sem separar nosso lábios. Sento-me com ela em meu colo e passo a beijar seu pescoço enquanto abro os botões da blusa de seu pijama horrível. Um gemido escapa por seus lábios quando minhas mãos alcançam a pele nua de sua barriga.
—Isso é tão bom. -murmura enquanto tracejava beijos por seu pescoço e colo. -Ah droga!
—O que foi? -pergunto sem parar o que fazia.
—Tenho que te contar uma coisa. -fala se levantando do meu colo, por sua cara, não parecia ser nada e bom.
Fale com o autor