Mona Lisa

10 A Pipa, Um Banco E O Amuleto


Notas iniciais
Legenda Narração: (Ponto de Vista dos Personagens - 1a Pessoa) Mudança de POV - Point of view (Ponto de vista): ●๋..●๋ Diálogos: - Então por que? Por que nos fazer lutar? Só não consigo descobrir o propósito. Poesia: "Itálico" Lembrança: Negrito

●๋•..●๋•

“As cores se sobressaltam no ar

Cobertas pelo azul do céu...

Uma pipa colorida dança

Repuxada pela linha de alguma criança.

Mas quem se importa com um inútil brinquedo

Quando todos estão equilibrados por um único fio de esperança?

Castiel continua sendo "rejeitado"

Pobre coitado!

Pensa que ao grande Pai pode ser comparado

Seu súbito interesse por Mona Lisa é preocupante

Enquanto esta continua submersa as ilusões,

Sonhando que tudo possa ser como antes

E o Lucífer...

Lucífer continua com sua máscara presa ao rosto:

Conversa, brinca e sorri com Mona Lisa, a contragosto.

Isso sim chama-se mentira e falsidade -

Como sempre, a mentira corroe a verdade;

E todos estão cegos pela insanidade

Pelos seus próximos objetivos.

Melhor Castiel se cuidar

Seus “filhos” estão revoltados e desejam vê-lo sangrar, cair e se lamentar.

Todas as armas já estão prontas:

Então comecem a lutar...”


Castiel

A eterna quinta-feira a tarde do homem autista, morto afogado em uma banheira em 1953, continuava a ser meu Paraíso predileto. Ele podia ter o que quisesse, afinal, este é o Paraíso. Porém, ainda sim, escolheu reviver essa única tarde para sempre. Um desejo tão simples... Mais uma vez, via-me observando a pipa colorida, flutuando no azul da imensidão, quando ele chegou.

Solicitou minha presença, irmão? — A voz que soou vinda do outro lado do lugar tirou-me de minhas divagações anteriores. Lentamente, me volto para encarar Joshua, aborrecido com sua audácia, enquanto que este continuava a fitar-me, da mesma maneira serena.

— Sim. — Respondi-o frio e prossegui num tom autoritário — No entanto, devo recordá-lo: já não somos irmãos. Acaso esqueceu-se de que serve a mim agora?

— Perdoe, mas não sirvo a ti, e sim a meu Pai. — Tal atitude vinha me incomodando a muito: por ser um dos poucos que conheceu Deus em sua total plenitude, Joshua é o único anjo no Éden que insiste em ir contra mim. No entanto, sua utilidade é justamente essa: ser um dos quatro, que também viu Mona Lisa.

— Diga: o que sabe sobre a tal Alice? — O questionei, sem fazer delongas. Não seria prudente discutir com o mesmo. Precisava ser rápido e objetivo: o tempo era curto e diminuia a cada instante desperdiçado.

— Não muito. — Aproximou-se uns passos. Um sorriso discreto dançava em seus lábios — Ela e Lucífer estavam sempre juntos, era difícil vê-los separados. Verdade que, vez ou outra, Gabriel e eu tínhamos uns poucos momentos à sós com a pequena, porém, acontecia com pouca frequência. — Por um momento, seu olhar pareceu-me vazio, mirando o nada. De repente, avistou a pipa colorida e o rapaz de suéter vermelho.

— Continue. — Falo por fim, impaciente. A pausa feita por ele se estendia por minutos e, como já mencionei, estou inquieto.

— Alice era encantadora, uma companhia extremamente agradável. Uma pena que apenas ele não a visse assim... — Suspirou — Quem sabe nada disso estivesse ocorrendo agora. — Não se referia apenas a Guerra; entretanto, mais uma vez, resolvi ignorá-lo — Enfim, depois que Lucífer se foi, ela e Gabriel se aproximaram mais. Miguel nunca demonstrou-se muito afetivo com a menina, mas... — Interrompeu-se, deixando-me curioso — Conversei com ela à sós somente uma vez. Uma única vez, apenas. E, creio que não seja algo muito relevante. Sinto por não poder ajudá-lo...

— Conte-me. — Ordenei. Joshua sempre possuiu esse ar misterioso, no entanto, desta vez, sinto que está tentando esconder-me algo de importante. O mesmo mira o céu límpido e claro acima de nós, após respirar fundo.

— Se assim deseja: foi durante a Guerra. Ela soube, o tempo todo. Me pediu que ajudasse os Winchesters, que estavam sendo torturados por Zachariah em algum lugar do Paraíso. Implorou-me, entre o choro e as lágrimas, que os auxiliasse, e que não dissesse nada a Miguel. Foi impossível negar-lhe qualquer coisa. — Terminou, visivelmente atordoado com as lembranças.

— Isto é só? — Pergunto, indiferente. O homem autista continua com um semblante alegre.

— Diga-me você. — Joshua continua calmo, e sorri, de forma compreensiva. Ambos olhamos para o rapaz: pelo visto, demasiado entretido na brincadeira, na qual eu não via qualquer sentido. Quer dizer, existe realmente alguma graça nisso?

— Isto basta. — Com um meneio de cabeça, ele desaparece diante de mim, deixando-me novamente só com meus próprios devaneios. Tenho tantas dúvidas para um Deus! Pensei que ser Ele era esclarecedor, porém, parece-me desagrádavel em demasiado: lidar com tantos problemas, ter tantas preocupações, uma tarefa realmente desgastante (embora recompensadora). Voltei a observar o Céu: a pipa ainda pairava no ar.

●๋•..●๋•

Lucífer

— Posso me sentar com você? — Como se eu necessitasse de permissão para tomar assento ao lado dela naquele rústico banco de madeira... Mesmo assim, Alice assentiu. Obriguei-me a retribuir o sorriso que esta dirigiu a mim, à muito contragosto — No que está pensando?

— Coisas. — Respondeu-me, de modo vago. Balança os pés para frente e para trás, sem parar. Sapatilhas pretas, meias branças. Como estava ridícula!

— Coisas? — Repeti, franzindo o cenho.

- Coisas. — Confirmou, rindo. Arqueei uma de minhas sobrancelhas, num claro sinal de confusão — É tão bom te ver outra vez... — Já estou ficando aborrecido com essa garota! — Me permite fazer uma pergunta?

— Claro... — Que não! Provavelmente vai me questionar sobre algo idiota, como, por exemplo...

— Por que você foi embora? — Admito que não esperava por isso. Ainda não tinha pensado no que dizer a respeito, mesmo porque, não considerei a mera hipótese de ser surpreendido com tal indagação. Talvez Alice não fosse mais a menina tão bobinha de antes...

— Algo difícil de compreender. — Digo, ocultando a perturbação que tal pergunta me causara.

— Então explique-me. — Ela é persistente. Não será tão fácil cessar tais questionamentos.

— É muito complexo... — Desisto! Penso por um instante, me dando conta de que o melhor a fazer seria deixar isso claro de uma vez, para evitar aborrecimentos e complicações futuras — Olha, aconteceram muitas coisas. Subitamente, diversas mudanças ocorreram e digamos que eu não consegui habituar-me muito bem a estas. — O que, em parte, era verdade — Então, simplesmente parti.

— Se é assim, por que Miguel e você agora se odeiam? Não enxergo razão. — Insistiu.

— Digamos apenas que ele não aceitou muito bem a minha ida, por não compreender meus motivos e... — Respirei fundo, antes de continuar — Discutimos. Ele me espancou. Chamou-me "aberração". E eu fui embora. — Boa saída. Além de denegrir a imagem que Alice possuia de Miguel, consegui me safar, sendo tido como a "vítima". Sou mesmo muito astuto!

— Isso é... Terrível. — Hesitou, para depois prosseguir, pouco abalada — Lamento. Eu só não entendo por que... Por que não me contou nada disso antes?

— Não queria te magoar. — Odeio repetir essa mesma ladainha... Entretanto, o que posso fazer?

— Então jamais me deixe de novo. — Sorri.

Nunca. — Era o quarto ou quinto abraço que ela me dava naquela noite. Repulsivo. Já estou ficando enjoado outra vez — Já está amanhecendo. Vamos procurar Miguel e ir ao encontro dos rapazes. — Sugeri, esquivando-me da menina. Ela concorda, me estendendo a mão, a qual pego com certa relutância. O banco da praça tinha ficado vazio outra vez.

\"\"

●๋•..●๋•

Alice

O dia amanhecera frio e nublado. O Solstício de Outono já havia ocorrido, e o Inverno se aproximava rapidamente. Mais uma vez nos encontrávamos todos reunidos na casa de Bobby. A tensão inicial desaparecera, porém a situação de conflito permanecia. Dean e Lucífer trocavam olhares furtivos e desconfiados, sentados nos cantos opostos da mesa da cozinha, enquanto que Sam e Miguel continuavam indiferentes; o primeiro permanecia em pé, ao lado do irmão, onde sentado a sua esquerda encontrava-se o outro, alheio ao que se passava. Apenas eu estava próxima de Lucífer.

— Então, vamos ficar aqui o dia todo ou vocês já têm um plano? — Perguntou, adentrando o cômodo carregando uma garrafa térmica, que exalava um delicioso aroma de café. O ruivo esbolçava uma expressão de descontentamento deliberada. Era óbvio que aquilo era constrangedor.

— Acredite, se houvesse um meio de matar Deus, Lucífer já haveria descoberto... — Retrucou Dean, com uma expressão nada amistosa para meu irmão. Não entendi a provocação. Como assim, "matar Deus"?

— Castiel é apenas um anjo arrogante. — Disse, como se não tivesse escutado o último comentário.

— É, mas a lâmina dos anjos já não pode mais matá-lo. — O outro rapaz constatou, incrédulo.

— Antes de pensar em como detê-lo, o mais prudente seria encontrar um meio de achá-lo. — Miguel fez com que todos se voltassem para fitá-lo. Ele era realmente muito sábio — Dean, ainda carrega o amuleto que John lhe deu?

— Hã... — Relutou um pouco, antes de retirar do pescoço um cordão, onde o amuleto permanecia preso — Sim, por que? — A maneira como falava com o mesmo era diferente do tom que empregava ao dirigir-se a Lucífer: parecia ser mais respeitosa e contida; interessante.

Recorda-se de que, certa vez, Castiel disse que podia usá-lo para encontrar meu Pai? — O loiro assentiu — Eu também posso fazê-lo.

— Como? — Pela primeira vez, Dean demonstrava um real interesse por algo. Miguel estendeu uma das mãos para apanhar o objeto. Ainda receoso, o mesmo entregou-o.

— Sem dúvida, é muito antigo. — Explicava, enquanto examinava o talismã. Segurava-o entre os dedos, correndo os olhos sobre o mesmo, de forma minunciosa e atenta — Seu pai sabia disso. Um dos poucos... — Suspirou — Importa-se de deixá-lo comigo por mais algum tempo?

— Me importo sim! — Disse, tomando o objeto outra vez — Já disse que não confio em você ou no seu irmão, são dois trapaceiros espertalhões.

— Está bem. — O outro concordou, sem qualquer insistência ou comentário. Algo não está certo. Miguel vem agindo de modo estranho. Acho que devo falar com ele; quem sabe não descubro o que está acontecendo??

●๋•..●๋•

Notas finais
Especialmente para vc, Helo - espero que tenha curtido o capítulo! *---* Obrigada pela recomendação... Sigam o blog dela, gente: http://sunsetpoisoneditions.blogspot.com/, ela é uma excelente editora de capas, se precisarem, já sabem! ;)