Notas iniciais
Legenda Narração: (Ponto de Vista dos Personagens - 1a Pessoa) Mudança de POV - Point of view (Ponto de vista): ●๋..●๋ Diálogos: - Então por que? Por que nos fazer lutar? Só não consigo descobrir o propósito. Poesia: "Itálico" Lembrança: Negrito

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Não consigo me segurar,

Pergunto-me: o que há de errado comigo?

Você é tudo o que eu preciso ver.

Seus olhos se afogam em lágrimas, e a culpa é minha!

Nunca quis ser tão frio:

Você apenas não chorou o suficiente, para dizer que me odeia.

Tudo culpa daquele bastardo!

Idiota! Estúpido!

Aquele sorriso de escárnio me faz querer matá-lo..."

Lucífer

— Quer saber, esqueçam a última coisa que eu disse: isso sim é bizarro! — Como queria rir das caras confusas que, não apenas Singer, como também os Winchesters faziam. Mas nenhuma expressão era tão engraçada quanto a de Miguel. Ele parecia surpreso, e tão ou mais transtornado quanto os demais. Lancei-lhe um olhar cumplíce, como se dissesse "Preste atenção e concorde comigo, do contrário..." Sem outra alternativa, assentiu. Eu o tinha sob controle, aquela satisfação ninguém me tiraria. Humilhar meu orgulhoso irmão seria uma vingança ainda melhor da que tinha planejado. Lembrei que meus trajes ainda estavam sujos e rasgados, e que as feridas que adquirira enquanto discutia com Miguel ainda estavam expostas. Num estalar de dedos, estava impecável novamente. Ele teria feito o mesmo, se não estivesse tão desconcertado.

— Como é que é? — O moleque me mirou como se eu houvesse perdido a razão.

— Oh, perdoem-me: esqueci que vocês estavam aí. — Me referia aos insetos, que ainda me olhavam como se eu fosse a personificação do Diabo... - Como vai, Dean? — Acenei pra este, que ainda aguardava uma resposta para a pergunta a pouco feita, fato que simplesmente ignorei — Bom vê-lo de novo, Sammy! — O mesmo engoliu em seco; é, vamos dizer apenas que eu não fui muito cordial com o rapaz durante os anos de convivência na jaula — Bobby, da última vez que nos vimos você estava...

Morto. — Cortou-me, com desdém. Isso, sem dúvida, irá ser muito divertido!

— Ah, sim, claro: detalhes sem importância. - Estava conseguindo frustrá-los. Era ótimo poder descontar toda a minha ira sobre eles! — Podemos conversar lá fora? — Perguntei à minha cara irmãzinha, que ainda fitava-me aturdida. Mais uma vez pude ver a expressão de Miguel ser convertida em expectativa e medo.

— Certo. — Concordou, ainda pasma, enquanto me seguia para fora, encarando os Winchesters uma última vez.

— Com licença. — Disse, já à porta. Nos afastamos daquele casabre sem que nenhum de nós proferisse qualquer coisa. Alice evitava me encarar, estava apreensiva, e eu sabia porque. Provavelmente, nem Miguel ou qualquer outro contou à ela o real motivo de minha partida. Como sabia? Humpft, digamos apenas que subestimam-me... Alguns minutos depois, a garota quebrou o silêncio, de maneira rude.

— E então? O que você quer? — Nem parecia a mesma menininha que a pouco temera minha presença. Ela estava com medo, no entanto, também estava com raiva. Aquilo era bom, usaria isso ao meu favor!

— Por que você está falando assim comigo? — Como se eu não soubesse...

— Porque você me odeia, por isso! — Disse ríspida, porém, podia sentir a pontada de angústia presente em suas palavras, dando-me as costas logo em seguida.

— Eu não te odeio: você ainda me ama? — Minha voz saía carregada de mágoa e preocupação. Estou surpreso comigo mesmo: este é um novo nível de manipulação, até mesmo pra mim! Se não estivesse tentando convencê-la de que o que digo é a mais pura verdade, estaria às gargalhadas agora mesmo.

— E isso importa? Não faz a menor diferença... — Não faz mesmo. Alice está cedendo: ótimo! Mesmo sem ver seu rosto, posso perceber que está aflita. Depois de pensar um pouco, continua, com a voz embargada — Eu tentei te esquecer, mas não consigo. Tivemos muitos momentos alegres, com exceção da despedida. Durante todos esses anos, quis saber porque. Nem imagina o quanto fico feliz em revê-lo, simplesmente poder ouvir a sua voz... Mas eu não entendo o que está acontecendo, e ver Miguel e você discutindo assim me entristece. Meu coração doí... Sinto muito, mas não posso... — Ela se vira. Há lágrimas escorrendo por sua face. Lucífer, meus parabéns: conseguiu outra vez.

— Eu não quero te fazer sofrer, Alice. — Digo encarando-a diretamente nos olhos (sempre dá certo) — É por isso que não me despedi, não suportaria vê-la chorar. No entanto, acredite: jamais te esqueci. Perdoe-me, por favor, não deixe de me amar, você me faz muita falta... — Termino esbolçando a minha melhor expressão de tristeza. Ela me olha, sem nada dizer. Estava quase desistindo, quando, subitamente Alice lança-me o sorriso mais lindo que já vi... Não que eu me importe, claro. Estou somente orgulhoso de mim mesmo, por tê-la feito crer em minhas palavras vazias.

— Confio em você, não suportaria a ideia de nunca mais nos falarmos. — Confessa. Fiquei tão satisfeito por ter conseguido enganá-la mais uma vez, que nem me dei conta que correspondia ao abraço no qual ela envolvera-me. Pensei em afastá-la, até que percebi meu irmão nos observando ao longe. Enlacei a cintura de Alice e apoiei minha cabeça sobre a sua, sem deixar de reparar nas expressões desgotosas que Miguel esbolçava. Aquilo, definitivamente, iria ser demasiado divertido...

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Miguel

Assim que Lucífer saiu, suspirei, aliviado. Mas ainda estava apreensivo: o que, exatamente, ele diria à Alice? Bom, estou certo de que não contará nada — ao menos, por hora. Quer dizer, por que se daria ao trabalho de poupar-me da humilhação quando poderia prolongar o meu sofrimento? E o que ele quis dizer com "NÓS decidimos esquecer o passado e nos juntar a VOCÊS"? Se ele pensa que EU vou me submeter a isso, está deliberadamente equivocado: se já era ruim estar à mercê dos caprichos do meu irmão caçula, seria ainda pior ser humilhado por tais seres insignificantes. Pai, como pôde deixar as coisas chegarem à esse ponto?!

— Hã... Vocês acabaram de destruir a minha casa. — Quase tinha me esquecido que eles ainda estavam ali — Concerta. AGORA! — Bobby Singer: audacioso e autoritário de mais! Não que aquele senhor de meia idade tenha me assustado com sua expressão sombria que prometia vingança, no entanto, considerei que o melhor a fazer seria "arrumar a bagunça" que havia feito. Com uma simples mensura, os objetos voltaram aos seus lugares, intactos, da mesma forma que estavam antes de nossa chegada, assim como minhas vestes, que foram limpas da mesma forma — Muito obrigada! — Ele estava sendo irônico comigo? Ah, mas essa raça cretina...

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— E então, por que de repente você e seu irmão decidiram ficar do mesmo lado, hein? — Dean Winchester: insuportávelmente detestável!

— Crowley instituiu uma anarquia no Inferno, Raphael e Castiel fizeram do Éden uma ditadura. Agora, seu amigo me persegue. Lucífer e eu somos uma ameaça para "Deus". Ele quer nos destruir; desejamos o seu fim, vocês também. Algo extraordinário? — Espero tê-los convencido da veracidade de meus argumentos, do contrário, a armação do Diabo ruirá.

— Sim, levando em consideração que foram vocês que começaram essa Guerra. — Moleque presunçoso! Se soubesse o que realmente aconteceu... — E além disso, não eram vocês que estavam tentando se matar ainda a pouco? — Droga! Esse garoto é mesmo esperto. Vai ser mais difícil do que pensei.

— Isso não é importante agora. — Desconversei — Todos temos um inimigo em comum: Castiel. Em outra situação, nunca faria isso, porém, levando em consideração que são os únicos que conhecem as fraquezas do mesmo... — Eu não acredito que irei MESMO fazer isso — Propomos uma aliança. Lucífer e eu... desejamos nos juntar à... vocês. — PRONTO: cheguei ao auge de minha decadência! — Se nos ajudarmos, poderemos terminar com isso o mais breve possível.

— É, daí você e o seu irmão retomam de onde pararam, destroem o que restou desse mundo e nós não teremos a menor importância. — Sam Winchester: jovem perspicaz. Talvez um pouco menos teimoso do que o mais velho, porém, ainda assim, não será fácil persuadí-lo. Respiro profundamente, antes de prosseguir.

— Têm a minha palavra de que não será assim. — O QUE EU ESTOU DIZENDO??

— Não confiamos em você. — Garoto intrometido esse Dean...

— E por que? — A resposta era óbvia!

— Cara, está nos pedindo — Não gostei dessa palavra — pra confiar no Satã e em você? — Ahh, ele não está falando comigo como eu falo com... NÃO, ISSO NÃO!

— Está bem. Desejo-lhe sorte para que detenha Deus! — Falo com sarcasmo. Meu tom é arrogante, não irei ferir o meu orgulho.

— Espera! — Sabia que Sam não é tão estúpido quanto o irmão — Nós concordamos em ajudar vocês, só que... Temos condições. — Completa, convicto.

— Claro, claro. Quando Alice e Lucífer voltarem, iremos falar a respeito disso. — Concordo, desinteressado. Me dirijo até a janela, de onde presenceio uma cena bastante deplorável: aquele maldito está abraçado à ela, como ousa, depois de tudo o que fez? Pretende também macular a única coisa que desejo possuir? Ele me viu. MAS O QUE? AONDE ESTÁ O RESPEITO QUE ESSE CRETINO DEVERIA TER POR MIM? COMO OUSA? ARGH!

— Toma. — Estava tão distraído, que nem percebi que Bobby se aproximara de mim. Estendia-me uma garrafa de vodka: era só o que me faltava mesmo! Além de rebaixar-me à trabalhar ao lado de meus inimigos, também iria me sujeitar à bebida alcoólica, tal qual um humano qualquer — Vai precisar! — Ele murmura, após dar uma breve espiada na direção em que eu olhava. Lucífer ainda estava abraçado a minha Mona Lisa. Será que ele... Ótimo, agora todos sabem. Qual vai ser a próxima chantagem? Ora, dane-se! Apanho a garrafa e sorvo todo o seu conteúdo em um único gole.

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Notas finais
Espero que tenha saciado sua curiosidade, bonnie_black! =P rsrsrs