Mona Lisa
6 Um Novo Deus, O Mesmo Diabo
Notas iniciais
●๋•..●๋•
Tirei seus sorrisos e fiz deles meus.
Eu vendi minha alma apenas para me afogar no meu próprio orgulho.
E agora vejo o que realmente sou:
Um ladrão, uma escória, um mentiroso.
Pensar que um dia toda aquela droga já me agradou...
Agora sim sou reconhecido!
Sou meu próprio Deus
Poder, Reinado e Vingança
Tudo está montado, como em uma sangrenta dança.
E você, Mona Lisa,
Há um espaço guardado pra você aqui, comigo,
No Inferno, gritando e queimando...
Vou sentir tanto prazer em testemunhar isso
Olhe nos meus olhos, pequena:
Veja quem está ardendo de ódio
Eu
E desde que essa guerra foi declarada
Meu inferno cresceu
Blasfêmia!
Agora moro em um lugar maravilhoso!
Aqui queima o renegado,
Do inocente ao criminoso
E não existe fé, nem esperança;
Faço das suas lágrimas de tristeza
Meus mais desejados sorrisos de vingança."
Miguel
Um cúmulo. Absurdo! Raphael morrera e Alice desaparecera. ÓTIMO! Meus soldados deixaram de obedecer-me. E por que? Porque, segundo "Deus", já não me encontro mais em condições de ocupar o posto de General. Isto, claro, levando em consideração o fato de que esta Guerra não é mais necessária, pois, qualquer um que se opuser ao poder d'Ele será destruído. Quem Castiel pensa que é?! Pior que isso é me usar nessa vigança ridícula... Por tê-lo punido no passado, hoje sou perseguido! E quanto aqueles meliantes?! O que houve com os meus servos fiéis? Quer dizer então que agora temem esse "novo Deus"? Como ousam me tratar como um caído?! Argh!
Malditos hereges. Irei assumir minha patente novamente e, quando isso acontecer, serei tão impiedoso e severo quanto Raphael. Melhor ainda: vou ser pior! Cem, não, mil vezes mais rígido! Ora, dane-se. Alice é a minha prioridade. Tenho de encontrá-la. Saber que está bem. Se Castiel ou qualquer outro tiver feito algum mal a ela... Certamente irá se arrepender! Mas minha vigança pode esperar. Deixe estar. Humpft, quero ver à quem irão recorrer quando Lucífer reunir suas tropas. Nunca pensei que diria isso, porém, desejo com ardor que meu "irmãozinho" atravesse as fronteiras do Éden e dê uma lição naqueles desgraçados! Depois eu acabo com ele. Vai ser o novo Deus, contra o velho Diabo. Demasiado divertido!
O vento me trouxe às águas do Oceano Atlântico. Caminho sobre o azul infinito, perdido em meio à divagações, quando percebo que não estou só. Há uma outra presença muito próxima de mim. Não me viro para encará-la, afinal, já sei de quem se trata.
— Pensando no Satã... - Bufei — Que é que você quer? Acaso esteve me seguindo? Não estou com bom humor para discutir. O que há: mil anos de embates exaustivos e violentos não são suficientes pra você?
— E eu pensando que fosse ficar contente em me ver, irmão... — Lucífer: o mesmo sorriso de escárnio, a mesma postura arrogante, o mesmo tom de sarcásmo, como ele me irrita!
— Vejo que restaurou seu outro receptáculo. Mortos são menos exigentes, não? — Devolvi, igualmente cruel.
— É o que eu o diga. — Riu — Mas, devo dizer, estou muito surpreso de vê-lo vagando sem rumo na Terra. Não deveria estar no comando de um Exército? À essa altura, nós já devíamos...
— Não me importa. — Cortei-o. Detestava quando ele começava a falar dessa forma. Essa técnica de persuação não funcionaria comigo — E quanto à você? Não tem que liquidar um conspirador ou coisa parecida?
— Decidi que não irei mais lidar com esse tipo, ao menos, não por enquanto. Tenho outros planos em mente... — Aquela afirmação, veio carregada de ódio e descontentamento. Que estaria tramando desta vez?
— Hm. — Murmurei, fingindo desinteresse — De qualquer forma, isto ainda não explica o que faz aqui.
— O mesmo que você. — Idiota... - Fiquei sabendo dos seus problemas.
— Não quero falar sobre isso com você. — Quanta ousadia! Então, agora Lucífer queria me humilhar também? Realmente, estou enfrentando um momento muito difícil...
— Ora, quer dizer que já aceitou o nosso "novo Deus"? Tão repentinamente? Sem nenhuma resistência? — Aquela escória estava rindo às minhas custas!
— JAMAIS! — Bradei, exasperado, finalmente me voltando para fitá-lo — Entretanto, nada poderei fazer enquanto os estúpidos temerem o poder dele. — Droga, não devia ter dito isso! Infelizmente, Lucífer sabe como me provocar... É exatamente o que ele deseja: frustrar-me.
— Entendo. Uma pena isso. — Disse com falsa comoção. Lamentava o caramba! O infeliz deve estar adorando toda essa situação — Hã, devo presumir que não pensa em fazer nada a respeito, certo?
— E que atitude eu poderia tomar, Lucífer?! Me rebelar, como um moleque mimado feito você? Não, porém, agradeço pelo conselho. — Sei o quanto ele destesta quando me refiro à si deste modo: "você". O tom de indignação que eu emprego é proposital. A expressão dele se contorce numa careta — era a segunda vez.
— Está bem. — Desistiu — Continue sem resistir. Se esconda, fuja... Enquanto isso, acho que vou procurar por nossa querida "irmã". — OH, NÃO: ELE NÃO... — Tenho pensado muito nela últimamente, sabe? — AH, SIM: ELE VAI... — Quem sabe tudo não volta à ser como antes?! — DESGRAÇADO!
— Não ouse! — Uso um tom calmo e controlado, tentando não transparecer o quanto estou irado.
— Olha só quem resolveu ter presença de espírito pra dizer o que pensa... — O cretino ainda me deu as costas!
— Melhor não me desafiar, Lucífer! — Acho que o surpreendi, pois este parou de andar assim que ouviu minha ameaça.
— Por que se preocupa tanto com ela? Você passou a me evitar desde que Alice chegou e agora age desse modo? Não entendo! — Reclamava, visivelmente enraivecido. Ele pareceu refletir por um momento. Engoli em seco. Será que... Não, se meu irmão descobrisse, iria ser o fim! Minhas mãos ficaram suadas e trêmulas.
— Estou apenas... — Tento me defender, mas era tarde.
— Não! — Fui interrompido subitamente. Virou-se para mim, com um sorriso triunfante. Naquele instante, tive certeza: ele sabia! — Então, é isso? Você não é tão diferente de mim, afinal. Sucumbiu à ela. Pecou.
— CALE-SE! — Vociferei, nervoso. Não estava preparado para lidar com aquilo, não mesmo.
— Ela sabe? — Perguntou, arqueando uma das sobrancelhas de seu receptáculo. Ignorei-o, franzindo a testa do meu — Não, ela não sabe. — Constatou, radiante. Estou em apuros! — Bom, então cabe a mim contar-lhe...
— Não se atreva! — Aproximei-me, acabando com a distância de alguns metros que nos separavam.
— Onde posso encontrar a Mona Lisa? — Patife! - Se eu fosse uma garotinha, com medo e sozinha, perdida em meio à uma Guerra, aonde eu iria? — Pensava em voz alta. A mesma coisa passou por nossas mentes: quem é que ousaria desafiar o próprio Deus além dos Winchesters?! Ambos trocamos olhares significativos e desaparecemos. Seria uma corrida e tanto. Eu preciso chegar primeiro, Alice não pode saber! Ao menos, não ainda. Não que eu tenha muito mais à perder, no entanto, ainda assim... Droga: a convivência com Lucífer me afetou! Estou me comportando como um humano.
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Alice
— 'Tá, e porque você não fala com os seus "irmãos"? — Dean ainda não havia compreendido — Okay, isso pode soar estranho, mas acho que Lucífer gosta muito de você. E tenho certeza que Miguel deve estar te procurando, já que, sem Raphael, você volta a ser responsabilidade dele e, acredite, aquele cara não é de deixar de cumprir suas obrigações... — Talvez o loiro estivesse certo. Porém, ele não tinha ciência do que significava falar com ambos pra mim. Temia Lucífer tanto quanto os mesmos e Miguel me magoara muito da última vez que nos vimos. Ter uma conversa franca com qualquer um dos dois parecia tão... surreal.
— Dean, ela já explicou. — Sammy tentava argumentar com o irmão mais velho. Não estou certa disto, no entanto, ao que me parece, ele gostou de mim. Esse rapaz me lembra tanto o meu irmão! — Do mesmo modo como Cass não te ouviu, eles também não a escutam.
— Quando nada pode piorar... Tudo piora! — Bobby realmente estava irritado. Entendo que Castiel, Lucífer e Miguel eram um pouco de mais, entretanto, eu não podia fazer nada. Ele havia chegado pouco depois de Dean. Tinha contado aos três tudo que sabia e respondido as perguntas que surgiam da melhor forma que conseguia. Haviam aceitado a minha ajuda, porém, acho que ainda não confiam plenamente em mim. Isto levará mais algum tempo... Apesar de tudo, depois dos últimos meses, me agradava tê-los como companhia. Vinha me sentindo um pouco sozinha, meus irmãos em meio à toda essa Guerra e violência, foi mesmo difícil pra mim. Espero que os Winchesters e Bobby possam fazer com que eu me sinta um pouco melhor...
Uma forte rajada de vento. Na verdade, melhor seria dizer "tufão". Passou deixando um rastro de destruição pela residência do senhor Singer, causando tumulto, fazendo barulho. Dezenas de páginas avulsas voaram pelos ares, os tantos livros que Bobby possuía e encontravam-se espalhados pelo cômodo foram lançados de encontro as paredes. O que estava se passando? Não tive tempo pra pensar, pois Sam me puxou para perto de si, num gesto protetor, enquanto Dean e Bobby se armavam contra a "coisa". Gritos e sons ensurdecedores faziam-se ouvir, tiros e sangue, parecia loucura! Até que reconheci os dois borrões que se agrediam com uma fúria jamais vista por mim antes: meus irmãos.
— Não pode ser! — Sussurrei, antes de aumentar o meu tom de voz — LUCÍFER, MIGUEL: PAREM, POR FAVOR, PAREM! — Gritava. Os outros cessaram fogo ao perceber de quem se tratava. Estes também estancaram e me fitaram, perplexos. Os receptáculos feridos, suas vestes maculadas pela mistura de sangue e água que escorria dos cortes profundos, revelando a divindade dos mesmos. O arcanjo mirou-me visivelmente assustado, antes de encarar Lucífer por um momento e este sorrir. Separaram-se. Ele cerrou os olhos com força. O próprio Diabo, diante de mim. Se aproximou uns poucos passos.
— Alice... — Disse, surpreendentemente feliz — Há quanto tempo! Por coincidência, eu e o Miguel acabamos nos encontrando no caminho pra cá. — Apontou para o mesmo, que parecia atônito. Era como se estivesse prevendo um desastre. Não estava entendendo nada!
— E... o que fazem aqui? — Perguntei, hesitante. Tremia. Estava nervosa. Quer dizer, fazia tanto tempo!
— Isso é jeito de falar com o seu querido irmão depois de todos esses anos longe de mim? — Respondeu com outra pergunta, após um breve silêncio. Cruzou os braços, fingindo uma grande indignação, para depois, rir em tom de brincadeira — Tudo bem, eu não falei sério. De qualquer forma, tenho uma coisa pra te contar. — Por um instante, Miguel abriu a boca para protestar, mas, ao me encarar, não conseguiu dizer nada, e limitou-se a virar o rosto, olhando para seus próprios pés. Lucífer, diferente dos demais, parecia saber o que estava acontecendo, e não escondia isso. Quando, finalmente, continuou — Nós decidimos esquecer o passado e nos juntar a vocês! - Anunciou, com grande satisfação. Olhei os rapazes atrás de mim e, coincidentemente, estávamos todos com a mesma expressão de espanto.
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